Diário de uma paranormal
11 A vingança nunca é plena mata a alma e a envenena
Notas iniciais
- Droga, vocês viram o meu colar? –perguntei olhando os meus bolsos. Eu estava de vestido, sem nenhum bolso. Procurei no tapete do carro. Nada.
-Porque você está tão preocupada com essa droga de colar?-Harry perguntou tirando os olhos da rodovia.
-Tá maluco? Olha para estrada! Com a velocidade que você tá dirigindo se nós batermos em outro carro de novo nós é quem caímos da encosta.
Harry dirigia quase na velocidade máxima do nosso carro novo. Alguns meses atrás eu não concordaria com os roubos dos carros que fazíamos, mas agora eu tentava me convencer que era necessário.
-O colar de Miguel, vocês se lembram de eu sair da festa com ele?
-Não. Será que aquela maluca pegou? –Harry respondeu primeiro, logo depois Becky disse:
-O colar pode ter desaparecido porque ele também desapareceu
-Miguel já desapareceu antes e o colar não. Isso é preocupante.
Eles concordaram e o assunto morreu. Becky trocava as bandagens de Amber, que nós tínhamos feito com o excesso de tecido do meu vestido. Eu sei o que você pensou. Mas o meu vestido era alguns números a mais que eu e quase arrastava no chão.
Não paramos para dormir desde o dia anterior na festa, o céu já estava escurecendo e quase não percebi os esforços de Harry para ficar acordado. Até...
Harry piscava varias vezes e pisava no acelerador com mais força. Olhei para frente quase enxergando a nossa possível queda da ribanceira à direita. Cuidado com o que você deseja. O carro saiu do controle. Becky começou gritar, muito, o que me fez perceber a gravidade da situação. Os olhos estavam fechando e Harry quase roncando mas ele continuava a pisar no acelerador.
-Harry! Harry! –Bati nele sem nenhuma gentileza tentando acorda-lo. Ele nem se mexeu.
-Eu vou tirar ele da direção – informei a Becky.
-Não, não ,não .O carro vai capotar. –Becky gritou, já que o barulho dos pneus acelerando estava ficando ensurdecedor.
-Coloca o cinto em Amber. Coloque você também, eu vou começar – eu disse sentando no lugar do motorista e empurrando Harry de um assento para o outro. Os pés de Harry ainda apertavam o acelerador e ele estava caído em cima da marcha. Puxei Harry para o assento do passageiro, sem querer, mudando a marcha de quatro para um. O carro deu um solavanco e freou ,porem ele estava numa velocidade absurda e rolou pela autoestrada.
Nessa imediação da estrada não havia nenhum tipo de alma viva para se machucar no acidente do carro, só nós mesmos .
Bem, eu poderia contar como foi a capotagem mas eu não me lembro bem por ter apagado varias vezes enquanto girava no ar. Lembro-me de tentar segurar em algo quando o carro girava e olhar para trás para me certificar se todos estavam com os cintos, todos estavam menos a garota aqui que não usa cinto (dessa vez eu queria estar usando).O carro não só virou uma vez, ele virou duas vezes e bateu em uma pedra, o que fez o carro ficar de lado.
Algumas horas depois e mais um carro roubado.
-Precisamos levar Amber até a sua tia- falei.
-A minha tia é maluca, você tem certeza se a visão foi com ela? –Harry perguntou torcendo que eu percebesse que eu tinha me enganado.
-Tenho. É o único jeito de salvar Amber , se já não bastasse o tiro e esse acidente de carro, nós demoramos para terminar o caminho. Você não pode ir mais rápido?
-Não, não posso.
-Beeeecky –reclamei –assim nós nunca vamos chegar. Harry, você já falou com a sua tia? Nós estamos chegando.
-Eu já liguei para ela. Pode parar de falar um pouquinho? Nós chegamos.
A tia de Harry, Maria ,já nos esperava na porta a casa dela. Para mim Maria parecia perfeitamente normal devia ter uns trinta anos e usava um vestido longo, seus cabelos eram tão loiros como os de Harry mas seu cabelo tinha dreadlocks que balançaram quando ela arrancou Amber dos braços do sobrinho e disse que já sabia o que fazer para ajuda-la.Sem mais nenhuma informação, bateu a porta na nossa cara. Aí sim intendi o que Harry falava sobre ela ser maluca. Fiquei preocupada em deixar Amber nas mãos dela ,nesse momento percebi que ela não era muito...equilibrada.
