Tinha sido um sono longo. Uma mecha de cabelo caiu no meu rosto, por impulso tentei coloca-la em seu lugar, mas minhas mãos estavam presas. Outro par de mãos estava amarrado junto com as minhas e se agitaram quando eu acordei.

–Você tá acordada? Ainda bem, eu já estava com medo que você estivesse em coma ou coisa assim. – Amber sussurrou.

–Onde estamos? — falei baixo, percebendo que nos não estávamos sozinhas. Ela respondeu um “não faço ideia” antes que alguém chegasse perto de nós.

–Hmmm. A bela adormecida acordou. Eu tinha medo que a tivesse matado ,você não vale muito morta. –Liester disse fingido preocupação –Acho que vocês querem respostas, não é?

Nenhuma de nós duas respondemos e ele continuou:

–Sou caçador de paranormais e eu menti não tenho dezenove anos – ele disse olhando para Amber. Pobre Amber ,quando fugirmos daqui (se conseguimos) eu queria saber como ela se sentia.- tenho três mil anos. Quando ouvi pelas ruas dessa cidade que estavam oferecendo uma recompensa pelo seu grupinho, resolvi caça-las mas não fazia ideia de como seria tão fácil. A única pedra no meu sapato era o asinha que as seguia.

–O seu plano é nos matar de sede? Eu estou desidratando. -Amber reclamou. Quando ouviu a sua própria voz insolente ecoando, ela reformulou a frase. –Por favor, você pode trazer um pouco de agua, eu estou passando mal com esse calor.

Falando em calor, percebi que eu estava suando muito. Talvez eu conseguisse escorregar as minhas mãos para fora da corda, se Liester saísse. Minha visão estava clareando e vi o caçador de recompensas andar até o fundo do provavelmente galpão pegando uma garrafa de agua no chão.

“Meu anjo da guarda,...”–pensei como estivesse orando.- “Deixa pra lá. Miguel, se você ainda estiver ouvindo os meus pensamentos, me ajude. Nós estamos em galpão...”

Liester abriu a garrafa de agua e derramava na boca de Amber, ela chutou o rosto do homem. Ele se levantou do chão lentamente, segurando o rosto, que provavelmente mais tarde incharia.

–Por isso que eu gostei de você-Liester disse de um jeito que parecia fazer o chute um beijo ou coisa parecida. E Amber retribuiu dando um sorriso.

Por favor, não me obrigue a ver isso. Eu ainda estou aqui. –disse impaciente.

Ele deu um sorrisinho irritante e ligou as luzes vendo que o céu fora do galpão estava escurecendo. A única porta do lugar abriu. Liester ficou assombrado notando que a porta tinha aberto sozinha. Todas as lâmpadas explodiram, fazendo que o galpão ficasse em chamas. Liester correu até nós tentando nos impedir de fugir. Caímos varias vezes antes de conseguir nos levantar, andar enquanto esta amarrada à outra pessoa é bem difícil, tenho que dizer.

–Vocês não vão a lugar algum- ele disse segurando os nossos braços. O empurrei com toda a minha força usando Amber com escudo humano, ele caiu no chão. A nossa ligação foi cortada, estávamos livres da corda.

–O que...?-senti alguém me levantando. Miguel pediu segredo. – Por quê?

–Eu não tinha autorização de tirar vocês. Minha missão era só transporta-las para...

–Cala a boca, você viu a minha adaga?

–Está com ele, você não deveria falar comigo assim eu sou...

Amber pegou do bolso de Liester nossas facas e devolveu a minha. Liester se levantou e Amber o atacou. Alguém apareceu no galpão e colocou um canivete na barriga de Miguel, só mais alguns centímetros sua pele seria perfurada. Não fazia ideia do que poderia acontecer se ele fosse esfaqueado, mas eu não queria descobrir.

–Ei, ei espere. Aqui, eu vou abaixar a minha faca.- mostrei fazendo o movimento- não o machuque.

–Que irônico, hun ,o anjo da guarda tendo que ser salvo por sua protegida – um homem meio velho disse com um olhar louco.

–Abaixe o seu canivete vamos conversar.- eu disse tentando acalma-lo.

–Tudo bem – ele disse abaixando a sua arma e mudando de ideia logo depois cortando Miguel. Porém o garoto-anjo já havia desaparecido no ar.

O homem cortou o ar onde eu deveria estar, desviei me abaixando para pegar a minha adaga. Golpeei o homem e ele infelizmente esquivou. Dei uma rasteira no homem, e tenho que dizer que é o meu golpe preferido, e ele caiu no chão num baque. Ele era tão gordo que provavelmente abriu um buraco no piso quando caiu. Corri para ajudar Amber que parecia estar com problemas, mas o cara cravou a faca na minha perna fazendo a minha meia três quartos colorida tornar-se vermelha.

