Do Amor à Redenção
57 Capítulo 51
Notas iniciais
Capítulo 51
Boas relações já foram atrapalhadas por falsas expectativas que pessoas tinham umas nas outras, mas quando se sabe a totalidade da verdade, o relacionamento pode ser uma ruína ou uma bênção, no caso de Rowena e Berith era uma bênção, não tinham que fingir ser quem não eram um para o outro e isso é uma experiência rara e muitas vezes única. Entretanto não havia passado um mês antes que o Demônio estivesse cheio de segredos e isso irritava a Bruxa para além da razão.
— Depois de oito dias, eu recebo o ar da sua graça. Que incrível! – Exclamou irritada.
— Aí que lindo, você sentiu minha falta? — Perguntou sorrindo cinicamente.
— Não, só não gosto de segredos....
— Eu não tenho segredos, isso... É infantil e se esqueceu que sou eu quem fica indo de lugar em lugar para encontrar você? – Ele falou enquanto se sentava de qualquer jeito na cama ao lado dela.
— E o que estava fazendo?
— Coisas no inferno, sabe eu ainda tenho um trabalho e um chefe e ele confia em mim! — Falou.
— Quero ver se ele vai continuar confiando quando souber de nós. — Ela se levantou e riu.
— Por que não conta à ele?
— Está me desafiando? — Perguntou levantando uma sobrancelha e colocando uma uva na boca.
— Não Rowena, estou dizendo que não faz o menor sentido você e ele viverem assim! — Falou o demônio.
— Berith, fica com sua bela boquinha calada que assim nós ficamos muito bem! — Ela disse.
— Tudo que você quiser, estou aqui para servi-la. – Exclamou sarcástico e jogou-se na cama.
Tinha percebido vestígios e desconfiava, mas agora, tudo estava tão evidente. Amy e Mike estão se aproximando e ela nem quer imaginar quando Dean e Castiel souberem, se tinha levado uma bronca quando começou a namorar Jormungandr, imagina a Amy namorar o Arcanjo, só de imaginar a reação dos pais ela sorriu amplamente.
— Tá rindo de que? – Amy estava pesquisando sobre o passado do hotel, já que Claire havia informado que encontrou ectoplasma em uma das saídas de ar.
— Nada... só que você vai ouvir muito quando o Dean descobrir sobre o seu namoro! — Disse presunçosa a loira.
— O quê? Que namoro?
— O namoro entre você e o Arcanjo certinho! – Falou sorrindo como o gato que comeu um canário.
— Em primeiro lugar, seu namorado é tão certinho quanto o Mike e segundo ele não é meu namorado! — Amy respondeu irritada.
— Que bonitinho tá até defendo ele! – A Novak instigou mas foi completamente ignorada pela irmã.
O silêncio perdurou por algum tempo, até que Amy encontrou algo interessante.
— Caramba! – Exclamou.
— Que foi?
— Aquele hotel, já foi um local onde matavam criminosos e o último a ser morto foi um assassino em série, ele matava apenas homens...
— Nossa você acha que foi isso? — Claire pergunta debruçando sobre os ombros da irmã para tentar ler a matéria.
— Sim e como as pessoas são mórbidas, no próprio hotel estão fazendo uma exposição sobre a sua história e em um dos salões o chapéu de Joseph Blacker é um dos itens. — Amy explicou.
— Então vai ser fácil, a gente entra lá rouba o chapéu e queima? – Perguntou em dúvida e esperando a aprovação da morena.
— Bem é o que parece, vamos hoje à noite pois ainda é quinta e amanhã pode ficar mais movimentado. — Amy analisa.
— Ok! Só não esquece de avisar ao seu namorado!
— Cala a boca Claire! – Respondeu envergonhada com a atitude infantil da irmã.
Estava irritado com Gabriel que havia saído há dois dias e não retornado. O arcanjo havia recebido o convite dos filhos para uma reunião com toda a família incluído Sam e até mesmo Angrboda, no entanto o que o fez pálido e estranho foram dois nomes no fim da lista dos que haviam marcado presença. Neste momento o Winchester mais alto estava sentado na cama olhando para um livro qualquer do qual não conseguia ler nada, não conseguia concentrar-se em nada fora o pouco que conseguiu da internet, sobre os nomes Eisa e Einmyria, descobriu que eram filhas de seu namorado, e como sempre um de seus segredos que escondia. Olhou para o relógio e ao perceber que estava quase na hora combinada, pegou sua carteira e celular os colocando no bolso antes de ir para a sala onde esperaria um de seus enteados vir lhe buscar. Para sua imensa surpresa Angboda estava na sala sendo recepcionada por Bobby.
