Do Fogo às Cinzas
6 Capítulo 5
Notas iniciais
"...E quero que você saiba que sou feliz e triste ao mesmo tempo, e ainda estou tentando entender como posso ser assim.” — As Vantagens de ser Invisível
Depois de ter passado praticamente a noite toda na biblioteca com o livro de curiosidades sobrenaturais — como eu tinha apelidado a obra que havia ganhado de minha mãe — na mão, eu estava praticamente acabando ele e tinha entendido tudo o que precisava sobre... Meu povo. Mas principalmente tinha decidido que meu próximo passo era voltar a minha casa para pegar alguns pares de lentes de contato e umas mudas de roupas, porém, para isso eu precisaria da autorização de Henry, o que eu estava indo buscar imediatamente em seu escritório que, por algum milagre, estava com a porta aberta por onde entrei imediatamente.
— Henry! — peguei ele distraído enquanto caminhava de um lado para o outro na sala.
— Gwen! A que devo a honra? — depois de saber a real idade dele, seu modo polido de falar fazia muito mais sentido.
— Eu meio que queria saber se eu podia usar seu carro para ir na minha casa pegar algumas coisas? — tentei ser o mais persuasiva possível, mas não tinha certeza se funcionaria, talvez fosse o caso de eu simplesmente sair escondida.
— Primeiro me diga uma coisa, você escutou algum pensamento hoje? Ou está tudo normal?
— Por mais incrível que pareça não escutei nada, tudo está em completo silêncio... Aliás, por que eu não posso ouvir nada? Eu perdi os poderes ou algo do tipo?
— Não! Mas você é muito nova nisso, provavelmente alguma emoção específica deve desencadeá-los e sem ela eles simplesmente somem, é claro que com o tempo nós vamos te ensinar a controlá-los sem precisar de nenhuma emoção — a ideia de ter poderes era muito incrível, quando eu via filmes ou lia livros sempre sonhava com isso, mas agora que tenho não sei se eu realmente preciso... — Ah e você pode sim sair, mas com uma condição, você vai ter que levar alguém com você, não costumo deixar novatos saírem sozinhos e você não vai ser uma exceção.
Uma babá era tudo que eu menos precisava no momento....
— Eu levo ela, tenho que passar na cidade para comprar algumas coisas mesmo, não custa nada ficar de babá — Noah falou surgindo magicamente na porta, ele parecia cansado, tinha olheiras enormes e seu cabelo na altura do queixo estava um pouco bagunçado, parecia que não tinha dormido nem metade da noite, provavelmente farreando por aí a julgar por suas roupas desarrumadas.
— Eu realmente preciso levar alguém? E principalmente, tem que ser ele? — ao meu ver eu podia perfeitamente ir sozinha, além do mais eu não gostava de Noah tanto assim a ponto de levá-lo a minha casa.
— Sim, não vou arriscar que alguém do conselho pegue você e corte sua linda cabeça fora, não me leve a mal, mas sua mãe me mataria.
— Você vem ou não? — o garoto moreno me perguntou pegando a chave do carro da mesa de Henry.
Sem opção alguma eu simplesmente aceitei e o segui por alguns minutos através do quintal onde alguns adolescentes treinavam uma luta corpo a corpo, é claro que eles nos olharam atravessado brevemente causando um pequeno reverbério em meu estômago, que passou quando finalmente chegamos até o carro preto de Henry, que para minha surpresa era nada mais nada menos que um Jeep meio sujo.
— De onde ele tira tanto dinheiro? — perguntei curiosa, apontando para casa que devia estar logo atrás de nós, mas havia sumido completamente... — O refúgio...
— Feitiço, Henry deve ter achado alguma bruxa que fizesse esse local sumir do mapa, e sobre o dinheiro, vamos dizer que quando se é imortal você tem bastante tempo para juntar uma boa quantia.
— Bruxas existem? — entrei no carro batendo a porta em sincronia com Noah que deu uma risada.
