- Anne, por favor, espera. — gritou Peter, enquanto Melissa o segurava.

Eu apenas olhei para trás, fiz um gesto com as mãos, e disse: depois. “Espero que ele não seja tão bobo a ponto de não entender leitura labial.” — disse dando uma risada.

- Eu não posso estar gostando dele, sério. A única coisa que eu preciso agora é de um namorado, eu só preciso ficar na minha e pronto, mas eu não posso magoá-lo, já magoei tantas pessoas. — sussurrava enquanto ia para o refeitório. Quando cheguei, me sentei na mesa mais afastada e coloquei os pés em cima dela.

- Com licença novata, esta é nossa mesa. — era Melissa, e sua turma nojenta.

- Sério? Achei que era no meio, no centro das atenções. — disse voltando minha atenção para o Mp4.

- Pois é, mas não é. Você está sentando no nosso lugar.

- Ah! Perdoe-me, só um instante. Preciso ver se não sentei em cima da tinta onde seus nomes estão escritos, vai que ela está fresca que nem vocês. — me levantei, olhei para o banco com um sorriso de vitória e me sentei. — Poxa, que pena, devo ter apagado seus nomes. Vão atrás de outra mesa vão.

- Ei, Anne. — disse Peter, vindo se sentar comigo.

- Oi Peter. — disse olhando para as patricinhas. — Ué, vão ficar aí? Querem um autógrafo? Eu acho que tenho uma caneta em algum lugar, por aqui. — disse procurando na minha mochila.

- Não se preocupe Anne, eu tenho uma bem aqui. — disse Peter retribuindo meu sorriso de vitória.

Quando ia pedir um papel, ela viraram as costas e se sentaram na mesa de frente pra nossa, pra minha na verdade.

- Ah! Justo agora, que ia pedir um papel. — disse rindo.

- Cara tu é foda. — disse Peter, me olhando de um jeito que eu não estava gostando.

- Aham, próxima piada. Só não ligo pro que os outros pensam, e falo na cara. — disse, voltando a ler meu livro.

Percebia que Peter ia chegando cada vez mais perto, passando o braço em volta da minha cadeira. De repente Melissa, da sua mesa tacou a sua bandeja no chão e veio na minha direção.

- OLHA AQUI SUA PIRANHA! SE VOCÊ ACHA QUE VAI CHEGAR E JÁ IR ROUBANDO O NAMORADO DOS OUTROS, VOCÊ ESTÁ ENGANADA. VOCÊ DEVE SER MAIS METIDA DO QUE TODOS AQUI JUNTOS. — ela gritava, chamando a atenção do refeitório, enquanto enfiava o dedo no meu rosto.

- É o seguinte. — Se ela quer briga, ela terá — pensei. Levantei, bati meu livro na mesa, tirei minha mochila do ombro e fiquei frente a frente com ela. — Você não sabe nem meu sobrenome, quanto mais a sua história. ENTÃO NÃO VENHA ME CHAMAR DE METIDA, VOCÊ NÃO SABE O QUE EU PASSEI ANTES DE VIR PARA ESSA MALDITA CIDADE, NESSA MALDITA ESCOLA, ENTÃO CALE A SUA BOCA PARA FALAR DE MIM. E A CULPA NÃO É MINHA SE SEU “NAMORADINHO” — fiz questão de fazer as aspas com a mão. — COMEU E NÃO GOSTOU, E AGORA FICA ME SEGUINDO. EU NÃO PEDI ISSO. TUDO O QUE EU QUERIA ERA ESTAR NA MINHA CIDADE, NO MEU QUARTO, SABENDO QUE MINHA FAMÍLIA ESTÁ NA EMBAIXO, FELIZ E COMPLETA.

Só vi quando Melissa pulou pra cima de mim e começou a me arranhar, a me bater. E eu lógico, não deixei barato, dava socos e tapas, que machucaram-na mais do que seus arranhões. Peter me agarrou pela cintura e me separou de Melissa, enquanto suas amiguinhas puxavam ela.

- Me larga Peter, a última coisa que preciso agora é de um ex-namoradinho que comeu e não gostou, me seguindo e agora me “defendendo”. Eu não preciso de você. — ele me soltou na hora que disse isso, e saiu do refeitório.

- Porra! — disse enquanto Melissa corria atrás de Peter, para se insinuar.

Peguei minhas coisas e corri para o banheiro, precisava ver meu estado. Não estava tão mal, só com o rosto vermelho e cheio de arranhões e um olho inchado.