— Faço questão de entrega-lo um dos meus antigos grimórios.
— Agradeço.
— Olá Sam! – A mulher alta cumprimenta com um suave sorriso.
— Angboda é um prazer vê-la. – Responde envergonhado por não esquecer seu último encontro.
— Pode me chamar de Angie querido, afinal somos uma família. – Sorri calorosamente. – Agora acredito que já está pronto? Tenho certeza que Hel está ansiosa para nossa chegada.
— Sim, claro podemos ir!
— Foi encantador conhecer-vos Senhor Singer.
— Igualmente. – Respondeu Bobby ainda impressionada pela presença da mulher que era mais alta que Sam.
Assim que saem pelas portas do bunker ela vira-se para ele e após um momento de observação diz.
— Querido, sei que será uma reunião tensa mas gostaria que pudesse manter a mente aberta bem mais do que de costume. – Sorriu e tomou a mão do homem. – Pode ser um pouco incomodo.
Antes mesmo que pudesse perguntar o quê, eles haviam sido movidos de um jeito impressionante, parecia que todo seu corpo havia sido desmontado para ser remontando do avesso, foi uma experiência dolorosa. Quando conseguiu se situar estava no chão com Angboda, Fenrir e Hel olhando-o.
— Sinto muitíssimo Samuel, esqueço que Henry é tão acostumado que no último século deixou de reclamar. – Vendo o olhar interrogativo do mesmo acrescentou. – Meu atual companheiro é tão humano quanto você.
— Não exagera mãe, o cara tem quase 300 anos agora. – Fenrir que estava sentado no luxuoso sofá branco comentou.
— Mas continua sendo humano! – Rebateu com um sorriso a gigante.
— Para seguir nosso cronograma ainda faltam Jor, ambos os gêmeos, um corcel e papai. – Hel comentou. – Adam e Balth preferiram declinar do convite.
— Tire a mim e um par de gêmeos dessa contagem. – Avisou a grande serpente entrando com os irmãos pela porta dos fundos. – Mãe, estes são Narfi e Vali.
— Os gêmeos de Sigyn. – Falou neutra mas logo sorriu. – E bom conhece-los, por favor sintam-se a vontade, vou pedir para sermos servidos enquanto esperamos.
Como se já esperando pelo comando, duas mulheres vestidas como criadas entraram no cômodo carregando bebidas entre frios e quentes. Após cada um ser servido, começaram a conversar animadamente mesmo que Samuel sentia-se incomodado com a falta do companheiro que até o momento não havia aparecido, a conversa estava animada quando o som da campainha alertou a presença de outro convidado, uma das empregadas voltou acompanhada de um enorme homem loiro de potentes olhos azuis.
— Sleipnir é uma honra recebe-lo. – Angboda a perfeita anfitriã levantou-se para cumprimentar o homem tão alto quanto ela, este tomou sua mão e depois de um beijo falou rouco.
— É sempre um prazer vê-la Angie.
— Tão gentil, deixe-me apresenta-lo a todos. – Depois que as apresentações seguiram-se ela acrescentou sorridente. – Meu querido deve ser tão difícil para você estar nesta forma se não for muito atrevimento de minha parte gostaria de dar-lhe um chá que irá amenizar os desconfortos.
— Ficarei agradecido!
— É impressão minha ou ele está flertando com sua mãe? – Vali perguntou baixinho para Fenrir mas Sam que estava ao lado ouviu também.
— Provavelmente. – Fenrir disse sorrindo seu sorriso de lobo. – Olhe para ela, porque você acha que sou tão bonito?
— Porque puxamos ao papai? – Vali continuou e ainda acrescentou. – Você não concorda Sam?
— Prefiro não opinar. – As gargalhadas dos irmãos chamaram a atenção de Hel que logo começou uma disputa pela beleza da família. Na terceira vez que a campainha tocou o coração de Sam bateu mais forte o que fez Fenrir levantar uma sobrancelha questionadora, que o Winchester fez questão de ignorar.
— Crianças, Angie e Sam! – Gabriel entrou acompanhado de duas moças, tão iguais e ao mesmo tempo diferentes. – Estas são minhas filhas Eisa e Einmyria.
As apresentações que seguiram-se acabaram por ser mais tensas, todos pareciam sentir o ar pesado entre Sam e Gabriel, até mesmo Angboda não sabia como agir diante da situação.
— Agora que todos estamos aqui, gostaria de agradecer Angie por nos receber e concordar em me ajudar a explicar tudo o que vocês quiserem saber. – Gabriel estava sério e totalmente focado. – Para os que sempre discutem, meu primogênito é Sleipnir e a caçula Hel.
