Do Hate For Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
5 anos.
Inglaterra — Londres
No pré-escolar...
- Qual seu nome? – Uma linda menininha de cabelos claros e lindos olhos castanhos pergunta para outra linda menininha de cabelo longo castanhos com olhinhos brilhantes da mesma cor.
- Samilly. – A garotinha responde tímida. – E o seu?
- Rafaelly.
As duas sorriem cúmplices.
Mas o momento é interrompido por um garotinho que tropeçou e sem querer jogou tinha guaxe em Samilly.
- Arthur! – A professora gritou indo até a menina.
- Desculpa, Tia, foi sem querer.
- Mentira! – Samilly falou irritada.
- Foi culpa minha... eu coloquei meu pé na frente dele. Desculpa. – Uma garotinha de lindos cabelos castanhos e ondulados fala tímida.
- Tudo bem, Emilly. Mas tenha mais cuidado, ok? – A professora pediu docemente e a garotinha sorriu para ela e depois para Samilly em um pedido mudo de desculpas.
Certamente, para quem estava vendo a cena de longe, como um mero telespectador, não poderia imaginar que aquelas pequenas crianças formariam uma amizade tão linda e tão forte. Uma amizade capaz de enfrentar tudo e qualquer coisa... inclusive o tempo e a distância.
8 anos
Mansão dos D’Angelo
Estava tarde, mas Rafaelly não queria ir dormir. Sua mãe ainda não havia chegado da casa da irmã e ela estava preocupada, mas seu pai insistiu muito e disse que ela já chegaria para dar um beijo de boa noite na filha, então a menina cedeu e foi para seu quarto tentar dormir. Mas acordou com um som alto de sirene de policia, não sabia bem que horas eram. Como a criança curiosa que era levantou e foi até a sala, ficou atrás do sofá ouvindo a conversa de seu pai com um homem, que ela deduziu ser um policial.
– Sr. D’Angelo?
– Sim, sou eu. – Seu pai falou preocupado.
– Hãn... sua esposa sofreu um grave acidente de carro. Um caminhão vinha em alta velocidade e ela não consegui desviar. Sinto muito, mas... ela não resistiu.
A mente da garota sabia o que havia acontecido, mas seu coração não queria, não poderia aceitar. Seu pai procurou a parede com as mãos numa atitude desesperada de se manter.
- Não! Minha mãe não! Papai, é mentira, não é? E-Ela vai voltar, não vai? – A garotinha soluçou desesperada.
Seu pai foi até a ela e a abraçou como nunca havia a abraçado antes, mas aquele vazio, aquele desespero não passava. Nunca iria passar. E a pobre menina sabia disso.
P.O. V Samilly
E lá estava eu novamente numa dessas “reuniõezinhas” chatas dos meus pais com outros empresários e seus filhos. Estava próxima a piscina, sozinha.
- Oi, Samy. – Arthur aproximou-se de mim sorrindo. Peraí! Sorrindo? Aí tem.
- Pra você é Samilly – Pensando bem... – Ou melhor, pra você é Fontinnelly.
- Calma, Samy. Eu só vim pedir desculpas, fazer as pazes. – Ele disse angelicalmente. Até parece!
- Pedir desculpas? Desde que eu te conheço você vive aprontando pra mim e nunca me pediu desculpas. – Com bastante ênfase no “nunca”.
- Mas eu tô arrependido... eu não devia ter feito nada daquilo.
- Prove. – Disse desafiadora. Eu não estava nem um pouco certa de que ele falava a verdade.
- Ok, então... me dá um abraço? – Abraço? O Arthur me detesta e eu o detesto desde que o mundo é mundo.
- Claro! – Ele se aproximou de mim de braços abertos. – Que não!
- Deixa de frescura, Samy! – Ele disse e me puxou para junto de si.
- Me larga, Phelps! – Eu o empurrei com toda a força que eu tinha e tentei arrumar meu cabelo que ele embaraçou todo. – E que isso nunca ma... ARTHUR! VOCÊ COLOU CHICLETE NO MEU CABELO, SEU IMBECIL!
- Vocês garotas são muito burras! – Aquele idiota estava gargalhando! Se divertindo as minhas custas!
- VOCÊ ME PAGA, PHELPS! – Gritei e o empurrei. Só não achei que a peste iria cair dentro da piscina.
