Do Rosa Ao Preto - A História De Alice Cullen
1 1 - Doce Isolamento
Dor.
Angústia.
Solidão.
Essas eram minhas únicas companhias agora. Abri meus olhos, ou ao menos tentei, estava tudo escuro.. Eu não conseguia saber onde estava, a última coisa que veio a minha mente foi o olhar triste e gelado de minha mãe. Aquilo me doía muito, mas era a única lembrança que tinha dela, desde que confessei que tinha visões.
Eu não sabia muito bem onde estava, mas acredito que estar no inferno seria melhor. De qualquer modo, precisava sair logo daquele lugar. Tentei me mover, mas me dei conta que eu não estava privada só da visão, estava amarrada, não conseguia sair do lugar. Eu gostaria que isso fosse um daqueles sonhos em que você entrar em estado de transe e só sai alguns minutos depois...
Bem, meus pensamentos foram interrompidos por uma forte luz que saiu ao norte da sala. Dois homens adentraram o recinto e vieram em minha direção, eu tentei fugir mas vi que era inútil. Comecei a me debater com a leve esperança de que conseguiria chegar a algum lugar com aquilo.. Não sei o que aqueles homens fariam comigo, mas acredito que não seria uma boa coisa, um deles me deixava com calafrios só de olhar em seus olhos, que se aproximavam do dourado ou amarelo.. Ele tinha cabelos dourados que nada contrastavam com sua pela quase transparente, aparentemente deveria ter 20 ou 22 anos.
Ele me disse com uma voz aveludada, similar a que ouvia em canções de ninar quando criança:
– Fique calma, Alice, nós só viemos ajudar.
De maneira inepta me acalmei, era com se eu me sentisse protegida por aquele ser , protegida e atordoada, talvez essas fossem as palavras mais próximas que descreveriam ao que eu sentia em relação à ele.
Seu nome era Paolo, pelo menos foi o que eu consegui ler com a minha visão periférica...
Eles me soltaram e trouxeram-me comida, ali me toquei que meu estômago roncava e se auto-digeria. Comi rapidamente enquanto Paolo me olhava, de forma estática, como se fosse parte da decoração do quarto. Aquilo me deixa frustrada. Era como se aquele ser misterioso fosse capaz de me matar apenas com o olhar e ao mesmo tempo arrancar o coração de qualquer um que tentasse fazer o mesmo. Ele me olhava com desejo, não no sentido comum da palavra...
– Parece faminta, querida Alice. — Pronunciou com um tom aveludado.
Dei de ombros e balancei com a cabeça.
Paolo se retirou do quarto e o local novamente foi tomado pela escuridão. Naquele momento todos os meus pensamentos foram interrompidos por algo que já estava se tornando comum e o motivo pelo qual estava naquela sanatório. Visões sobre algo completamente sem sentido, sobre mim ou qualquer outra pessoa, mesmo que desconhecida. Como a revolução russa em 1917, tentei avisar meus pais e amigos, mas ninguém acreditou em mim. Me sentia impotente diante da situação de saber o que aconteceria e ao mesmo tempo não poder fazer nada, eu estava de mãos atadas.
A coisa que via naquele momento era confusa, eu só conseguia ver um ambiente, uma linda paisagem composta por flores, eu não me via, mas podia sentir que havia alguém alí, alguém que eu também não conseguia ver. Por que estava vendo aquilo? Qual a razão? Minhas visões eram subjetivas, e representavam alguma decisão, mas naquele momento eu não conseguia ver nada.
Voltei a mim e percebi que o quarto dessa vez estava iluminado, era claro e almofadado, talvez pra evitar que eu tentasse suicídio ou coisa do tipo, naquela hora a única coisa que eu queria era morrer.
Talvez a morte não seja assim tão ruim, eu só conseguia pensar em sair daquele lugar, me livrar de todas as dores que ao meu coração faziam mal, eu iria pra um lugar melhor. A única coisa que precisava fazer era arruma um jeito de perder a vida naquela lugar.
Tentei por alguns minutos me sufocar naquelas paredes acolchoadas, mas parecia impossível, meu instinto respondia e me fazia repugnar. Eu já estava visivelmente angustiada com aquilo, não sabia o que fazer pra morrer!
Me senti inútil e incapaz de fazer qualquer coisa, até mesmo morrer, sentei ao centro daquela sala e mais uma vez tive uma visão. Dessa vez eu via o local onde estava, e também conseguia me ver agora, me via assustada e depois gritando de dor, mas algo estanho nessa visão era que eu sumia e aparecia ao mesmo tempo.
Aquilo todo me fazia sentir sono, muito sono, eu estava tentando me manter acordada mas a força contrária era maior. Senti meu corpo pesado, me alojei ao canto da sala e deitei, de alguma maneira senti que ficaria alí por algum tempo.
Minha visão escureceu..
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