Sem pensar, eu arranquei a faca da minha perna fazendo que eu soltasse um grito e puxei o gordo pelos cabelos fazendo ele se levantar o suficiente para que o matasse. Cortei a garganta, fazendo alguém parado ao meu lado arfar desesperado.

–Por que você fez isso? –Miguel perguntou

–Se você não percebeu — eu disse andando para ajudar Amber- eles estão tentando nos matar.

Amber acertou seu ultimo golpe em Liester, fazendo-o desmaiar

–Devemos matar? – perguntei

Miguel me censurou por pensar nisso. Amber disse que não teria coragem. As chamas que consumiam o galpão cercávamos mais rápido que esperávamos. Fomos embora antes que ficássemos queimados como um churrasco.

–Vamos – Miguel disse segurando as nossas mãos. Soltei desconfiada.

–Para onde nós vamos?

–Seus amigos precisam de ajuda. AGORA VAMOS. –ele disse segurando a minha mão com força para que eu não fugisse.

Minha mente apagou por alguns segundos e quando percebi estávamos nos fundos de uma mansão iluminada. Sons de conversas e musica ao fundo chegavam de todos os lados.

–Onde estamos?-Amber perguntou.

–Como eu disse antes, Becky e Harry precisam de ajuda. Eles foram pegos procurando pistas dentro da mansão.

–Ou seja, bisbilhotando -conclui- nós nunca vamos conseguir entrar com essas roupas que estamos vestindo.

Miguel disse que não poderia entrar na casa do jeito que ele sempre aparece. Amber olhou para o lado, distraída, e teve a mesma ideia que eu quando vimos umas roupas jogadas na areia da praia particular.

Miguel disse que não.

Enquanto andávamos até a praia eu disse:

– Amber, acho que você deveria arrumar um namorado rico aqui para que no futuro nós irmos morar em uma mansão dessas.

–Nós? – ela disse rindo

–Claro, você morou comigo um tempão ,é só até eu enjoar de ser rica.- eu disse.

Puxei Miguel pelo braço antes que ele fugisse.

–Aqui a o seu terno-Amber entregou uma das roupas que estavam no chão para Miguel. Eu peguei a outra antes de Amber a roubasse.

–Ei, como eu vou entrar?

–Como garçonete, claro – dei um sorrisinho.

Trocar de roupa vestido é muito difícil, obviamente, eu não iria me vestir normal em uma praia mesmo sendo particular.

A dona do vestido devia ser bem mais alta do que eu e o vestido arrastava no chão quando andava. Tirando isso ele estava perfeito. Era um vestido tomara-que-caia esverdeado e o tecido caia em pregas, que na verdade pareciam ondas. Me perguntei se era coincidência que ter achado as roupas na praia.

Miguel pela primeira vez desde que eu tinha visto, usava uma roupa diferente. Sinceramente do jeito que a roupa dele estava chamuscada, olha quem tá falando, ele nem entraria nesse condomínio.

Finalmente Amber depois de reclamar meia hora, roubou um uniforme de garçonete. Porque essa palavra não parece certa?

–O que devemos fazer?-perguntei a Amber que obviamente era o cérebro desse plano.

–Quando entrarem se misturem e fiquem separados, só se acharem onde eles estão ou alguma pista procurem uns aos outros.

–E, por favor, Miguel, aja como uma pessoa normal –completei

Amber desapareceu entre as sombras da noite, indo até a porta dos fundos. Primeiro Miguel entrou na mansão, e eu esperei alguns minutos para segui-lo.

A mansão estava toda iluminada para a festa que estava acontecendo e por sorte não tinha nenhum segurança na entrada. Provavelmente todos devem estar cuidando de Becky e Harry. Como esse garoto estupido pode ser pego bisbilhotando se ele pode ficar invisível?

O salão estava lotado de pessoas em trajes de gala dançando, conversando ou até...dando encima de Miguel? Essas garotas estão desesperadas? Espero que ele consiga alguma pista com isso.

Andei lentamente até perto da escada que levava para o segundo andar. Cumprimentei um grupo de pessoas que estava perto. Amber que estava com uma bandeja com varias bebidas veio até servindo até o meu caminho, quando ela chegou ao meu lado só havia duas tacas.

–Aceita uma bebida?-Amber perguntou a mim me fuzilando com os olhos.

–Claro-eu disse pegando uma taca – eu vou procurar onde eles estão.

Subi as escadas quando vi que ninguém olhava para mim. Não precisaria muita procura para achar a sala onde eles estavam, já que estava cercada de seguranças. O grande problema é como tiraria esses caras da frente da porta onde Becky e Harry estavam. Desci as escadas antes que alguém me visse nesse andar. Antes de correr para procurar Amber e Miguel no salão, tentei parecer que estava me divertindo. Mas era muito difícil nesse momento.

