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2 Capítulo 1
Ao chegar, pôde ver claramente o local. Era como um bairro qualquer da periferia da cidade, com ruas largas, e construções não muito grandes, no máximo de dois andares, por exceção de um depósito. Mas não se via nenhum sinal de vida. Havia dezenas de corpos espalhados pelo bairro, o cheiro de putrefação fazia o jovem ter ânsia de vômito e o silêncio só não era total pelo fato de o grasnar dos abutres estar ecoando pelas ruas.
Yami percebeu que ali o seu ouvido seria essencial para identificar qualquer sinal de vida (que não fosse os abutres), começou a andar cautelosamente pela pouca sombra que havia no local pelo fato de ser meio dia e estar no verão, porque até o som da sua respiração conseguia chegar a seus ouvidos pelo retorno.
Ao chegar à região do depósito, viu que no pátio à frente havia uma concentração significativa de corpos. Resolveu olhar mais um pouco pela vizinhança, pois deduziu que se o assassino tivesse algum lugar para se esconder, seria ali, então pensou em diversas estratégias de fuga, pois via que o depósito possuía três janelas alcançáveis para quem estivesse no térreo, mas que ainda assim não seria a melhor estratégia pelo fato de o bairro ser muito aberto. As ruas eram quase avenidas, exceto pela ausência de movimento, encontrar um lugar para se esconder por ali seria difícil.
Atirou uma pedra em uma janela de uma das casas, esperava que o barulho do vidro se estilhaçando causasse alguma reação. Mas o máximo que pôde ouvir foi o barulho da revoada de abutres. Nisso, já eram 2 horas da tarde. Faminto, começou a comer o seu bentou, mas foi interrompido pelo barulho de um carro que adentrou o bairro.
Começou a seguir o som. Até que o carro parou e o detetive manteve uma distância de dois quarteirões. Não conseguiu identificar o motorista, pois esse não desceu do carro, mas pelo cabelo pôde ver que era uma mulher. Do veículo, saiu uma garotinha de cabelos cor-de-rosa e vestido amarelo, com uma mala, que foi em direção a uma casa à sua frente e tocou a campainha. Sem resposta, começou a gritar “Papai!” e só então foi olhar em sua volta.
Deu um grito ensurdecedor ao ver três corpos na frente da casa vizinha. Yami correu em sua direção. Não podia deixar aquela garotinha atrair a atenção do assassino. Por mais que pudesse servir de isca para que o criminoso viesse e o detetive pudesse dar um ataque surpresa, ele não conseguia deixar a garota sozinha porque imagens de sua infância voltaram ao ver aquela cena.
“Calma, garotinha, eu sei que é uma cena perturbadora, mas vai ficar tudo bem...” disse Yami em uma tentativa de acalmar a menina.
“F-foi você quem matou eles? Por quê? Quero meu pai!” disse, gritando, depois deu outro grito ensurdecedor.
“Fique calma, não fui eu quem cometeu esse crime doentio. Sou Yami Hibari, detetive” e mostrou sua carteira. “Estou investigando esse genocídio...”
“G-geno... cídio?” perguntou a garota, desentendida.
“É... uma série de mortes, assassinatos” disse, suspirando “Você mora aqui?” apontou para a casa.
“S-sim, moro com meu pai...” disse meio trêmula, como se já previsse o que iria ver nos próximos minutos.
“Vejo que você já teme o pior, mas temos que ter certeza...” disse o detetive, e chutou o portão até que este caísse.
Entrou, vasculhou a casa toda, mas nenhum sinal de pessoas mesmo mortas lá dentro. Voltou para a entrada e encontrou a garota já com lágrimas nos olhos.
“A propósito, qual seu nome mesmo?” perguntou Yami ao perceber que não sabia o nome dela ainda.
“L-Luy Takanashi...” disse, enxugando as lágrimas
“Então, Luy, seu pai não está em casa, posso ligar chamar um carro aqui para te levar a outro lugar, que tal?”
“N-não, quero meu pai!”
“Você sabe que não temos muita chance de encontrar ele vivo, não é?”
“S-sim, mas não quero... ir sem saber...”
Vendo que não conseguiria convencê-la a ir para outro lugar, ele deixou-a acompanhar em sua busca, até encontrar, quem sabe, o corpo de seu pai, por mais que ele não queria ver essa cena.
Segundo ela, seu pai vivia dentro de casa, só saía para comprar comida na loja de conveniência perto de casa, mas o seu corpo não estava em nenhum lugar no trajeto. Procuraram durante um longo tempo, o detetive tentou durante todo o tempo não deixar o depósito chamar a atenção da garota, porque ele preferia morrer sozinho do que vê-la morrendo. Às 17h30min, Yami não deu escolha a Luy. Disse que entraria em contato com ela caso o seu pai estivesse na lista dos encontrados mortos, e ligou para um taxi. Após ver que o carro já tinha desaparecido no horizonte, Yami foi para o último lugar que restava para investigar: o depósito.
Ao entrar, tomou bastante cuidado, porque havia mais corpos do que espaço livre no chão. A poeira no ar não o deixava enxergar muito bem, o que o deixou muito sujeito a tropeçar em um dos corpos. O cheiro não era dos mais agradáveis, Yami vomitou ao adentrar um pouco a estrutura, piorando ainda mais a situação.
Após checar todos os corredores, sentiu certo alívio ao ver que o assassino não estava ali, por mais que sentisse confiança de que poderia derrotar o assassino, ainda não gostaria de um confronto direto. Pegou algumas evidências, entre elas uma faca encontrada em um dos corpos e tirou algumas fotos dos com a micro-câmera para identificação futura.
Quando estava voltando à saída, ouviu um barulho muito alto de ferro rangendo. Começou a correr, tropeçou algumas vezes nos corpos e ao chegar à sala da entrada, onde pôde ver um familiar cabelo rosa.
“Se eu não te matar aqui com certeza nos encontraremos depois, mas prefiro brincar com você logo” ali estava Luy, com um corte na testa, segurando uma faca ensanguentada com um sorriso escancarado em sua face.
A garota começou a correr na sua direção, e a faca que seria utilizada de evidência foi a arma mais próxima que ele conseguiu sacar para se defender.
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