Notas iniciais
Oie pessoal, aqui está mais um capítulo, espero que aproveitem!!

"As pessoas gritam quando não têm palavras para sussurrar" — Os Garotos Corvos, Maggie Stiefvater

— Isso é um problema? Eles estão vivos, isso não deveria ser bom? — depende do ponto de vista, quer dizer, eles estão vivos isso devia ser bom, mas algo não estava certo, principalmente pelo modo como Henry olhava para esses papéis.

— Não tenho a mínima ideia, seu informante por acaso não te disse algo mais? — nós nos viramos para Noah, que pareciam saber tanto quanto a gente.

— Basicamente minha mãe estava pirando sobre esses documentos, aparentemente nem ela sabia o que fazer, mas ele também me disse o motivo deles estarem mantendo esses adolescentes lá... — ele tomou um fôlego como se o que fosse falar fosse bem pior. — Ela manteve eles como prisioneiros e passou todos esses anos fazendo experimentos neles junto com os membros do conselho, de acordo com meu informante agora morto, eles estavam bem curiosos para saber como alguém poderia voltar à vida e ser mais poderoso do que já era...

— Experimentos? Isso é extremamente cruel até mesmo para o conselho — Henry tremia ao segurar os papéis e minha espinha tinha se arrepiado completamente só de pensar no tipo de experimento que o conselho fez.

— Eu não estou nem um pouco surpreso, minha mãe afinal de contas é um monstro e isso já está bem comprovado — mais que todos, Noah parecia decepcionado, eu não posso nem imaginar como deve ser ter uma mãe assim.

A sala ficou em silêncio durante o tempo em que Henry via todos os papéis, alguns tinham fotos dos adolescentes deitados sobre macas em salas completamente brancas, outras eram simplesmente dos perfis deles, no total era uma garota e quatro garotos, todos diferentes e com a própria fisionomia. Revirei mais alguns documentos e encontrei uma foto um pouco estranha, a única garota segurava um guarda acima do chão enquanto um fio de luz alaranjado saia direto da boca do homem em direção a dela, na foto seguida desta o homem estava simplesmente morto, jogado no chão. Isso fez com que meus braços se arrepiassem mais do que na vez que Astrid apareceu para mim.

— Dê uma olhada nisso — entreguei as fotos para Henry que as observou metodicamente.

— Por que você dois não vão a enfermaria checar se está tudo bem com esses cortes? — Henry guardou as fotos e nos encarou, pude perceber que ele não estava sugerindo que saíssemos, ele estava praticamente nos expulsando dali.

Eu podia jurar que Noah iria explodir e exigir respostas sobre as fotos, mas não, ele simplesmente se dirigiu a porta com a maior calma do mundo enquanto eu ficava com uma cara de boba encarando Henry.

— Eu sei que não sou ninguém para falar algo aqui, mas se você sabe algo sobre isso deveria tomar algumas providências, porque o que eu vi naquela foto me assustou mais que O Iluminado, e aquele filme é um coisa horrível de se ver.... — eu daria tudo para estar ouvindo vozes hoje, ou pelo menos ter controle sobre meus poderes para saber o que se passava na cabeça dele, mas ao invés disso eu saí dali rapidamente e só parei ao chegar no fim do corredor onde fui atingida em cheio pelas vozes que vinham mais à frente.

Segui os sons e conforme me aproximava percebi que se tratava de um alvoroço, o que foi confirmado no instante em que cheguei na sala de jantar, todos de pé ao redor da mesa gritando, e só então notei que em cima da mesa estavam Noah e o garoto loiro que apertou meu pulso outro dia, ambos brigando e ninguém fazia nada para pará-los. Eu pensei que não passava de uma briga boba, mas isso mudou completamente quando o garoto loiro sacou sua pedra que logo se transformou em uma espada de dois gumes brilhante que rapidamente espetou o braço de Noah abrindo um corte bem grande, mas isso não fez ele recuar, muito pelo contrário, agora as duas mãos dele estavam em chamas.

Provavelmente eu iria me arrepender profundamente do que iria fazer agora, mesmo assim subi na mesa e cheguei a tempo de ficar entre os dois garotos que emanavam raiva.

— Saia do meio! — o loiro esbravejou enquanto manejava a espada em um sentido de ameaça.

— Eu não vou deixar vocês dois se matarem, apesar de eu não ter o mínimo afeto por vocês, eu não vou deixar! — dei uma pequena empurrada nos dois para que se separassem em pouco.

— Isso não tem nada a ver com você Gwen, agora saia daqui... — dessa vez era Noah pedindo, mas isso não iria fazer a mínima diferença, eu não sairia dali e essa provavelmente seria a causa da minha morte.

— Chega! — uma voz grave ecoou da porta, era Henry, isso foi o suficiente para que todos ficassem quietos inclusive os dois que estavam prestes a brigar. — Vocês três desçam daí, Hunter e Blake tirem Noah e Gwen daqui, e você Mark — ele se virou para o garoto loiro que abaixou a cabeça. — Na realidade isso vale para você e para Noah, se vocês ousarem brigar ou até mesmo olharem torto um para o outro mais uma vez, eu juro que coloco os dois para fora desse lugar!

Hunter fez sinal para que saíssemos dali no mesmo momento, ele praticamente nos empurrou até a enfermaria um pouco mais à frente onde trancou a porta depois que entramos.

— E lá vamos nós... — Blake parecia familiarizada com a situação só pelo modo com que havia revirados os olhos.

