Do I wanna know?
1 "Hide some aces up your sleeve"
Notas iniciais
Queria agradecer a Akane-chan, escritora da primeira ByaRen/RenBya que eu li. De verdade, obrigada por me mostrar esse casal mágico *-----*
Espero que esteja boa, de verdade. A inspiração veio do nada enquanto eu ouvia a música tema da fic e eu pensei: ByaRen, s.o.s.
Aconselho a ler ouvindo Do I Wanna Know, do Arctic Monkeys :3
Boa leitura.
P.S: O primeiro capítulo saiu meio curto, me perdoem :/ mas prometo que os próximos serão grandes :3
P.S²: Qualquer erro de grafia, formatação, me avise, okay?
Have you got colour in your cheeks?
O Kuchiki assoprou a fumaça para o alto, deixando uma clara expressão de contentamento pintar seu rosto. Por mais que fosse um homem sério e de fortes princípios, era suscetível a vícios, um deles sendo, desde os 14 anos, a nicotina. O outro era seu amado álcool. Comprovando sua característica mais marcante, o copo de whisky repousava em sua mão esquerda, o vidro não se encontrando nem suado pois logo a bebida descia queimando por sua garganta. Acenou displicentemente para o garçom que, conhecendo os gostos de um de seus clientes mais antigos, apressou-se a levar mais um tanto do líquido de cor âmbar. O magnata sentia-se relaxado, a endorfina que o fumo liberava correndo livremente por suas veias. Só três coisas na vida o deixavam tão entorpecido: cigarros, álcool...
E sexo.
Sim, o grande homem de negócios era um completo ninfomaníaco. E, para completar, um ativo de tirar o fôlego. Deleitava-se com a sensação de ter corpos à sua mercê, mas não era nenhum sadista, pode apostar. Gostava de embrenhar-se noite adentro e achar a “vítima” perfeita –– porque, convenhamos, quem resistiria aos olhos felinos e sorriso sedutor de um homem como Kuchiki Byakuya? –– e não tinha muito trabalho tentando seduzi-las. Sua existência já era sensual o suficiente para fazer a maioria cair aos seus pés. O porte sempre sério, ombros largos, o sorriso de escárnio, carregando, geralmente um toque malicioso, olhar incisivo e penetrante, mãos grandes e dotadas de uma destreza surreal –– e excitante ––, tudo complementado pelo timbre rouco e baixo, usado para causar arrepios ensandecidos quando sussurrado.
Do you ever get that fear that you can't shift the tide that sticks around like summats in your teeth?
Seus orbes escuros percorreram o espaço em busca de algo que pudesse entreter sua noite, desviando de qualquer mulher exibicionista e também de que qualquer cara além do limite de bebida. Após alguns minutos de análise, seu cérebro focou na figura sentada ao balcão do bar, o blazer sobre a mesma, a gravata frouxa e os fios ruivos espalhados sobre as costas largas cobertas pela camisa social azul marinho. Byakuya sorriu abertamente, expondo os curtos caninos, como o bom predador que era. Lambeu o lábio inferior e ergueu-se, deixando uma nota dez dólares sobre a mesa como gorjeta para o garçom. Podia ser um grande filho da puta, mas sabia reconhecer quando era bem tratado –– o que sempre acontecia dentro daquela boate ––, por isso não se importava com o dinheiro gasto. Moveu-se com suavidade –– seu típico andar imponente e elegante que deixava bem claro sua superioridade ––, desviando de algumas pessoas já fora de si. Aquilo sim era algo que o irritava profundamente. Por que beber tanto se sabe que não vai aguentar a porrada? Revirou os olhos, enojado, fuzilando com os olhos todo e qualquer suicida que tentasse tocá-lo sem permissão.
Hide some aces up your sleeve
Aproximou-se sorrateiramente da vítima daquela noite. Apesar de não poder classificá-lo daquela forma. Reformulando: sua vítima favorita de todas as noites. Observou com deleite os braços tatuados musculosos sobre o balcão, mordiscando os lábios com ânsia. Curvou as costas a fim de alcançar o ouvido do outro, pigarreando levemente para chamar a atenção a si.
