Do You Speak Italian?
29 Claire - Parte 14
Notas iniciais
Mas, ok, vocês nem querem saber né. Espero que ainda estejam gostando da fic. Aproveitem o capítulo!
ps. o filme que eles vão ver não existe. E se existe, não é este porque eu resolvi inventar :p
–Como se diz sorte em espanhol mesmo? Não lembro nem como se fala em inglês, que dirá em espanhol e acho que essa redação está uma droga. Claire? – Tom perguntou, quando viu que eu não prestava atenção. Olhei para ele depois de sacodir o rosto, voltando para a realidade.
–Como se diz o que? – perguntei a ele.
–Sorte – ele repetiu. Mas eu não lembrava o que ela significava.
–Eu não lembro o que... Ah! – eu lembrei na hora. Tinha usado ela em um texto na semana passada... mas o que era mesmo? –Em inglês se diz luck. Em espanhol é... É suerte. – respondi. Eu vi que ele sorriu instantaneamente. –O que foi? – perguntei, desconfiada.
–Você fica linda falando em espanhol – ele sorria ainda. –Isso que você faz... com a língua, pra dar o sotaque. É linda demais. – ele esclareceu e eu corei com o comentário inesperado. Ficamos nos encarando por algum tempo.
– Muy bien, clase es todo por hoy. Vamos a poner fin a las redacciones en la semana siguiente. – a professora nos interrompeu, falando em espanhol. Era rápido demais para eu acompanhar o que ela dizia. Aquela mulher falava extremamente rápido e com um sotaque demoníaco. E eu havia faltado muitas aulas dela. Olhei para os colegas ao redor e todos guardavam suas folhas. Ela deve ter deixado para terminar na semana que vem. De repente meu olhar cruzou com o de Jason. Ele olhava fixamente na minha direção, com uma expressão reprovadora. Desviei o olhar rapidamente.
–Vai fazer alguma coisa depois da aula? – perguntei ao Tom quando a professora saiu.
–Eu acho que só vou estudar um pouco de inglês – ele respondeu. –Por quê?
–A gente podia ver um filme. – eu disse, enquanto guardava minha tentativa frustrada de redação de espanhol.
–O chá da sua mãe não era hoje? – ele perguntou.
–Sim. Mas ela já me proibiu de ir no show, de qualquer forma. Não vou ganhar nada indo lá, então, pra que ir?
–Ela proibiu você de ir no show do Green Day? – ele parecia um pouco... irritado?
–É... – respondi com um suspiro. Eu nem tinha parado pra pensar sobre isso. Eu queria tanto ir e agora... eu sabia que ela não voltaria atrás. -Se você preferir ficar estudando, eu posso chamar a Vicky pra ir comigo e... – eu fui dizendo, mas Tom não me deixou terminar. Juntou seus lábios aos meus com vontade, se afastando logo em seguida. Senti o olhar pesado de Jason sobre nós, mas não arrisquei olhar diretamente em sua direção outra vez. Mas que droga estava acontecendo com aquele garoto?
–É claro que eu vou – ele disse e eu sorri, voltando ao beijo. Logo nos separamos, porque, afinal, ainda estávamos na escola. O professor já estava na mesa, olhando pra nós dois com uma cara de reprovação. Me separei bruscamente dele, sentindo meu rosto queimar.
Felizmente ele acabou por não comentar nada e seguiu com a aula, que, aliás, foi extremamente monótona. Quando o sinal para o final das aulas finalmente tocou as minhas coisas já estavam guardadas dentro da mochila, o que tinha sido feito também pela maioria dos meus colegas, inclusive Tom. Quando me virei para levantar, o moreno já estava em pé a minha frente, com seu sorriso habitual. Sorri para ele e o moreno segurou firme a minha mão quando começamos a caminhar. Admito que fiquei um pouco boba com o gesto. Tom era sempre cheio de boas surpresas, coisas simples que faziam o meu coração disparar. Eu tinha quase certeza de que ele fazia o tipo romântico, daqueles que é difícil não se apaixonar. Andei alegremente ao lado do moreno, me sentindo bastante tola por me deixar levar por coisas tão bobas quanto andar de mãos dadas.
–E que filme nós veremos? – ele perguntou quando já estávamos na metade do caminho.
–Algum bom que estiver passando – dei de ombros.
–Achei que você quisesse ver um em especial.
–Não, eu nem sei o que está em cartaz. Só estava com vontade de ir.
–Entendi. – ele disse, pensativo. -Eu não vou entender grande parte do que eles falam, então... – me observou com aquele olhar travesso de novo, sorrindo torto.
