Diários

56 Capítulo 56


Notas iniciais
Nossa já estou quase em dois meses de diário, sendo assim... Creio que vocês não querem perder nem mais um minuto

\"Porra! Só me fodo nessa merda!\"

Prosseguindo com a minha vida...

Durante a noite sonhei com a morte de Emilly, que Kyle era o pai do filho da Nara, Que eu era separada dos meus pais, tudo de uma vez, acordei assustada e suada pelo menos umas duas vezes naquela noite.

Em todas as vezes o Ry me ajudou

- Hey, tudo bem! Eu to aqui. Que foi?

- Um pesadelo, só isso

- Ora, ora. Cloe Saviour também tem pesadelos, como eu, mero mortal

- Não haja como idiota Ry...

- Devia ter me dito isso antes... – ele disse agora parecendo mais desperto e mais triste – Ai!

- Que foi?

- Minha cabeça doe... Mas vai passar, volta a dormir e se me acordar de novo te ponho para dormir lá fora na chuva!

Esbocei um sorriso e voltei a dormir

Cinco da manhã

Acordei de novo, mas desta vez ele não acordou junto, senti seu corpo quente e suado, em outras palavras, ele estava febril

Sacudi-o, mas NADA. Ele apenas respirava como se quisesse dizer “Ainda estou vivo! Não se esquecem disso!”

Sacudi de novo. NADA

Liguei uma lanterna de bolso e apontei para ele

Notei algo em seu braço e no abdômen

Só para constar: EU NÃO SOU TARADA!

Levantei a camisa dele, sua barriga estava cheia de manchas rosadas

Arrastei-o até que ficasse no meu colo, ardia em febre

- Dominique! Dominique acorda!

“Acorda merda! Faz algo de útil pelo menos!”

- Que foi? Ah! É você

- Não, é a Branca de Neve ruiva, não notou!

- Aff sua idiota! Para que você me acordou tão cedo

- O Ry não está bem

Apontei o corpo desfalecido no meu colo

- Parece Urticária – falei

- Mas urticária não é só com ostras

- Não, Dominique, pode ser qualquer alimento

- Ah tá

- Traz água e a camisa que ele estava usando ontem

- Mas tá chovendo!

“Será que ela quer que eu desenhe?!”

- Exatamente, Dominique, está chovendo! – comecei a ficar irritada

- Você acha que eu não sei?!

- DOMINIQUE, CHUVA NÃO É ÁGUA CAINDO DO CÉU?!

- Ah é

- É mesmo?!

“Ual! Descobriu o mundo depois dessa!”

Ela pegou uma vasilha onde estava o meu lanche e despejou o conteúdo na minha mochila. Só não dei um tapão nela porque estava segurando o Ryan, mas se não estivesse...!

Logo depois aparece Dominique com a vasilha cheia e a camisa dentro desta. Fiz um tipo de compressa e pus na testa dele.

A febre foi baixando gradualmente e já no fim da manhã ele acordou

- Oi – ele me olhava por baixo

- Oi, como se sente?

- Com dor de cabeça...

- Ai, Ryan! Eu fiquei tão preocupada com você! – Dominique se atirou nele, sem importar se ele ainda estava no meu colo ou se ela estava me esmagando – que bom que você está bem! Já era de algo útil acontecer

- Com certeza, já que você não é o melhor exemplo de “algo útil”

Provoquei mesmo!

- Calma, meninas!

Agora o Ryan se via bem no meio de duas meninas que não inspiravam seu melhor estado de sanidade e se estapeavam freneticamente! Que cena linda...

- PÁRA AS DUAS AGORA! – ele gritou, só assim para gente parar – caso não tenham notado, não é hora de brigas, temos coisas mais urgentes agora, tipo comer alguma coisa!

Dominique empinou o nariz e cruzou os braços

- Run!

- Celular! – uma onda de lucidez me atacou

Na noite passada estavam tão cansados que nem pensamos nisso

- Ei coisa puff! – falei para Dominique – Cadê seu celular?

Ela foi até a bolsa e tirou um aparelhinho bem sofisticado, e contra vontade, me entregou

Sem sinal

Ryan levantou

Comemos o que tínhamos: besteira!

Obs.: Sonho de todo adolescente, poder comer o que quiser, quando quiser e porque quer!

“Adoro meu sedentarismo!”

Devo ter aumentado meu colesterol em pelo menos uns 20%, mas e daí?!

Passada a chuva pudemos sair, dali de cima só de via a floresta conservada, depois das montanhas, segundo o guia, havia o Stonehenge.

Sentei na borda do morro, olhando tudo

Ryan veio por trás e me assustou o que me forçou a olhar para baixo. Ele já se sentia melhor, apesar de ainda ter algumas manchas no corpo

Eu me afastei da borda imediatamente, não sabia que era tão alto

- Ei, relaxa! Que foi?

- Foi que você quase me mata de susto!

- Desculpa. Peraí, você tem medo de altura?

Não respondi

- Tem sim – ele continuou, e me segurou pela cintura me empurrando de volta para a borda

Fechei os olhos. Quem tem medo de altura sabe como é isso, só olhar para baixo parece que tem algo te puxando, algo querendo que você caía.

Eu quis voltar, mas ele me segurou com força

- Por favor, Ry, me solta

- Olha para lá, moça, não tem nada

- Não é me pondo na beira de um precipício que você vai curar meu medo!

- Mas eu posso tentar – ele empurrou mais

- Por favor, Ry! – senti meus olhos alagarem e meu batimento disparar

Olhei para baixo

“Não devia ter feito isso! Não devia!”

- Tudo bem... – ele me puxou de volta

- É melhor vocês pararem de se agarrar ai! – Dominique gritou de dentro da gruta – Que eu saiba você tem dona Ryan!

