Diários

52 Capítulo 52 - Rock'n'Roll


Notas iniciais
Putz, haja drama, haja desgraças viu!
Quero renunciar a minha vida!

Rock’n’Roll 1.0

52º Dia

Sexta-feira

Dez da manhã

O médico nos olhou, como se fosse atravessar nossos pensamentos.

- A droga vai o matando aos poucos por dentro – o médico suspirou – Acaba com o sistema nervoso de qualquer um...

Nick falou algo com ele

“Deve ser a respeito do pagamento...”

Ele saiu deixando uma receita, não adiantou muito, garranchos não entendíveis

- Obrigada, acho que você está bancando tudo aqui

- Digamos que eu tenho uma mesada farta

- Está pagando com sua mesada?!

- Eu economizo, apesar de tudo, o que diz ai?

- Não consigo entender – dei o papel a ela

Nick apertou os olhos

- Reposi... Repov... Repouso. O resto não dá para ler

- Ótimo... – resmunguei – vamos deixá-lo dormir então, pelo que ele disse o efeito passa uns vinte minutos depois

- Apagado desse jeito ele não vai a lugar nenhum mesmo

Lancy se mexeu, mas não acordou

O estomago da Nick roncou, eu esbocei um sorriso

- Pode ir comer na cozinha – falei

- Vou trazer alguma coisa para você também

Sentei no sofá, olhando o Lancy, dormindo daquele jeito era quase como se ele fosse inatingível, como se nunca tivesse feito nada de mal, nunca...

Ele se mexeu de novo

- Por que você fez isso? – murmurei para mim mesma

Eu não tinha dormido, trocado de roupa, bebido ou comido nada desde tirar o Lancy daquele lugar.

Senti a arma no meu bolso, eu tinha trazido ela comigo

“Não foi uma boa idéia...”

Tirei e pus na mesa de centro da sala, Nick entrou bem neste momento e me olhou assustada

- Eu nunca tive de atirar em ninguém – falei com o olhar baixo – até ontem...

- Cuidado com isso! – Ela se sentou numa poltrona me dando uma xícara de chá

- Eu quis matar Nick... Quis de verdade, por mim, pela minha vida, por ele – apontei o Lancy

- Joga isso fora!

- Não ver isso mais, não vou ficar com isso!

Lembrei do telefonema da minha mãe

Abri o portal de voz:

- Oi, querida, como está? Aqui está um frio de matar. É bom que você esteja se agasalhando direitinho! E que tenha limpado aquela zona que chama de quarto! Houve algumas complicações, mas nada grave voltamos na quinta que vem. Te amamos. – surgiu a voz do meu pai – É bom você não estar fazendo nada de errado, viu, mocinha!

Eu sorri, mas sem nenhuma animação. Escrevi uma mensagem:

“Desculpe não ter atendido, estava ocupada. Aqui está tudo bem. Que complicações? Retornem!”

Enviei para o celular da minha mãe.

Ele se debateu, mas se acalmou depois

Lembrei as palavras do doutor:

“Vai matando por dentro...”

Passaram uns minutos

Foram os instantes mais longos da minha vida!

Até que ele acordou. Abriu os olhos castanhos, preguiçosamente

- Por que estão me olhando assim? – ele falou com voz arrastada, pondo as mãos sobre o rosto para se acostumar à luz

- Por que fez isso? — falei

- Eu... – ele sentou no sofá – quero vomitar

Nick o guiou até o banheiro, da sala eu pude ouvi-lo.

Folhas no chão – Rosa de Saron

Creio que seria a melhor trilha sonora agora

Eu fiquei estática, queria ouvi-lo e ao mesmo tempo matá-lo!

Ele voltou e me olhou de um jeito culpado, me pegou pela mão e puxou para um canto

Suspirou.

- Eu... – ele começou

Eu tapei sua boca, antes que ele falasse mais alguma coisa

- Antes disso, prometa que nunca mais fará isso!

Destampei sua boca

- Sophie...

- Prometa! Eu não quero ver você se acabando de novo!

Ele olhou para os lados, depois olhou fundo nos meus olhos

- Só porque você pediu

- Agora... Por quê? Sua vida está tão ruim assim?

- Tem algum lugar para gente conversar? Antes que você me mate

Pedi Nick para esperar. Fomos para cozinha

- Se você disser alguma besteira o faqueiro está perto de mim!

Ele suspirou

- Tá bom! Eu vou contar. Quando meu pai nos abandonou, minha mãe surtou, começou a beber que nem uma louca. Ela não queria saber de mim, acho que nunca quis. Daí... – ele relutou em falar

- Daí você começou... – completei

- Você não sabe como é! Não sabe como é estar lá! Ela enlouquece, quebra tudo, se acaba... Eu não queria ver aquilo

- E você... – comecei a falar, mas ele por o indicador na minha boca em sinal de silêncio

- Ela disse que iríamos mudar, que ela iria mudar, durante dois meses inteiros ela não bebeu, eu me senti tão bem, eu acreditei... Mas depois... Ela voltou pior e eu fiquei pior...

- E tinha de ser assim... ?

- Queria fugir... Mas não podia

- Se você falasse com ela...

- Isso! Vamos falar! Vamos apelar para um amor que não existi! – ele se irritou, gritou apontando a cicatriz na perna – Isso não foi por amor! – ele me segurou com forças pelos ombros – Acha que eu não tentei?! Acha que não pensei nisso?! Você não faz idéia da sorte que tem!

Baixei o olhar.

- Eu tinha oito anos. Ela jogou uma garrafa em mim, eu desmaiei e depois me jogou pela janela

Eu me sentei numa cadeira, ele sentou na minha frente

- Você entende Sophie? Não é algo que eu me orgulhe, eu só queria me afastar, mas daí... Notei que preciso dela... Mas ela não precisa de mim.

- Não precisava ser assim

Ele levantou pondo as mãos na cabeça, como se eu não tivesse notado um detalhe óbvio.

- Mas aconteceu! Nem eu nem você podemos mudar isso! Não importa! Eu sou um caso perdido!

- Não é!

- Vai fazer o que?! Me por numa dessas clinicas, me entupir de remédios pra “limpar meu sangue”, quimioterapia, coquetéis, injeções. Eu já estive lá, Não é bom! Não é nada bom!

Ele bateu a mão nuns frascos derramando de propósito à medida que se aproximava de mim

- Não há o que fazer por mim! Quer saber? Finge que nada aconteceu – ele falou como se fosse a solução mais pratica do mundo – me esquece!

E saiu pela porta dos fundos, batendo-a

Fui até a porta.

- Lancy!

“Eu não vou deixar ficar por isso mesmo!”

Senti outra pontada no peito, no coração. Comecei a segui-lo pelo jardim, mas ele não queria para

- Lancy!

Ele se voltou a mim, mas neste instante senti uma pontada mais forte, cai sobre a neve fria e apaguei

[...]

Notas finais
Não sei o que está havendo comigo...