Dobrando A Realidade E A Expectativa
6 Matrix FAIL!
Levantando o braço direito para o alto, Elan Branbal cristalizou uma adaga bem na palma de sua mão. Enterrou o objeto com profundidade no peito de seu empregado, que expressou a dor através de um urro.
O sangue do jovem foi tingindo sua roupa, que apesar de ser muito preta, já contrastava com liquido rubro e ferroso que outrora corria por seu corpo em fluxo normal. Gotas, logo deram margem para uma torrente vermelha que encharcou o chão limpo.
As pernas de Arc estavam fracas, ele declinou se pondo de joelhos aos pés de se seu chefe, cogitando se este estava querendo assassiná-lo ali mesmo, daquela horrival maneira.
– Agora é o momento em que você apaga! — disse Elan, passando o polegar na garganta e mordendo a própria língua.
Caso aquela cena se tratasse realmente de um homicídio, o quão interessante seria, se a maneira escolhida para executar Arc, fosse similar a um ritual de sacrifício dos povos da Meso-América. Tendo a região abaixo das costelas rasgada com uma faca de obsidiana e seu coração retirado ali mesmo, ainda pulsando.
...
– Acorda, menino! Hey, tá me ouvindo? – chamou um Elan agachado, cutucando o rapaz que estava estirado ao chão num sono profundo. Babando litros.
– Caraca... Eu tive um pesadelo mucho loco. – bocejou e em seguida se espreguiçou, rindo meio desconcertado — Sonhei que o senhor me esfaqueava com um cristal.
– Mas eu te esfaqueei- apontou, tocando o indicador em seu peito — Bem aí, ó.
Com os olhos paralisados, Arc que estava olhando fixamente para o seu chefe, voltou-os para o seu próprio peito.
Ele assim pode ver o buraco que o apunhalamento abrira em sua jaqueta. Contudo não havia mais rastros de sangue ou mesmo qualquer ferida aparente.
– Por quanto tempo eu fiquei desacordado?
– Sei lá... Uns três dias, algo por aí. — o magrelo coçou a barbicha enquanto mordia um dos cantos da boca — Sabe que eu não ligo pra essas trivialidades.
– Trivialidades? Três dias? Você é insano?
O mordomo Batally passou atrás de seu senhor apressado e levantou uma plaquinha de “talvez”. Estava indo ajeitar uma pia que foi quebrada pelo barbicha do cristal, quando o mesmo teve a brilhante idéia de fazer um teste de resistência com a cerâmica.
A pia perdeu, e agora teria que ser consertada.
Com peripécias aéreas, teatrais, fenomenais e um pouquinho de confete, Elan elucidou que durante os três dias em que Arc esteve adormecido ele fez muitas coisas, como por exemplo, afundar uma ilha do arquipélago de Tuvalu. Quando voltou da viagem punk, foi andar com seu pogobol particular e tropeçou em cima do garoto.
Foi uma queda linda de se ver.
Encerrada a falta de empatia relatada por Elan, é chegada a hora de Arc perguntar sobre a encenação de Júlio César por um senador só.
– Eu pus um dos meus cristais dentro de você.
– O senhor poderia ter feito isso de uma outra maneira. Uma menos invasiva e dolorosa
– Lembrei! Na verdade eu queria empalar você... Mas a Cielzinha não deixou.- disse um Elan que parecia triste por ser impedido de concretizar um passatempo, para o choque de Arc – Essa foi a opção menos invasiva, mas que ainda seria divertida que eu encontrei.
– Eu queria ter visto mais da dor desse verme para em seguida rasgá-lo por inteiro com minhas próprias mãos...
Num vulto, apareceu o Capitão Flare, mas ao invés de ir para o lado de seu senhor como sempre fazia.
Ao invés disso, se dirigiu para a direita do garoto que tanto desprezava, seu desgosto podia ser percebido pelos grunhidos um pouco mais altos que o de costume
– O senhor já implantou o cristal nele?
Um dedão de positivo foi a resposta do administrador da Terra, que enfiou a mão no bolso e revirou-o até puxar um visor. Colocou-o no olho direito, e com uma das mãos regulou o dispositivo, focalizando no Capitão Flare e Arc juntos.
– E então, Elan-sama? Quanto de compatibilidade o visor está marcando após o cristal?
– GRRRR!!! IT’S OVER 9000!!! — bradou Elan, que retirou o visor de seu olho e o esmagou cerrando o punho num impulso violento.
– WHAT??! 9000??! - virou-se o Capitão, passando dos olhos verdes para os vermelhos num segundo, mas voltando ao normal rapidamente. – Como esse macaco retardado pode estar com esse nível depois de uma inserção? Não era apenas para ele aumentar um pouco o nível para executar os comandos melhor?
– Talvez ele seja o “The Chosen One”...
Elan assobiou e pediu por uma pistola e um óculos de sol, um Stern prontamente atendeu ao pedido.
Arc pôs os óculos e o magrelo atirou em bullet-time, com o rapaz desviando das balas num efeito de câmera do final do século XX.
– HAHAHAHA!!! Incrível garoto! É disso que eu estou falando! Nem parece que você levou um tiro no pé. — disse Elan extasiado parabenizando Arc.
– Mas, eu não levei um tiro no p... ARGH! — seu questionamento foi interrompido por uma bala disparada contra seu pé.
– Legal! Isso foi só uma brincadeira. Não se anima muito, porque você ainda não é essas coisas.
Capitão Flare e Elan saíram juntos, deixando Arc tirando seu sapato para ver o pé ferido.
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