Doce Criminal

7 O Amor e um 38


" E ela nua, com a arma na mão, dançava pra mim."

Jânio me viu chegar de longe e chamou seus comparsas para sua solene recepção:

– Olha quem está aí! O mascote da piranha.

Seus capangas riram, um deles era tatuado e usava roupas sujas me olhava com curiosidade. Bando de Putos.

Sem perder tempo com provocações fui direto ao assunto:

– Jânio, eu sei dos seus negócios com Lucia e eu estou com ela agora. Preciso de grana e quero saber o que você tem pra mim?

– O quê? — Jânio arregalou seus olhos avermelhados e começou a rir como se eu tivesse contado uma piada, e das boas — Pessoas como você não servem pra mim.

– Eu posso te provar que sirvo! — Estava quase implorando, mas sutilmente e com malandragem.

Enquanto ele ria da minha cara um dos seus aliados cochichou alguma coisa em seu ouvido, ele se pôs a pensar e mandou em seguida:

– Eu desafio você!

Jânio tirou a arma da cintura e me ofereceu, hesitei por um momento mas decidi pegar o objeto. Era frio e mais leve do que imaginei, minhas mãos suavam frio ao segura-lo. A pistola me deu uma sensação de poder indescritível.

– O que eu tenho que fazer?

– É simples, você vai assaltar a residência de um cara que anda atrasando o meu serviço, eles guardam um cofre em um dos quartos. Você vai me trazer a grana e mostrar do que é capaz, se conseguir sair vivo de lá leva 10 mil pra você e sua piranha gastar.

Não tinha como recusar aquela quantia, acenei firme com a cabeça e guardando o presente na cintura saí suando frio.

Logo Lucia soube do que eu tinha feito e ficou decepcionada.

– Aonde quer chegar? — Ela perguntou acariciando meus cabelos negros.

Custou muito tempo até convence-la a me ensinar usar o revólver.

– Isso é um três oitão, garoto — Ela me dizia estudando a arma como se fosse uma cientista de laboratório analisando amostras.

Mãos tão delicadas que sabiam puxar o gatilho.

– São cinco tiros, neném. Mas lembre-se que se você tiver que atirar é porque fodeu — Ela mostrou o gatilho, retirou as balas e colocou de volta com maestria.

Lucia se posicionava atrás de mim diante do espelho e me ajudava a segurar firme o 38, apontar e atirar. Ela ficava ainda mais atraente de lingerie e uma arma em mãos. Simulávamos tiroteios e até lutas corporais, Lucia me mostrava maestria na autodefesa e nossas aulas viravam brincadeiras e terminavam em caricias na cama do hotel.

E foi em uma dessas madrugadas que cometi um grave erro. Depois de beijos, abraços e caricias eu disse o que não se pode dizer a uma mulher como ela:

– Lucia, eu te amo.

A mulher nua se libertou de meus braços e apertando meu rosto em uma das mãos fez-se ameaçadora:

– Nunca mais diga uma porra dessas!

Notas finais
pretendo estar postando pelo menos uma vez na semana *---* espero que gostem do desenvolvimento. A opinião de vocês é importante.