Doce Criminal
2 Uma longa caminhada
Notas iniciais
"Quem sou eu?"
Por trás do capuz negro estou eu, Bruno. Você pode estar se perguntando como estou nessa situação, é uma história longa que começa aos meus 7 anos de idade quando me mudei pra São Paulo. Eu, garoto do interior de Minas não imaginava o quão grande uma cidade pode ser com tantos prédios, comércios e pessoas indo e vindo e naquele momento até os animais me pareceram tão diferentes do que costumava ver. Meu pai, Roger, conseguiu uma oportunidade de emprego para mudar a nossa vida difícil da roça e arrastou consigo os seus três pequenos. Três crianças admiradas com o centro de São Paulo: Eu, Tuco e Ritinha.
Naquela época nossa mãe já não existia, havia morrido no parto de nosso quarto irmão que também não sobreviveu. Ela deixou então seus pimpolhos para a cidade cuidar e logo fomos metidos na escola pública, nos habituamos rápido àquela rotina paulista e às pessoas tão rudes. Eu então me lembrava de como mamãe era doce e dedicada para qualquer que fosse o moribundo.
Cresci com uma forte ligação a meu irmão Augusto, que chamávamos de Tuco. Andávamos juntos por todos os cantos descobrindo ruas e apelidando cada cantinho das praças abandonadas de "nosso esconderijo". Tuco era três anos mais novo, mas mesmo assim era ele quem me ensinava as lições da escola, era um garoto muito esperto, ao contrario de mim. Já Rita, sendo a mais velha de nós, não chegou a frequentar as escolas da região, mas se tornou uma dona do lar exemplar que cuidava de nós tão bem quanto mamãe.
Quando cheguei aos 16 anos perdi meu pai em um grave acidente de trabalho, sem sustento nos encontramos à margem prestes a sermos despejados da pensão. Rita passou a trabalhar lavando as roupas da vizinhança e eu e meu irmão abandonamos a escola para exercer o oficio de nosso pai nas obras civis da cidade, mas eu era de uma moleza e preguiça, logo me senti explorado e não rendia como os outros serventes e depois de dois anos de trabalho árduo abandonei o serviço.
Não encontrava nada que me para trabalho e o custo de vida no centro de São Paulo ia aumentando cada vez mais e meus irmão já não davam conta de pagar tudo, passávamos por bons bocados e tudo o que eu queria era fugir daquela realidade, comecei a passar todo o meu tempo nas ruas vagando sem destino, gostava de admirar as antigas construções. E foi de tanto caminhar que vi ela pela primeira vez, Lucia.
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