Doce Como Chocolate
15 Capítulo 14
Notas iniciais
Num golpe certeiro Finn havia conseguido rasgar o tecido preto que antes atrapalhava sua visão. Sem demora o garoto pulou em direção à fumaça rosa e lilás que rodeava o ambiente.
– Emily? Cadê você?! — O loiro gritava desesperado tentando inútilmente afastar a neblina do seu caminho enquanto balançava a sua espada.
– Finn! Porque diabos está gritando?! Nossa, eu mal ponho meus pés em Ooo e você já está fazendo esse estardalhaço? Garotinho bobo. — Uma voz doce e conhecida fez o coração do jovem rapaz beirar ao infarto. Os olhos azuis percorreram as árvores até encontrar uma figura rosada e esguia a sua frente. Não poderia acreditar no que estava vendo.
– Princesa… Jujub..
– Quem mais poderia ser? — A princesa ergueu as sobrancelhas em ironia.
– o-oh my Glob..- As palavras saíam trêmulas pela sua boca, a emoção se fazia sentir em cada parte do seu corpo, nunca havia se sentido tão feliz em toda sua vida de herói. Sua princesa havia voltado. E lá estava, sorrindo pra ele.ironicamente, mas estava.
– Enfim, de volta -
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– MARCELINE! MARCELINE! — Dei um pulo do sofá me assustando com a gritaria, flutuei até a porta e mal tive a chance de abrir quando Jake entrou se esticando todo numa espiral psicodélica pelos cantos da minha sala. — A JUJUBA VOLTOU! -
– Ah.. — Então quer dizer que ela realmente fez.. Pobre Bonnie… Sinto muito por ter sua vida roubada quando já estava começando a sentir o gostinho bom da liberdade.
– É só isso que você tem a dizer?! — meu amigo mágico gritou surpreso, já voltando a sua forma normal, me encarando bem a minha frente. Se eu estivesse de bom humor até faria uma bela careta pra ele sair correndo..
– É. E o que esperava que eu fizesse? Saísse correndo ao encontro dela, pegasse no colo e.. -
– Quem sabe lhe desse um beijo? — O cão perguntou fazendo meu rosto pálido de vampira ficar tão vermelho quanto uma rosa em um belo jardim pelo verão.
– Que diabos está dizendo?! — perguntei chacoalhando o rosto de um lado para o outro afim de fazer aquela sensação de calor sumir.
– Ah.. Só queria completar a cena romântica que você começou. caham! voltando ao assunto, pelo menos vá dar as boas vindas a Princesa Jujuba. Ela vai dar uma grande festa hoje a noite, afinal é o dia da música! — O amarelado ondulou os braços numa dancinha adorável. Meu coração parou de bater por um minuto. Não, espera.. ah, é. Eu já estou morta. Passo alguns dias com a Bonnie e já começo a me sentir uma mortal de novo, isso que dá.. Ela e aquela maldita mania de me fazer sentir.. Viva.
– Não fale asneiras, o dia da música já passou. Foi dois dias depois da Bonnie desaparecer! — Bufei jogando os braços pra cima e deitando confortávelmente no meu sofá.
– Tem razão. Mas a princesa ordenou que se comemorasse assim mesmo! E pelo que eu saiba o prêmio do concurso mudou esse ano, graças ao desaparecimento da princesa. -
– É mesmo é? E o que ela vai dar como prêmio agora? — Flutuei novamente, fui até a cozinha e peguei um bom suco de tomate, voltando pra o sofá — Uma mexinha do cabelo dela? — comentei com desprezo dando um belo gole no suco.
– Não. Sua mão em casamento -
– pffffffh! — Seria exagero dizer que eu cuspi todo suco na cara do Jake? É, acho que não. — O QUE?! — Meus olhos escarlate a essa hora já estavam quase saltando do rosto.
– Eca Marceline! — O cachorro gritou enquanto usava sua mão na forma de um limpador de janelas para escorrer o líquido vermelho do rosto — A princesa disse que estava muito cansada para governar sozinha e depois do que passou desaparecida deseja enfim que alguém esteja ao seu lado, na vida e na morte, para proteger o Reino Doce das mais terríveis ameaças do Rei Gelado. Ouvi dizer que o Reino do Fogo também foi convidado. E o príncipe deles irá concorrer, pelo que eu soube ele é muito bom nas guitarras. — Jake considerou fazendo uma miniatura do Principe em sua mão com uma guitarrinha amarela.
– E a Bonnie.. Quer casar com ele..? — Perguntei com uma pontada de tristeza em minha voz, tentei contê-la, mas não conseguiria diante dessa situação.
– ahhhr, isso eu não sei! Ela vai casar com quem vencer a disputa. Você sabe, regras do Reino. -
– Eu já estou cansada dessas malditas regras — Bufei acertando a mesa com o punho cerrado.
