Doce Criminal
6 Garoto
" Vida, se você realmente me escolheu decido agora abandonar a figuração e me tornar o ator principal."
Uma noite enquanto dormia no quarto de Lucia alguém começou a bater na porta ferozmente.
Era Jânio.
– Cadê aquela vagabunda?
Aquele homem baixinho e careca não se deixava intimidar, tinha os olhos vermelhos de ódio talvez, ou droga. Usava jaqueta de couro, colar de ouro e sua pistola ficava amostra na cintura. Ele sempre me olhava com desdém e não suportava minha presença ao lado de Lucia.
– Ela vai voltar só de madrugada.
–Aéh? — Ele rondava pelo apartamento segurando o cano da arma na calça- E você quem é agora? O marido dela?
Não poderia responder àquela pergunta, nem eu mesmo sabia.
Ele me encarava com audácia, e se não fosse por Lucia teria medo daquele cara.
– Vou te falar quem você é, um bosta que vive as custas de uma prostituta! — Ele falava cuspindo em meu rosto.
Jânio me dava repulsas, mas tinha razão em partes porque eu realmente vivia a custa de meus irmãos e de Lucia e então percebi que para estar ao lado de uma mulher como ela precisava virar um homem de verdade. Eu decidi que deixaria de ser um bosta, mas tudo tem seu preço.
– Bruno, esquece. Você não vai trabalhar pro Jânio. Perdeu o juízo?
Lucia tentava me convencer de desistir da ideia, " Ou um trabalho limpo, ou nada". Ela queria me manter fora de toda aquela máfia que ela estava subjugada.
– Não! Eu preciso fazer alguma coisa, eu estou parecendo um mané do seu lado. Você merece um cara melhor, como o Jânio.
Lucia pareceu surpresa.
– Comeu merda? A sua concepção está distorcida e a culpa deve ser minha. O Jânio parece legal pra você? Pois vou te dizer que pra mim aquele cara é um porra de merda. Agora para de falar bobagens e amarre meu espartilho, garoto.
Então vi Lucia sair por aquela porta mais uma noite e sozinho naquele quarto parecia mesmo um garoto "reclamão", tomado pela coragem de mudar de vida eu saí logo e seguida à procura de quem mais odiava. E lá estava Jânio fumando um cigarro na esquina.
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