-Não se preocupe, tia Maria vai cuidar bem dela. Tenho certeza. –Harry não tinha nenhuma certeza.
-Não devíamos deixar Amber sozinha. –Becky disse.
-Você vai tentar entrar? –Harry disse gesticulando para a porta, levantando uma sobrancelha.
Becky não tentaria. Nem eu. Becky e Harry ainda se encaravam silenciosamente, desafiando um ao outro.
Uma forte enxaqueca surgiu e coloquei a mão na cabeça por reflexo. A dor piorou e eu me sentei na calçada da rua onde estávamos. Fechei os olhos sabendo o que aconteceria depois e as imagens se desenrolaram. Não eram como eu esperava, eu havia passado o dia todo procurando o futuro de Amber e o que eu tinha conseguido depois de horas? Nada. As imagens eram sobre Harry, Becky e eu voltando à rua que eu morava e olhando livros. A conexão da minha visão estava meio ruim, já que eu gesticulava falando algo e não havia nenhum som. Depois as imagens mudaram para Harry mostrando um jornal para Becky e eu. A ultima visão foi estarmos cercados pela policia.
-Kath? Katherine? O que aconteceu? –Becky perguntou.
-Temos que voltar para casa.
Eles me olharam como se eu fosse maluca.
-Para casa? Nós não temos casa. –Becky disse
-Mas nós tínhamos, certo? Temos que voltar. Eu vi. – depois dessa frase nem eu duvidei que eu estivesse maluca.
-Está bem, querida? Bateu a cabeça quando caiu? – Harry perguntou preocupado.
-Nós temos que ir lá – insisti e ninguém me ouviu.
-Olha Katherine ...isso é loucura, idiotice. Voltar de onde viemos.
Uma porta se escancarou batendo na parede.
-Ouçam a profetisa –a tia de Harry disse –ela conhece o futuro mais do que vocês.
Maria parecia estar possuída. Olhares nervosos.
-Vocês precisam partir, quem salvará Amber está chegando e essa pessoa não gosta de publico enquanto faz a sua magica.
Harry pareceu meio constrangido pelo jeito assustador que sua tia disse isso e Becky parecia meio irritada por ela ter me apoiado.
-Podemos ir agora? –perguntei satisfeita.
Eles deram os ombros, não haviam nada que podiam fazer e estavam atrapalhando a chegada de quem quer que fosse.
-Quem vocês acham de ela estava falando? –Becky perguntou curiosa.
-Devem ser uns amigos esquisitões dela, alguns são curandeiros. –Harry explicou.
-Não é mais seguro levar ela para um hospital? –perguntei preocupada com esses curandeiros.
-Não, não. Eles são de confiança. E mais, a tia vai chegar ao hospital e dizer o que quando perguntarem por que Amber levou um tiro? Essa é uma cidade pequena vão achar que Amber é uma criminosa.
“Nossa triste, queria ver quando Amber fosse acusada de ser uma criminosa”, pensei segurando o riso enquanto Harry dirigia entrando na cidade onde tudo começou .
Alguns minutos depois que entramos na cidade, Harry encostou o carro na esquina da rua da minha casa, de acordo com Becky não deveríamos estacionar muito perto, pois poderia chamar atenção.
-Então, qual é o grande plano de voltar para a sua casa? – Harry perguntou.
Becky me encarou esperando. Eu sabia que eles não concordavam com voltar, mas bem que eles poderiam me ajudar, eu não era muito boa em inventar planos.
-Acho –falei pensativa –que nós deveríamos falar com os vizinhos para saber se algo estranho aconteceu por aqui depois, ou antes, do grande acontecimento lá em casa.
-Hmm, temos por onde começar – Harry abriu a porta saindo.
Becky saiu do carro e disse:
-Eles não vão ser imparciais se nós duas estivermos lá.
Eu surpresa disse:
-Ah, é. Isso é importante. Harry, você poderia ir sozinho?