–– Hm, interessante. O que temos aqui? –– Debochou em um tom relativamente baixo, levando-se em conta as batidas berrantes que reverberavam pelo espaço, sua voz soando como um quase sussurro. O ruivo, a despeito do arrepio que percorreu sua espinha –– como sempre acontecia quando aquele homem estava por perto, só não sabia ainda dizer se eram bons ou ruins ––, virou-se, franzindo o cenho, digamos, puto da cara por ter a infelicidade de encontrar-se logo com o homem mais arrogante e egocêntrico com quem já tivera o desprazer –– será mesmo? –– de trabalhar.
Abarai Renji era o advogado chefe das empresas Kuchiki, tais, obviamente, presididas por Byakuya, o senhor simpatia –– só que ao contrário. O ruivo reconhecia os esforços desumanos que o Kuchiki fizera para reerguer, sozinho, o império de seu pai, após a morte do dito cujo. Sua mãe não soubera administrar bem os negócios e levara tudo à falência, além das acusações de fraude e desvio do dinheiro de campanhas humanitárias, deixando o filho mais velho, de 16 anos, com uma bomba prestes a explodir em mãos. Haviam perdido tudo naquela época –– Renji só ficara sabendo porque, durante um mês, notícias sobre o ocorrido pipocavam na mídia –– e mal lhes sobrara dinheiro. Então Byakuya correra atrás, durante, aproximadamente, dez anos, de formas para limpar o nome da família. Estudara, e, sendo o gênio que era, agora com 29 anos, transformara-se em um dos maiores empresários do Japão. A empresa era a maior produtora e exportadora de tecnologias do país.
Mas só porque Byakuya era esforçado, Renji precisava aceitar a cara de “quem chupou limão e não gostou” que ele sempre fazia? Ia dar outra coisa para ele chupar... “Céus, Renji, pare de pensar essas coisas!”
A antipatia e suposta superioridade do presidente tiravam o advogado do sério, mas ele costumava contar até mil para não tomar alguma atitude que o fizesse perder o emprego, pois consideremos que o salário não poderia ser melhor. Graças a sua função na empresa, após longos cinco anos de trabalho árduo, Renji possuía duas casas próprias –– uma no centro, perto do trabalho, em um condomínio... confortável e outra mais no interior, para quando precisasse descansar de todo o estresse da capital –– e podia bancar seus amores –– um Dodge Charger modelo 2011, grafite, e seu Impala 1997, preto, que ficava guardado em sua casa de “campo”. Então não podia ser dar o luxo de desperdiçar um cargo como o que exercia agora. No entanto, como dito antes, não era obrigado a simpatizar com seu chefe –– ainda que Byakuya quase não mandasse mais nele, já que eram praticamente sócios. Renji vez ou outra limpava as cagadas que o moreno realizava.
Como, por exemplo, socar a cara do presidente da Samsung porque flagrara o cara olhando para sua bunda com um pouco mais de atenção do que o necessário. Céus, aquele fora um caso deveras exaustivo. Atualmente o ruivo podia respirar um pouco mais aliviado porque Byakuya, aparentemente, havia sossegado o facho.
Ou quem sabe não.
Seria um completo idiota se não reparasse nas investidas do moreno sobre si em algumas poucas oportunidades. Quando se cruzavam nos corredores, o magnata fazia questão de esbarrar seus ombros e de pedir desculpas baixo, com aquele tom de voz deliciosamente rouco –– e Renji odiava ter que admitir, mas aquilo lhe causava formigamentos em certa região. E nas reuniões, ah, as reuniões. Byakuya realmente o comia com os olhos quando o ruivo começava a falar sobre algo, o que quer que fosse. O presidente sempre parecia prestes a jogá-lo sobre a mesa fria de vidro e possuí-lo ali mesmo, na frente de todos –– e não podia negar que, no fundo, desejava terrivelmente que ele o fizesse. Mas sabia que seu “chefe” era conservador, então estava seguro. Pelo menos achava.
Doce ilusão.
Em uma sexta feira de muito trabalho, o prédio da empresa repleto de funcionários, Byakuya o encurralara dentro da própria sala quando o ruivo fora até a mesma entregar alguns contratos para o empresário assinar. A lembrança ainda causava arrepios e esquentava seu corpo de uma maneira... gostosa.
Have you no idea that you're in deep?
Notas finais
Espero que tenham gostado *-*
Kissus e até amanhã :3 (ou mais tarde quem sabe)
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