Diário 2.0
35 Capítulo XXXV - Puck
Esse capítulo foi pesado, eu confesso. Eu não queria escrever coisas tão pesadas em uma época como essa, então eu fiquei remoendo e remoendo e remoendo… eu queria um pouco de esperança, sabe? Mas como fazer isso quando estamos lidando com a morte? Podem me julgar o quanto quiserem, mas eu não fico feliz com a morte de alguém. Mark errou. Um erro tão abominável que me embrulha o estômago só de dizer “erro” ao invés de falar o seu verdadeiro crime. Eu o queria na cadeia, não morto. A morte dele não me alegrou, me deixou triste na verdade. A mim não cabe julgar, que ele pague a quem tiver que pagar. Mas e quanto ao Puck? Sempre vi o Puck como um garoto perdido que queria se afastar da imagem de um pai que nunca conheceu. Puck era o garoto estúpido que cometia erros encima de erros porque era o esperado dele. Sempre achei que Puck era um personagem com mais nuances do que o mostrado no show, mas convenhamos… todos eles tinham muito mais nuances do que Ryan e cia podiam lidar. Puck era o garoto que precisava de apoio, de amor, de uma conversa dura, de direção… ele precisava saber que não estava sozinho no mundo. E quer saber? Você também não está.
Will estava parado de frente para seus antigos e atuais alunos, ele não tinha palavras. Ele só estava ali parado tentando entender como ele deveria começar a falar. Ele olhou para Quinn que estava sentada ao lado de Rachel, os olhos voltados para o chão e a mão sendo segura pela diva.
— Noah Puckerman… — Ele começou. – Noah Puckerman era um garoto perdido, como todos nós. Alguns até poderiam dizer que ele era o mais perdido de todos nós. Ele era o mais malandro dos judeus, mas estava sempre disposto a se meter em confusão para ajudar um amigo. Ele amava todas as mulheres… — Ele parou e ouviu algumas risadinhas chorosas. – Mas…
— Mamãe. – O chamado choroso veio da porta.
Will parou e se virou de supetão, Beth estava parada na frente de Shelby e Finn estava logo atrás delas. A menina se desvencilhou de Shelby e correu para frente enquanto Quinn se levantava. As duas se encontraram um pouco antes do meio da sala, a autora se abaixou ajoelhando no chão deixando a menina lhe agarrar. Shelby entrou um pouco mais lentamente na sala e Will a abraçou deixando a mulher pousar a cabeça em seu ombro. Finn ficou parado no portal, seus olhos fixos em Quinn e em Beth, ele estava se segurando para não chorar e isso era tão visível que partia o coração de qualquer um. Ele se adiantou e parou logo atrás da menina, ergueu a mão e hesitou antes de ceder e acariciar os cabelos loiros de Quinn. A mulher ergueu o rosto e eles se olharam por alguns momentos antes dela fechar os olhos. Ela se ergueu e trouxe a menina para o seu corpo voltando para onde estava sentada antes. Rachel abriu os braços e Beth se soltou de Quinn indo na direção da diva, se sentando em seu colo e escondendo o rosto em seu pescoço. Rachel a beijou nos cabelos a envolvendo em seus braços o mais firme que conseguiu, sentiu Quinn se sentar ao seu lado e a mão da loira repousar sobre sua mão que segurava Beth. Finn limpou o rosto e fez um gesto de mão para os rapazes.
— Beth. – Ele se aproximou do meio da sala. – Eu amava o seu pai, ele foi o meu melhor amigo desde o dia em que eu tenho lembranças. Eu amava o fato de que ele poderia fazer um clássico do rock e em seguida cantar Taylor Swift sem pestanejar. Eu… eu amava o fato de que eu podia me comunicar com ele apenas com o olhar. E eu o odiei quando descobri que ele era o seu pai.
A menina afastou o rosto do pescoço de Rachel e olhou para ele.
— Eu já amava você e mesmo sabendo de todas as dificuldades… eu queria você. – Ele limpou as mãos suadas nos jeans. – Mas teve um dia, um dia que ele fez algo que me fez entender que ele seria um pai melhor para você do que eu.
