A colossal nave rasga a atmosfera com o ar em sua volta entrando em combustão. Não sendo diferente a minha nave, assim como todas as outras sofrem do mesmo ao fazer a aproximação. Olhando a temperatura exterior pelo painel vejo que ela já passa dos mil e setecentos graus.

O manche treme enquanto tento manter o controle para evitar colidir com qualquer nave nesse enxame de metal.

— Capitão, estamos a apenas três quilômetros a estibordo da Mother 3. Ajuste a distância para pelo menos cinco quilômetros — Avisa Maxwell, meu copiloto.

— Copiado. — Dada a informação eu viro o manche levemente para a esquerda para ajustar o trajeto.

Em todo momento a nave continua tremendo como se fosse despedaçar, forçando todos a se segurarem em suas cadeiras. Enfrentamos a barreira do planeta e em um instante, parou. As coisas ficaram calmas como se estivéssemos no espaço. A nossa velocidade diminuiu e agora voávamos pouco abaixo das camadas de nuvens brancas daquele planeta.

Como indicado nos procedimentos aperto o botão de comunicação e confirmo que nossa aproximação atmosférica foi bem sucedida. Suspiro de alivio e a tripulação comemora com um grito de alegria. Menos a Elipse, ela ainda segura a cadeira meio assustada.

— Conseguimos. — Comemoro mais baixo, mesmo assim com um sorriso vitorioso no rosto. Olhando pela janela posso dizer que o planeta é ainda mais bonito de perto. Estamos sobrevoando uma floresta de arvores gigantes e cogumelos de mesmo tamanho.

Novamente a tela é ativada exibindo o almirante Colombo. Na imagem ele ajusta sua gravata e passa a mão em seus cabelos com vários fios grisalhos.

“Atenção todas as naves da frota, orgulhosamente informo que todos conseguiram adentar a atmosfera do planeta sem problemas. Estamos ajustando a rota para a base Alpha nos planaltos chorosos. Mudem para formação de pouso.”

Pela tela vejo ele inicia o gesto de desligar a transmissão, mas abruptamente ele para.

“Gostaria de dizer a todos vocês, membros dessa comissão. Que vocês são as pessoas mais corajosas e aptas do universo para essa missão. Lembrem-se! nós somos estrangeiros nesse mundo e tudo aqui vai estar contra nós. Independente disso vocês vieram nessa missão. Vieram para criar um novo lugar para chamar de lar. Eu como almirante, sou responsável por coordenar vocês a esse futuro brilhante. Espero que vocês estejam prontos para fazer história pois orgulho-me das damas e cavalheiros que me seguiram até aqui.”

O almirante finaliza batendo continência. Mesmo sabendo que ele não está vendo acabo copiando o gesto. Quando olho para o lado, vejo que minha tripulação também respondeu a reverencia.

Com o ajuste dos graus para as condenadas dadas pela Mother, seguirmos um voo tranquilo até que a paisagem começa a mudar. A floresta que estava abaixo de nós dá lugar para uma planície que logo mais, começa a se tornar montanhosa. No ponto mais alto surge a base alpha.

Uma grande base veio antes de nós para preparar o terreno para chegada da comissão. Não é nada demais, apenas uma base de comunicação e uma área terraplanada para o pouso da Mother. Para suportar a nave a área mínima é de quatro quilômetros quadrados. Em comparação, a nossa precisa apenas de cem metros.

Ajustando a posição noto uma coisa estranha. O céu que estava limpo até um minuto atrás, se enegreceu. Olho para os painéis procurando algo errado e noto que diversos sensores estão com as leituras todas bagunçadas.

— Capitão Gamma! ­— Grita a Elipse olhando para cima pela ponte da nave. — Temos um problema!

Passo os controles para o Maxwell e vou correndo ver o que ouve.

— Mas oque!!? — Exclamo paralisado.

Notas finais
O objetivo desse capitulo era escrever "uma lenda", uma figura secundaria de grande importância e motivo da movimentação inicial da historia.