Diário de uma paranormal
12 Por isso que eu odeio quando falta luz
Amber está bem, Becky repetiu a viagem toda a mim. Mas eu só acreditei quando a vi na casa de Maria tão bem como antes, talvez até melhor do a gente. Ela e a tia de Harry nos esperavam na varanda da frente da casa da segunda. Viemos no carro de Liester já que o nosso antigo carro poderia quebrar na estrada a qualquer momento, o que deixou Harry bem aborrecido por não poder dirigir. Becky e Liester passaram a viagem debatendo qual seria o nosso próximo passo. Harry e eu apostávamos qual seria a reação de Amber quando visse Liester. Apostei cinquenta que Amber iria se fingir de durona e não ia falar com ele, Harry apostou o dobro e disse que ela não ia aguentar e iria perdoa-lo rapidinho por tentar mata-la. Porém não podíamos e não também tínhamos dinheiro para ficar desperdiçando então o cinquenta que eu disse era centavos na verdade. Ah, e eu ganhei a aposta. Só para registrar.
As duas mulheres nos esperavam na porta como eu havia visto na minha visão, não consegui segurar a ansiedade de ver ao vivo. Minha amiga, primeiro ,ficou meio surpresa pela mudança do carro, de um Palio caindo aos pedaços a um carro luxuoso preto de vidros escuros. Não vi motivo de se surpreender, já roubamos carros melhores, pensei tentando não soar metida. Provavelmente não soaria, roubar não é uma palavra que eu me orgulhava. Depois ela se sentiu traída quando Liester saiu do carro com todos nós juntos.
-O que ele faz aqui?! –Amber disse tentando controlar a sua voz.
-Vamos explicar tudo — falei com uma voz tranquilizadora e Becky acrescentou:
-Não se preocupe.
Entramos na casa e contamos para Maria e Amber o que havia acontecido. Elas se mostraram mais compreensivas que eu esperava em relação a Liester. Maria disse que os filhos de Roma são muito orgulhosos e não deixaria barato o que Bygron fez com ele . Amber concordou com o que ela e disse que acreditava nele. Que novidade, pensei rolando os olhos.
-Tia, podemos pedir um favor para a senhora? É muito importante. –Harry disse.
-Em que posso ajudar? – Maria respondeu.
-A senhora é consegue estabelecer contato com mortos, certo?-Liester disse se intrometendo. -Nós queríamos que você....
-Não ,não ,não. Eu não faço mais isso. Em tempos inquietos como esses que estamos vivendo , eu não quero me abrir ao que tem lá fora. –Maria disse deixando vago o que queria dizer com ‘o que tem lá fora’.
-Mas...
-Harold McCullow ,não insista – ela disse como uma mãe diz a seu filho. A mulher de trinta anos pareceu ter bem mais idade.
Harry fez uma carinha de cachorro pidão e Maria ficando irritada disse:
-O máximo que eu posso fazer é emprestar a minha tabua ouija para vocês.
Na madrugada foi quando conseguimos tudo o que precisávamos para a invocação: Velas pretas e brancas, decidir o que perguntaríamos, comprar sal grosso e esperar Maria sair para começarmos.
-Eu não intendi, porque a tia de Harry não quer ficar? –Becky perguntou a ninguém especifico.
— Ela faz mais ideia que nós do que pode acontecer. – Harry disse.
-Cara, porque isso não parece bom?
-Porque não é – Liester e Amber disseram ao mesmo tempo. E se olharam.
-Amber ... –Liester começou a falar e se impediu de terminar. Notei Amber se derretendo pelo sotaque inglês dele. Consegui lembrar perfeitamente da voz dela imitando o “Ambaaah” que ele dizia. Os dois desviaram os olhares para suas atividades.
-Então...quem vocês vão invocar? –Amber perguntou curiosa.
-A mãe de Katherine, ela parecia saber sobre tudo.
-Ela via o futuro, obvio que ela sabia mais sobre tudo. – falei
Harry chegou à sala colocando a ouija no centro das velas.
-Dá para se achar mais? –ele disse ironicamente.
-Vamos logo com isso – Liester disse. E todos sentaram no chão em volta da tabua.
O ponteiro foi guiado pelos cinco dedos para o centro para começarmos. As unhas roídas de Becky e Amber eram as primeiras, seguidas pelo de Liester ,a minha pintada em cores cintilantes, que estava esmagada pelo dedo enorme de Harry.
- Mãe – comecei. Mas me parecia errado chama-la assim nesse momento. –Camille , pode entrar.