-Claro. E vocês?
Becky não parecia muito disposta a ficar parada no carro então avisei a ele que eu iria precisar arrumar coisas novas, já que eu tinha perdido tudo no dia da festa.
Tinha acabado de comprar um celular e algumas peças de roupa em um camelô na rua e estávamos caminhando pela praça.
-Cara ,será que já podemos ligar para a tia do Harry para saber da Amber?
-Espera um minuto, eu ligo – Becky disse discando os números.
Continuamos a andar enquanto Becky falava ao telefone. Olhei em volta, observando a praça que eu conhecia desde criança e decorando todos os detalhes caso eu não voltasse mais. Passávamos entre as arvores quando algo me chamou atenção. Senti um cheiro diferente de folhas, tinha certeza que não era algo natural aqui. Maresia.
Ouvi algo cair sobre as folhas, era o celular de Becky e alguém chamava no outro lado da linha. Becky, onde ela estava? Só o que eu via eram folhas e percebi que era noite. Não enxergava nada.
-Alô ?-falei a pessoa no telefone.
-Ainda bem que alguém atendeu, eu já estava preocupada. Quem está falando? Becky ou Katheryn?
-É Katherine, na verdade. – eu disse
-Tanto faz.
-Becky desapareceu.
Nenhuma reposta.
-Amber está bem?
O outro lado da linha ficou mudo. Ouvi as corujas piarem ao fundo.
Uma mão tapou a minha boca e me arrastou. Que péssima ideia cortar caminho. Lutei tentando me livrar do aperto, o que só fez o meu espaço ficar mais estreito. Minha visão estava limitada, mas vi a minha frente Becky assustada, olhando para quem me arrastava. Segui o seu olhar.
-Você!
-Não é o que você está pensando, eu só não podia falar com vocês com a possiblidade de alguém ver.
-Alguém ver? Nós estamos dentro de um bosque. Me solte. – eu disse.
Meus braços ficaram livres.
-Eu não estou entendendo nada. E nem vendo. Já que você não vai nos matar, podemos ir para um lugar mais iluminado? –Becky perguntou
Saímos da penumbra. As luzes dos postes estavam ligadas e Becky realmente viu como era ele. Ela deu um sorriso, eu sabia o que ela estava pensando.
-Não – eu disse a ela.
-Qual é ?
-Mente fraca – comentei e rolei os olhos.
-O que você quer? Nós deveríamos ter te matado. –falei ao garoto.
-Matado?-Becky perguntou – oque ele fez?
-Conheça Liester – gesticulando como tivesse apresentando – ele fingiu que era legal, deu em cima de Amber e tentou matar nós duas e sequestrar Miguel.
-Ah, sim. Onde está o asinha que vive na sua cola? –Liester perguntou dando um sorriso insolente.
-Ele desapareceu. Não vai dizer o que quer? Então estamos indo embora.- disse arrastando Becky para longe dele. Ela estava com cara de boba olhando para ele.
-Limpa a sua baba. –eu disse mal-humorada.
-Espere garota. Eu vou dizer o que quero, mas não aqui. Podemos estar sendo observados.
Caminhamos de volta para o bosque e ele disse desabafando:
-O que eu quero? Eu quero vingança. O idiota – ele disse a palavra com medo de que caísse um raio em sua cabeça, ou algo parecido. — do Bygron me prometeu varias coisas se eu conseguisse vocês. Eu falhei uma vez e ele arrumou uma velha para me substituir. Me humilhou e tentou me matar, mas eu fugi.
Nem Becky nem eu parecemos acreditar no que ele havia dito.
-Você quer ajuda nossa para se vingar dele? –Becky perguntou lentamente.
-Sim, eu ouvi falar que vocês são as únicas que podem mata-lo.
-Se eu fosse você não botaria muita fé em nós. –comentei dando os ombros.
***
Harry lia um jornal na frente do carro que tínhamos viajado. O único carro disponível em uma estrada para roubo , nem se comparava com os nossos carros anteriores. Pelo menos funcionava. Até agora.
-Alguma noticia interessante?
-Claro, tem uma sobre vocês muuuito interessante. –Harry disse em um tom de voz estranho.
