- Parabéns. Ninguém nunca teve coragem de enfrentá-la. — disse uma garota saindo de um box do banheiro. Era a garota que Peter havia tirado do lugar para se sentar ao meu lado.

- Mesmo sendo novata, não suporto ela. Mas e você o que faz aqui?

- Não tenho com quem ficar. — disse abaixando a cabeça.

- Não seja por isso. Ande comigo. Se quiser é claro? — disse puxando a garota pelo braço.

- Se eu quero? É lógico. Me chamo Alicce.

- Me chamo Anne..

- Lise. Eu sei, (risos)

- Vamos então? — perguntei pegando minhas coisas.

- Quer dar as caras no refeitório? — perguntou Alicce com as sobrancelhas erguidas.

- Bom na verdade não sei. Onde costuma ficar no intervalo?

- Vem cá que eu te mostro, só eu e mais uma pessoa conhecemos esse lugar.

Como sou curiosa, segui Alicce. Era realmente lindo, ficava no terraço , tinha um pequeno jardim, que segundo Alicce, o clube de Biologia havia feito.

Quando íamos no sentar, demos de cara com Peter, sentado com a cabeça baixa.

- Bem, ele é a outra pessoa.

Fui um pouco para a frente, queria ir falar com ele.

- Não vá, ele amolecesse esse coração de pedra, na hora da saída — Alicce sussurrou no meu ouvido.

- Como você sabe disso? — essa não tinha entendido.

- Éramos melhores amigos.

Já imaginei o resto da história, então nem perguntei. Ele certamente havia se afastado dela depois que começou a andar com os “pops”.

Fomos para sala de aula, Alicce se sentou na sua cadeira, e eu em cima de sua mesa. Ficamos conversando o resto do intervalo, descobri que ela morava do outro lado da cidade mais ou menos em Georgetown. Me pareceu um bairro rico, por ter a universidade.

Quando o sinal bateu, fui para minha mesa. Peter entrou deu um sorriso e se sentou sem conversar comigo o resto da aula. Tinha amolecido só um pouco.

O resto das aulas foram entediantes como sempre. Quando bateu o sinal Peter saiu correndo e ficou esperando os amigos na porta. Fui até lá falar com ele:

- Peter? — não era bom, jogar as desculpas na hora, e começar a falar.

- Oi. — não tinha amolecido completamente ainda.

- Posso falar com você? — nesse momento seus amigos estavam saindo da sala, eram dois. Cada um se posicionou do meu lado, e praticamente me esmagaram e saíram arrastando Peter, que nem ao menos olhou para trás.

- Vamos. Amanhã você tenta — disse Alicce, me assustando.

- Vamos então.

Fomos conversando até a saída. Nos despedimos e eu fui para minha casa. Foi quando eu lembrei dos arranhões e do olho inchado, “Tomara que não tenha ninguém em casa.” — pensei.

- Bom dia Anne — disse a empregada, cujo nome não sabia.

- Não sei o que tem de bom. — disse subindo pro meu quarto.

Deitei na cama, e procurei pelo meu Mp4

- Porra ! Ficou lá na escola. — desci as escadas novamente, com meu ânimo, ultra mega animado. — Já volto. — disse pra empregada.

Quando cheguei na escola, fui correndo atrás do Mp4, estava na mão de um menino que me parecia familiar, mas estava de costas.

- Devolve meu Mp4? — por que eu tava sendo educada? Normalmente eu iria pegar o Mp4 sem olhar na cara do menino.

- Sem falar nada ? — aquela voz eu reconhecia, e aquele rosto se virando e olhando triste pra mim também.

- Peter…

- Nem começa, porque suas desculpas devem ser péssimas. Sem ofensas. E apesar que ouvir Annelise pedir desculpas deve ser a coisa mais rara do mundo, eu vou dispensar.

Fiquei olhando com cara de “Você é louco?”

- Pode devolver meu Mp4 agora?

- Posso né. — disse me entregando o Mp4.

- Valeu. — disse virando e voltando pra casa.

Quando estava mais ou menos no meio do caminho, senti alguém me seguindo.

- Ok Peter, o que você quer ? — disse me virando e procurando-o. — Ok, não quer falar não fala. — disse me continuando meu caminho.

- Queria saber onde você mora, é proibido? — disse entrando na minha frente.

- Devia ser já que a pessoa não foi convidada para conhecer minha casa. — disse continuando meu caminho.

- Então..vai me convidar? — disse cheio de esperanças.

- Deixa eu pensar…não?!

- Ah! Qual é Annelise, o que é que tem?

- O que é que tem? Não estou afim de dividir meus problemas familiares com você, pra depois você sair falando para todo mundo.

- Se eu prometer não contar, você deixa? — voltando com a sua esperança.

- Ok, eu deixo.

Quando eu cheguei na porta de casa, já ditei as regras>

- Sem falar com a empregada, senão ela conta pro meu pai. E não fala com meu pai, a não ser que ele fale com você, ok ? ok.

Ele apenas concordou com a cabeça, e deu risada.

- Voltou Anne? — disse a empregada.

- Não, tô lá ainda — disse subindo as escadas.

- Você é muito cruel. — disse Peter quando me joguei na cama.

- Ah! Jura?! Ainda não sabia, obrigada por me acordar para a realidade. Senta ai.

- Quem é esse da foto? Seu namorado? (risos) — disse Peter segurando a foto do meu irmão.

- É meu irmão, não namoro. — “Não me pergunte o que aconteceu com ele” — pensava.

- E cadê ele? Se parece muito com o meu irmão.

- Morreu em um acidente de carro.

- Ah! Ok, entendi. Não quer falar ?

- Vamos sair daqui antes que meu pai chegue.

Quando estávamos quase abrindo a porta, meu pai chegou.

- Oi senh..- puis a mão na boca do Peter.

- Ignora ele — sussurrei.

- Annelise, o que é isso? — disse olhando Peter dos pés á cabeça.

- É um menino não viu? Agora dá licença, que vou sair. Depois eu volto.

Era mais ou menos uma cinco e meia, nunca gostei muito de saber das horas. Tenho vários relógios que ganho, se eu falar que já usei cinco estou mentindo. Devíamos estar no centro da cidade, quando olhei para trás e vi Melissa vindo na minha direção.

- Ela de novo?! — disse olhando para trás e parando no meio do caminho.

- Temos que acertar umas coisinhas não acha Annelise? — disse Melissa olhando para Peter.

- Não tenho nada para acertar com você. Como está seu olho roxo? — disse provocando.

- Temos uma coisa, uma única coisa para acertarmos. E está do seu lado. — disse olhando para Peter novamente.

- Melissa, me poupe. Olha a sua idade. Será que não entende que terminamos? — finalmente Peter disse alguma coisa. — E ainda não estamos namorando.

- Ainda? — sussurrei.

- Ainda.. Mas quero ver, quem você prefere.. essa daí ou eu? — disse Melissa em tom de desafio.

- Espera, assim não vale. Ele te comeu e não gostou. Quer ver ele provar e gostar? — disse puxando Peter mais para perto e dando um beijo nele. Foi um beijo demorado, que vindo da parte dele era cheio de amor (não sei da onde tirei isso). E que tinha me confundindo todo.