Do You Speak Italian?
28 Tom - parte 14
Notas iniciais
Eu sei que estou demorando muito pra postar, mas tentem ser compreensivos. Ultimamente as coisas estão difíceis por aqui pra conseguir fechar os capítulos, porque o que eu tenho escrito são cenas soltas e pra poder postar sempre tenho que preencher e dar sentido aos capítulos.
Espero que compreendam e que gostem deste!
O próximo está muito legal, espero que fiquem comigo!
–Quando pretendia me contar que você tem uma namorada? – Claire parecia com raiva, os olhos enchendo de lágrimas. Ela entendeu tudo errado. Minhas suspeitas realmente se confirmaram. Eu imaginei que a vinda inesperada de Cecília fosse me causar problemas, mas não tanto assim.
-Ah. Foi por isso que você não me atendeu – encarei meus pés. –Olha, me desculpe não ter te contado sobre a Cecília. Só me deixa, por favor, explicar agora – eu quase implorei. Ela fez um sinal com a cabeça para que eu prosseguisse.
-Cecília é minha meio irmã – respondi, tentando olhar em seus olhos. Ela os desviou, provavelmente envergonhada por estar chorando. A garota ergueu uma sobrancelha.
-C-como? – ela perguntou, confusa.
-Ela é filha só do meu pai. Tem quase a minha idade. Meus pais quase se separaram quando a minha mãe soube. Mas minha mãe estava grávida... de mim. – parei para medir sua expressão. –então ela não teve coragem e acabaram se acertando.
A morena tentou falar alguma coisa, abrindo a boca várias vezes, mas sempre fechando em seguida, sem nada dizer.
-Vocês dois tem os mesmos olhos – disse por fim, num sussurro, os olhos ainda vermelhos. Não consegui evitar um sorriso, mas ela não retribuiu.
-Eu pretendia te contar antes que ela viesse, mas eu não esperava que ela chegasse tão cedo. – admiti. -Ela sempre foi minha melhor amiga. Somos muito ligados e ela é muito ciumenta. Ainda não tinha arranjado um jeito de falar sobre você sem que ela fizesse uma cena. Por isso ela teve aquela reação quando te viu.
-Faz sentido – Claire esboçou um tímido sorriso. –A última coisa que eu imaginaria – ela acrescentou, olhando para o teto.
-A culpa é minha. Devia ter te contado. Devia ter contado para as duas.
-E como ela reagiu? – Claire perguntou. Sua pergunta me pegou de surpresa.
-Cecília é uma pessoa... difícil. Mas eu tenho certeza que ela vai gostar de você, com o tempo – tentei sorrir para ela. Eu estava um pouco preocupado sobre isso. A reação de Cecília foi a pior possível. Eu preferia que ela tivesse gritado comigo, chorado e feito uma cena como de costume. Acho que eu tinha conseguido realmente pisar na bola com as duas. –Claire eu gosto muito de você. E estou cada dia gostando mais. Eu não quero te perder de jeito nenhum agora. – olhei fundo nos olhos da garota.
-Eu não sei Tom, preciso de um tempo pra... absorver tudo isso – ela mordeu o canto do lábio. –Eu tinha prometido a mim mesma que nunca choraria por causa de um garoto desse jeito. Não foi sua intenção me machucar, mas machucou. – ela disse, bastante séria. Aquilo me atingiu, realmente. Senti uma dor aguda no peito, fiquei sem fala.
-T-tudo bem – eu disse, sem saber mais o que dizer.
-Eu tenho que ir pra aula, tchau Thomas – ela saiu rapidamente me deixando ali, estático pela sua reação. Não sabia como as coisas poderiam ter sido piores do que isso. Caminhei até a sala com a cabeça cheia de pensamentos, não prestando atenção em nada ao meu redor. Aquilo não devia ter acontecido. Andei as cegas pelo corredor, apenas parcialmente consciente da direção para a qual eu estava indo. No caminho esbarrei sem querer em pelo menos meia dúzia de pessoas que reclamavam comigo, mas eu não liguei. Até que alguém em quem eu tinha esbarrado virou-se e acertou meu rosto em cheio com um soco. Fiquei meio zonzo, fora de órbita por alguns momentos. Quando minha visão voltou a ficar um pouco nítida percebi que era Jason. Provavelmente tenha sido a pior decisão a se tomar, mas investi contra o garoto, ainda meio cambaleante. Jason desviou o corpo fazendo seus amigos rirem. Rapidamente as pessoas que estavam ali perto se aglomeraram para ver. Eu não era bom nisso e estava sozinho. Mesmo que eu fosse bom, o que era uma possibilidade remota uma vez que nunca tinha brigado de verdade, eles estavam em quatro e eu era só um e ainda por cima meio tonto. O moreno investiu outra vez, acertando meu rosto em cheio. Senti o gosto salgado de sangue na boca e passei a mão ali só para constatar o que eu já sabia, meu nariz estava sangrando bastante. Vi que as pessoas ao redor começaram a ir embora quando a zeladora, Mary Hellen entrou no meu campo de visão.
-Acabou a bagunça. Todo mundo circulando – ela disse, vindo até mim. Jason e seus amiguinhos imbecis já tinham dado no pé. –Vem, vou levar você pra enfermaria, garoto – ela pôs a mão no meu ombro. Todo mundo olhava pra mim nos lugares por onde passamos no caminho até a enfermaria. A maioria cochichava alguma coisa, alguns falavam em voz alta mesmo, mas eu não estava prestando atenção no que diziam.