Em um dos sofás que tinham espalhados pelo lugar, Miguel estava sendo coagido a dançar com uma as garotas que conversavam com ele. Quando cheguei mais perto ouvi ele tentando se livrar delas. Ele viu me aproximar e me encarou pedindo ajuda. Era a segunda vez que teria que salva-lo hoje. Eu não acredito que vou fazer isso, pensei chegando na frente do sofá.

–Queridinhas-eu disse as garotas com um tom insolente-acho que ele não quer dançar com vocês

–Claro que ele quer –uma delas disse –quem não iria querer? Ele só está um pouco tímido.

Vish, essa garota tem uma autoestima alta. Bati os pés esperando que o idiota dissesse algo.

–Hmm ,acho que eu vou dançar com ela — Miguel disse fugindo das garotas.

Ele puxava meu braço para sairmos dali, mas eu queria ver a cara delas.

Uma musica tocava no salão e alguns casais dançavam, fomos para perto deles e nos balançamos desajeitadamente fingindo que estávamos dançando.

–Eu não entendi os movimentos disso.

–Não é para entender, é para ouvir o plano. Vamos esperar Amber chegar mais perto.

Quando ela nos viu juntos, tentou o mais rápido possível chegar até a pista de dança.

–Eles estão em um quarto logo no começo do corredor — contei aos dois – mas o quarto está cheio de seguranças na porta. Planos?

–Podemos trazê-lo para o térreo e distrai-los. –Miguel disse tentando ajudar e pisando no meu pé.

–Seria ótimo, mas como fazemos isso?-Amber perguntou

Todos nós entramos em reflexão até que eu tive uma ideia

–Não sei por que pensei tanto, você pode fazer um barraco aqui no salão, mas tem que ser um barraco enorme que chame a atenção dos seguranças e eles sejam obrigados de te tirar daqui.

–Serio? Seus planos são ótimos, já falei?-Amber disse com ironia.

–Tem uma ideia melhor? Eu sei que não.- falei imitando o jeito de Amber de perguntar e não deixar ninguém responder –Só tenho uma exigência: tem que ter puxão de cabelo, esse são os melhores barracos

–Idiota

********

Esperamos Amber começar a confusão para subir as escadas. Eu estou especialmente ansiosa para vê-la fazer isso, para saber se ela aprendeu algo comigo.

Amber servia champanhes e fez que uma garota, a mesma convencida de mais cedo, derrubasse a sua bandeja parecendo que era culpa da garota. Então a cena começou .

–O que você fez, criada?

–A culpa foi sua.

–Você manchou o meu vestido de quatrocentos mil reais.- a garota gritou

–Rá, eu conheço esse modelo da feira custou menos que um pão com mortadela. –Estou orgulhosa por Amber.

A garota ficou irada e um pequeno grupo de pessoas se virou para observar. Amber voltava para a cozinha quando a garota autoestima puxou o cabelo dela fazendo que sua bandeja caísse no chão, quebrando varias tacas no chão.

Amber se levantou e puxou o cabelo da outra com gosto. Elas andaram pela sala puxando um o cabelo da outra, empurrando algumas pessoas que estavam no meio do caminho. Elas saíram rolando pelo chão puxando os cabelos. A garota soltou uns gritos pedindo ajuda, ela tirou um dos sapatos e bateu na cabeça de Amber. Que vergonha, perdendo uma briga para uma patricinha. Essa não era a garota que tinha empurrado Spencer Meens no topo da escada e rolaram mais um lance de escada se batendo, até que no final ela quebrou uma garrafa de refrigerante na cabeça da outra que caiu desacordada e tudo isso por causa de um namorado roubado.

A patricinha se levantou achando que tinha ganho a briga. Logo depois Amber pulou encima dela gritando e fazendo a garota bater o rosto no corrimão.

Fui ver como estavam as apostas para Amber.

–Quero apostar quinhentos na garçonete – eu disse para o homem .

–Boa aposta – o homem disse.

Um cara se aproximou e disse:

–Não fazia ideia que Patty brigava tanto, eu aposto nela.

Finalmente os seguranças desceram devido ao barulho das apostas. Espero que eles façam apostas e não separe-as tão rápido. Miguel e eu corremos pelas escadas, sabendo que a situação lá embaixo estaria resolvida em poucos minutos.

–Becky? Harry?

–Aqui!-Becky disse no escuro.

Ligamos as luzes e eles estavam construindo uma corda de lençóis para descer.

–Não nós precisamos da ajuda de vocês — Harry disse rindo

–Vocês não iriam muito longe a pé e logo seriam pegos.-eu disse mostrando a fragilidade do plano deles.- Vamos sair daqui rápido, Amber tá se batendo com uma garota para distrair os seguranças.

Miguel, que estava de vigia no lado de fora do quarto entrou desesperado.