- Arthur? – A mãe do traste estava procurando ele. – ARTHUR! – Gritou horrorizada ao vê-lo na piscina. Pra quê tanto escândalo? Não vivem dizendo que vaso ruim não quebra (nesse caso se afoga... hihi)?! – Ele não sabe nadar! SOCORRO! MEU FILHO ESTÁ MORRENDO!
Ops!
Mansão dos Mello
- Emilly, Anne, venham cá! – A Sra. Davis gritou.
Anne era mais velha que Emilly apenas quatro anos, mas agia como se fosse bem mais velha. Sempre teve o gênio forte e ciúme do amor dos pais para com Emilly, que sempre tentava agradar a irmã apesar de tudo.
As irmãs desceram as escadas e, preocupadas, perguntaram o que houve.
- O primo de vocês, Harry, está chegando. Vocês precisam tratar ele mais que muito bem e com delicadeza, por favor. – Sr. Davis disse.
- Lembram-se que irmã de seu pai, que vocês infelizmente não tiveram a oportunidade de conhecer, faleceu há quase uma semana? Pois é. O filho dela e primo de vocês vai vir morar aqui conosco. – A mãe das meninas explicou.
- Ele tem quantos anos? – Anne perguntou.
- Como ela morreu mesmo? – Emilly perguntou triste, mesmo sem conhecê-la.
- Ela... bom... ela entrou em depressão depois que o marido dela faleceu e... tomou muitos remédios... – Seu pai disse com lágrimas nos olhos.
- Mas os remédios não nos curam, papai? – A garotinha perguntou confusa.
- Sim, mas ela tomou muitos de uma vez só. Nada em excesso pode nos fazer bem, querida.
- Quantos anos ele tem? – Anne perguntou mais uma vez impaciente.
- A idade da sua irmã, Anne. Você não fica nem um pouco triste pela sua tia? – Seu pai perguntou com espanto.
- Ótimo! Mais um pirralho pra me atazanar! Fala sério, pai! Eu nem a conhecia... e também não quero conhecer esse daí. – Respondeu com indiferença.
- Anne! – Sr. Davis a repreendeu. Anne subiu as escadas bufando. – Qual o problema dessa menina?
Quando sua esposa já ia abrir a boca para defender a filha, a campainha tocou e os três foram juntos até a porta. Emilly a abriu e viu um garotinho lindo com lindos olhos verdes que mais pareciam duas esmeraldas, cabelos cacheados... Ele parecia mais um anjinho!
- Olá, Harry, querido. – Sra. Davis disse simpática, o que fez com que ele desse um sorriso triste expondo suas covinhas.
Mas o desfez ao olhar sua prima. Emilly teve uma vontade enorme de abraça-lo e confortá-lo. Aqueles olhos, eles... passaram uma confiança tão grande para a garota, um conforto inigualável. Mal sabiam que seria assim para o resto de suas vidas.
10 anos
No intervalo da aula...
- Gente, eu... eu vou me mudar. – Rafaelly falou triste.
- Sério? Pra onde? É perto de alguma de nós? – Samilly perguntou curiosa.
- Pelo contrário... eu vou pra Itália.
- QUÊ? – Emilly gritou e Samilly engasgou-se com um pedaço de pizza que comia.
- Amanhã vai fazer dois anos que... bom... que minha mãe faleceu – A garota já estava com os olhos marejados. – e meu pai disse que não quer mais morar aqui... nós nos mudamos amanhã.
- AMANHÃ? – Emilly gritou novamente.
- Emilly, para de gritar, criatura! – Rafaelly pediu enquanto olhava para os lados vendo as outras crianças as olharem assustadas. – Tá todo mundo olhando!
- Eu não tô nem aí! Samilly para de tossir!
- Eu estou engasgada! Percebeu não? – A garota falou com dificuldade.
- Ela tá ficando vermelha, Emilly! – Rafaelly olhou Samilly assustada.
Emilly deu de ombros e deu um belo tapa nas costas da amiga.
- Obrigada! Agora vou ficar sem meus pulmões!
- Pelo menos a tossi parou, mal agradecida.
Rafaelly agora as observava com atenção. Como ela poderia ficar sem aquelas duas?