-Tom! O que foi que aconteceu? – Claire surgiu de repente e me abraçou.
-Uns valentões estavam criando confusão no corredor. Sempre fazem isso com os novatos. – Mary respondeu, mascando chiclete de uma forma até um pouco cômica.
-Ah, Tom, você está sangrando – a garota disse, a aflição era evidente em sua voz.
-Leva ele até a enfermaria pra mim. Eu tenho que patrulhar os corredores – a zeladora disse, voltando pelo corredor de onde viemos. Claire passou a andar ao meu lado, segurando firme o meu braço. Gostei disso.
-Quem fez isso com você? – a morena perguntou.
-Jason – eu respondi, apenas olhando para a frente.
-Aquele imbecil – a garota disse, parecendo bastante irritada. Caminhamos em silêncio o restante do caminho até chegar na enfermaria. Havia duas macas separadas por uma cortina e um garoto estava deitado em uma delas. Seu rosto estava bastante pálido e segurava uma bacia de metal em uma das mãos. A outra comprimia o próprio estômago. Virei o rosto quando ouvi o som característico de vômito. Eu realmente detestava vomitar ou ver alguém o fazendo. Sentei na outra maca, de costas para o garoto e Claire ficou de frente para mim, segurando minhas mãos. –Vai ficar tudo bem – ela sorria. A enfermeira chegou logo em seguida. Tinha os cabelos loiros presos em um coque e uma cara séria.
-Por Deus, menino. O que foi que aconteceu? – ela segurou meu rosto pelo queixo. -Esse olho vai ficar bem feio.
-Não quebrou o nariz, não é? – perguntei com uma careta.
-Não, não. O nariz é um lugar sensível, está cheio de vasos sanguíneos bem pequenos. Às vezes sangram por qualquer coisinha. – ela disse, limpando o sangue com uma gaze. –Não se preocupe, tenho certeza de que sua namorada pode conviver com um olho roxo – ela sorriu, olhando para Claire. A morena corou um pouco, sorrindo timidamente.
-Senhora Hilbert, preciso de uma mãozinha aqui – o garoto da outra maca disse, sua voz parecia suplicante.
-Eu quase me esqueci de você, Jake. Já estou indo – a enfermeira respondeu. –Aqui meu bem – ela disse para Claire. –Segure isso no nariz dele. Mantenha bem apertado –ela entregou a gaze para a morena. Claire pressionou-a delicadamente sobre o meu nariz.
-Perdemos a primeira aula – eu lembrei.
-Não tem importância, Tom – ela sorria. Não pude evitar de retribuir o sorriso. Ficamos em silêncio depois disso. Mas aquele silêncio estava me matando. Suspirei, mordendo o lábio inferior.
-O que foi? Sente dor? – ela parecia preocupada.
-Mais ou menos – respondi, sincero -Quanto tempo você acha que precisa pra... sabe, pensar? – encarei meus pés.
-Não preciso – a morena respondeu. Meu coração acelerou quando ela disse isso. –Ver você machucado me fez pensar que... –ela pausou, dando um longo suspiro. –eu realmente gosto de você. –eu sorri com a resposta da morena, puxando-a pela cintura para um abraço e encostando minha cabeça na altura de seu estômago, uma vez que eu estava sentado na maca e ela estava de pé. –Apronte mais uma dessas e eu vou permitir que o Evan dê um jeito de deixar seu outro olho combinando com este – ela respondeu, séria. Eu assenti. Evan é o irmão mais velho dela, o que me fez lembrar que o cara devia estar planejando fritar meus intestinos pelo ter feito a irmã dele chorar. Era o que eu planejaria fazer se alguém machucasse a Cecília.
-Vão ter bastante tempo pra se agarrar depois -A enfermeira voltou, retirando a gaze que a Claire segurava contra o meu nariz. A morena ficou bastante vermelha com o comentário da Sra. Hilbert. –Já está ótimo. Parou de sangrar. Já podem voltar pra sala – ela disse, limpando o restante com uma gaze limpa. A morena segurou a minha mão durante todo o caminho de volta para a sala. Senti um alívio enorme por ter me acertado com a Claire e agora tinha que pensar em como faria para me desculpar com a Cecília. Senti os olhares da sala inteira para nós quando entramos durante a troca de professor para a segunda aula. Jason e seu grupinho ficaram nos encarando, dois deles riam, o que me fez lembrar que estavam sempre rindo de alguma coisa.
-Não sei como você tem coragem de namorar um mané desses, Claire. – Jason disse para ela. Senti meu sangue esquentar. A morena virou-se para eles com um sorriso no rosto.
-O único mané que eu vejo por aqui é você, que precisa estar rodeado de trogloditas pra bater em alguém que não estava esperando e estava sozinho. E, a propósito, ele beija muito melhor do que você – ela disse, ainda sorrindo e virou-se me puxando pela mão para irmos sentar. Eu deveria ter me sentido melhor com aquela resposta, mas não pude evitar de ficar pensativo com o que ela quis dizer com “ele beija muito melhor do que você”. Então ela já tinha beijado aquele imbecil?
Notas finais
Será que ela vai perdoar o irmão?
Espero seus reviews.
E gente, se você ta lendo, mende um review dizendo "eu estou".
Por favor, só pra eu ter uma noção de quem ainda está acompanhando!
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