Diários
53 Capítulo 53 - Rock'n'Roll, part II
Notas iniciais
Rock\'n\'Roll 2.0
53º Dia
Seis da tarde
\"Eu tenho meus momentos de loucura e você também deve ter, eu não te condeno. Encontre no espelho alguém que ainda possa te entender, sem te julgar...\"
Quando acordei, no meu quarto, já era noite. Nick dormia debruçada na minha cama e o Lancy olhava distraído e com um jeito rígido para a parede oposta a qual estava apoiado.
Eu me mexi na cama, isso fez a Nick acordar, ela tem sono leve. Neste instante o Lancy olhou para mim.
Ela notou que o clima ia pesar e nos deixou a sós:
- Já é a segunda vez... — ele falou se referindo ao meu desmaio — Quer dizer, é a segunda vez que EU vejo
Baixei os olhos
Eu não gosto de admitir que estou doente, sou muito teimosa, acho que admitir que estou doente as vezes significa admitir que sou fraca.
Mesmo assim, acho que não estou doente...
Mas voltando ao assunto
- Por que você me tratou daquele jeito?
- Lá vem você...
- Eu queria te ajudar! Porque você está sendo tão ingrato?!
- Não sou ingrato! É que eu NÃO PEDI SUA AJUDA!
\"Ele vai libertar seu lado bruto de ser...\"
- Mas eu...
- Sophie, eu não pedi nada de você! — ele falou um tanto mais calmo — eu não quero e nem vou te envolver nisso. Afinal, você não tem nada a ver com isso! Não tem nada a ver comigo!
- Eu só quis ser útil! Eu só quis poder fazer alguma coisa por você além de ficar olhando! — agora eu estava me irritando, já não falava, gritava! — Ou acha que eu ia deixar você acabar com sua vida só pra ter dez minutos de prazer! É isso?! Se quer saber eu me intrometi porque eu quis! Porque queria fazer mais por você!
- Mas tá se metendo onde não devia!
- Do que você tem medo?! O que você quer? Morrer na rua com uma seringa no braço?!
- Não!
- Então?! Queria que eu fizesse o que?! O que você faria?!
- Você quer me convencer que eu tava errado, não é!- ele falou com voz tênue e com um sorriso irônico
- Não! Não quero! Eu quero que você se convença de que estava errado! Eu quero você note que não é o fim do mundo!
- Você não entende...
- Tem razão, não entendo, eu não sei! Mas o que eu sei já suficiente para entender que mesmo assim você podia ter reagido!
- NÃO PODIA!
- Será que a sua \'fama\' é só por isso?
Ele se calou, sentou na cama ao meu lado, eu baixei o tom de voz:
- Você pode mudar isso, pode ser mais que isso. Não são apenas palavras vazias, então não as torne vazias. Eu quero que isso seja mais que um discursozinho de incentivo
- Eu não quero isso... — ele admitiu — mas não é fácil
- Nunca será... Mas vai ser ainda mais difícil se você não quiser fazer nada
- Eu quis, já quis muitas vezes, mas nada... Só quando a gente mudou, não é a algo que eu se deixo de fazer num dia nunca mais vou fazer, não é assim...
- Você me deixa ajudar? — eu falei medindo minhas palavras
Ele me abraçou como se abraçasse a própria vida
“Talvez esteja abraçando...”
Palavras não eram necessárias.
- Não quero brigar com você — falei
- Daí eu não garanto nada — ele falou um tanto mais animado — sabe como eu sou
Ryan e Nick entraram neste momento, logo que nos viram quiseram sai de novo, mas eu os chamei de volta
- Você faltou hoje, queria saber o que houve. Ouvimos gritos. — ele falou
- Eu desmaiei — admiti
- De novo?! Cloe você tem de ver um médico!
\"Virou meu pai, é?\"
- Não, não precisa — apelei — Já estou melhor
- Você devia ir mesmo! — Lancy interrompeu
Sussurrei no ouvido dele
- E você também para saber se não pegou AIDS daquelas agulhas!
Ele ficou quieto
- Adiantaram o resultado das olimpíadas
- E?
- E o que?
- Você sabe!
Ele riu
- Vencemos!
Lancy se levantou
- Melhor eu ir
- É bom que você não faça nada de errado até viajarmos! — adverti
- Pode deixar capitã! — ele cumprimentou como se fosse um soldado indo á guerra, de certa forma, era! — farei o possível
- E o impossível! — instiguei
Ele saiu. Nick sentou na cama
- E então?
- Estamos de bem de novo
- Por quanto tempo?
- Não sei...
Ryan nos olhou com aquela cara de \"hã?!\"
- Que dia é a viagem? — mudei de assunto
Ele sentou na cama também
- Próxima sexta
- Bom para vocês... — Nick falou um tanto abatida
- Será que eles deixam a gente levar você?
- Não sei — Ryan falou — Ela não é do CEFM...
- É... — falei com certo pesar — Você ia gostar e eu ia gostar de ter uma companheira lá
Lembrei do lance do Ryan com a Nara, mas não queira dizer nada na frente da Nick. Achei melhor falar com ele depois, a sós.
Eu ia contar a ela, em si, não temos segredos, e eu não escondia nada, só não quero contar nada agora, sem ter confirmado nada.
Ryan se despediu e desejou me ver segunda no CEFM.
Agora sim, contei a Nick algumas hipóteses, disse a ela que TALVEZ a tal Nara estivesse grávida, mas não disse nenhum dos possíveis pais
- Cara que menina louca!
- Concordo... Mas talvez nem esteja grávida.
- Sabe as chances disso?
- Sei. E são bem poucas!
- Serio que você já desmaiou duas vezes? — ela mudou de assunto bruscamente, acho que Nick não gosta de falar de infelicidades, é como se apenas falar nisso atraísse para ela.
- Sério... Mas acho que é aversão ao clima, minha mãe sempre disse que não conseguia me acostumar ao clima...
Conversei um pouco mais com ela, até que deu oito da noite.
Apesar de parecer que tudo acabou bem hoje, eu tenho certeza que não é o fim dessa historia, agora eu tenho três coisas para me preocupar
1ª - a gravidez da Nara. Será que é do Ry?
2ª - se o Lancy vai cair de novo na heroína ou vai escolher um rumo para vida dele
3ª - se essa série de desmaios realmente não é nada...
Parece que a cada minuto o céu vai cair
Podem dizer que eu não tenho nada a ver com essas primeiras coisas que citei, mas tenho, eu zelo pelos meus amigos tanto quanto zelo pela minha família, porque de certa forma, eles são um família, então é bom que não esperem que eu jogue tudo para o alto e espere as coisas se resolverem sozinhas!
Notas finais
Não...
Ainda vou descobrir tudo, essa viagem vai me servir de algo pelo menos. Lá eu interrogo o Ryan. Nem que para isso eu precise chamar a máfia!
Cara se ele for o pai... Bem, não posso fazer nada, mas farei o possível para ajudar no que puder.
Quanto ao Lancy, creio que vou ter de acompanhá-lo de perto se eu quiser que ele pare de vez com as drogas, mas acho que como ele só recebeu uma dose depois da abstinência não deve se viciar, a não ser que comece de novo...
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