Ele mostrou o jornal. A manchete dizia em letras enormes: adolescentes incendeiam própria casa com os pais dentro.
-Como é? –Becky disse revoltada
-Me deixa ver essa droga. — peguei o jornal da mão de Harry.
Uma foto mostrava Amber, Becky e eu junto com os nossos pais em uma foto que tínhamos tirado no ano novo, estávamos vestidas como animadoras de torcida, era festa a fantasia.
-Essa foto é do ano-novo desse ano. –eu disse sorrindo com a lembrança – Não quero ler isso. Porque acham que fizemos isso?
Guardamos o jornal dentro do carro e atravessamos a rua. A casa que eu conhecia estava irreconhecível.
-Houve um incêndio depois? –Becky perguntou enjoada.
Harry só balançou a cabeça.
O fogo destruiu as paredes, colunas e o teto da casa. Poucos moveis sobraram e os que sobraram estavam cobertos de chamuscos. Marchei até onde devia ser o quarto dos meus pais, uma coluna cobria um baú onde minha mãe guardava alguns livros secretos, provavelmente sobre coisas que eu não conhecia na época, coisas sobrenaturais.
Becky destruiu o cadeado com a pressão do seu pensamento.
-Legal – dissemos admirados.
Coloquei os livros na minha nova mochila, continuamos a vasculhar a casa procurando algo útil. Eu não me sentia muito feliz em remexer nos destroços da minha antiga vida. Chutei um pedaço do telhado que estava no chão, meio irritada. Isso não era nenhum pouco justo, todas as pessoas que tentavam me ajudar morriam: Meus pais, os pais de Amber, os de Becky, Josh, Miguel, Amber .Se Becky e Harry fossem espertos eles me deixariam.
Luzes vermelhas e azuis preencheram a minha mente. Abri os olhos essas luzes eram reais.
-Mãos para cima! –um policial gritou e os outros que cercavam a casa apontaram seus revolveres contra nós.
Nós três estávamos com as mãos para o alto e nos aproximamos um dos outros procurando uma saída.
-Eu vou ser considerado cumplice de vocês ?-Harry perguntou.
-Parem de falar! –o mesmo policial disse – venham até o carro para serem presos, devagar.
Andamos lentamente. Realmente esperava que um deles estivesse uma ideia logo para fugirmos porque eu não ajudaria muito agora, a minha mente estava tão vazia que só faltava um feno passando.
Estávamos a dez metros das viaturas quando eu vi alguém no outro lado da rua, rindo. Fiquei com tanta raiva que não percebi quem era. Era o cretino do Liester. Minha cabeça esfriou e vi o que ele queria dizer, ele meio que gesticulava para um carro e disse para esperar. O garoto saiu correndo. Quis acreditar que ele voltaria com ajuda senão estávamos perdidos. E presos. Avisei para eles dois que talvez nós teríamos ajuda ,mas eu não queria colocar muita expectativa.
Seis metros para a viatura, cinco metros, quatro metros...
Um carro parou na frente da casa vizinha. Parei subitamente ,empilhando os dois contra as minhas costas. Que garoto estupido, como iriamos fugir? Ele saiu do carro e abriu as portas. Nenhum policial percebeu a sua presença. Estávamos tão perto das viaturas que era impossível errarem os tiros.
-Agora — eu sussurrei aos dois e corri. Eles me seguiram. A chuva de balas começou. Becky jogou algumas viaturas para o alto, para distrair os oficiais. Alguns se assustaram, mas os que estavam mais próximos da gente continuaram atirando. Becky fez um sinal com a mão aberta como pedisse para parar e os tiros na frente da palma dela ricochetearam. Paramos um instante, surpresos, e depois Harry, que já estava invisível, nos empurrou, obrigando a continuar.
Entramos no carro e poucos policiais ainda atiravam assombrado com o que viram.
-Pronto para o grande final? –Liester perguntou ligando o motor. –Desapareça o carro, vai.
-Eu não sei fazer isso – Harry disse.
-Coloque a mão na carcaça do carro e desapareça como sempre faz. –Liester disse impaciente e fez o carro sair da rua de ré. Os tiros voltaram. –Rápido, eles estão atirando.
