Do Amor à Redenção
49 Capítulo 45
Notas iniciais
O prédio alto e branco, tremia sobre seus alicerces, a chuva torrencial era acompanhada de relâmpagos barulhentos, a energia havia caído e agora era sustentada por geradores, tudo estava um caos completo, entretanto no necrotério nada fora a dor absurda era sentido. O arcanjo caído ainda encontrava-se no chão mergulhado em seu desespero, sua desilusão era tão intensa que não percebeu a mudança no tempo, nem a calmaria de um hospital paralisado, todas as pessoas paradas em suas últimas ações não podiam perceber o ser magnânimo que caminhava pelos corredores. Ele passou pelo berçário e sorriu para o pequeno embrulhado em branco, o bebê estava se mexendo alegremente, fazendo pequenos barulhinhos felizes totalmente alheio a tudo que havia acontecido, chegou perto e apanhou-o em seus braços antes de continuar seu caminho para o necrotério.
— Filho? — Chamou baixinho mas o caído ouviu perfeitamente se sua tensão nos ombros indicasse qualquer coisa. O Arcanjo sentia-se traído, levantou o olhar lentamente e todas as perguntas, toda rancor e sofrimento eram estampados em sua expressão, mais uma vez tudo que mais amava havia sido retido dele, mais uma vez sua existência havia perdido o sentido. — É hora de irmos para casa.
— Não há casa sem ela!
— Acalme-se meu filho.
Com um estalar de dedos, tudo no hospital voltou ao normal e todos os ligados aos anjos foram levados de volta ao bunker, porém Lúcifer, Lizzie e o bebê estavam no quarto do casal acompanhados do ser supremo.
— Por que meu pai? — Perguntou ainda segurando Lizzie.
— Minha criança, você tem que entender... Foi uma fatalidade, não houveram culpados. — Explicou calmamente.
— Mas não consegui cura-la. – Falou com os olhos chorosos. — Não consigo trazê-la de volta.
— Você perdeu a fé, deixou-se ser tomado pelo ódio novamente.
— Por favor meu pai, traga-a de volta, peço perdão pelos meus erros, me castigue se quiser, mas por favor... Eu a amo, nosso bebê precisa dela, por favor...
— Filho, não depende de mim. – Ao ver a expressão perdida continuou. — Basta você querer, sem desespero, sem temor, confie no meu amor por vocês.
Lúcifer fechou os olhos, era mais difícil do que pensava, ainda doía em seu ser todos os erros do passado, o abandono, a solidão, tinha muito medo de que tudo se repetisse. Respirou fundo mesmo que não precisasse, e tomando coragem pois dois dígitos na testa da amada, sentiu a energia percorrer de seu navio ao corpo dela.
— Lúcifer? – Olhou para a mulher em seus braços e deu um suspiro de alivio, seus olhos azuis o fitavam tão perplexo, seus lábios rosados, assim como a pele de alabastro, tudo estava perfeito como sempre fora. – Eu posso ver?!
O choque e medo eram evidentes na voz da jovem, ela piscava constantemente e abraçava-se a ele, depois de alguns instantes de evidente confusão, desceu as mãos para a barriga e a encontrou tão plana como antes da gestação.
— Meu bebê? – Olhou em volta, tentando entender o que estava acontecendo, lembrava do ataque, da dor insuportável e dos médicos no hospital, depois disso só havia o vazio. Agora estava no seu quarto, sem lembranças de nada.
O Caído vendo a ansiedade da esposa, a levou para a cama, e só então a jovem pareceu notar o homem grisalho com um bebê no colo. Este aproximou-se lentamente e estendeu o bebê para o arcanjo.
— Cuidado querido, seu filho ainda é muito frágil. — Disse o homem passando o pequeno bebê para o colo de Lúcifer.
— Sim pai! — Falou o Arcanjo pegando a criança, estava meio sem jeito mas muito orgulhoso.
— Pai? — Elizabeth perguntou atônita.
— Olá Elizabeth! – Ele cumprimentou e Lizzie não tinha o que falar, era impossível expressar qualquer coisa, o que se faz estando em frente a Deus? Quantos pessoas teriam tal chance? Ele estava ali na sua frente, falando com ela, nunca em toda a vida esperaria isso, era tão impossível mas tão real, não havia como descrever, nem havia percebido as lagrimas descendo copiosamente se não fosse seu amado abaixar-se ao seu lado e mostrar-lhe seu neném, talvez não teria saído do estupor, no entanto só de olhar para o rostinho mais perfeito que seus olhos recém curados poderiam ver, a felicidade não poderia igualar-se., então nesse exato momento ocorreu-lhe uma coisa, e se ele estivesse ali para castiga-los, afinal ela havia amado um anjo, isso era pecado certo? Não queria acreditar nisso, não queria perder os amores da sua vida, estava começando a hiperventilar quando sua voz ressoou. – Acalme-se Elizabeth, Lúcifer irá te explicar tudo o que aconteceu, vou deixar vocês a sós.
Ele sumiu, sabia que todos estavam preocupados então foi encontra-los, afinal já era hora de todos saberem quem ele é, e que mesmo sem poder interferir esteve ao lado deles em muitos momentos. Quando surgiu na sala do bunker sentiu todos os olhares sobre si e como já sabia a primeira a falar seria Amy.
— Quem é você e como nos trouxe...
— Chuck? — Sam e Dean falaram ao mesmo tempo.
— Vovô! — Danny gritou descendo do colo de Charlie e indo direto para seu avô.
Os anjos estavam totalmente reverentes a presença de seu pai, não sabiam exatamente o que estava acontecendo, mas quando viram que o Pai acolheu Danny com um grande sorriso eles relaxaram um pouquinho.
A presença de Deus encheu a todos de uma tranquilidade extrema, uma alegria, contentação e curiosidade, afinal Deus estava na sala, porém a primeira pergunta foi sobre o bebê de Lúcifer e Lizzie, esta foi feita por Bobby, que estava muito ansiosa para saber do bem estar da jovem. Acalmou a todos informando que os três passavam bem, para Sam e Dean era muito estranho saber que o amigo deles, o profeta Chuck era na verdade Deus! Mas apesar dos pesares e de alguma irritação da descoberta não tinham muito o que reclamar, problemas eles tinham, porém pela primeira vez a família estava unida
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