— O QUÊ?! – Jormundgander perguntou confuso.
— Querido acho que seria melhor você começar desde sua fuga. – Disse Angboda.
— Claro, começou assim que fugi do céu, naquela época a guerra entre meus irmãos foi mais do que pude suportar. Eu os amava a todos mais principalmente meu irmão bebê e mesmo sendo doloroso demais não consegui vê-los se destruindo por isso escapei. Acabei optando por esconder-me em Asgard e para meu espanto fui recebido por Odin que mesmo percebendo minha diferença me aceitou sem fazer perguntas, depois de algumas horas ao seu lado já consegui copiar sua energia e muito dos poderes do Pai de Todos, que assim como seu nome sugeria, me adotou e chamou-me seu irmão. – Ele parecia bem sombrio e Sam lembrou-se que o deus havia perecido lutando contra Lúcifer. – Passei o primeiro século sendo olhado com desconfiança pelos demais deuses, talvez por ciúmes ou temor do que eu podia fazer, então estando sozinho e tão carente da energia pura de meus irmãos, fui rapidamente atraído para Svadilfari que era na verdade um unicórnio.
— Assim como eu. – Sleipnir comentou e no piscar de olhos seus cabelos estavam na altura dos ombros e sua pele num tom tão branco que parecia brilhar.
— Seu pai era uma criatura rara, o único que conheci na minha existência.
— Como nasci?
— Tornei-me amigo de seu pai e estive apaixonado, no entanto ele não importava-se com este tipo de situação, como um dos últimos, só queria dar continuidade a sua espécie. – Gabriel parecia perdido em suas lembranças e logo depois balançou a cabeça como para esquecer e continuou soturno. – O queria tanto que a única coisa que pensei foi em me passar por uma fêmea de sua espécie. Fomos felizes por vários anos entretanto a cópia ficou tão perfeita que acabamos gerando você, foi no dia do nascimento que a verdade veio à tona e Svadilfari não me perdoou e ainda exigiu ficar com o bebê. Estava me sentindo tão perdido e com medo de perde-los que acabei aceitando ao pensar que logo vocês voltariam para mim. Isso nunca aconteceu!
— Eu já sabia a verdade mas é bom ouvi-la de você.
— Espero que me perdoe.
— Você já está perdoado.
— Depois dos boatos foi exigido que eu me unisse a alguém do panteão e Sigyn aceitou, fomos casados por séculos até que conheci Angie, a mãe de vocês era tudo o que eu queria e muito mais, foi amor à primeira vista por mais clichê que pareça no entanto a poderosa Gigante não estava interessada e me demorou muito tempo para ter sua afeição. – Ele estava com seu sorriso tão radiante que doía o coração de Sam. – Quando ela percebeu que meus sentimentos não eram brincadeira deu-me a chance de ser seu companheiro. Se bem que nada me tira da cabeça que ela me escolheu depois de ter me visto nadando nu no lago.
— Credo pai, nos poupe desses detalhes. – Hel reclamou.
— Sendo assim vocês conhecem a ordem de nascimentos primeiro veio Fenrir, depois Jormundgander.
— Seguidos de Eisa e Einmyria que eram filhas de minha irmã Glut.
— O QUÊ? – Até mesmo Sam juntou-se ao coro espantado.
— Minha irmã mais nova achou divertido envolver-se com meu companheiro, o que resultou nas minhas adoráveis sobrinhas aqui presentes.
— Essa é nova! – Fenrir exclamou.
— Na verdade as meninas sabem do nosso parentesco, eu acabei as criando durantes alguns séculos.
— Quando foi isso? – Jormundgander perguntou.
— Logo após vocês serem levados de mim, Glut apareceu com as crianças e as deixou em minha responsabilidade, ficamos juntas por três séculos até que Gabe veio busca-las.
— Como assim? – Hel perguntou.
— Vivíamos com nosso pai até sete anos atrás quando nos deparamos com os Winchester e papai nos fez partir. – Einmyria respondeu e na hora de falar o sobrenome de Sam surgiu certo rancor em sua entonação. O humano ficou sem palavras e percebendo seu desconforto Angboda logo disse.
— A ordem de nascimento que vocês tanto queriam saber é a seguinte: Sleipnir, Fenrir, Jormundgander, Eisa e Einmyria, Narfi e Vali encerrando com Hel. – Ainda atenta a expressão perdida de Samuel, Ela prossegue. — Agora que tal irmos apreciar um os jardins e deixar seu pai pensar um pouco?
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