E Harry o fez. Os tiros cessaram, novamente. Ainda conseguia ver os policiais no fim da rua, alguns coçavam a cabeça procurando o carro e outros ainda estavam paralisados de horror com o que tinham visto.
-Onde você está nos levando? –Becky perguntou.
-Onde vocês estão se escondendo? –Liester replicou.
-Em nenhum lugar, na verdade. –falei.
Harry tinha acabado de ficar visível.
-Posso levar vocês em um hotel onde eu estou, preciso falar com vocês. –Liester disse.
O hotel não era grande coisa, ele ficava no limite da cidade, o que era bom para esperar a escolta que a policia montou na fronteira da cidade ir embora.
-Vocês vão pegar uma chave? –Liester perguntou quando chegamos na recepção do hotel.
Nós três nos olhamos.
-É que nós não temos dinheiro, perdemos tudo enquanto fugíamos por aí.
Liester deu os ombros.
-Meu quarto tem duas camas, vocês podem se revezar para dormir.
Harry e Liester fariam o primeiro turno da vigilância na frente do quarto. Becky que conversava com alguém no lado de fora fechou a porta.
-Esse garoto é bem legal, não é? Eu estava conversando com ele agora.
Arrumava a minha mochila, quando ouvi o que ela dizia e eu disse irritada:
-Cara, você não tava com raiva de mim por causa de Josh?
-Você queria que eu ficasse com raiva sua para sempre?
-Não é isso que eu to falando. –eu disse virando para ela. –Pouco tempo atrás você disse que gostava do Josh e tudo mais, mas agora você está caindo de amores por um garoto que você nem conhece. Quando esse garoto teve chance, ele tentou nos matar e trocar por dinheiro, ou sei lá o que ele ia ganhar. Você não tá ligando né? Primeiro Amber e depois você, que macumba esse garoto faz?
***
Ouvi gritos no lado de dentro do quarto onde as garotas estavam, entrei correndo com medo do que haveria no interior. Elas não gritavam muito, sabe? Era bem pior que pensei. Becky e Katherine brigavam. Brigavam, não se batiam. Katherine estava presa no teto praguejando contra Becky que estava com a palma aberta fazendo Katherine flutuar. A primeira ria histericamente e me deu meio que um pouco de medo. Um pouco.
-Ei, o que você está fazendo ? –perguntei
-Conversando com Katherine – Becky disse dando uma pausa da sua risada do mal.
-Você pode tipo desgrudar ela do teto? É que tá me dando um pouco de medo. Tá me lembrando o exorcista –tentei convencer.
Becky fechou as palmas dando ombros. Katherine caiu do teto num baque horrível .Fiquei meio preocupado com ela mas garota logo levantou continuando a briga e partindo para cima de Becky. Vixe , a coisa ficou seria. Katherine tirou do bolso o seu lápis de rascunho, ela até brincava as vezes que um dia iria matar alguém com o isso. Segurei Katherine para que ela não fosse a primeira pessoa a matar alguém com um grafite. Ela se debateu nos meus braços tentando fugir como uma louca. Becky que não estava muito longe provocou um pouco a amiga e fez que ela ficasse mais fora de si.
-Sua cretina! Você acha que tem vantagem por ser telecinetica? Eu quero ver sem nenhum truque!
Liester abriu uma brecha da porta e espiou o quarto um pouco assustado com o barulho e quando viu a situação das duas brigando ele tentou sair de fininho.
-Ei! Espere. Você pode levar Becky para longe dessa aqui? –apontei para Katherine sem solta-la
-Claro – ele disse meio confuso. E arrastou Becky gentilmente para fora do quarto.
-Presta atenção – eu disse a Katherine, quando ela se acalmou – esse tipo de coisa que aconteceu agora não pode continuar. Se perdermos Amber, como vamos continuar a nossa vingança se vocês ficarem brigando?
-Eu sei que é errado brigar num momento desses –ela disse ressentida — mas Becky me irrita quando defende Liester, é culpa dele o que aconteceu com Amber.
