Diário de mármore: Maravilhoso novo mundo
2 A mão direita
A colossal nave rasga a atmosfera com o ar em sua volta entrando em combustão. Não sendo diferente a minha nave, assim como todas as outras sofrem do mesmo ao fazer a aproximação. Olhando a temperatura exterior pelo painel vejo que ela já passa dos mil e setecentos graus.
O manche treme enquanto tento manter o controle para evitar colidir com qualquer nave nesse enxame de metal.
— Capitão, estamos a apenas três quilômetros a estibordo da Mother 3. Ajuste a distância para pelo menos cinco quilômetros — Avisa Maxwell, meu copiloto.
— Copiado. — Dada a informação eu viro o manche levemente para a esquerda para ajustar o trajeto.
Em todo momento a nave continua tremendo como se fosse despedaçar, forçando todos a se segurarem em suas cadeiras. Enfrentamos a barreira do planeta e em um instante, parou. As coisas ficaram calmas como se estivéssemos no espaço. A nossa velocidade diminuiu e agora voávamos pouco abaixo das camadas de nuvens brancas daquele planeta.
Como indicado nos procedimentos aperto o botão de comunicação e confirmo que nossa aproximação atmosférica foi bem sucedida. Suspiro de alivio e a tripulação comemora com um grito de alegria. Menos a Elipse, ela ainda segura a cadeira meio assustada.
— Conseguimos. — Comemoro mais baixo, mesmo assim com um sorriso vitorioso no rosto. Olhando pela janela posso dizer que o planeta é ainda mais bonito de perto. Estamos sobrevoando uma floresta de arvores gigantes e cogumelos de mesmo tamanho.
Novamente a tela é ativada exibindo o almirante Colombo. Na imagem ele ajusta sua gravata e passa a mão em seus cabelos com vários fios grisalhos.
“Atenção todas as naves da frota, orgulhosamente informo que todos conseguiram adentar a atmosfera do planeta sem problemas. Estamos ajustando a rota para a base Alpha nos planaltos chorosos. Mudem para formação de pouso.”
Pela tela vejo ele inicia o gesto de desligar a transmissão, mas abruptamente ele para.
“Gostaria de dizer a todos vocês, membros dessa comissão. Que vocês são as pessoas mais corajosas e aptas do universo para essa missão. Lembrem-se! nós somos estrangeiros nesse mundo e tudo aqui vai estar contra nós. Independente disso vocês vieram nessa missão. Vieram para criar um novo lugar para chamar de lar. Eu como almirante, sou responsável por coordenar vocês a esse futuro brilhante. Espero que vocês estejam prontos para fazer história pois orgulho-me das damas e cavalheiros que me seguiram até aqui.”
O almirante finaliza batendo continência. Mesmo sabendo que ele não está vendo acabo copiando o gesto. Quando olho para o lado, vejo que minha tripulação também respondeu a reverencia.
Com o ajuste dos graus para as condenadas dadas pela Mother, seguirmos um voo tranquilo até que a paisagem começa a mudar. A floresta que estava abaixo de nós dá lugar para uma planície que logo mais, começa a se tornar montanhosa. No ponto mais alto surge a base alpha.
Uma grande base veio antes de nós para preparar o terreno para chegada da comissão. Não é nada demais, apenas uma base de comunicação e uma área terraplanada para o pouso da Mother. Para suportar a nave a área mínima é de quatro quilômetros quadrados. Em comparação, a nossa precisa apenas de cem metros.
Ajustando a posição noto uma coisa estranha. O céu que estava limpo até um minuto atrás, se enegreceu. Olho para os painéis procurando algo errado e noto que diversos sensores estão com as leituras todas bagunçadas.
— Capitão Gamma! — Grita a Elipse olhando para cima pela ponte da nave. — Temos um problema!
Passo os controles para o Maxwell e vou correndo ver o que ouve.
— Mas oque!!? — Exclamo paralisado.
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