— Eu pensei que a esse ponto você já estaria acostumada — brincou ele que já acelerava o carro em direção a estrada vazia.
...
E lá estava ela, no meio de duas árvores gigantes havia a casa dos meus sonhos, não era nem grande demais nem pequena demais, a pintura branca e preta estava começando a descascar, no entanto ainda assim ela parecia como meu lar, empoeirado, mas meu lar. Abri a porta para que eu e Noah entrássemos, como eu previ tudo estava coberto de poeira deixando o lugar um pouco desagradável. Os móveis estavam arrumados em seus devidos lugares, principalmente minha estante de madeira maciça, o único problema era que ela e as poucas mobílias da sala e da cozinha estavam cobertos por uma fina camada de pó, que provavelmente teria atacado a alergia de Astrid.
— Bela limpeza que você fez aqui, hein? — provocou Noah.
— Faz um tempinho que não chego nem perto daqui, se quiser limpar por mim eu ficaria muito agradecida, vou subir e pegar umas mudas de roupas e lentes, fique à vontade, mas nem tanto... — falei ao ver ele bisbilhotando as coisas.
A escada de madeira estalou um pouco em meu caminho até o meu quarto, que por sinal tinha ficado do mesmo jeito que eu tinha deixado, fui em direção às gavetas da cômoda branca e rapidamente peguei inúmeras mudas de roupas já que não fazia ideia de quanto tempo ficaria no refúgio. Em seguida fui ao banheiro e procurei nos gabinetes pelos quatro últimos pares de lentes, eles teriam que ser suficientes. Coloquei tudo dentro de uma mala de couro pequena e desci as escadas apressada com medo do que Noah estivesse fazendo em minha casa, mas na realidade quando cheguei ao andar de baixo ele estava vasculhando minha estante.
— Acho que tenho alguns clássicos na prateleira de baixo — apontei para o último nicho torto da estante.
— Quantos anos você acha que tenho por acaso? — ele me encarou.
— Não sei... Quatrocentos? — chutei.
— Quase... Trezentos e quarenta e quatro.
— Bem velho, certeza que não quer um andador? — brinquei.
— Não! E para sua informação agora estou lendo coisas novas... Uma vez ouvi falar sobre algo chamado Jogos Famintos, eu acho...
— Pelo amor de Deus, é Jogos Vorazes e eu realmente não sei se sua cabeça antiga está preparada para isso, aliás eu estou pronta, vamos?
— Espere um pouco — respondeu ele que pegou um porta retrato da estante, nele estava uma foto minha, com Ben e Astrid durante nossa formatura do ensino médio. — Essa é a famosa Astrid então?
— Sim... — eu estava praticamente arrancando o porta retrato da mão dele, não gostava que mexessem nas minhas coisas.
— E quem é esse?
— Ben, ex-namorado de Astrid e um dos meus melhores amigos — tinha a impressão que isso ia demorar então sentei no braço do sofá de couro preto.
— Bonito! — meu cenho se franziu no exato momento que ele falou isso, pelo silêncio que eu fiz obviamente ele se virou sorrindo.
— Você é....
— Gay, sim! — ele colocou o porta retrato no lugar e deu um sorriso com o canto da boca.
— Tenho que dizer, por essa eu não esperava.
— Você não é a única — ele girou a chave no dedo e fez um sinal para que saíssemos, mas no exato momento um estrondo veio da porta que havia sido lançada quase acertando Noah, eu me aproximei dele assustada e olhei o que havia causado isso, ou melhor quem... Uma mulher negra com o cabelo preto preso em um coque e vestida toda de branco com uma espada na mão.
— Olá Noah, sua mãe me mandou para te dar um recado... — ela caminhou até nós com um olhar perigoso, eu não fazia ideia sobre o que ela falava, mas pelo seu jeito nós tínhamos que sair daqui de algum modo. — Ela descobriu seu pequeno informante no conselho, mas não se preocupe nós vamos nos encarregar de mostrar a todos a cabeça dele e a sua também...