– Se é guerra que ela quer… — Cerrei os olhos — Pois que lute sozinha — Tendo dito isso flutuei ao meu quarto e bati a porta deixando o cão amarelo com expressão confusa plantado no meio da minha sala, provavelmente se perguntando o porquê das minhas palavras. Ele não entenderia, na verdade, ninguém entenderia.
– ARGH! — gritei raivosa atirando meu abajour nas malditas paredes, lágrimas me escorriam nos olhos. — Era isso que você queria Bonnie!? — Atirei livros e mais livros, daqueles que nunca li, mas guardava na estante — Maldita!! Maldita Princesa Doce! — Gritava tão alto que os morcegos voavam inquietos do lado de fora da caverna. Meu rosto quente não de raiva não notara as lágrimas descendo silenciosamente até que eu tivesse me sentado no chão daquele quarto revirado.. — Bonnie… Você me traiu.. -
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– Os preparativos estão prontos, madame! -
– Oh, obrigada Mordomo menta. — Agradeci sorridente, era tão bom estar de volta! Olhei ao redor, meus súditos, meus amigos, tudo o que era meu está de volta! Rodopiei pelo meu quarto e acabei por cair na cama, rindo. — Vai ser a melhor festa de todas! — Exclamei balançando minhas pernas como uma criança que acabara de ganhar um presente amoroso.
– Com sua licença, vou terminar de organizar o salão de festas. E a propósito, o povo do Fogo já se faz presente em seu castelo majestade. — O mordomo me informou aguardando uma resposta.
– Diga que já vou descer para recebê-los! — Sorri
– O Rei do Fogo pediu que não se incomodasse em recepcioná-los, seu pedido é que a senhorita descanse bem até amanhã para a grande comemoração. -
– Ah, sendo assim. Diga que agradeci. — Depois de um leve sorriso um tanto macabro o Mordomo se retirou de meu quarto, fechando a porta atrás de mim.
– Enfim.. só! — apesar de ter dito isso com um sorriso no rosto, ele gradativamente foi desaparecendo quando só me restaram eu e meu silêncio naquele quarto. Um suspiro ecoou pelas paredes. Apesar de tudo, a quem estou querendo enganar? Eu.. sinto falta dela.
Levantei calmamente da cama e segui até a sacada, apoiando os braços cruzados no murinho enquanto observava o fim da floresta, lá estava a casa dela. Tão sombria quanto eu me lembrava e ao mesmo tempo tão cheia de esperança que fazia meu coração palpitar. Penso se fiz certo.. Abandonar a Marcy foi uma das escolhas mais difíceis da minha vida. Não que eu quisesse ter feito, mas… Ninguém sabe da verdade.. Só quero protegê-la. Marceline não aguentaria ter que me dividir com o Reino, sempre fora tão possessiva… Se ela ao menos pudesse me querer junto ao Reino, porque não poderiamos ficar juntas? Não há nenhuma lei no Reino doce que proíba a união de duas garotas. A questão é que.. Se eu ficar com ela, Marceline se tornará também rainha do Reino Doce, junto comigo e… Tenho medo que ela estrague tudo. Meu amor por esse lugar nasceu dentro do meu peito… Por mais que pra ela seja apenas o “Azedo Reino Doce” aqui é o meu Lar… Marcy, porque você não consegue me entender..?
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Era chegado o dia. As ruas do Reino Doce estavam em festa, pelas ruas haviam pequenos grupinhos de crianças felizes, uns com tambores, outros com flautinhas de açúcar. Toda população estava em festa! O salão real estava amontoado das mais diversas criaturas, todos com seus instrumentos a mão apenas aguardando a hora do torneio começar. Seria uma grande honra competir por essa mulher a quem todos nutriam um carinho tão imenso. Princesa Bonnibel Jujuba. Se bem que as vezes o “jiloba” era a referência que gostava mais. Já fazia um tempo que não lhe ouvia, até porque a única pessoa da terra de Ooo que lhe chamara assim não estava presente no salão.
– Senhoras e senhores, queiram se acomodar! — O Mordomo Menta se pronunciou fazendo todos os convidados sentarem nas cadeiras organizadas pelo salão, deixando livre o espaço central onde ocorreriam as apresentações. — Sentada a vossa frente, nossa anfitriã, Princesa jujuba! — Todos aplaudiram calorosamente a belíssima princesa em seu trono real. Uma trombeta se fez ouvir anunciando o início da competição -E que vença, o melhor músico! -
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– Eu não vou. Não adianta me pressionar, minha ultima resposta é não! arrrgh, não me olhe desse jeito! Eu sou uma Rainha, não me renderia a pena.. De forma alguma! Já disse pra não me olhar desse jeito! — Marceline flutuava de um lado pra o outro enquanto falava com seu baixo-machado. — Eu sei que você quer que eu vá e bang! Salve a Jujuba das garras dos malditos músicos ruins da cidadezinha dela, mas eu não vou nem que… -
– Você!! — Um vulto veloz veio na direção de Marceline depois de quebrar a janela. A vampira se jogou no sofá vendo um enorme bolo de panos azuis se esborrachar com a cara na porta.