A tabua ficou eletrizada e nós não tínhamos movimento do dedo indicador.
-Tia Camille, é você? –Amber perguntou
SIM ,o tabuleiro marcou.
Soltei minha respiração que eu segurei enquanto esperava a resposta.
Harry enrolado com as palavras se apresentou e foi logo ao assunto:
-Como podemos destruir Bygron?
A mensagem foi rápida e clara:
POCAO
-Nós já fizemos isso, não tem outra opção ? –Becky perguntou frustrada com a resposta anterior.
A FACA DE ROMA
-Uma faca de Roma, onde vamos achar uma?
-Em Roma, dã! –falei
A seta se apressou sabendo que tinha pouco tempo.
A FACA DE ROMA ELA E ÚNICA
-Sabe alguma coisa sobre isso? –Becky perguntou a Liester.
-Talvez – ele disse dando ombros – pode ser que...
O marcador da tabua começou a se debater. Lá fora as luzes das ruas apagaram. A única luz que havia era a das velas, o que não era grande coisa. Entramos num estado de pânico que não conseguíamos nos ouvir falar desesperadamente. O marcador se acalmou e quando achávamos que tinha acabado, o tabuleiro ficou em chamas. Ninguém se mexeu perplexo. O que estava acontecendo?
CORRAM ELE QUER ENTRAR NAO VOU AGUENTAR POR MUITO TEMPO, a tabua escreveu.
As velas apagaram e mergulhamos numa total escuridão. As portas e janelas começaram a tremer com a energia de algo tentando entrar ,fez –se um barulho ensurdecedor o que me fez gritar sem perceber.
-Ninguém vai entrar se vocês não deixarem — Liester gritava enquanto Amber e Becky entravam em pânico.
As janelas explodiram em milhares pedacinhos de vidros, mostrando que ele estava errado. Tentamos nos proteger colocando os braços em volta do rosto, o que fez nossos braços ficarem ensanguentados com cortes.
-Algo puxou a minha perna – Becky disse choramingando e se encolhendo para perto de Amber.
-Não tem nada aqui — falei incrédula. A falta de coragem delas não me surpreendeu em um momento como esses, eu sabia que ela já estava começando a imaginar coisas.
Algo tentou me arrastar para fora da sala. Cai no chão sendo arrastada pelas pernas. Gritei e tentei me segurar no chão com as unhas. Minhas unhas fizeram um barulho horrível no piso de madeira. E parou me deixando caída no chão. Choraminguei também. –Tem algo aqui.
Senti um vulto se movendo na minha direção, me levantei correndo. E algo me segurou, abri a boca para gritar, mas ele só sussurou:
-Está indo para onde? Nós temos que nos esconder.
-Harry ,é você ?-perguntei segurando na manga da camisa dele com medo de ser arrastada novamente.
Esperei que ele me desse um fora pela pergunta idiota que eu fiz mas ele só assentiu parecendo estar com medo também.
Becky, Amber e eu seguramos as mãos para que não fossemos separadas enquanto subíamos as escadas. Logo atrás vinha Liester e Harry porem eles não seguravam as mãos, se achavam muito machos para isso. Apostaria um real que o próximo a gritar seria Harry.
Ouvimos batidas altas de passos entrando na sala e indo em direção à escada. O barulho parecia mais alto, como se isso estivesse fazendo de proposito só para nos deixar com mais expectativa. O som parou por um instante. E depois voltou como estivesse correndo. Os garotos nos empurravam para o alto da escada e tropeçávamos uns nos outros enquanto corríamos escada à cima.
-Vamos ,vamos, vamos – Harry disse nervoso nos empurrando.
Cada um correu para um lado entrando em algum quarto. Eu tinha experiência o suficiente em filmes e terror para saber que isso foi uma coisa idiota a se fazer.
Fiquei no meio do corredor, indecisa sem saber quem seguir.
Algo horrível subia se arrastando pelo chão. Segurei uma vontade de desmaiar e me joguei para a primeira porta que eu achei.
Era o quarto de Harry, que parecia não ser usado há muito tempo. As paredes verdes escuras não ajudavam em nada clarear o quarto, muito menos os posters pretos de bandas de rock colados. Tropecei em varias coisas enquanto tentava andar pelo quarto o que não me deixou nenhum pouco feliz por me lembrar daquela coisa me arrastando. Desisti de tentar andar pelo quarto e comecei a prestar atenção no lado de fora dele. Não consegui ouvi nenhum ruído no corredor ,será que todo mundo estava bem?