— Então ela está brava? Isso é realmente um milagre — ele parecia brincar com fogo, como se não desse a mínima pelo fato da mulher ter uma espada na mão. — Gwen, acho melhor você sair daqui.
— Não vou deixar uma louca armada em minha casa com você junto — avisei.
— Tudo bem então, eu posso matar sua amiga também, o conselho vai ficar muito feliz com a minha pequena caçada.
— Seria bem legal se você me explicasse o que está acontecendo. Eu pensei que você fosse órfão — pelas partes soltas que eu tinha entendido a mãe dele fazia parte do conselho e isso sem dúvida era uma surpresa.
— Acho que esse não é o momento certo para eu explicar isso a você, principalmente com o que vou fazer agora — sem eu nem mesmo perceber ele sacou uma pedra azul do bolso que se transformou em uma espada de dois gumes e partiu para o ataque contra a mulher a jogando contra a parede, mas ela o empurrou de volta com o dobro de força e ele acertou em cheio minha parede abrindo um buraco nela. Meu instinto foi sair do meio da sala e correr para cozinha o mais rápido de consegui, eu fiquei atrás da bancada e simplesmente peguei o primeiro prato que vi pela frente e lancei contra a mulher, ele se espatifou contra as costas dela a deixando mais brava ainda... De repente a mão dela se encheu de um fogo alaranjado, quase formando uma bola, eu me abaixei bem a tempo da bola de fogo passar rasando pela minha cabeça. Eu podia sentir a bile vindo até minha boca, se eu pudesse já teria vomitado faz tempo de tão nervosa que estava.
— Talvez eu devesse matar sua amiga primeiro, o que você acha Noah? — pude ouvir a mulher provocar ele.
— Está com medo de que eu vá te dar uma surra, então vai atacar uma novata? Patético até mesmo para você... — me levantei rapidamente para ver a mulher colocando o joelho contra a garganta de Noah ele estava se debatendo, mas ela iria sufocá-lo.
Peguei a minha pedra roxa que havia deixado em meu bolso e a segurei firmemente em minha mão direita trêmula. Eu podia sentir a raiva tomar conta do meu corpo, eu era completamente inútil.
— Droga! — gritei frustrada e no mesmo momento a mulher saiu de cima de Noah praticamente cambaleando de encontro ao chão com as mãos contra o ouvido. Olhei para o lado e o garoto estava do mesmo jeito, eles pareciam com muita dor, tamanha que a mulher havia começado a gritar.
— O que você está fazendo? Parece que minha cabeça está sendo acertada contra concreto — Noah e a mulher se contorciam contra o chão e eu não tinha ideia do que eu estava fazendo, eu não tinha controle sobre isso, minha cabeça não parava de girar e eu podia jurar que estava escutando meu próprio coração acelerado, eu só tinha desejado que eles parassem e agora ambos estavam com dor...
Por favor, pare Gwen, agora, por favor.... Olhe para Noah, você vai matar ele se não parar.
Eu respirei fundo e fechei meus olhos por um segundo, o suficiente para me lembrar da minha mãe e de quando ela me dizia “Você pode fazer tudo que quiser Gwen Collins, só precisa de um chute na bunda às vezes”. Meu coração se acalmou e a raiva aos poucos se desfez, eu abri meus olhos e vi a mulher jogada com uma pequena quantidade de sangue descendo das orelhas, mas Noah, quem realmente importava nesse momento, estava bem... — pelo menos parecia —, ele começou a se levantar lentamente, tinha um risco de sangue vindo de sua orelha também, mas ele não parecia tão ruim quanto a enviada do conselho.
— Eu sinto muito, juro que não tive a intenção de fazer isso — Henry estava certo ao dizer que qualquer emoção poderia desencadear meus poderes e por conta disso eu podia ter matado o irmão de Blake.