–O seu plano deu errado, os seguranças estão voltando.

–Droga.-eu disse-Vocês desçam pela janela e nos encontramos lá embaixo.

–E vocês?-Harry perguntou preocupado

–Deixa comigo. Agora vão.

Desligamos as luzes e nos escondemos encostados na parede ao lado da porta. Os seguranças entraram segurando Amber pelos braços com a dona da festa atrás dele com uma expressão nada satisfeita. Peguei um candelabro em um móvel próximo e liguei as luzes quando todos entraram e se afastaram da porta.

–Eles fugiram, seus inúteis – a dona da festa gritou irritada.

–Ninguém sai! — eu disse de um jeito ameaçador me pondo na frente da porta. –Eu tenho um candelabro!

Amber revirou os olhos. Na boa era ela quem estava presa não eu, era melhor ela não me irritar, ameacei mentalmente.

–Qual é o seu plano? –Miguel sussurrou no meu lado.

–Agora! — eu disse. Harry que estava invisível nessa sala e não havia descido pela janela ,pegou um das lanternas dos seguranças e bateu na cabeça de dois deles, os que seguravam Amber. Eles levaram a mão até a cabeça por reflexo e soltaram Amber por segundos. Foi o tempo de Becky entrar pela janela e desacelerar o tempo. Nós tínhamos cinco minutos para sair daqui.

Corremos porta a fora e Becky disse:

–Nós temos que pegar a agenda dela, parece que tem algo importante.

–Tem certeza ?–Harry perguntou nervoso

–Deixa que eu e Amber vamos buscar- ela respondeu

–Não! A gente não pode se separar de novo – falei

–Nós devíamos nos apressar não temos muito tempo de vantagem — Miguel disse

–Finalmente ele disse algo útil, vamos logo – impliquei um pouco com ele antes de concordar.

Becky nos guiou até um escritório e foi logo até a escrivaninha onde guardava a agenda.

–Ah, não...essa gaveta não estava assim — ela disse balançando uma gaveta da escrivaninha com força – aquela bruxa trancou a gaveta. Nós vamos ter que voltar, ela usa a chave no colar.

Pela as minhas contas, nós ainda tínhamos dois minutos de dianteira. Um bom plano era sair dessa casa antes de sermos impedidos.

Arranquei a chave do pescoço da mulher. Enquanto me virava para sair dali, ela balançou a cabeça demoniacamente e apertou a minha mão com uma força impressionante me impedindo de me livrar do colar para que alguém pegasse. A minha palma já tinha calos com a força que ela usava fazendo a chave perfurar a minha pele e escorresse um pouco do meu sangue. Minha mente parecia mais lenta que a internet do notebook de Harry. Esse efeito era exercido também sobres os meus amigos, ninguém pensava. Estávamos presos em uma espécie de frenesi. Miguel soltou uma luz cegante pela boca enquanto gritava. Meus ouvidos sangrariam a qualquer momento e todos despertaram dos efeitos paranormais. Até os seguranças. A mulher havia soltado a minha mão para tapar os ouvidos e eu estava livre desde alguns segundos atrás. Tentei correr e o mais rápido dos seguranças segurou o meu ombro, usei a chave que estava na minha mão para rasgar um pedaço de sua pele, como Liester tinha feito comigo.

Ao sairmos do quarto Becky foi em direção ao escritório onde tinha a agenda e eu disse segurando o seu ombro.

–Não temos tempo, nós voltamos outro dia.

A porta do quarto abriu em rompante e vários seguranças saíram de lá tropeçando em uns aos outros e correndo atrás de nós. Mas nós já tínhamos descido metade dos degraus, antes de fugirmos Patty, a patricinha que brigou com Amber, correu para nos segurar até que os seguranças descessem as escadas, porém acidentalmente ela levou um chute na cara enquanto dávamos o fora.

Na frente da mansão, um manobrista entregava a chave para os donos do carro que estava estacionado. Bem, nós não queríamos fazer isso mas...Pegamos a chave e Harry empurrou o motorista para fora do carro. Nos empurramos para dentro do carro e Harry arrancou dirigindo para longe dali. A dona da festa insatisfeita com a gente por termos estragado, provavelmente o trabalho de muito tempo, pegou do manobrista um revolver e atirou contra o carro.

– Rá-rá, quebrou o vidro mas não acertou ninguém.- Harry disse.

Depois do silencio, eu que estava no banco da frente, me virei perguntando:

–Vocês estão bem?

–Clar – Amber disse se interrompendo –Droga.

–O que foi?-perguntei

Ela levantou a mão ensanguentada

–Acho que preciso de ajuda – disse e desmaiou. Sujando Becky de sangue.

–Meu Deus –Becky desesperada

Terminei chamando:

–Amber ,Amber, acorde!