Notas iniciais
Vamos nos conhecer, aqui está escrito o básico que vão precisar para entender, lembrando que é uma história inversa onde o primeiro acontecimento vai estar no final, e só será sabido o que realmente acontece ou aconteceu quando as memórias voltarem.

Olá Chapeleiro! Posso te chamar assim? Odeio diário, o nome já parece que está me obrigando a escrever pelo menos alguma coisa por dia e isso se torna entediante...

Sempre amei a querida Alice no país fantástico que ela criou, e pelo que me lembro, o chapeleiro é seu melhor amigo e conselheiro (tirando o fato que também é o meu personagem preferido).

Já ia me esquecendo, se eu quero um melhor amigo acho que no mínimo ele deve me conhecer bem, okay?

Sou a típica garota adolescente com problemas de adolescentes, não sou notada por garotos, mas me considero bem bonita (sou um conjunto fofo de olhos claros puxados para o azul, mas pra mim parecem mais pra verde, cabelos longos e parece que cada mecha decidiu ter uma cor diferente apesar de nunca tê-lo pintado, magra e baixa eu tenho quase dezessete anos) eu disse que sou baixa, mas na verdade sou anã, tenho 1,48 metros de altura, as garotas também não reparam muito em mim, e fico feliz com isso, aquelas que reparam sempre se afastam e eu viro a fofoca preferida delas. Nunca entendi o porquê... Mas voltando a minha apresentação aqui, tenho um amigo bem querido, eu falei com ele que ia escrever para você Chapeleiro, e ele disse que eu posso falar dele (sem citar o nome, ele preferiu ser chamado de “garoto de cinza”, cor preferida dele e fica muito bem nele, mas depois explico mais a relação com a cor) bom, vou falar mais da personalidade dele, mas saiba que ele é muito bonito, quase tanto quanto tímido e fofo, parece que a vida dele se baseia em se desdobrar pra conseguir cuidar de mim e me deixar sempre feliz ao mesmo tempo em que estuda e trabalha, me escuta bastante, e o fato de ser tímido o torna um ótimo ouvinte, muitas vezes me pego abraçada nele chorando por algo idiota (eu morro de vergonha quando isso acontece) e se você está se perguntando, eu não sou apaixonada por ele não, e se eu fosse, ele iria saber antes de mim, como sempre. Uma característica que eu admiro é que esse garoto de cinza simplesmente não sabe o quanto me faz feliz, ele só faz.

Tão real quanto eu é o sentimento de gratidão que tenho por ser sua amiga.

Agora vou explicar o porquê dessa escolha de nome, quando perguntei isso recebi um retorno enorme sobre uma filosofia que, cinza, por estar entre o branco e o preto seria neutra, entre a guerra e a paz, uma linha entre os acontecimentos, todos eles, sejam bons ou ruins, cinza manteria certa estabilidade na vida, pois nada é total guerra nem total paz, há das duas um pouco na vida de todos, apenas pendemos mais para um lado do que pro outro de vez em quando, podemos mudar de tonalidade, mas sempre seremos cinza. Penso que ele pode ser mais louco que eu, por que eu não entendi nada mesmo, se você entende me avisa... (Agora a louca sou eu, falando com o Chapeleiro).

Eu decidi que não vou falar o meu nome também, pelo menos não o meu nome real, como te chamei de Chapeleiro hoje me apresento como Alice, é um bom nome decidi que sempre que der vontade vou muda-lo.

Não falei diretamente sobre minha personalidade, mas algumas coisas devem ter sido percebidas a essa altura, como a minha falta de sorte, por exemplo, já tinha te dito que ganhei alta do hospital a pouco, não posso dizer como parei lá, minha memória não cobre essa parte da história ainda e pelo jeito ninguém vai me dizer tão cedo...

Ser excluída não muda muita coisa em mim, adoro músicas de todos os gêneros e eu canto bem desde que ninguém esteja ouvindo, também caí na classificação de insuportável e desfocada (deve ter percebido também) prometo que assim que me lembrar de coisas mais interessantes vou te contar de imediato Chapeleiro.

Outra coisa, sou louca pela cor azul, não do tipo “essa é minha cor preferida”, estou mais para o tipo “tudo na minha vida é azul”, meu quarto desde as paredes que são de vários tons de azul até as cortinas e a roupa de cama que são ambas azuis em um tom que lembra o céu que também tem estampa de bolinhas de todos os tamanhos em adivinha que cor? A-zul!

Nas roupas eu tento maneirar mas agorinha mesmo estou usando um jeans ‘mais que velho’ azul desbotado, camisa social azul esverdeada que fiquei por dias procurando o meu tamanho (PP) afinal foi amor à primeira vista tanto na cor quanto no fato de destacar meus olhos. Também uso brincos que eram para serem pérolas falsas, mas me enjoei e pintei de turquesa.

Pensando bem, agora tenho uma teoria para as meninas fofocarem tanto de mim, é por causa do meu fascínio pela chuva! Acho que até eu acharia que alguém é louco por estar sempre debaixo da chuva não importa quantos graus faça (se essa pessoa não fosse eu e se eu fosse normal, como não sou fica por isso mesmo)... Aqui onde eu moro chove uns cinco dias por semana e eu até tenho guarda-chuva, mas nunca uso, apenas seguro ele enquanto caminho debaixo da chuva seja garoa ou tempestade, novamente pela cor. Quando chove é uma mistura perfeita de cinza e azul, eu e meu amigo bolamos até uma teoria sobre isso, sobre o destino um do outro estarem ligados, o resto não lembro, e enquanto não puder receber visitas ou telefonemas mais demorados vou ficar sem saber.

*

Notas finais
Prévia do próximo capítulo: a primeira memória esquisita volta junto com a visita do amigo, que não sabe reagir ao que lhe é dito pela amiga, por um instante o Chapeleiro é deixado de lado e damos uma olhada de fora do universo da personagem principal. Espero que gostem e comentem. Já vou avisando que os próximos 2 ou 3 capítulos serão postados em no máximo uma semana e pode haver dias que não seja postado nenhum.