Olhei para ela, que estava toda desconcertada. A sua camisa estava toda esticada e vi uma marca debaixo dela. Parecia um arranhão normal, que ela podia ter ganhado quando brigava com Becky. Katherine puxou sua camisa acima do ferimento.
-O que é isso ? –perguntei
-Isso o que? –ela se fez de boba.
Puxei a manga da blusa para que seu ombro ficasse a mostra. Havia um começo de um corte infecionado aparecendo, que quase descia para as costas.
-Harry, não conte para ninguém –ela pediu
Eu só balancei a cabeça, incrédulo. Alguns dias atrás ela tinha um corte no ombro, mas era pequeno comparado a esse, vi enquanto estávamos na cidade ensolarada e ela usava uma regata.
-Isso cresceu. Os cortes não deveriam diminuir de tamanho enquanto se curam? –repliquei.
-Prometa que não vai contar — ela insistiu.
-Kath, eu não acho uma boa ide...Para onde você está indo?
-Vou dar uma volta – ela disse pegando sua mochila – enquanto o sr fofoqueiro espalha sobre a droga da maldição para todo mundo.
-Maldição?
-Quando o corte aumenta, deve ter bruxaria no meio. O que nós não podemos fazer nada, somos paranormais não bruxos.
-E a poção para Bygron ? Isso não é bruxaria?
-Sei lá. –ela disse tentando segurar o riso. – Somos bruxos?
A porta abriu e Liester e Becky entraram apressados. O sorriso de Katherine desapareceu se mostrando preocupada com a expressão deles.
-O que aconteceu? –perguntei.
-Os policiais estão fazendo uma revista pelas casas e hotéis próximos do limite da cidade a procura de vocês. — Liester disse.
Becky terminou de juntar as mudas de roupa espalhadas e enfiou na sua mochila.
-O que você queria dizer para a gente ? –perguntei a Liester.
-Bem, — ele olhou no relógio –acho que temos tempo. Quero explicar tudo. Eu sou um dos caçadores de paranormais, não tão antigo como os outros da minha espécie .Sou de Roma e na minha época era uma honra destruir essas, sem ofensas, aberrações que nasciam com habilidades psíquicas que vocês são. Eu fui treinado a vida toda para fazer isso, como os soldados romanos eram treinados para a guerra. Mas o império caiu e os caçadores se espalharam pelo mundo, porem quase todos foram mortos através dos séculos. Passei a caçar recompensas, para passar o tempo. Então Bygron me ofereceu a tarefa de entregar a ele vocês, era muito bom voltar ao que eu fazia originalmente. Até você e sua amiga me escaparem pelas mãos e ele me substituir por uma ghoul –ele disse a palavra com nojo –simplesmente eu quero ajudar vocês a se vingarem dele. Eu quero ver quando ele cair. –Liester sorriu sozinho pensando na imagem.
Harry respirou fundo, tentando racionar.
-Então...o que fazemos agora sem poder sair da cidade? –ele perguntou
-Agora mesmo? –Becky perguntou.
-Nos escodemos em outro lugar – eu disse o obvio.
-E depois? –Harry perguntou inseguro.
-Nos misturamos até a poeira baixar – Becky concluiu.
Colocamos nossas mochilas nas costas e estávamos prontos para partir quando Liester perguntou a mim:
-Você está com o pingente do anjo?
-Han? – repliquei
Becky bateu em sua própria testa
-Katherine, por favor, não temos tempo para isso.
Harry e eu falamos ao mesmo tempo:
-Porque quer saber ?
-Ela perdeu.
Dessa vez eu bati na testa de Harry
-Porque você não pensa antes de falar?
Liester parecia profundamente irritado.
-Perdeu!? Nossa, vocês são mais estúpidos que aparentam!
-E daí que perdemos o colar? – disse fazendo-me de indiferente. Minha expressão me traiu. Droga, porque eu não podia fingir direito? –O que vai acontecer? Vamos perder a ajuda de Miguel?
-É bem pior do que isso – Liester disse fazendo todos nós nos calarmos.
Nesse momento eu soube que não tínhamos nenhuma chance contra Bygron.
-A chave do portal dos mortos era algo que vocês já tinham: o colar roubado de um anjo. O seu anjo.
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