— Tudo bem Gwen, só faça um pouco de silêncio, parece que estou com uma ressaca de mil anos... — Ele se encostou no balcão por algum tempo, mas logo que melhorou ele foi até a mulher deitada no chão da qual tentava medir o pulso.
— Me diga que ela não está morta...
— Não está, mas ela vai ter uma dor de cabeça e tanto quando acordar. Por agora eu preciso escrever um bilhete para minha querida mãe, pode me dar uma caneta e um papel qualquer?
— Espere um pouco, como ela não acordou, mas você sim? — isso não fazia sentido algum, o efeito de meus poderes variava de pessoa para pessoa, por acaso?
— Gwen... Eu não faço a mínima ideia do que aconteceu aqui e como você quase me matou, quanto mais saberei porquê ela não acordou.
— Tudo bem, mas você tem certeza que não quer descansar um pouco mais? — ele parecia um pouco desnorteado ainda, como se tivesse levado uma boa surra, o que ele tinha. — Aliás você me deve uma explicação sobre o que essa mulher veio fazer aqui? — eu estava aliviada que nenhum de nós tinha se machucado gravemente, mas ao mesmo tempo com raiva por não ter ideia do que aconteceu aqui.
— É complicado Gwen... Eu vou explicar, mas preciso que Henry esteja por perto, não sei se ele gostaria que eu contasse para você.
— Ao menos me diga quem é a sua mãe e por que ela mandou uma louca atrás de você? Ela é do conselho, não?
Ele hesitou por um momento, mas então percebi que ele me contaria, na realidade ele não tinha escolha, eu insistiria até que falasse.
— Minha mãe é a líder do conselho, Imogen Banks, a mulher que quer matar todos nós...
Eu arregalei meus olhos mas tentei conter minha reação, afinal de contas era mãe dele, apesar de ser uma vaca.
— Sinto muito Noah, eu não fazia ideia...
— Na verdade, acho que essa foi uma das melhores reações que recebi, a maioria das pessoas do refúgio me odeiam por isso e por eu ser a única fênix vermelha lá — é claro, agora tudo fazia sentido, as provocações e todos os olhares...
— Você nunca foi briguento, todos te odeiam pelo que sua mãe é, não?
Ele assentiu com um semblante chateado.
— Bom, se ajuda você não parece ser tão ruim quanto ela, mas ainda é um pé no saco.
Ele sorriu e eu passei uma caneta e uma folha para que ele escrevesse o bilhete em seguida. Quando acabou ele colocou o papel dobrado no terninho na mulher e fez um sinal para que fôssemos.
— Nós vamos deixar ela aqui? — perguntei conforme chegávamos perto da porta.
— Quando ela acordar e perceber que nós sumimos ela vai correr para minha mãe, que provavelmente vai ter um surto, então acho melhor a deixarmos aqui....
— Tudo bem, mas se ela mexer em alguma coisa aqui, eu vou matá-la.
— Claro, você realmente conseguiria... — ele tirou sarro indo em direção ao carro.
— Você sabe que não é nem um pouco engraçado, certo?
— Sim, e você sabe o quão chata é? — entramos no carro e eu joguei a mochila no banco de trás.
— Só cale a boca e dirija.
...
Passamos em um mercado local e compramos alguns mantimentos, depois disso foram questão de minutos até que chegássemos ao refúgio, nós deixamos as compras na cozinha e fomos direto para a sala de Henry, o local mais frequentado de toda a casa aparentemente.
— Henry eu tenho que te contar algo... — o homem grisalho tirou os olhos de um livro e focou em nós dois por um instante.
— Sim? — ele levantou e se apoiou na mesa que rangeu um pouco.
— Minha mãe mandou uma mulher me caçar hoje, ela nos encontrou na casa da Gwen e nós quase levamos uma surra, mas ela fez isso porque... — Noah respirou fundo como se tomasse coragem e voltou a falar. — Porque eu tinha uma fonte dentro do conselho e depois de muito tempo sem falar comigo ele me entregou alguns documentos de lá, bem importantes na realidade...