Os rapazes se arrumaram ao redor dele, Mike apoiou a mão no ombro de Finn. Blaine começou a tocar o piano e Quinn sentiu o choro sair com mais força, precisou olhar para o lado.
— Beth, I hear you callin'. – Ele cantou e seus olhos não desviaram dos olhos da menina no colo de Rachel. — But I can't come home right now me and the boys are playin' – Ele se aproximou e agachou na frente da menina. — And we just can't find the sound just a few more hours and I'll be right home to you…
Ele ergueu a mão e acariciou o rosto dela, ele tentou dar um sorriso, mas o choro ficou forte. Ele mal conseguiu terminar a música, mesmo com a ajuda dos rapazes que supriram quando a voz dele falhou. E quando a música acabou eles ficaram em silencio por um tempo até que ele conseguisse falar outra vez.
— Ele pediu a sua mãe para estar no seu nascimento, mesmo sabendo que eles não poderiam ficar com você. — Ele falou com a voz embargada. – Ele queria te segurar e conhecer você. Foi o que ele fez e eu nunca o vi segurar algo com tanto cuidado quanto quando eu o vi segurar você.
Beth voltou a apoiar a cabeça no ombro de Rachel, o choro silencioso enquanto ela apertava o braço da madrasta. Finn tocou os cabelos da menina antes de se levantar e sair da sala o mais rápido que pode.
*Diário*
Rachel entrou no campo, passos pequenos e incertos. Finn estava parado perto do cesto de bolas, segurando uma entre as mãos grandes.
— Você se lembra quando terminamos depois que você foi para New York? – Ele estava olhando firmemente para o gol.
— Quando você sumiu por meses e depois apareceu como se nada tivesse acontecido? – Rachel parou há alguns passos dele. – Depois de ter me enfiado em um trem sem nenhuma explicação plausível?
— Não foi o meu melhor momento, mas eu estava falando de quando te encontrei em um dos palcos de NYADA. – Ele abaixou os olhos para a bola que segurava. – Você disse que eu era o seu primeiro amor e que você queria mais do que tudo que eu também fosse o último.
— E então eu te disse que eu não queria mais estar com você. – Rachel cruzou os braços. – E você me disse que não tinha mais nada, não tinha mais a sua garota, o seu trabalho e não tinha mais um lugar no mundo.
Ele virou o rosto para encara-la, Rachel mastigou a língua por um momento.
— Foi injusto você ter me dito aquilo. – Ela engoliu e o encarou. – Eu não tinha que arcar com as suas expectativas, Finn. Eu não tinha que ter sido alvo da sua chantagem naquele momento e em nenhum outro, eu espero que você tenha entendido que a única pessoa que é realmente responsável pelas suas expectativas e felicidade é você mesmo.
Ele olhou para o gol outra vez, apertando a bola entre as mãos.
— Quando você desistiu de nós dois? – Ele perguntou com a voz um pouco mais rouca.
— Quando cansei de estar em uma relação que não progride, que só me faz ficar andando em círculos o tempo inteiro. – Rachel fechou os olhos e tomou uma respiração mais profunda. – Quando percebi que eu nunca iria atender a todas as suas expectativas porque você coloca toda a sua frustração em mim. Quando cansei de ver você se fazer de pobre garoto inocente e injustiçado. – Ela sentiu que queria chorar e olhou para baixo. – Eu só queria saber como você estava se sentindo no meio de tudo isso, não vim aqui para discutirmos uma relação que já acabou.
— Meu melhor amigo está morto. – Ele fungou. – A mulher que eu amo resolveu que não quer mais estar comigo. Virei piada entre os meus amigos de time. Estou ótimo, Rachel.
— Está vendo, é disso que eu estou falando. – Rachel negou com a cabeça. – Todos nós estamos sofrendo, Finn. Beth perdeu o pai, ela é uma criança que está sofrendo sem entender nada disso. Nesse momento? Você não é o principal, ela é.
— Ver você segura-la. – Finn negou com a cabeça. – Eu… eu não entendo. Como você pode?
— Como eu pude o que? – Rachel franziu as sobrancelhas.
