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3 Capítulo 2
“Como eu caí numa armadilha dessas?” pensou Yami enquanto se esquivava do primeiro ataque e tomava uma distância, e depois disse num tom de sarcasmo “acho que seu pai deveria ter te ensinado que não é legal brincar com facas” depois pensou novamente “eu me sinto tão idiota... estou levantando uma faca contra uma garotinha... não, Yami, não pense nisso agora! Se eu me distrair serei tragado por essa garota”.
Luy começou a correr e por causa do seu tamanho, a poeira do depósito a escondeu, assim dificultando a visão do detetive. Yami tentou defender seu ataque, mas foi atingido no na mão esquerda, mas conseguiu pegar o braço de Luy, jogando-a contra a parede, deixando ela um pouco atordoada e dando a ele uma oportunidade para tirar uma foto com a microcâmera.
“Alguém responda! Estou em um depósito, a poucas quadras de onde me deixaram, não sei o endereço exato, mas é bem alto, dá pra ver de lá. Descobri que a assassina é apenas uma garotinha, estou enviando fotos, mas mande urgentemente um grupo para cá, para prender ela caso eu ganhe, ou para caso eu não saia daqui vivo!” gritou no comunicador. Não houve resposta. Não era por falta de sinal, a mensagem foi enviada com sucesso, mas sem nenhum tipo de resposta.
“Ah, droga” pensou, assim que notou que o corte na sua mão esquerda era mais sério do que ele imaginava “vou ver o quanto mais aguento nessa luta” rasgou um pedaço de sua roupa e enfaixou a sua mão para conter o sangue.
Yami ficou na defensiva, via que os movimentos da Luy já não eram tão ágeis, assim, conseguia se esquivar, mas ao tentar atacar ou segurá-la não tinha muito efeito, pois a ferida doía a ponto de limitar sua força. Mas em certo ponto conseguiu derrubá-la, sacou uma pistola (não tinha a usado até então porque era péssimo para mirar com sua mão direita, e tentar acertar um alvo se movendo na sua direção não seria muito inteligente) e apontou para ela.
“Luy, eu peço sua total cooperação a partir de agora” disse, e começou a se aproximar da garota.
“Detetive, porque tremes tanto?” perguntou a garota, como se sentisse o medo que Yami estava sentindo no ato de apontar a arma para ela. “Atire em mim logo!” levantou-se e começou a se aproximar mais do detetive “não consegue, não é? É uma pena... achei que finalmente teria uma batalha que me divertiria por aqui... mas foi bom enquanto durou” sacou a faca e gritou “MORRA!”.
Luy começava a perceber que não conseguiria ficar ali por muito tempo, o mau cheiro era insuportável, deixando muito difícil de respirar até pela boca, e a deixando tonta, a ponto de não conseguir olhar direito para onde apontava sua faca.
“Precisa melhorar sua mira, garotinha” o corte feito só danificou as roupas do detetive, pois este conseguiu desviar um pouco para a direita, assim o corte que seria feito apenas arranhou as costelas. “Eu não consigo atirar em você, mas isso não quer dizer que eu possa detê-la” então desferiu um soco na cabeça da garota, derrubando-a no chão, então, o detetive a algemou.
Um riso foi ouvido do lado de fora do depósito. Yami conhecia aquela risada “o quê ele está fazendo aqui?” então prosseguiu até uma janela próxima e olhou cautelosamente para o lado de fora, viu, no pátio, além dos cadáveres banhados pelo pôr-do-sol um homem vestido em um jaleco branco, que percebeu que estava sendo observado do depósito. O detetive se escondeu ao notar isso, a esse ponto, Luy já estava se recuperando do atordoamento.
“O que está acontecendo?” perguntou ainda um pouco tonta.
“Tem um homem lá fora, conhecido meu... alguém que eu preferiria não ter conhecido... é um homem de jaleco, foi ele quem ‘encomendou’ o genocídio?” Yami estava tenso, mais do que o normal.
“Não, só existe uma pessoa que me dá ordens, mas essa informação você nunca conseguirá, caro detetive” disse com um pouco de suspeitas de que ele queria saber de quem se tratava.
“Não, não, por mais que eu queira saber, esse caso começa a ser irrelevante agora... devemos proteger nossas vidas agora...” disse, e deu outra espiada do lado de fora.
“Como assim?”
“... não está mais lá...” murmurou, com uma expressão de espanto em seu rosto.
“Quê?” Luy começava a ficar assustada.
“Espere, vou dar mais uma olhada” disse, e dessa vez viu o homem de jaleco acompanhado de um homem de estatura física maior, carregando um lança míssil.
“LUY, PROCURE ALGUM LUGAR SEGURO!” Yami estava desesperado, o medo da morte superou o seu dever como agente da lei.
“Mas acontece, Sherlock, que você me prendeu, eu não vou conseguir ir para longe” disse em tom de sarcasmo. O homem já estava apontando a arma para o depósito.
“Certo, me siga” começou a correr desesperado, sair não iria adiantar, pois o pegariam... Seria mais seguro encontrar um lugar para sobreviver aos escombros. Saiu desesperado, encontrou uma mesa, o lugar perfeito para se proteger dos escombros, quando estava quase embaixo dela ouviu o barulho do míssil sendo lançado.
Apenas se ouviu o barulho de toda a estrutura do depósito caindo, Yami estava em posição fetal, para que a poeira não atingisse seus olhos e suas narinas. Depois de um tempo, até a poeira abaixar, o detetive pegou sua lanterna e deu uma olhada em volta... e viu Luy apenas com metade do corpo para fora, desacordada, Yami temia a sua morte, mas ela ainda respirava (apesar de um pouco de dificuldade).
Após várias horas, respirando pesado e tentando mover algumas pedras, Yami começou a perder suas forças, pouco antes de desmaiar de vez por fome e falta de oxigênio, pôde ouvir barulhos de pedras se movendo, quebrando o silêncio.
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