– Simon?! O que pensa que ta fazendo aqui?! — A garota pálida perguntou assustada ajudando o velho de barbas brancas a levantar.
– O que disse Gunter..? O Papai ainda não fez papinha pra você querido argh! — Um tapa estalado na cara do velho fez com que ele recobrasse a consciência. — ham? O que? ah! É você mesma que eu queria encontrar Marceline! — O velho exclamou com um sorriso, sendo largado no chão depois que a menina bufou por sua demência.
– O que você quer? -
– sabe que dia é hoje? Hm? Hm? Hm? — O mago perguntou dançando com as sobrancelhas.
– Dia de encher a Marceline? — Marceline fechou a cara
– Isso! Ham? Não! Não é isso! — O velhote se atrapalhou todo fazendo a menina sorrir mesmo que um pouco. Apenas Simon para fazer aquele sorriso de presinhas aparecer novamente naquela noite. — Hoje é o dia da música! Onde eu vou poder enfim conquistar a minha doce princesa Jujuba! — O Rei Gelado fingia beijar a garota rosada, fazendo um bico enorme, mas Marceline apenas ignorou e já ia flutuar pra longe quando ele segurou seu braço. — Espera! Espera! Eu preciso da sua ajuda! — A voz rouca e engraçada gritou.
– Da minha ajuda? Pra raptar a princesa? Tô fora. -
– Não! Eu não vou raptá-la. Não dessa vez. Nosso relacionamento está tenso, acho que ela precisa de um tempo com essas coisas de rapto, sabe? Precisamos sair da rotina. — Ele piscou fazendo Marceline pensar sinceramente em colocar ele pra fora naquele exato momento.
– Okay, poupe-me do seu relacionamento imaginário. Do que precisa? — A vampira perguntou carrancuda.
– Uma música! Uma boa música! Que eu possa cantar pra tocar o coração da princesa! -
– Mas porque tem que ser uma música minha?! — Ela exclamou. Porém segundos depois sua cabeça se mantinha baixa, como se uma tristeza profunda tivesse lhe invadido a alma. — A “princesa” não parece ser muito fã de “músicas de tristeza e dor” — Comentou baixo relembrando as dolorosas palavras da garota da ultima vez que conversaram.
– Mas as suas músicas são boas! Eu gosto delas! Por favoooor, Marcy! Em nome daquela corrida de esqui que deixei você ganhar, me empreste uma música! — O velho caiu no choro desesperadamente, puxando o braço fino da vampira que ainda parecia distante pela onda de tristeza que lhe tomara.
– Okay. — Falou por fim.
– Mesmo? — O sorriso enorme entre as barbas brancas demonstravam uma felicidade mais que sincera.
– Mesmo. espere aqui. — Marceline pediu e flutuou até seu quarto. Demorou um pouco até voltar com uma folha rabiscada com uma letra de canção e acordes por cima dela, entregando ao velho azul. — Quero que cante olhando bem nos olhos dela e no final, quero que lhe entregue isto — A vampira colocou algo retangular no bolso do da roupa azul escura que o Rei usava. — Não precisa dizer que fui eu. Ela vai entender.
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– Mordomo menta, quantos ainda faltam? — sussurrei baixinho já exausta daquela apresentação de sons bizarros como o grito de uma besta.
– Apenas mais três senhora. Não se preocupe. — Sussurou de volta o mordomo
– Graças a Glob! — Agradeci mentalmente e voltei meus olhos para Canelinha que parecia mais um pato engasgado batendo com os pés nos tambores. Me senti aliviada quando as trombetas anunciaram o fim da apresentação.
– A princesa pede uma pausa! — Mordomo menta se pronunciou — Estão todos liberados para se deliciar com o banquete e música de verdad.. digo, os músicos reais! — Logo a banda real começou a tocar algo dançante que fez todo levantarem e lotarem o salão com os mais ousados passos de dança e os mais divertidos também.
– Olá — Uma voz grave me tirou a atenção, ao virar para o lado senti um calor gostoso em meu corpo.
– Ah, você deve ser o Principe — Comentei ao notar que um rapaz em chamas havia se aproximado com um sorriso encantador. Seus cabelos flamejantes faziam um moicano adorável enquanto seus olhos me fitavam com uma certa elegância.
– Ao seu dispor — Curvou-se o moço. — hoje, minha bela dama, vou lhe presentear com uma apresentação que jamais sonhara presenciar... — O sorriso nos lábios dele me causou arrepios, parecia tão sombrio quanto seus olhos.
– E-Eu espero que não esteja ao nível de todos que se apresentaram até agora — Comentei nervosa. Se ele chegasse mais perto, eu poderia me queimar.
– Pode acreditar, será uma apresentação que você nunca irá esquecer… —
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