— Perdoar Quinn, estar nesse… nesse…
— Relacionamento. – Rachel inclinou a cabeça. – Eu estou em um relacionamento com Quinn, um relacionamento sadio em que eu tenho apoio e liberdade para tomar minhas decisões. Não temos mais 16 anos, não somos mais os perdedores que queriam ser eles mesmos, que queriam ser felizes. Eu trabalhei muito, Finn, para ser a mulher que sou hoje. Quinn trabalhou muito para se tornar a pessoa que ela é hoje e não foi fácil nem para ela e nem para mim. Eu perdoei Quinn muito antes de estar em um relacionamento com ela, eu perdoei Quinn quando ainda andávamos por esses corredores. Você é que nunca conseguiu perdoa-la totalmente.
— Gente… — Tina estava parada um pouco mais atrás, estava desconcertada de interromper a discussão entre os dois. – Schue está chamando.
Rachel concordou com a cabeça antes de olhar para Finn mais uma vez e sair com a amiga. Ele apertou a bola de futebol entre as mãos uma vez mais.
As duas atravessaram a escola em silencio, Rachel ainda remoendo a pequena briga entre os dois. A sala do coral estava mais cheia do que ela esperara, alguns dos novos alunos haviam aparecido para dar algum apoio, por mais deslocados que estivessem. Ela viu Benjamin sentado perto de Quinn que tinha Beth em seu colo e falava em voz baixa com Shelby. Se aproximou de Schuster que estava mexendo no projetor.
— Puck… — Ele parou e lambeu os lábios. – Puck me pediu para guardar um vídeo para ele.
— Vídeo?
— Ele queria ter algo gravado para Beth caso não voltasse. – Ela podia ver a força que o professor estava fazendo para se manter composto.
Rachel segurou o braço do homem dando um aperto suave, viu Beiste e Sue entrarem na sala. Will olhou para cima respirando fundo para se acalmar quando Finn finalmente entrou.
— Quando… — Ele começou e a sala ficou em silencio, se virou para encarar os presentes. – Quando Puck me disse pela primeira vez que iria embarcar eu senti medo. Puck era o mais perdido dos meus alunos, ele era… — Olhou para Beth que parecia ainda menor nos braços de Quinn, viu Shelby passar o braço pelos ombros da loira a puxando para um abraço necessário. – Ele tinha medo de se tornar o pai dele e o máximo que eu podia fazer além de conversar com ele era torcer para que ele entendesse que ele tinha outras opções. Então quando ele sentou comigo e disse que estava para embarcar eu perguntei o porque e a resposta dele era que o motivo era que ele queria que Beth se orgulhasse dele. Ele queria que ela pudesse dizer ao mundo que o pai dela era um herói, queria um mundo mais seguro para que ela pudesse crescer… eu admirei o Puck naquele momento, eu o amei ainda mais. Eu vi que o menino malandro havia crescido para se tornar um bom homem e um pai ainda melhor, então ele me fez um pedido que eu implorei para nunca ter que cumprir. Ele me pediu para que eu guardasse um vídeo para Beth, em caso dele não voltar. – O professor olhou para baixo e respirou fundo. – É o que eu tenho aqui, mas a decisão de assistir isso é sua Beth, se você quiser ver em outro momento e sozinha nós vamos entender.
A menina ergueu a cabeça do ombro da mãe, olhou para Shelby que acariciou seu rosto e em seguida para Quinn.
— Eu quero ver agora, por favor. – Ela respondeu olhando para o professor.
Will concordou com a cabeça e se virou para o projetor. A tela demorou para entrar em foco, Puck estava sorrindo. Rachel se aproximou de Schuster passando seu braço pelo dele e apoiando a cabeça no ombro do professor.
