Doce Como Chocolate
7 Capítulo 6
Notas iniciais
O loiro perdeu o ar pelo impacto repentino de suas costas se chocando contra a parede. Marceline estava completamente fora de si. Seus olhos negros como a noite deram lugar a olhos de um vermelho sangue assustador. Seus caninos pareciam ter duplicado de tamanho, mais afiados do que nunca. Segurava Finn pela gola da camisa sem deixar que os pés do menino tocassem o chão enquanto ela flutuava carregando aquele corpo magro e um tanto infantil.
— Marceline, não!! – O cão mágico gritara vendo que a rainha dos vampiros preparava-se para socar o rosto do garoto ainda atordoado. Segundos antes dela levar seu punho em direção ao rosto de Finn, Jake esticara seus enormes braços, segurando-a pelos pulsos e lhe puxando com força pra longe, deixando Finn cair sentado no chão. O cão usou seus poderes para prender Marceline em seu corpo, dando várias e várias voltas até deixá-la imobilizada diante da imensidão amarela e elástica que era o cachorro mágico.
— Marceline! O que diabos está fazendo?! Você enlouqueceu?! – Jake falava em tom de reprovação, olhando-a nos olhos, vendo que aos poucos a vampira estava ficando mais calma. Aquela raiva intensa, em questão de segundos, se converteu em lágrimas. Lágrimas de dor e arrependimento que escorriam pelo rosto pálido da garota, agora inofensiva. O humano levantou-se com um pouco de dificuldade, recobrando o ar que lhe faltava. Viu a vampira ajoelhar no chão quando Jake lhe soltara. Marceline chorava e esbravejava, com as mãos fechadas, enquanto descontava no chão sua revolta. O jeito que a vampira chorava era de partir o coração. O humano observava tudo sem dizer uma palavra e aproximou-se ainda um pouco assustado.
— O que houve Marceline...? Porque você me atacou daquele jeito? – Finn perguntara preocupado, ainda não entendia o porquê de ter sido alvo de um ataque e logo da Marceline, a quem ele tinha tanto carinho. Ela era definitivamente sua melhor amiga da terra de Ooo depois do Jake, é claro.
— Desculpa Finn.. – A vampira soluçou fazendo o loiro abraçá-la – A Bonn.. – Marceline Não conseguia pronunciar aquele nome sem sentir um enorme aperto no peito. E pensar que agora ela estava perdida por aí, que alguém poderia estar fazendo-lhe mal, ou até mesmo que ela já não estivesse mais em condições de ser salva.. — E se ela já estiver mort..
— Marceline! – Finn interrompeu seus tenebrosos pensamentos depois de chamá-la pela terceira vez – Nós vamos encontrá-la.. Okay? Eu prometo! Mesmo que isso custe a minha vida... – O loiro mantinha um olhar confiante, mesmo que por dentro estivesse completamente destruído e perdido. Era seu trabalho fazer bem as pessoas, cuidar delas e mantê-las sãs e salvas. Sua melhor amiga com certeza não poderia ficar de fora das suas obrigações como herói. – Eu vou encontrar a princesa. – Ele concluiu abraçando forte a rainha dos vampiros, que parecia estar perdida em pensamentos com um olhar inconsolável.
Jake se perguntava o porquê daquilo ter abalado tanto Marceline. Ela nem gostava da Jujuba mesmo, nem se olhavam na cara e muito menos conversavam. Só brigavam o tempo todo e trocavam juras de ódio a cada segundo... Ou pelo menos, era o que ele pensava. As duas tinham tantos segredos lindos guardados consigo.. Segredos que só o mais puro dos corações entenderia ao ouvir..
— Não sabia que se importava tanto com ela.. – Jake comentou baixinho.
— E o que você sabe afinal ? — Marceline protestou.
