Retornando a base, logo que Arc pôs os pés para fora do portal, seus companheiros se afastaram, o capitão fez um gesto com o braço que ele não entendeu muito bem. Ao virar seu rosto, pode ver alguns Sterns segurando uma mangueira de incêndio. Apontaram-na em sua direção e ligaram. Ele foi projetado contra a parede, se machucando com a força da água, mas graças a isso, a sujeira proveniente dos restos mortais da Rainha Toupeira foi extirpada de seu corpo.

Em passos com mais de 60 cm de distancia de um para o outro, Elan Branbal que usava um capacete de bombeiro, se aproximou de seu funcionário lhe perguntando:

– Pirralho, você sabe o porquê de eu ter te contratado?

– Foi pra me sujar com vísceras numa missão sem sentido e jogar jatos d’agua em mim? – replicou Arc. Os Sterns apontaram novamente a mangueira de incêndio, mas Elan disse para não realizarem nenhuma ação ainda.

Dependendo da cultura o que o reles humano ensopado havia proferido poderia ser interpretado como um ato de insolência ou como uma perspicácia bem aproveitada.

Independente de qual dessas duas opções fosse levada em conta, seu destino era o sofrimento.

O poderoso chefão magrelo começou a explicar com desenhos feitos em crayon, qual era a situação. De maneira que até mesmo um inútil entendesse.

1. O Capitão Flare

2. Ele é muito perigoso e não conhece limites em batalha.

3. Então eu preciso de pessoas compatíveis com ele.

4. Para controlá-lo e evitar desastres.

5. Você já viu aquele anime onde umas crianças perturbadas pilotam robôs biológicos?

6. É mais ou menos por aí...

7. Você foi a pessoa mais compatível que eu achei.

8. I NEED YOU, BOY!

9. E então? O que vais ser?

– Já vi esse anime aí. Não quero não!

– Resposta Errada! Água nele!!!

A mangueira foi acionada pelos Sterns, que seguiram a ordem dada por seu criador. Outro jato d’agua atingiu Arc, para fazê-lo repensar o assunto. O magrelo pôs testa com testa, encarando seu empregado, com uma expressão larga no rosto que ressaltava a barba e o cavanhaque, disfarçadamente o ameaçou.

– Foi uma pergunta retórica, filhão. Você não tem escolha.

Uma Ciel hesitante se dirigiu ao próprio pai, já não mais estava à vontade, como se um pedófilo sueco estivesse rondando aquela sala e a imaginando com uma dezena de anos há menos. Pediu ao progenitor para falar com o afogando a sós. Elan percebendo o humor da filha, passou a mão na cabeça da mesma e respondeu-lhe positivamente.

Os dois parceiros saíram da sala, dirigindo-se para um corredor estreito sem ninguém a vista. Notando que a garota que o conduzira até ali parecia estar mais nervosa do que antes,

Arc, em toda a sua lentidão, não teve escolha a não ser fazer uma pergunta idiota que é feita normalmente por quem deseja fingir que se importa.

– Você está se sent... – A menina de cabelos negros se inclinou, beijando subitamente o garoto de cabelos prateados, que na surpresa tamanha do momento havia ficado paralisado pela ação de sua parceira. Aquele encostar de lábios, aquela troca de bactérias bucais deliciosa durou alguns segundos apenas.

– Q-quê que você tá fazendo?

– Você... é um cara legal, sabia?

– Tudo bem, eu não esperava por isso. Você por acaso é bipolar?

– Não! Eu não sou bipolar!

Ciel o aconselhou para que ele ignorasse qualquer coisa que o seu pai dissesse, que seu deveria confiar nela e ela confiaria nele da mesma maneira. Explanou que ele precisava ajudá-la, que não se preocupasse, pois num momento mais calmo ela lhe explicaria tudo com mais calma. Ela lhe deu um bilhete e pediu que abrisse quando estivesse em casa. Mais uma ela perguntou para Arc se ele iria ajudá-la, mas com mais intensidade dessa vez. O garoto olhou para cima como se não quisesse nada, olhou para ela e deu o braço a torcer, lhe respondendo que sim.

– Vamos voltar logo que o meu pai vai acabar desconfiando de você – disse Ciel, ao notar que

já se haviam passado cerca de quinze minutos.

Durante um quarto de hora, um homem e uma mulher podem fazer muitas coisas. O Sr. Branbal era um pai super protetor, apesar de saber que Arc era um rapaz confiável, sabia que os impulsos da juventude eram fortes. Caso acontecesse alguma coisa fora de seu consentimento com a sua princesinha, a castração química estaria em cogitação. E isso seria ele pegando leve, claro.

– Mas... pode me dizer, porque estava agindo daquela maneira? – perguntou Arc sendo puxado pela menina apressada.

– Eu achei que você fosse só um babaca... – lhe respondeu de maneira espontânea e letal, mas por algum motivo aquilo soou como um elogio para ele.