— Hey pequena punk. – Ele sorriu para a câmera. – Acho que as coisas não saíram como eu esperava, então antes de mais nada… perdoa o papai? Nunca foi minha intenção que você visse esse vídeo, mas eu queria que você soubesse de algumas coisas. Não sei qual idade você tem agora, mas… Beth… eu preciso que você faça algumas coisas para mim, certo? A primeira delas é ame intensamente. Não tenha medo de amar, seja quem for, meninas ou meninos apenas ame. E eu espero que por isso em algum momento quando seu coração for partido, você sinta essa dor e aprenda com ela. Eu não quero que você ache que precisa ser a melhor em tudo, ok? Ser mediano as vezes não é algo ruim, mas se tiver algo que você ame fazer, algo que te instigue e que te faça se sentir bem… então sim, faça o melhor que puder sempre. Não deixe que te empurrem para coisa que você não quer fazer, tudo bem se afastar de pessoas assim. Seja senhora de si mesma, não dependa de ninguém e tudo bem se você tomar algumas decisões erradas pelo caminho, não é o fim do mundo. Aprenda com os seus erros e com os erros dos outros e Beth… tudo bem se você não for feliz o tempo inteiro, mas seja livre minha filha. Não se prenda a vontade de qualquer um que não seja a sua, ser um pouco egoísta não é pecado, mas também saiba ceder há quem vale a pena. – Ele parou e olhou para baixo com um pequeno sorriso. – Eu tinha mais tanta coisa para te dizer e eu só posso pedir que eu tenha tempo para isso, mas eu quero que você saiba de uma coisa e nunca duvide disso: Eu amo você e eu vou te amar até o meu último suspiro. Quinn e Shelby se vocês estão com ela, e eu espero que sim… eu quero agradecer por vocês duas terem me dado a melhor parte de mim, a pessoa que mudou a minha vida e o amor mais forte do que eu um dia pensei que sentiria.
O vídeo se encerrou com um sorridente Puck acenando. Beth enfiou o rosto no pescoço de Quinn, o rosto vermelho pelo choro. Estava doendo tanto.
*Diário*
Sentada naquele banco de madeira, ela não sabia quanto tempo tinha que não pisava dentro de uma igreja. Seus olhos presos no altar onde a cruz se erguia. Agora o castigo que deveria ser dela atingiu sua filha? Era isso? Ela queria poder xingar. Queria poder gritar o quanto aquilo estava lhe doendo. Queria poder bater em algo. Olhou para suas mãos repousadas em seu colo e sentiu alguém se sentar ao lado dela, o cheiro que invadia sua infância se fez presente. Russell não falou nada, apenas ficou em silencio olhando para a cruz.
— Minha mãe? – Ela perguntou com a voz rouca.
— Me ligou avisando. – Ele respondeu em voz baixa. – Eu achei que você fosse precisar de algum apoio.
— Apoio? – Quinn soltou uma risada baixa, a vontade de chorar acumulando em seu rosto. – E você sabia que eu estaria aqui?
— Eu imaginei que estivesse com raiva. – Ele olhou para os próprios dedos entrelaçados. – Com raiva de Deus.
— E você pode apostar que eu estou. – Ela o encarou com raiva, assim como as palavras saíram irritadas. – Estou furiosa com Deus.
Russell a olhou e concordou com a cabeça, ele estava tão calmo.
— Ele não tinha o direito de tirar o pai da minha filha. – Ela continuou. – Não tinha. Ele não tinha o direito de fazer a minha filha sofrer. Ela é só uma criança que ama o pai e o queria em casa. Qual foi o pecado que a minha filha cometeu para ser castigada assim?
— Nenhum. – Ele negou com a cabeça. – Pelo que eu sei sobre Beth, ela é uma criança maravilhosa, como você era.
— Então ela está pagando pelos meus erros?
— O pecado é individual, Quinn. – Ele respondeu baixinho. – Deus não castiga ninguém pelos erros dos outros. Ele partiu porque era a hora dele ir, cumpriu o destino a qual havia sido escolhido.
— E agora minha filha vai se sentir sozinha.
— Sozinha? – Ele inclinou a cabeça. – Não, sozinha nunca. Beth tem tantas pessoas que a amam e querem estar com ela. Você, a mãe adotiva, Judy, Rachel, Schuster, seus amigos do coral… e se você permitir, seus irmãos e eu também queremos estar lá para ela e por você.
Quinn o encarou.