- Rafa, você tá chorando. – Samilly disse com dó.
- Bem observado. – Emilly a respondeu com ironia o que fez com que Rafaelly soltasse um riso triste.
- Como que eu vou sobreviver sem vocês lá? Quem vai me fazer rir quando eu estiver triste, pra baixo como vocês vem fazendo durante esses anos?
- Ô, Rafa! A gente sempre vai tá aqui sempre que você precisar! – Samilly a consolou.
- Assim como você sempre esteve pra gente. – Emilly completou.
- E a gente pode manter contato... a Itália é longe, mas não é o fim do mundo.
As três amigas se olharam com lágrimas nos olhos e num segundo já estavam em um abraço triplo que dizia tudo o que havia para ser dito.
- E, aí? O quê que tá pegando? – Harry e Arthur chegaram interrompendo o momento. As garotas se soltaram e passavam a mão pelos rostos na intenção de secar as lágrimas que insistiam em cair.
– Por que vocês estão chorando? – Arthur perguntou olhando preocupado.
- A Rafaelly vai amanhã pra Itália. – Emilly explicou para os dois.
- Mas por que, Rafa? – Harry perguntou abraçando a prima de lado.
- Meu pai... ele quer mudar daqui.
- Mas por que pra Itália? – Arthur perguntou.
- Ele disse que lá é o lugar onde nossa rede de restaurantes dá mais lucro e também que nossa família é de lá, então ele resolveu unir o útil ao agradável.
As três amigas olharam-se novamente com pesar. Elas sabiam que iria ser difícil manter contato, sabiam que possivelmente a amizade não fosse mais a mesma, mas cada uma também sabia que as três nunca iriam esquecer aquela amizade, que no coração de cada uma essa amizade iria durar para sempre.
13 anos
- A campainha tá tocando. – Harry falou calmo enquanto colocava mais pipoca na boca.
- Eu ouvi.
- Não vai atender?
- Por que você não vai?
- Tô assistindo o filme. – Harry apontou para a TV com uma pipoca.
Os pais de Emilly e Anne haviam viajado há uma semana para o Brasil para resolver algumas coisas na filial da empresa Davis por lá e os dois estavam nos cuidados de Anne, que mais uma vez havia saído com as amigas e deixado os dois só. Emilly levantou-se, bufando e reclamando do quanto o primo era folgado e dando graças por seus pais voltarem para casa ainda hoje, e atendeu a porta onde se encontrava um casal.
- Pois não? – Emilly perguntou confusa ao vê-los.
- Você deve ser Emilly Mello, certo? – A mulher perguntou doce.
- Sim, mas... quem são vocês?
- A sua irmã mais velha não está aí? – O homem perguntou.
- Não, ela saiu. Por quê? Aconteceu alguma coisa?
- Na verdade sim. Bom... – O homem continuou. – Eu sou policial e essa é a nossa detetive. – Harry ouvindo isso levantou-se e foi até a prima.
- Mas... o quê que vocês estão fazendo aqui? Por que estão aqui?
- O avião em que seus pais estavam... perdeu o controle e caiu.
- O quê? Como assim? Eles estão bem, não estão? – As lágrimas já começavam a escapar dos olhos da garota.
- Sinto dizer que não, eles não estão nada bem.
- A queda foi fatal. – A mulher completou.
Emilly levou a mão até a boca e chorou desesperadamente, como nunca havia chorado na vida, enquanto seu primo tentava ampará-la.
- Emilly... – Harry tentava acalma-la. – Emi, vai ficar tudo bem. Eu estou aqui, lembra?
- Eu quero meus pais, Harry! – Abraçou o primo o mais forte que pôde.
- Eu sei como você está se sentindo, mas olha... – O garoto levantou o rosto da prima para poder olha-la nos olhos. – Eu prometo pra você que vai passar. Eu nunca vou te deixar. Eu vou estar sempre com você, sempre ao seu lado pra te ajudar, Emi. Assim como eu sei que seus pais também não vão te deixar. Eles vão estar sempre com você. Sempre.
Emilly o abraçou mais forte ainda lembrando-se do que sentiu a primeira vez que o viu. “Eu nunca vou te deixar.” “Eu vou estar sempre com você.” “Sempre.”... Ela sabia que sim.