— Vocês se odeiam. Não me julgue por você mesma estar provando o contrário disso -
— Quem disse que eu me importo?!! – A vampira rosnou tentando parecer brava. Mas aquilo não era hora de bancar a durona. Marcy continuava sendo.. Marcy. Não podia deixar que um segundo de descontrole colocasse tudo a perder. – Só não quero minha maior inimiga nas mãos de qualquer idiota! – Mentir naquela cara de pau era ridículo, mas era impressionante como em segundos ela parecia estar totalmente recuperada do choque emocional de minutos atrás. Marceline sabia mesmo disfarçar.. – Só eu posso fazer maldade com a Jujuba!! E não ADMITO que outra pessoa faça isso sem que seja eu mesma! – A vampira bufou fazendo uma mecha negra dos seus cabelos flutuar por cima dos seus olhos. Finn sorria um tanto contente. Sabia que a vampira se importava o suficiente para nunca admitir. Ainda lembrava de quando ela se abrira com ele, depois de encher a cara com ponche de maçã, no dia em que dormiu na casa dos meninos para a “Super, mais incrível, noite de jogos do Finn” O engraçado era saber que ela não se lembrava de nada no dia seguinte. Mas ele estava sóbrio o suficiente para não esquecer nem um detalhe.
— Você quer nos ajudar a procurar pela princesa, Marceline? – Finn perguntara. A vampira pareceu pensar sobre a proposta, mas terminou por soltar um “hunf!” e voar janela a fora como se nada tivesse acontecido, deixando o cão mágico completamente confuso.
— Cara, o que diabos acabou de acontecer aqui?! Minha cabeça ta dando voltas, meu irmão!! – O melhor amigo do loiro perguntou enquanto fazia sua cabeça ir ao teto e voltar com uma expressão distorcidamente sexy. Só que não. Fazendo o humano rir.
— São mulheres, cara! Vai entender! Uma hora você é o melhor amigo delas, minutos depois querem arrancar seu couro ou te empalhar para a ceia de natal! – O humano ironizou.
— Ainda bem que a minha linda Iris não é assim.. – Jake suspirou aliviado.
— Não até você fazer aquilo... que as mulheres odeiam... – Finn comentou com um ar de suspense e terror.
— O que?! O que as mulheres odeiam?! ME DIZ CARA, POR FAVOR! – Jake perguntou apavorado. Não queria nem imaginar...
— Aquilo que as mulheres mais odeiam é... – Suspense.
— O que Finn? fala logo!-
— Sei lá cara, eu não sou mulher – O loiro comentou dando de ombros.
— Er.. Faz sentido. –
— O que vocês dois estão pensando?! – O mordomo menta pareceu surgir por brotamento no meio do corredor, assustando os dois – Como ousam sair daquele jeito no meio de um anuncio real?! –
— Er.. Desculpa aê. Tivemos um probleminha, uma vampira maluca queria assassinar o Finn bem aqui no meio do castelo, mas se quiser, da próxima vez eu deixo eles se arrebentarem, quebrarem tudo aqui dentro e lutarem até a morte quando um arrancar a cabeça do outro e.. – O entusiasmo do cachorro foi cortado por um olhar severo do Mordomo que o fez engolir seco – Credo! – O cão correu até as pernas do melhor amigo, se escondendo ali. Aquele Mordomo sabia ser assustador quando queria.
— Vamos, vocês dois. Temos trabalho a fazer — Menta comentou – Vamos investigar sobre o sumiço da princesa. -
— É hora de aventura! – Finn esbravejou contente, mas continuava com aquele sentimento incômodo de culpa.. Sabia bem porque Marceline havia agido daquela forma.. Era meio óbvio que ela explodiria ao saber que havia perdido alguém importante pra ela quando o próprio Finn jurou protegê-la. Ele havia feito uma promessa... Mas ainda havia tempo pra cumprir!
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O sol já estava se pondo.. Não havia nada pior do que estar ali mesmo sabendo que, pra falar a verdade, eu realmente não estava. Era como.. Estar invisível. Tudo bem que eu desejei foi me tornar invisível com aquela poção, mas não desse jeito! Meus súditos me olhando sem aquele sorriso acolhedor, perambulando por mim como se eu fosse um nada. Apenas mais uma no meio da multidão... Por quanto tempo ainda tenho que ficar assim...?
— Ei dona, cuidado! – Uma voz infantil me alertou tarde demais quando uma bola veio na minha direção, passando por mim e acertando em cheio as águas da fonte onde eu estava sentada, me fazendo ficar encharcada.
