Doce Inverno
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Não consegui deixar de pensar naquela criança, tão delicada... Tão solitária.
Suspirei enquanto me enganchava no galo de uma arvore, em frente á um sobrado de três andares, grande e com um belo jardim que estava coberto pela neve. Observei os brinquedos espalhados pelo chão, o balanço congelado e um escorregador pequeno. A criança daqui deveria ser mimada pelo jeito.
A arvore era de frente a uma janela. A janela pequena e com os vidros fechados, porém as cortinas abertas. Consegui observar o quarto rosa de uma criança repleto de brinquedos e uma cama com cortinas caindo ao redor dela, tão confortável...
Não pude deixar de me animar quando vi a mesma garotinha entrando no colo da mão naquele quarto. Foi uma bela coincidência. Tive que me controlar para não chamar a atenção da mãe da garota.
– Agora vamos tirar um cochilo. – disse a mulher.
– Não queeeero. – cismou a menina.
– Mas tem que dormir. Já tomou um banho quentinho, agora um cochilo. Meia horinha.
– Hum... – a menina resmungou, porém fora colocada na cama. As cortinas me impediram de vê-la, isso me deixou frustrado. Tive de me ajeitar na arvore até conseguir ver metade de seu corpo na cama, sua mãe a cobria.
– Que tal a historinha dos três porquinhos?
– Não. – resmungou a menina, e virou-se de costas para a mãe.
– Tudo bem, tudo bem. Vou só cantar.
– Nãããão. – tive vontade de rir da teimosia da menina. – Hum...
Observei a mulher suspirar e acariciar os cabelos da filha. Fiquei observando, me esticando para ver um pouco mais. Porém não consegui.
–-Papai,que corvo enorme! – gritou um garoto abaixo de mim, não reprimi e o encarei. – Que feio.
Feio é você, gorducho. Pensei mal humorado.
–-Vamos tirá-lo dali, ele atrai doenças. Procure a pedrinha – o velho ao lado do garoto disse. Antes que me acertassem alguma coisa – e eu manchasse a neve de sangue – eu sai voando para o mais longe.
Agora sabia onde aquela linda garotinha morava, em breve estaria aqui.
(…)
Gemi baixo de prazer enquanto tomava a cabeça para trás. Pude sentir o sangue escorrendo por meu pescoço, mas nem me importei. As virgens eram as mais gostosas.
Raras de encontrar.
Voltei a encarar a garota em meus braços, quase morta e com o pescoço completamente aberto em meus braços, semi-nua, algumas marcas naquele corpo branquelo demais por viver na região mais fria do mundo. Estava tão excitado que não reprimi outra mordida em seu corpo.
– Oh... — resmungou ela baixo, a dor era demasiada para que conseguisse falar.
Me ajoelhei na cama por cima de seu corpo e mordi meu pulso, deixando que algumas gotas pingassem em seus lábios e ela engolisse. O suficiente para fazê-la curar em um minuto.
Antes que ela recuperasse a consciência e gritasse, arranquei-lhe o resto da roupa e a mordi novamente, enquanto me afundava por inteiro nela, invadindo sua mente.
Sua mente estava tão aberta que não foi dificil me alimentar de suas emoções, meio inconsciente, eu consegui fazê-la se manter quieta e concentrar no prazer que lhe proporcionava, buscando o mais fundo de sua mente e me alimentando de meus segredos. Um segredo que poucos vampiros sabem: Além do prazer do sangue e do sexo, o prazer mental deixava você mais fortes para usar seus outros poderes.
Enquanto chegava na melhor parte, como sempre, a garota morreu. Seu cérebro fora danificado demais para continuar a trabalhar, pouco sangue circulava para que seu coração batesse. Então ela morreu em meus braços, e novamente fiquei frustrado por não chegar ao climax.
Saí da cama do hotel e pensei em que fazer com o corpo. O aquecedor barulhento me deu ideia de incêndio. Joguei alcool na garota e ateei fogo nela, pulando a janela e deixando que ela morresse. Ninguém me viu entrar, então não poderiam me ver sair também.
Transformei-me em um corvo e voei sem rumo pela cidade, até perceber aonde meus instintos me levaram: Para a casa daquela garotinha, que brincava animada e sozinha no tapete de seu quarto, repleta de bonecas, ursos e lápis de cor, fazia vozes diferentes para as bonecas e lhes ofereciam chá e chocolate quente.
– Senhor Tedy, gostaria de mais uma xícara de chá? — Perguntou gentilmente, com uma voz aguda que seria da boneca que tinha uma estrela tatuada no rosto. – Sim, por favor – sua voz foi grossa.
Eu senti vontade de rir, me aconcheguei na árvore e apreciei sua brincadeira inocente de criança.
(…)
Eu estava dormindo na árvore, quando o choro da garotinha me despertou e eu perdi o equilíbrio, mas consegui me agarrar no tronco da arvore antes que me transformasse em humano.
– MAMÃE, MAMÃE. PAPA, PAPA. – gritava a menina, desesperada. Busquei perigo em seu quarto e quis rir por ver que era uma barata perto de sua boneca loira. A garotinha chorava e tremia, acarrava-se na cama e gritou ainda mais alto quando a barata voou para o lençol da cama.
Eu queria entrar, tirar o inseto dali e fazê-la se acalmar, mas o vidro fechado era o principal obstáculo. E antes que eu pensasse em quebrá-lo, a mãe da garota entrou desesperada.
– O que foi? Oh Deus! Uma barata. Charlie, Chloe! – a mulher chamava. – Venha aqui princesa, vem.
Mas a pequena não foi. Ficou chorando com medo, até uma senhora com roupa de empregada, cabelos curtos e enrolados cor de mel, pele enrugada e branca aparecer, com uma colher de pau na mão.
– O que foi, senhora? – perguntou delicada, com sua voz grossa de velhice.
– Uma barata, ali.
– Oh, é por isso que a pequena chora? Tia Chloe vai matá-la.
A senhora retirou o sapato preto dos pés, e com um nhac nojento, esmagou a barata na cortina da cama.
– Venho que Suzan odiará lavar isto.. – suspirou.
A pequenina se levantou e correu até o colo da mulher, que a pegou no colo e a beijou delicadamente.
– Vá com sua mamãe enquanto a tia cuida disso, ok?
Ela foi embora, eu estava com sono e então me lancei ao céu, em busca de algum lugar confortável para dormir. Penetrei em uma casa, me alimentei de comida humana e então dormi por mais de doze horas seguidas, queria ficar com bastante energia para acompanhar os passos daquela garotinha que tanto me fascinava.
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