— Você ficou louco? — Hunter berrou para Noah que não movia sequer um músculo desde que havia sentado em uma das camas arrumadas brancas assim como o resto do ambiente, que era digno de uma enfermaria, completamente organizado com alguns armários cheios de vidros com remédios que eu nunca tinha nem ouvido falar em minha vida, mas para variar havia algo nessa casa que raramente mudava, o piso de madeira que parecia prestes a abrir um buraco de tanto ranger. — Mais uma briga dessas e Henry te põe para fora daqui e você vai parar nas mãos da sua querida mãe psicótica!

Eles tinham uma relação estranha, eu pensei que não passassem de amigos, mas o jeito com que olhavam um para o outro....

— O que você quer Hunter? Um pedido de desculpas por brigar com Mark? Não vou pedir desculpas, na realidade eu não iria ligar se fosse chutado para fora do refúgio e minha mãe me prendesse em uma masmorra pelo resto da minha vida, pelo menos lá eles não me julgariam pelo monstro que ela é!

— Blake... Seu irmão e ele por acaso... — sussurrei para ruiva que semicerrou os olhos, eu morreria de vergonha se tivesse tirado uma conclusão errada, mas os dois realmente pareciam gostar um do outro.

— Jesus você é mesmo curiosa, não? — ela estava certa, eu realmente era. — Eles não são um casal, mas visivelmente se gostam, você tem que ser cego para não ver isso. Mas a história toda é mais complicada que isso.

Me virei para os dois novamente que agora estavam sentados lado a lado e tinham diminuído o tom, o modo com que Hunter olhava para Noah realmente deixava tudo bem óbvio.

— Você vai mesmo me negar uma linda história de amor? — ironizei.

— Não mesmo, só não diga que eu não avisei sobre ser complicado — ela destrancou a porta e olhou para seu irmão. — Vamos dar uma volta, você consegue fazer um curativo Hunter, ou precisa de uma babá para isso também?

— Acho que dou conta — ele respondeu com um sorriso leve e isso foi o bastante para que Blake e eu saíssemos dali. Nós não fomos muito longe, na realidade só andamos por alguns corredores até a parte de fora do refúgio onde sentamos nos pequenos degraus um pouco gelados por conta do clima — eu tinha certeza de que choveria mais tarde, o cheiro de chuva era inconfundível.

— Então... — comecei curiosa.

— Há uns duzentos e cinquenta anos atrás quando eu e Noah morávamos com nossos pais, eles me arranjaram um noivo, Hunter, obviamente eu odiei ele e a ideia de me casar com alguém que eu mal conhecia desde o começo, o que claramente não foi o caso do meu querido irmãozinho...

— Espere um minuto, você ia se casar com Hunter? — agora eu entendi o que ela queria dizer com complicado.

— Sim... E espere pela melhor parte, ele e meu irmão fugiram juntos no dia do meu casamento, o que para mim foi um alívio, mas para meus pais a maior vergonha do século e também mais um motivo para minha mãe me odiar e dizer que eu não consegui segurar nem um homem — poderia ter sido uma história bem engraçada se não tivesse sido meio trágica, a mãe dela realmente não bate bem da cabeça.

— Sinto muito pela sua mãe, mas se você tirar essa parte trágica, você poderia escrever uma bela comédia romântica.

— Claro, isso se eles simplesmente não tivessem se separado meses depois, meu irmão presumiu que minha mãe me odeia por culpa dele e achou que se separar de Hunter seria uma boa forma de se punir, meu irmão é um idiota, ou não?

Eu soltei uma risada seca e revirei os olhos, como alguém poderia negar o amor da vida dele que está logo a sua frente?

— Sim, ele é! — nós simplesmente paramos um momento e ficamos observando o pôr do sol vermelho alaranjado, estava mais lindo do que o normal hoje, ou talvez fosse o simples fato de que eu tinha parado para vê-lo e não simplesmente olhar ele enquanto estava bêbada ou saindo de uma boate. Como todos costumam dizer, as melhores coisas de fato estão debaixo do nosso nariz.

— Gwen... — Blake falou com a voz trêmula.

— O que... — antes que pudesse terminar a frase vi uma caminhonete preta estacionando bem à frente da barreira mágica. Eu e Blake apressamos o passo até chegarmos perto o suficiente do automóvel, para minha surpresa minha mãe saiu dele.

— Meninas preciso da ajuda de vocês, sem perguntas, só me ajudem a levar ela para dentro agora! — minha mãe abriu a porta traseira da caminhonete e lá estava uma garota jogada e completamente ensanguentada, parecia ter sido atacada por lobos —nesse momento eu só pedi que lobisomens não existissem nesse mundo, isso seria estranho demais —. Nós obedecemos minha mãe e ajudamos ela a levar a menina para dentro e eu não fiz nenhuma pergunta, pelo menos não até entrarmos e começarmos a gritar por Henry.

— O que é isso mãe? Quem é ela? — minha mãe me ignorou completamente no momento que Henry chegou com um semblante assustado, provavelmente eu teria a mesma reação com os gritos que estávamos dando, basicamente todo o refúgio já estava nos rodeando.

— Lorelai... — ele se aproximou da garota com os olhos arregalados. — Vamos, levem-na para a enfermaria — nós obedecemos e praticamente corremos em direção ao local onde a colocamos em uma das camas, eu não sabia muito sobre medicina, mas podia dizer uma coisa sobre aquela garota, ela estava bem morta.

Notas finais
E aí? O que acharam?? Que tal deixar um comentário me falando, adoraria saber o que estão achando da web!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.