Ryan sussurrou quase inaudível

- Ela não é minha dona ainda!

Eu me recompus

- Porque você não pega seus comentários e põe no seu...

Não pude completar a frase, Ry tapou minha boca

“Que merda!”

- Será que vocês nunca vão mudar?!

- Não! – dissemos juntas

- Pelo menos concordam com alguma coisa... Vamos descer

- Que? – ela perguntou – Descer?

“Mas será que ele está falando grego?!”

- Daqui de cima não dá para ver nada, com a floresta fechada lá em baixo – expliquei

- Bah! – ela resmungou

“Só lamento”

***

Em média as pessoas com urticária demoram dias para se recuperar, mas o Ryan não. Talvez nem tenha sido urticária, pode ter sido uma reação alérgica a picada de mosquito ou coisa do tipo...

O fato é ele estava bem, nós estávamos bem e vivos, então que se dane o resto!

Descemos o morro da mesma forma que subimos: Ryan atrás com medo de ser parcialmente morto e eu e Dominique à frente num conflito infinito

“O que eu não daria para NÃO estar aqui agora?!”

Chegamos ao fim do morro e voltamos ao mesmo lugar onde havíamos nos separado dos outros

“Os outros...”

Problema: Para que lado ir?

Esquerda, direita, norte ou sul. Pareciam todos caminhos incertos para mim.

- Na duvida fique parado! – Ry concluiu

- Concordo – falei sentando no chão

Duas horas esperando e gritando ao léu.

“Santa paciência. Se não fosse tão certo que nos perderíamos mais devíamos avançar, mas para onde?”

- SOPHIE?! RYAN?! DOMINIQUE?!

Ouvimos, mas sabíamos por onde ir

- AQUI!!! – gritamos juntos

- SOPHIE!

Obvio que você sabe quem era. Só uma pessoa me chama assim

- LANCY! – gritei

- SOPHIE! ONDE VOCÊ ESTÁ?

“Se eu soubesse não estaria perdida!”

- SE SOUBESSE NÃO ESTARIA PERDIDA!

- BEM SEU JEITO. CONTINUA GRITANDO!

- COMO VOCÊ ESTÁ?

- ESTOU FRUSTRADO! POR CAUSA DE VOCÊS CALCELAMOS O PASSEIO DA MANHÃ!

- E VOCÊ QUERIA MESMO IR?

- NÃO! MAS É MELHOR DO QUE FICAR NO HOTEL!

- É!

- O GUIA ESTÁ COMIGO. TENHO DUAS NOTICIAS UMA BOA E UMA MÁ, QUAL VOCÊ QUER PRIMEIRO?

- A BOA!

- A boa é que eu te achei – ele falou se aproximando de mim com o guia – e a má que vocês três estão de castigo por terem se separado do grupo.

- Sacanagem! Achei que estariam felizes em nos ver – Ry resmungou

O guia riu

Fomos andando. No meio do caminho...

Estava bom demais para acabarem as desgraças

“Juro que quando voltar para casa terei uma vida perfeitamente normal. Tenho este direito! Só não sei se tenho essa capacidade...”

- Sophie

- Que foi?

- Sua coxa

- Que? – me voltei para ele – estava olhando...

- Tem sanguessugas nela

Esbocei um sorriso irônico

- Que ótimo – mirei minha coxa direita e aqueles bichinhos nela

- Deve ter sido quando você sentou... – Ry começou

- Não quero saber como as peguei, quero saber como me livro delas!

- Fogo! –Lancy pareceu se iluminar – se queimarmos elas, elas caem

- Que? E se você me queimar?

- Ah, quer ficar com elas de suvenir da floresta?

- Anda logo! — cedi

Ele aproximou a chama de um isqueiro da minha coxa e os bichinhos foram caindo um a um.

A cada sanguessuga eu temia ser queimada

- Fica quieta!

- Não é você que tem sanguessugas na coxa, é?!

Acabado o trecho sanguessuga da minha vida, de limpar o sangue B negativo raro escorrido na minha perna, voltamos a andar

Num trecho tínhamos de atravessar um riacho, não muito fundo.

Problema: pedras soltas

Escorreguei em uma e cai do outro lado rolando de dor. Lancy e Ry vieram em meu encalço e tentaram me levantar sem sucessso

Desloquei o tornozelo

- Você não tem jeito, não é Saviour?! Coisa desengonçada! – Dominique resmungou

- Tá deslocado – o guia falou analisando – vamos ter de colocar de volta

- Colocar de volta?!

- É! Se agüenta ai!

- É fácil falar... E você sabe fazer isso?

- Sei

“Não me pareceu muito confiante...”

- Segura ela porque não tem anestesia

- Era para isso me animar?! Ahhh!

Gritei, com exceção da dor do parto, que eu ainda não havia sentido, aquele momento deve ter sido o mais doloroso da minha vida!

Pelo menos até agora

Mediante meios gritos ouvi algo que não esperava ouvi a não ser numa situação extrema

- Para! Tá matando ela!

“Dominique?!”

- É um mal necessário

- Mas deve doer!

“Caralho, pareci até que ela ta sentindo... Que medo!”

Continuei gritando até pouco depois dele “endireitar” meu pé

Chegamos ao hotel já à noite. Todos dormiam cansados. Eu fui carregada até meu quarto, segundo o guia estaria melhor pela manhã.

“Assim espero, porque eu não vou sair daqui mesmo!”

O colchão era meio duro, mas era bem melhor que o chão de uma gruta!

Notas finais
Bom, ou é impressão ou alguém lá em cima quer que eu morra logo!
Bme, só algo a dizer:
- Fuck you! Eu não vou sair daqui tão cedo!