— Ela não machucou nenhum de vocês, não é? — sem nem ao menos perguntar sobre os documentos ele começou a analisar os poucos cortes em Noah, mas pareceu aliviado quando viu que estávamos bem. — Não, nós estamos bem, a casa dela está um pouco bagunçada mas isso não importa, o que você tem que ver são os documentos que eu consegui.
— Noah antes de você ir, essa mulher que os atacou não mencionou nada sobre sua mãe estar perto de achar o refúgio ou algo assim? — agora ele parecia preocupado.
— Claro que não, isso nem é possível, certo? — antes que alguém o respondesse ele saiu voando dali em direção aos documentos.
Me sentei em um dos sofás e esperei alguns segundos para que eu pudesse falar algo, eu ainda estava chocada com o fato da mãe dele ser a líder do conselho que caça todas essas pessoas que moram aqui, mas um pouco curiosa sobre a preocupação de Henry sobre acharem o refúgio.
— Não é possível que o conselho nos ache, não é mesmo? — perguntei esperando ouvir um sonoro não.
— A mãe dele sabe que temos o refúgio, mas não desconfia onde ele possa estar, a magia usada para escondê-lo é muito poderosa, mas temo que ela possa estar enfraquecendo nos últimos anos... — ele parecia mal, estava suando e batendo a ponta dos dedos contra a mesa sem parar.
— E nós não podemos fazer nada? Quer dizer, se Noah tinha um informante lá, talvez nós consigamos outro e ele nos ajude a esconder o refúgio ou coisa do tipo.
— Não é tão simples assim, o conselho vai ficar nos vigiando agora, qualquer movimento que façamos fora daqui ela vai seguir e se ela nos achar, isso seria nosso fim.
— Essa Imogen é tão ruim assim? Ela não atacaria os próprios filhos, não importa o quão má seja, não é? — não era possível que uma mãe matasse os próprios filhos.
— Sim, ela é! Ela me odeia por que eu fugi com Blake assim que tive uma oportunidade — Noah nos surpreendeu aparecendo na porta com uma pilha de papéis. — Quando nós éramos novos ela tratava minha irmã mal, só por ela ser uma fênix roxa, o que fazia minha mãe lembrar do meu pai, então ela entrava na sua pequena espiral de loucura. Ela nunca havia batido em nenhum de nós dois, mas isso foi só até a noite em que Blake perguntou para ela porque ela a odiava tanto, Imogen surtou e atacou minha irmã, então nós fugimos...
Eu não sabia nem o que falar, o que ele e Blake passaram era horrível e tinha apertado meu peito só de pensar naquele dia.
— Nem todos têm uma mãe como a sua — Noah lamentou conforme entregava os papéis para Henry que os distribuía sobre a mesa minimamente arrumada.
Nós esperamos alguns segundos e pareciam séculos conforme ele lia os documentos, o mais agoniante era que ele não demonstrava nada, nem mesmo levantava uma sobrancelha.
— Isso não pode estar certo... Você tem certeza que esse seu informante é confiável? — eu não pude aguentar minha curiosidade então me levantei e, apressada, fui até a mesa, todos os papeis tinham fotos de adolescentes, cinco no total e o resto pareciam relatórios como os de um hospital.
— Esses papéis tem o selo do conselho em cada página e cada foto, é impossível que alguém falsificasse isso — Noah apontou para uma pequena fênix cercada de alguns louros dourados no rodapé das folhas.
— O que tem de tão errado nesses papéis? — eu não conseguia ver nada demais, mas aparentemente era só eu pela cara que os dois faziam.
— Cinco adolescentes que hipoteticamente o conselho tinha matado séculos atrás fugiram de suas celas de contenção, os mesmos adolescentes trazidos de volta à vida antes da conflagração...
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