— Nossa, tia! Desculpa! – O pequeno cupcake se lamentou com os olhinhos sinceros. Não tinha como não perdoar aquele anjinho... Recolhi sua bola e entreguei a ele com um sorriso doce no rosto.
— Tudo bem, querido.. só tome mais cuidado da próxima vez. Ta bem? – Dei duas batidinhas em sua cabeça, ainda sorrindo com carinho. O pequeno cupcake me deu um sorriso muito meigo.
— A senhora é nova aqui? Bem vinda ao Reino Doce! É o melhor lugar do muuundo todo pra se viver, sabia?! Nós temos a princesa mais linda e bondosa da terra de Ooo! – O pequeno falou entusiasmado. Um sorrisinho fraco brotou em meus lábios.. Sou eu pequenino... Eu sou a princesa Jujuba... – A senhora deve ter vindo de muito, muito longe para estar tão suja de lama! – Ele comentou curioso observando meu vestido. Corei até as orelhas de tanta vergonha.
— P-Pois é! Muito, muito, muito longe! É! – Comentei rindo sem graça.
— Jerry! O que está fazendo?! – Vi uma senhora Cupcake se aproximar segurando a mãozinha do menino – Desculpe, ele está incomodando você? – Ela perguntou
— Não! Jamais. Ele é um amor de menino.. – Sorri pra ele e Jerry me retribuiu o sorriso.
— Ainda bem! De qualquer forma, desculpe! Ele vive arranjando problemas! Vamos Jerry! – A mãe saiu puxando o pequeno cupcake e antes de se afastarem demais lhe ouvi sussurrando baixinho – Já disse que não é pra conversar com estranhos! Ainda mais aquela mulher mal vestida e suja, não chegue perto dela! –
Meu coração se tornou menor que uma formiguinha... O garotinho parecia nem dar atenção, ficava tentando olhar pra mim apenas para acenar com a mão. Sorri segurando uma lágrima e acenei de volta, fazendo ele me retribuir o sorriso. Apoiei minhas mãos marrons sob o murinho da fonte e encarei minha imagem refletida ali.. Não que eu estivesse feia ou parecendo uma aberração. Porque.. Com certeza, não estava. Mas.. É tão estranho se ver e não reconhecer seu próprio rosto...
Passei minhas mãos achocolatadas pela água, embaçando aquela imagem. Ao tirar minha mão dali notei que a cor marrom... Ainda estava lá. Então, com certeza não saia com água, não é mesmo?
Uma súbita raiva tomou conta de mim. Mordi o lábio inferior sentindo o peito esquentar com aquele sentimento furioso que parecia querer explodir. Eu quero voltar a ser rosa!! E farei o que for preciso pra isso acontecer! Quanto a Marceline... Como ousa me deixar sozinha no meio daquela multidão, sabendo que eu nem consigo andar direito?!
— Não acredito que ela me deixou sozinha aqui e saiu voando daquele jeito sem nem se despedir! Argh! Idiota! Mal educada! Vampirinha sem sal ! – Continuava resmungando sozinha, sentada e emburrada sob a a fonte que ficava na praça. Foi o único lugar pra onde consegui “andar” com a perna desse jeito.
— Sem sal, hm? Vou me lembrar disso quando outra criatura estiver prestes a te devorar. Nem se preocupe... – Gelei ao ouvir aquela voz arrastada falar baixinho no meu ouvido me fazendo quase pular de susto.
— Pelo amor de Glob!! Ta querendo me matar?! – Gritei repousando a mão sob o peito. Se eu não morri do coração agora, não morro nunca mais! Espera...
— Pra onde você foi?! – Perguntei num tom de repreensão – Eu quase fui atropelada pela multidão de doces, tive que vir me arrastando até aqui e poderia ter morrido afogada no fundo da fonte, sabia?! – Tudo bem, eu exagerei um pouco.. Mas estou brava demais pra admitir isso.
— E quem disse que eu tenho obrigação de proteger você? Já disse, foi só daquela vez. Não se acostume. – Ela comentou com uma indiferença tão perfeitamente colocada que me fez ficar louca de raiva.
