Doce Criminal
10 Nova gangue do Centro
Notas iniciais
" Eu sentia minha alma crescer, um cordeiro se tornar leão."
O fato de estarmos envolvidos em um assassinato era de se preocupar, mas naquele momento existia um problema ainda maior: Jânio.
Àquela altura o canalha já estava atrás de mim e da grana. Lucia começou a ter problemas em seus negócios com ele, mas por razões que eu mesmo não sabia explicar existia um respeito em relação a Lucia que mantinha sua integridade entre aquelas pessoas. Aliás, Jânio não sabia do envolvimento dela no assalto, fato que me trouxe benefícios já que fiquei com todo o mérito do serviço bem sucedido.
– Você está com moral por aqui, garoto. Não sei se devo te parabenizar ou não.
Lucia me dizia por telefone, naqueles dias fiquei foragido e acabei voltando para a casa de minha família. Por lá as coisas não haviam mudado, Rita ainda trabalhava muito e ganhava pouco, aquela beleza da juventude ia sendo substituída por olheiras escuras que ofuscavam os verdes de seus olhos. Contei tudo o que ocorreu no período em que estive fora e dei uma boa parte do dinheiro para eles, Rita ficou indignada, mas também não recusou a grana. Já Tuco temia muito pela minha vida:
– Bruno, O que você está fazendo? Tem um monte de gente aí fora querendo acabar com você! Nós já perdemos nossos pais, precisamos apoiar um ao outro e ficarmos juntos. Eu não posso perde-lo também.
– Então me ajuda, eu estou sozinho nessa e você é a única pessoa que pode me ajudar. Pensa irmão, nós estamos nessa miséria toda e eu já me meti na confusão e tenho que ir até o fim. Vamos nos unir e mudar tudo isso.
Eu poderia estar sendo egoísta em tentar meter meu irmão nessa situação, mas ele era a única pessoa inteligente e confiável que poderia me ajudar.
Foi então que Tuco decidiu me ajudar, primeiramente para assegurar minha vida e depois pelo dinheiro que eles tanto precisavam. Com Tuco como aliado me sentia muito mais forte e corajoso, então pegamos uma parte da grana e fomos atrás de armamento o que seria mais fácil já que Lucia tinha acesso ao tráfico de armas.
Marcamos nosso encontro em um rock bar próximo à Praça da República. Tuco e eu sentados em um pequeno sofá conversávamos ao som de Thunderstruck, Lucia então chegou com aquele rebolado único e sensual, usava um vestido preto de couro e seus lábios vermelhos destacavam nas luzes piscantes.
– Olá meninos. – Ela sentou ao meu lado.
Tuco pareceu intimidado na presença dela, Lucia era estonteante e muito atraente. Dei-lhe um beijo quente e apoiei minha mão em sua coxa torneada, ela era como um troféu que eu adorava exibir.
– Esse é meu irmão Tuco. – Apresentei um ao outro.
– Então o garoto convenceu você a fazer essa besteira?
Tuco apenas sorriu assentindo, ele parecia nervoso diante de Lucia e isso começou a me incomodar.
– Bom, e o que você conseguiu meu amor? – Não usávamos esse termo um com outro, mas achei necessário pra deixar claro que tínhamos uma relação. Lucia me olhou como se eu tivesse algum problema, mas não disse nada a respeito.
– Não é muita coisa, mas vai ajudar: 2 revólveres, 2 pistolas e bastante munição. Tudo vai sair por 30.000. Gostaram?
– Está ótimo! – Tuco disse, como se entendesse de armamento.
Era bom pra começar, daí em diante tínhamos que nos concentrar numa maneira de Jânio dar uma trégua.
– Ele está puto – Lucia dizia rindo – Jurava que você ia morrer. Agora quer a grana a todo custo, e não vai desistir de se vingar, garoto.
– Vamos ter que encarar.
Não existia outra saída.
Bebemos e rimos muito, mas quando o relógio apontou dez para 1 da madrugada Lucia foi embora para seu trabalho e eu tentei me concentrar em outra coisa que não fosse imaginar ela com seus clientes.
– Ela é uma mulher e tanto. – Tuco disse admirado – Mas tem cara de perigosa. Você confia mesmo nela?
– Ela se arriscou por mim, eu sei que ela não admite, mas deve sentir algo forte por mim.
– E você, pelo visto, sente por ela.
Foi enquanto conversávamos que uma jovem surgiu atrás de nós tomando Whisky, e sentou no balcão do bar.
– Cara – Tuco me cutucou – Olha aquela mina ali.
A menina devia ter seus 19 anos, tinha os cabelos curtos com tons de preto e roxo, usava uma calça rasgada e coturnos militares, seu corpo era magro e alto, seus olhos eram azuis e seu rosto era dócil apesar do conjunto todo parecer tão rude.
– O que tem ela? Ficou interessado?
– Não sei – Tuco deu de ombros – Ela me parece uma pessoa que encararia fácil uma encrenca.
E pode crer que era. Seu nome era Natasha.
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