Notas iniciais
Olá!

Um dos seres mais egoístas da existência, junto com o mais desapegado, as vezes “O Plano” era engraçado, realmente muito engraçado, mas é grato por isso, grato pelo plano ser cheio de linhas tortas e em meio a essas linhas, aprendeu a perdoar, mas de verdade a quem quer enganar? Nunca sentiu raiva de Castiel, pode parecer estranho, mas é a mais pura verdade e depois tudo que o Serafim mais jovem passou já era castigo o suficiente e ao contrário do que os outros acham ele não é rancoroso. Estava ali sentado, tomando uma bebida e olhou em volta para uma análise, aquele apartamento precisava de um pouco mais de... requinte, embora isso já não era o mais importante, claro que amaria estar em um cinco estrelas, bebendo uma bebida que "fala" francês, entretanto de alguma forma, aprendeu a lição e aquele simples lugar, se tornou um lar, talvez seja estranho um anjo falar desse jeito, mas é a verdade, aquele era seu lar e de seu amado, outra coisa estranha de se dizer, afinal era a promiscuidade em pessoa, outra coisa que mudou pois agora é um anjo sério.


— Oi! — Fenrir sorriu para ele que se levantou para cumprimentar o amado.


— Olá.


— O que está pensando? — O Lobo falou encostando seu corpo ao de Balthazar, o levando a andar até a parede, deixando o anjo "encurralado," e quando eles estavam próximos o suficiente teve seus lábios tomados pelo castanho num beijo profundo e cheio de paixão.


— Como quer que responda se me impossibilita de falar? – Perguntou sorrindo.


— Sabe que adoro essa sua mania de ter resposta para tudo? — Disse e logo depois roubou mais um beijo, dessa vez no final mordendo o lábio inferior do serafim. Balthazar revirou os olhos, por que mais uma vez Fenrir não o havia deixado responder, rindo dos jogos do amante apenas empurrou levemente já que ainda estava “preso” contra a parede.


— Oh você não vai escapar assim de me responder. — O Grande Lobo falou.


— Se conseguir ficar longe do meu magnífico corpo eu falo. — Disse sorrindo.


— Certo. — O outro cruzou os braços com uma expressão zombeteira em seu belo rosto.


— Eu não... — A campainha tocou.


— Salvo pelo gongo! — Fenrir disse dando um sorriso malicioso indo em direção a porta, seu companheiro o cobiçava com o olhar faminto, adorava vê-lo assim tão despojado com calça de moletom preta e uma camisa cinza.

O apartamento de lobo ficava em Cairo no Egito por isso as visitas eram raras, entretanto o dono do lugar abriu a porta sem qualquer cautela.


— Olá papai! – Os filhos falaram juntos, achavam que devia ser um mal de gêmeos da família, mas no fundo gostavam disso. Skoll foi entrando e se instalou no sofá, ligando a televisão, sempre foi mais solto que o irmão e odiava perder tempo com formalidades, eram idênticos na aparecia, entretanto opostos em personalidade.


— Olha Balthazar. — Hati falou com um sorriso.


— Nossa eu não o havia visto, foi mal Balth! — Skoll se virou no sofá para falar com padrasto que deu um sorriso.


— Fiquem a vontade eu tenho...


— Por que sempre sai quando chegamos? — Perguntou Hati, que lembrava o serafim um pouco de Castiel na falta de tato para abordar certos assuntos. Ele gostava dos meninos, mas sempre se sentia atrapalhando quando estava por perto, já que é o padrasto e jovens tendem a não aceitar muito bem as separações de seus pais, o que não parecia ser o caso dos gêmeos.
O Serafim olha para o companheiro, não queria responder e estava muito acostumado a ser apenas os dois, mas sabia que vinha com um pacote, já havia conhecido os meninos, não eram estranhos, mas ainda assim era estranho o fato de não ter Fenrir só para si, um sentimento egoísta ele sabe.


— Por que ele tem coisas para fazer no céu. — Fenrir responde tentando amenizar o mal estar.


— Tipo tocar harpa? — Skoll riu, ele mesmo adorava suas piadas.


— É isso que você acha que anjos fazem? Seu avô é um Arcanjo e ele nunca explicou sobre o céu? – O serafim fala com uma pitada de incredulidade em sua voz. — Mas não sei por que estou surpreso. — Disse com um rolar de olhos.


— Mas então Balthazar, o que fazes no céu? — Hati inquiriu.


— Ele não quer conversar Hati! — Skoll falou, não deixava de ser mentira, mas não pelos motivos que acha, afinal só não sabia lidar com famílias fora seus irmãos.


— Sou o guardião de todas as armas do céu! — Diz com certo orgulho.


— Isso é fantástico. — Diz Hati.


— Sim, sei que sou fantástico! — Balthazar brinca.


— E a humildade exala por seus poros! — Skoll brinca de volta.


— Olha quem fala. — Hati diz.


— Do que está falando? — O outro gêmeo pergunta.


— Meninos já chega! — Fenrir intervém. — E você Balth querido, não dê corda a esses dois. — Diz olhando divertido para os três. — Mas sim, meu namorado é lindo e fantástico. — Diz se aproximando do amado e dando-lhe um beijo rápido.


— Ei! Eu não preciso ver isso não! — Skoll reclama com um sorriso.


— Não seja dramático irmão. — Diz o lobo mais sério.


A tarde passa de maneira leve, os quatro se davam muito bem, os meninos eram divertidos e gostam de conversar e Fenrir nunca esteve tão feliz. O anjo não podia negar também estava feliz, tinha uma família, mas esta estava criando aos poucos, outras famílias, cada um estava seguindo seu rumo e ele ainda não tinha aceitado o fato de que também pode ter o que seus irmãos têm, só precisava se abrir para isso, finalmente aceitar e estava disposto.
A noite quando os meninos partiram, o Grande Lobo e o Serafim estavam sozinhos.


— O que se passa por essa cabecinha angelical? — Perguntou o mais jovem se sentando ao lado do anjo o puxando para um abraço.


— Nada demais. — Sorri de lado.


— Olha, sei que você não gosta de conversar sobre isso, mas será que você quer vir morar aqui comigo? — Pergunta de uma vez.


— Sim. — Responde simplesmente, já era hora de aceitar que a vida havia mudado para melhor.


— Tudo bem, e sabia que você ia dizer que não. ... espera, você disse sim? — Perguntou o lobo, com um enorme sorriso no rosto.


— Eu não vou me repetir! — Falou fingindo impaciência, mas seus lábios foram tomados de maneira abrupta por seu companheiro.


— Eu te amo! — Falou abraçando o anjo.


— Também te amo. — Disse sincero, mas logo um sorriso malicioso tomou conta dos lábios do anjo e dessa vez ele tomou os lábios do Deus.