14 anos
- Ah não, Emilly! Você também? – Samilly exclamou já com lágrimas nos olhos.
- Eu também não queria ir, mas... agora que a Anne vai completar dezoito anos, ela decidiu que quer “cuidar” de mim e do Harry. Ela não cuida nem dela direito. – Emilly falou revirando os olhos. – E agora colocou na cabeça que não quer mais que a gente estude aqui.
- Mas você não vai pra Itália também não, né?
- Claro que não, besta. Mas essa escola nova é do outro lado da cidade.
As duas olharam-se triste.
- Não precisa ficar triste, Samy. – Arthur chegou por trás, assustando as duas. – Olhe pelo lado bom, você ainda tem a mim.
- Emilly me leva com você, por favor! – Samilly suplicou exageradamente fazendo com que Emilly gargalhasse.
- Vocês ainda vão casar... e eu quero ser o padrinho. – Harry chegou abraçando a prima de lado recebendo de Samilly seu dedo do meio e um pedala de Arthur.
- E eu a madrinha! – Emilly juntou-se a brincadeira do primo.
Os quatro continuaram conversando, brincando, brigando como se tivessem todo o tempo do mundo. Mais uma vez elas sabiam que aquilo não seria um adeus e sim um até logo.
15 anos
- Essa é a escola? – Harry perguntou a Anne enquanto olhava para a frente enorme da escola.
- É. – Anne respondeu seca. – E... vocês vão ter que ficar aí esse fim de semana. Eu tenho muito a fazer, não posso ficar cuidando de vocês.
- De fato! – Emilly comentou irônica. – Levar seus “clientes” para a nossa casa é um dos seus afazeres, não é?
- Emilly, por favor! – Harry pediu enquanto a empurrava para dentro da escola antes que a Anne levanta-se a mão para ela novamente.
Enquanto os dois adentravam a escola, a garota tropeçou no próprio pé e esbarrou em um garoto que estava a sua frente, mas olhava para trás.
- Desculpa! Eu...
Os dois iam começar a se desculpar e falar aquilo que todo mundo fala quando esbarra em alguém, mas quando os olhares dos dois se cruzaram foi como se nada mais importasse. Nada mais em lugar nenhum.
- Emi, você tá bem? – Harry perguntou tirando-a dos braços do garoto e a olhando preocupado.
- T-Tô... tô sim. — Falou ao primo, mas não tirava os olhos do garoto a sua frente. – Me desculpa, eu não queria... – Dirigiu-se ao garoto, mas ele a interrompeu.
- Não, a culpa foi minha. Eu não tava olhando pra frente. – Ele sorriu para ela e ela para ele e mais uma vez o dois olharam nos olhos um do outro como se fosse o lugar mais lindo e seguro do mundo. – Eu me chamo Zayn.
- Eu sou Emilly. – Disse ajeitando os óculos no rosto, mas sem tirar o sorriso dos lábios.
Enquanto Harry olhava de um para o outro com cara de nojo.
Mansão dos Fontinnely
- Eu não acredito, Samilly Fontinnely! Mais uma vez você me decepcionou!
- Deixa de escândalo, pai! São só algumas notas baixas, só isso.
- Só isso? Só isso, Samilly? – Sua mãe perguntou com espanto. — Você é uma Fontinnely! Já imaginou o que irão falar se souberem que você anda tirando essas notas? As pessoas comentam, sabia?
Aquilo foi a gota d’água pra a garota. A partir daquele momento, ela não seria mais a mesma.
- Dane-se o que vão comentar! Eu não devo nada a ninguém!
- Que expressões são essas, Samilly? – O pai perguntou severo.
- Expressões de alguém que está cansada, cansada de ser ignorada de servir apenas como objeto de demonstração! Vocês não se importam comigo de verdade, nunca se importaram! Agora sou eu quem não vai mais me importar com vocês. Eu passei todos esses anos tentando chamar a atenção de vocês de maneira pacifica, mas eu cansei! As únicas coisas com que vocês se importam são com vocês mesmos, com a empresa e “com o que os outros vão falar” – Imitou a mãe exageradamente. – Vamos ver o que eles vão falar de mim a partir de agora. – Disse desafiadora e foi para seu quarto deixando seus pais confusos e odiando a si mesmos.
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