— Quer dizer que se eu estivesse pra morrer bem aqui! Você não iria fazer nada?!! – Ela continuava me deixando louca da vida! Que inferno! Mas.. O que.. Ela ta rindo?! Eu vou MATAR ESSA VAMPIRA IDIOTA!
— Ai, cadê ar? Cadê? Ah, não. Pera.. Eu não respiro. – Marceline caiu na gargalhada novamente. Sempre com suas piadinhas idiotas.. Gargalhando feito uma bobona.. E eu.. Eu adoro isso.
— Idiota! – Comentei com ar de riso.
— Sua perna ta melhor? – Ela me perguntou sentando-se ao meu lado na fonte. A bipolaridade dela definitivamente me assusta. Uma hora ela pouco se importa, na outra ta me perguntando se estou bem.. Eu acho que nunca vou entender a Marceline.
— Claro que não! Se estivesse eu já tinha ido embora daqui! – Resmunguei.
— Embora pra onde? A propósito, você ainda não me disse onde mora. –
— No cast.. – NÃO! NÃO! NÃO! – Castanha! –
— Você mora numa castanha? – Marceline ergueu a sobrancelha com uma expressão muito engraçada. De onde diabos eu fui tirar uma castanha?!
— Não! Ai Glob.. É que... eu.. Argh – Suspirei derrotada. Sempre fui péssima com mentiras improvisadas. – ..Pra falar a verdade, eu não tenho onde morar – Inconscientemente enterrei o rosto entre as mãos. Pensando melhor, eu realmente não tinha onde ficar. Não posso voltar ao castelo, pelo menos, não desse jeito. Mas que droga..
Marceline me respondeu com um aceno de cabeça e então um silêncio incômodo se instalou entre nós. Não pude evitar olhar pra Marcy enquanto me escondia naqueles cabelos de chocolate. Mesmo com essa feição emburrada ela continua tão.. Linda.
— Okay! É isso aí! – A voz alta de Marceline concluiu do nada, batendo as mãos e levantando sem aviso prévio.
— Han? O que? – Perguntei totalmente confusa. As vezes queria entrar na mente dela só um pouquinho! Pra descobrir com antecedência as coisas que ela está pensando. Hm.. Preciso criar um dispositivo desses depois.
— Acho que você pode passar um tempo lá em casa até encontrar um lugar pra ficar – Ela parecia pensativa, mas certa do que disse.
— Ta falando sério? – Eu estava realmente surpresa dessa vez. Marceline nunca teve muitos amigos. Chamar uma estranha pra casa dela assim, sem nem conhecer, por pura caridade? Awn Marcy! Não sabia que no fundo você tinha um coração tão bom!
— Claro! Preciso de alguém pra arrumar aquela bagunça –
— COMO É?! Ta me achando com cara de empregada?! — Retiro tudo que disse! Ela continua uma idiota!
— É pegar ou largar – A vampira perguntou com indiferença. Fiz um bico enorme. Eu não tinha escolha.. Não poderia voltar ao castelo e também não queria ficar na rua..
— Okay! Fechado! Mas.. Só vou te ajudar quando minha perna melhorar! – Permaneci emburrada e com os braços cruzados vendo Marceline soltar um suspiro derrotada.
— Certo.. Certo.. Sobe aí! – Ela disse se ajoelhando, de costas, para que eu pudesse subir.
Pra quem disse que nunca se ajoelharia pra uma princesinha arrogante como eu, isso parece no mínimo irônico. Espera só até ela saber!
Ri internamente com esse pensamento. Já estávamos no ar, prontas para sair, quando uma voz aguda e irritante se fez ouvir.
— MARCELINE!! – Algo nos puxou pra baixo fazendo com que ambas caíssemos no chão.
— Mas que porr.. – Não consegui terminar a frase. As palavras pareciam ter desaparecido quando vi uma garota estranha pular em cima da Marcy, agarrando-a como se já fossem.. íntimas. intimas até demais!
— Marceline! Mas que porra é essa?! – Perguntei indignada.
— Amor, quem é essa aí? – A menina ruiva me indicou com os olhos. “Essa aí” ?! Ela sabe com quem ta falando?!
