Doce Inverno
19 Capítulo 19
Notas iniciais
Dias depois.
Suspirei ao chegar na casa de Bella. Ela largou as malas na cama e me encarou.
– Estou sozinha. Completamente... sozinha! Rose se empolgou como eu disse e está viajando, Alice arrumou uma bruxa... Só tenho... você.
– E não basta? – me senti ofendido. Ela riu.
– Quis dizer... amiga, no feminino, Damon. Pra quem eu vou falar mal de você, tirar minhas dúvidas... essas coisas? – ela suspirou e me abraçou. – Eu não sei o que meu pai quer falar comigo. Só... só não sei,ele só... só é... distante e... só...
Eu a apertei contra mim, beijando sua testa.
– Vamos jantar pizza?
– Vou ligar lá, vai tomar um banho.
Ela assentiu e foi para o banheiro. Suspirei ao vê-la sair e fui ligar para a pizzaria.
(…)
– Vamos sair. – observei Charlie chegar, um pouco alterado pela bebida. Me remexi no quintal, inquieto. Não ficava como corvo há um tempo.
– Pra onde?
– Dar uma volta, Isabella.
– Pai, vamos conversar aqui.
– Eu sei que eu errei! Eu só quero te levar pra jantar, como pai e filha... Uma vez na vida.
– Vou só trocar de roupa, rapidinho.
Rapidamente eu corri para o quarto de Bella, a encontrando lá.
– Vai sair com ele assim?
– Eu dirijo. – ela deu de ombros. – não precisa ir, você pode ir caçar, ok? Só não exagera. Nada de mulheres. Ou mortes.
Revirei os olhos e a beijei.
A ajudei colocar o vestido roxo, depois que ela se arrumou, foi encontrar com seu pai. Ele tinha colocado uma jaqueta para sair. Não parecia tão agradável, mas servia para deixar que ela fosse sem uma aparente confusão.
A segui até o restaurante, com meu carro. Depois de descobrir o local, eu fui caçar. Acabei me distraindo na boate, dançando,mordendo aqui e ali...
Estava prensando uma garota na parede, beijando seu pescoço pronto para mordê-la. Sei que Bella não queria que eu fizesse isso, mas eu estava tão empolgado pelo sangue que eu me alimentava que não queria saber se eu podia ou não tocar a garota daquela forma. Não a beijei, estava apenas me alimentando, nada emocional. Eu não queria tocar outra pessoa que não fosse Isabella. Eu podia se eu quisesse, mas não queria.
Estava quase mordendo o ombro da loira quando meu celular vibrou. Ignorei e mordi a garota.Mas ele continuou tocando duas vezes, mandei a garota embora e atendi. Era Bella
– Desculpa... eu estava me ali...
– me ajuda. – ela sussurrou baixo, bem baixo.
– Bella? O que houve?
– Damon... na estrada, perto do penhasco, da praia. O carro saiu... eu to presa...
– Em que estrada?
– Eu não sinto minhas pernas... minha cabeça dói...
– Eu estou indo, me fala o nome da estrada.
– Eu não... – ela tossiu. – meu pai tá morto... Ele tá morto.
– Me descreva a estrada, Bella.
Ela tentou, devagar e gaguejando, me indicou onde estava a estrada. Continuei a fazendo falar do que sentia até chegar.
A grade do penhasco estava quebrada, havia marcas de pneus no chão e a luz da lua cheia era a única coisa que iluminava o local. Olhei para baixo e arregalei os olhos. Antes de chegar ao mar, havia pedras enormes que seguravam o carro, que estava de ponta cabeça, mas a parte de trás estava toda amassada, inclusive os lados.O que significa que ele foi rolando o tempo todo.
Pulei nas pedras e me agachei,olhando para Bella. Ela estava pendurada no carro, havia um ferro enorme que ultrapassava ao lado de sua cintura, havia furado a carne até. Saia sangue de sua boca e nariz.
– Ei, ei, cheguei. – disse a olhando. Ela abriu os olhos devagar.
– Não sinto... mais nada. – ela respirava fraco demais.
– Eu vou te tirar daqui. – olhei para o carro. Eu tinha que tirá-la dali, mas não havia como. Se eu mexesse, era capaz de ela morrer na hora. – Bells, consegue engolir meu sangue.
– Damon... a cabeça dele...tá rasgada.
Olhei para o pai dela, e vi que realmente, a cabeça de Charlie havia sido cortada quase ao meio por um enorme pedaço de vidro. Era horripilante ver aquilo.
– Olha pra mim, Bells. Esquece seu pai.
– Ele tinha prometido melhorar... E agora está morto. Ele está quase sem a cabeça! Ele... ia... pra reabilitação... ele tinha prometido...
– Bella, se acalma, ok? Eu preciso que você olhe só pra mim ok?
Ela virou o rosto para me ver. Eu suspirei e tentei mexer nos ferros, mas ela resmungou de dor.
–Consegue engolir meu sangue? Só um pouco.
– Vai me... transformar? – perguntou tossindo um pouco.
– Eu preciso te salvar. Você vai morrer. – resmunguei. Ela olhou para o pai dela.
– Não quero...
– Bella, pelo amor de Deus! Não posso reverter o que aconteceu, por favor. Não me deixa aqui.
Ela tossiu mais um pouco de sangue, mas assentiu pra mim. Mordi meu braço e, de mal jeito, coloquei na boca dela. Devagar e com pouco sucesso, ela conseguiu engolir.
– Vou tentar te manter humana ainda, mas...
– Não. Está doendo demais. Só...
Olhei para o motor que fez um barulho, arregalei os olhos vendo que ele explodiria.
Foi tudo em menos de um piscar de olhos. Assim que o motor pegou fogo, puxei Isabella com tudo do carro, rasgando completamente a sua pele e vendo um rasgo enorme se abrir nas coxas pelo ferro. E, enquanto ela soltava o maior grito que alguém já poderia ter soltado na vida, em segurei meu braço ao redor dela e saltei no mar.
Ouvi o barulho da explosão, vi pedaços de carro e de carne humana caindo na água, vi o vermelho que jorrava de Isabella no mar.
Então, algo aconteceu. Outra peça do motor explodiu e, antes que eu me desviasse, ela caiu bem onde eu estava com Isabella nos braços, mole e machucada. O impacto da maldita peça indefinida me deixou zonzo e fez com que, sem querer, soltasse Isabella para o fundo do mar.
Juro que tentei segurá-la, juro que tentei procurá-la, mergulhei na imensidão azul tantas vezes... Mas Isabella estava perdida no Oceano Pacífico e eu nada podia fazer para encontrá-la.
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