Ouvi uma porta se abrindo. Alguns passos leves passaram pela frente da porta onde eu estava e segurei a respiração para que não me ouvissem. A porta abriu.
-Aquilo já foi embora. –Liester disse assim que abriu. Depois levantou uma sobrancelha quando me viu em pé tremendo de medo.
Descemos até a cozinha e todos estavam lá nos esperando. Liester trancou a porta atrás dele e foi beber agua, ele parecia estar prestes a ter um ataque do coração. Ficamos um tempo perguntando uns aos outros se estavam bem e nos acalmando até que a porta da sala para a cozinha foi forçada. Trememos com o susto, mas lembramos de que estava trancada. Eu havia me segurado na manga da camisa de Harry novamente e sem perceber abri um buraco na camisa dele por causa da minha unha. A porta foi forçada novamente fazendo os parafusos da porta quererem sair. Andamos para trás enquanto a madeira da entrada era fortemente atacada por algo sobrenatural. Mais ela não abriu.
-Nossa, essa porta é muito boa – falei baixo para quem quisesse ouvir.
Estávamos encostados na parede sem ter mais para onde fugir quando a porta foi aberta em rompante. Não consegui olhar diretamente para aquilo mas parecia uma sombra cinza chumbo.
A fumaça entrou pela passagem e fez tudo que havia na cozinha se voltar contra a gente. As portas dos armários e geladeira abriam e se fechavam sem parar, as panelas e pratos eram arremessadas em nossa direção junto com os variados tamanhos de facas ,o fogão soltavam jatos de fogos para nos atingir e a sombra se aproximava lentamente matando qualquer coisa que estivesse no seu caminho.
Corremos para a porta dos fundos que estava emperrada. Todos nós batemos nela com violência para que abrisse. A fumaça estava se aproximado dramaticamente. Becky me tirou da frente dela, a sombra quase tocou o meu rosto. Arregalei os olhos assustada, eu não conseguia me mexer. Liester tirou de dentro do seu bolso uma lamina reluzente e tentou desesperadamente a abrir a tranca da porta com aquilo.
Saímos da casa no ultimo momento e a fumaça pareceu se dissipar no ar livre. O lado de fora era ainda mais assustador que dentro da casa. As sombras estavam espessas como tinta, e pareciam cheias de movimento, como se a escuridão ocultasse criaturas esperando para saltar em cima da gente. Me aproximei mais do grupo esperando algo terrível acontecer depois.
Todas as luzes acenderam nos dando um susto. Nossos olhos pareciam ter desacostumados a luz e mal conseguíamos abrir os olhos sem que a nossa retina doesse. Mesmo depois de algum tempo a luz parecia estar mais forte que o normal ,como num sonho.
Alguém estava no outro lado da rua olhando fixamente para nós. Aos poucos eles foram virando para ver o que eu estava encarando. Bygron estava exatamente igual que da ultima vez que havia o visto. Ele tinha um sorriso cruel no rosto e virou para uma pessoa que passava na mesma calçada que ele. Quem estaria na rua nessa hora?
-Tia! –Harry gritou.
Ah, não, pensei, ele vai se aproveitar disso.
Maria olhou para sobrinho e ficou confusa com estava acontecendo. Harry atravessou correndo a rua. Ele se pôs na frente da tia e nós corremos para formarmos uma barreira entre os dois com Liester apontando a lâmina dourada contra Bygron.
-Trocou de lado bem rápido ,tenho que dizer.
Bygron correu em uma velocidade sobrenatural até Liester e quebrou seu pescoço.
-Odeio traidores – ele disse dando ombros.
Segurou Maria pelo pescoço.
-Nenhum passo ou ela morre.
-O que você quer? Deixe a minha tia em paz, ela não tem nada a ver com isso.
-Eu vim te buscar — Bygron disse a Harry.
Me coloquei no meio dos dois, segurando a manga da camisa de Harry para que ele não fosse a nenhum lugar.
-O que você quer com ele? –Amber perguntou.
-Vim buscar Harry. Para ele aprender os ossos do oficio.
“Não vá” ,eu disse a ele baixo enquanto ele me afastou de perto de mim para dizer a Bygron:
-Eu não sou como você
-Você é sim – ele disse e depois adicionou:
-Meu filho.
Harry ficou paralisado. Bygron em um golpe rápido torceu o pescoço de Maria e tocou no na testa de Harry fazendo-o desaparecer.
E com um estalo ele também desapareceu.
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