— Olha aqui, pra sua informação, eu sou... –
— Ah! Desculpa amor, eu te machuquei!? – Essa cretina me ignorou completamente! Como ousa?!
— Sai de cima de mim! – Marceline rosnou revirando os olhos.
— É assim que você trata sua namorada depois de tanto tempo ?! Que rude... Acho que alguém está merecendo uma lição – A garota sorriu maliciosa encarando uma Marceline que não conseguiu disfarçar ao ficar vermelha.
— Namorada...? – Não acredito no que acabei de ouvir... Marceline tem.. NAMORADA?!
— Lily, sai de cima de mim! – Marceline esbravejou e voou alto derrubando a ruiva no chão. – Enlouqueceu?! – A vampira perguntou meio desnorteada. – Já mandei você me deixar em paz! –
— Mas, mas, amorzinho.. – A garota choramingou. Ela era muito bonita, tinha olhos esverdeados e um corpo cheio de curvas. Era uma garota confeito. Tinha longos cabelos ruivos de canela. Marceline voou rapidamente pra perto de mim, me levantando, tentando me ajudar a ficar de pé.
— Me solt..- Antes que eu pudesse terminar Marceline me agarrou forte e voou com toda velocidade para o alto, deixando a garota confeito gritando sozinha como uma louca no meio da praça. Quando percebi já estávamos bem acima do Reino Doce e eu estava agarrada bem forte ao pescoço da Marcy, que me segurava com todo cuidado.
— Desculpa.. – Ela disse baixinho.
— T-Tudo bem.. – Estávamos muito alto... Novamente me vi congelada de medo. Admito que a chama de ódio que eu sentia no coração se acalmou depois de ficar nos braços dela.
— Aquela garota não significa nada pra mim. – Ela falou indiferente.
— E eu com isso?! – Fiz bico. Não me interessa! Tsc!
— Verdade. Você não tem nada a ver com isso. Eu nem mesmo te conheço, mas.. Sei lá.. Só senti como se eu realmente tivesse que te dizer isso. Parece.. Estranho, não? – Marceline me perguntou enquanto nos afastávamos do castelo, sobrevoando um campo cheio de flores amarelas. Se ela soubesse quem eu sou.. Talvez entenderia o porquê desse sentimento..
— Nem tanto.. – Falei baixinho.
— Hm? –
— Nada, nada! – Soltei uma risadinha nervosa.
— Você é.. Estranha Emily. –
— Quem é Emil.. AH! É – Soltei uma risada alta pra disfarçar. – Eu. É, eu.. Sou. – Comentei com um sorriso bobão no rosto. Preciso me acostumar com isso, logo ou ela vai pensar que tenho dupla personalidade e me largar de volta no meio da floresta. Pude ver um sorriso aparecer minimamente em seus lábios, o que me deixou curiosa. – O que foi? –
— Nada.. — Ela negou com a cabeça — Se segura! – Agarrei forte o pescoço da Marcy quando ela começou a voar por entre as flores amareladas. Estiquei a mão sentindo várias delas passarem pelos meus dedos enquanto voávamos. Era incrível!
— Olha! Uma flor vermelha alí! – Gritei.
— Onde ?! –
— Ali! Bem al.. AAH!! – Em uma fração de segundos pensei que fosse cair. Esqueci completamente de segurar na Marceline quando fui apontar a flor. Meu corpo atingiria sem dó o chão se não fosse a Marceline pra me segurar no momento exato, fazendo nossos corpos rolarem pelas flores, o que amorteceu nossa queda.
— Ai.. – Resmunguei apertando os olhos, sentindo a perna estremecer de dor. Ao abrir os olhos meu coração acelerou de uma forma tão impressionante que parecia esmurrar meu peito. Marceline estava por cima de mim, seu rosto bem perto do meu, os olhos negros mais lindos da terra de Ooo me encarando sem uma centelha de luz..
Então lentamente a vampira foi aproximando o rosto do meu, sem tirar os olhos de mim. Sua boca se entreabriu e eu instintivamente fechei os olhos vendo-a se aproximar.. Estávamos tão.. Perto.
E então...
Continua
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