O espaço é tão negro, vazio e solitário. Uma visão que mesmo com todos os meus anos de treinamento não consegui superar totalmente. Para a minha felicidade, essa visão foi quebrada pela primeira vez em anos de viagem.

Nesse momento estou diante de uma grande janela na ponte espacial da nossa nave, o transcosmatico, Lei Áurea. No momento não consigo conter minha emoção e continuamente bato meu pé por causa da ansiedade. Olhando meu reflexo pela janela panorâmica, arrumo meu sobretudo e meu chapéu inspirado nos antigos marinheiros; ambos feitos especialmente para essa ocasião. Dou uma olhada em meus olhos castanhos e nas olheiras que os acompanham.

De tempos em tempos deixo escapar o ar dos pulmões em forma de longos suspiros. “Por que está demorando tanto?” penso comigo mesmo.

Para tentar me distrair estralo meus dedos e depois retorno para a minha postura séria com os braços para trás.

— Capitão! Capitão Gamma! — Uma jovem voz feminina acabava de entrar na ponte. Um nome até que conhecido na minha nave.

— Sim, Elipse. ­— Respondo, a jovem.

A Elipse é uma pródiga cientista que conquistou seu lugar nessa missão. Ela veste um jaleco semelhante ao meu sobretudo, porém enquanto as minhas vestimentas tem a tonalidade azul escuro, o dela é um branco imaculado. Em suas mãos ela carrega uma maleta prateada como se fosse o objeto mais importante do mundo.

— Senhor! aqui está sua caixa preta. Conseguimos reparar o U.S.S.D, porém os dados salvos nele foram perdidos. Também adicionei uma atualização no gancho eletromagnético. ­— Ela apresenta a ferramenta enquanto a tirava da caixa. — Por favor experimente.

Peguei o objeto e o instalei em meu antebraço. A ferramenta é uma pulseira/manopla que desempenha um grande papel comunicativo nessa comissão.

Pronta para testar ali mesmo, Elipse estica seu braço exibindo sua própria caixa preta. Copio o gesto e aproximando uma da outra elas se sincronizam.

— Testando, um, dois, três. — Digo aproximando o objeto da minha boca. — Iniciar diário de bordo. — Uma luz vermelha pisca no objeto como sinal de que ele está gravando tudo.

— Wow! Que vista incrível! — comenta, Elipse.

— Você ainda não tinha visto? Quanto tempo ficou enfurnada naquele laboratório?

— Umas setenta e sete horas. Mas isso não importa, fico feliz que finalmente chegamos ao novo mundo. — Diz ela se aproximando da janela e tirando algumas das mechas de seu cabelo negro do rosto. — É tão belo.

Diante de nós está a frota inteira da comitiva. Dezenas de naves como a nossa estão em orbita de um grande e inexplorado planeta. No ponto que estamos podemos ver seu grande oceano e seus biomas. E logo atrás do planeta nasce uma jovem estrela amarela como o nosso sol. O nome desse planeta? Norvurs.

— Quais suas expectativas sobre o novo mundo capitão? — pergunta Elipse ainda contemplando a vista. Entretanto seu foco foi direcionado para uma colossal nave que se aproxima da orbita.

— Tenho grande esperança. Afinal é um planeta de alta compatibilidade com a terra. Apesar que estou sentindo um leve estranhamento.

— Pelo o que?

— Estamos esperando or…

De repente uma luz acende e um painel é ligado exibindo a imagem de um homem.

“Atenção todos. Aqui quem fala é o almirante Colombo. Estamos tentando contatar a equipe de exploração inicial, Alpha. Porém qualquer resposta deles está sofrendo interferência com exceção de código Morse a laser. Depois de uma reunião com o conselho de nossa frota, decidimos que vamos adentrar no planeta. Quero que todos preparem suas tripulações e fiquem de olho para qualquer movimentação estranha. Muito obrigado pela colaboração de todos e se tudo der certo esse vai ser NOSSO grande dia!”

Todos os membros da tripulação parecem ter ficado animados com a notícia inclusive eu.

— Finalmente. Senhoras e senhores! Todos em seus postos e prepare-se para aproximação. Não vamos querer ser os últimos a pisar em terra firme!

— Sim senhor! — Ao meu anuncio todos gritam em uma única voz. E eu vou para a minha cadeira de capitão.

Puxo meu painel de instrumentos e meu manche para controlar manualmente a nave. Meu estomago esfria e eu começo a fazer exercícios de respiração para manter a calma. Eu sou o principal responsável por pousar a nossa nave em segurança.

Conforme descemos e sentimos o peso da atmosfera, começo a sentir algo estranho. Um arrepio pelo meu corpo. A questão é que não é uma reação do meu corpo. É algo externo.

Notas finais
O objetivo era "apresentar os olhos da obra" introduzir o (no meu caso os) protagonista da obra.