–Então... – eu disse, mordendo o lábio. Ele apenas riu e se aproximou de mim, puxando rapidamente a minha cintura e distribuiu uma centena de beijos pelo meu rosto e pescoço. Era ao mesmo tempo delicado e brincalhão. Eu nunca tive alguém que agisse daquele jeito comigo, era tudo muito novo pra mim quando estava ao lado dele. As lágrimas que eu derramei agora pareciam a anos luz de distância. As coisas pareciam conspirar para dar certo hoje, como haviam conspirado para dar errado naquele maldito dia. O ônibus não demorou a chegar e não pegamos nenhum grande engarrafamento. Almoçamos em um restaurante italiano da praça de alimentação, o que foi bem divertido.
–E então, qual filme vamos ver? – Perguntei ao Tom. Estávamos parados em frente aos cartazes do cinema.
–O próximo que estiver passando – ele disse, como se fosse óbvio.
–Mas e se for ruim? – eu protestei. Tom virou-se para mim com seu sorriso mais cretino.
–Não faz diferença. Não vamos ver o filme. – ele disse e eu soquei seu ombro.
–Tom! – o repreendi, corando um pouco.
–Ah não ser que você queira ver o filme. – ele me olhou, com seu sorriso mais irresistível. Estreitei os olhos para ele e o garoto apenas riu, me puxando pela mão até a bilheteria.
–Duas entradas pra hum... – Tom disse para a atendente, olhando na tela onde mostravam os próximos filmes que seriam exibidos. –A câmara do medo.
–Não vou ver filme de terror! – eu protestei, mas ele não deu atenção. O cartaz já parecia assustador, imagine o filme.
–Eu protejo você – ele disse, me puxando pela cintura e beijando minha bochecha.
–Sei – respondi como criança mimada. –Aliás, você está progredindo com o inglês – sorri para ele. Tom me abraçou pelas costas e fechou seus braços ao redor da minha cintura enquanto esperávamos na fila para a pipoca, apoiando seu queixo sobre o meu ombro. Tínhamos quase a mesma altura, ele era poucos centímetros maior do que eu.
Havia apenas mais dois casais e um garoto espalhados pelas poltronas da sala de cinema e Tom escolheu dois lugares no centro da última fileira. O filme foi tão assustador quanto eu achei que seria, mesmo eu tendo prestado atenção realmente em poucas cenas. Nas mais assustadoras eu geralmente escondia meu rosto em seus ombros, ao que o garoto ria, divertido. O fato de o cinema estar vazio foi muito bom para não assistir o filme, uma vez que ficaríamos sem nos ver por todo o feriado prolongado. Tom não prestou a mínima atenção no filme. Quando eu fingia estar olhando para tela, ele ficava encarando meu rosto como se fosse a coisa mais interessante do mundo. Era carinhoso e doce algumas vezes ao juntar seus lábios aos meus, mas algumas vezes notei que ele ficava bastante animado com isso, sua respiração ofegante. Vez ou outra sua mãos percorriam caminhos mais ousados pelo meu corpo e eu desviava suas mãos sem descolar nossos lábios, o que o fazia rir entre o beijo. Sempre que os beijos e carinhos ficavam urgentes demais, eu dava um jeito de voltar a minha atenção para o filme horrendo na tela a nossa frente, o que fazia as coisas esfriarem um pouco. Ele não protestou, no entanto. Apenas ria a cada atitude inusitada minha, como me esconder atrás dele quando a garota na tela estava para ser decapitada. O filme em si era meio nojento. Não sei que graça exatamente as pessoas viam nisso.
Enquanto eu subia as escadas de volta para o apartamento da minha família fui pensando em como eu me sentira naquela mesma manhã. Agora, voltando ali, a situação era completamente o oposto. Eu me sentia leve, sorria feito boba sem motivos. Aquele frio na barriga, os sorrisos involuntários, o repentino bom humor e vontade de sair cantando por ai. Eu sabia o que isso significava e, muito embora repudiasse esse comportamento, depois do que aconteceu parecia simplesmente natural. Meu bom humor não durou muito, no entanto. Senti o meu sorriso despencar quando dei de cara com ninguém menos do que Cecília, sentada no meu sofá conversando com o meu irmão. Eles pareciam discutir sobre alguma coisa, mas pararam quando eu entrei no cômodo. Ela tinha uma expressão séria no rosto. Mas o que diabos ela estava fazendo na minha casa?
Notas finais
O que vocês acham que a Cecília quer?
Me deixem reviews e, se possível uma recomendação. Vai gente, pode ser curtinha! Me deixem feliz!
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