Do Silêncio Às Trevas
1 Prefácio
Notas iniciais
O vento zunia insistentemente no vidro do quarto, a tempestade vinha e com muita força para essa época do ano na Flórida. Os moradores da pequena cidade de Winter Park corriam para dentro de suas casas e fechavam as janelas. Aquela nuvem negra se aproximando era mau sinal a todos... Menos para Alina e Adrian Walker, que naquela tarde iriam se tornar pais de uma bela garotinha. Não tinham tantas superstições como os outros, e também não ligaram quando a pequena Agatha mostrou uma mancha de nascença acima do coração com a forma de um círculo com um ponto no meio. Também não notaram que uma mulher, em trajes negros como as sombras, os observava no canto do quarto. A mulher sorriu quando seus olhos encontraram os de Agatha, que juntamente sorriu para a senhora que então sumiu entre as sombras como se tivesse virado fumaça. As enfermeiras levaram a pequena para o berçário, que não tardou a chorar, somente Agatha sorria e todas as mulheres no quarto não se aproximaram mais da pequena. Davam apenas a atenção quando chorava e ficava por apenas isso. Mas Agatha não demorou a crescer e sofrer com isso.
E quando chegou ao ensino médio, só piorou. O bullying aumentava a cada dia que passava, e ela ignorava tudo. Jogaram tinta no meio do colégio, a derrubavam no meio da rua. E Agatha foi suportando. Ela tinha apenas uma amiga que não ligava para as roupas escuras de Agatha nem para as superstições da cidade.
Achavam que ela fazia pactos com o demônio, que Agatha era satanista. O que a sociedade não julga, não é? Agatha acreditava que um dia iriam amarrá-la em um tronco, chicotá-la e então queima-la viva. Como as “bruxas” de Salem em Outubro de 1692. Numa cidade como Winter Park, as críticas sobre o que vestia ou fazia era mil vezes maior. Não importa o que fizesse, pensasse ou até comesse, todos saberiam. Mas o segredo da família Walker sobre o nascimento de Agatha estaria bem escondido até dela mesma?
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