— Não podemos proteger os filhos de todas as dores e riscos do mundo, Quinn, por mais que queiramos… o mundo os pega para eles. – Ele queria tanto tocar a filha do meio. – Eu sei que agora você quer proteger Beth de todo e qualquer mal, mas não pode. Eu sei que o seu instinto é pega-la no colo e nunca mais solta-la, mas você não pode. Você só pode estar lá Quinn, e rezar para que seja o suficiente, você só pode segurar a sua criança apenas por um momento porque não pode prende-la para sempre.
Quinn sentiu as lágrimas escorrerem pelo seu rosto e olhou outra vez para as mãos em seu colo.
— Quando você tinha três anos… — Ele falou em voz tão baixa que ela fechou os olhos para se concentrar em ouvi-lo. – Você não queria dormir na hora certa, era uma briga todo dia, você só dormia depois que eu chegava e brigava com você. Um dia eu perdi a paciência e perguntei o porque de você não dormir e você me respondeu com a sua sabedoria de três anos “papai, se eu dormir agora eu nunca vou te ver”. Aquilo me quebrou e eu percebi que quando eu saia você estava dormindo e quando eu voltava você estava dormindo. Eu te peguei no colo e te coloquei na cama, cantei para você dormir naquela noite e sempre que eu podia eu cantava para você dormir.
Quinn ainda estava de olhos fechados, segurando suas mãos uma nas outras com força.
— There is a young cowboy he lives on a range his horse and his cattle… — Ele cantou em voz baixa e ouviu a filha ofegar ao seu lado. — Are his only companions he works in the saddle and he sleeps in the canyons waiting for summer his pastures to change… era a sua favorita.
Quinn o encarou sem conseguir esconder o choro.
— Eu queria poder te segurar Quinn, e nunca mais te soltar. – Ele confessou.
Ela se jogou contra o pai enfiando o rosto contra o peito dele que lhe cercou com os braços.
— Oh Quinn… eu sinto tanto… — Ele sussurrou sentindo os próprios olhos queimarem pelo choro contido. – Eu fui um péssimo pai e eu sei disso, mas eu quero tentar mudar isso. Eu te amo tanto.
Quinn se agarrou a ele sem conseguir parar de chorar, em sua mente uma lembrança.
Puck soltou o violão no chão e reprimiu o grito frustrado, Beth não parava de chorar. Quinn estava deitada com a menina que chamava pela mãe. Shelby havia concordado em deixa-los tomarem conta da criança enquanto ela ia a uma reunião de pais e mestres. Quinn suspirou esfregando o rosto sentindo a mesma frustração que ele, já haviam cantado todas as músicas de ninar existentes. Sua filha lhe odiava, ela sabia disso. Passou as mãos pelos cabelos loiros da menina e antes que soubesse o que estava fazendo…
— There is a young cowboy he lives on a range his horse and his cattle… — Ela cantou em voz baixa. — Are his only companions he works in the saddle and he sleeps in the canyons waiting for summer his pastures to change…
Puck a olhou com as sobrancelhas franzidas, mas Beth estava diminuindo o choro então ele começou a dedilhar o violão. Então Beth parou de chorar e deitou a cabeça na barriga de Quinn que continuou a cantar em voz baixa, deslizando os dedos pelos cabelos da menina até que ela dormiu.
— James Taylor? – Puck perguntou surpreso. – De onde você tirou James Taylor?
— Eu não sei. – Quinn ajeitou a menina na cama a cobrindo. – Apenas saiu.
— Você é cheia de surpresas, não é Fabray?
*Diário*
Rachel abriu a porta e encontrou um Benjamin parado.
— Benjamin? – Ela franziu as sobrancelhas.
— Oi, desculpa por aparecer assim, mas… — Ele parou com as mãos enfiadas nos bolsos do casaco. – Eu não conseguia parar de pensar nela.
Rachel suspirou e o deixou entrar, conduziu o rapaz escadas acima. Shelby estava na cozinha tentando improvisar algo para um lanche tardio, Beth estava se recusando a comer. Ela olhou para o rapaz que estava tímido.
— Benjamin Fabray essa é Shelby Corcoran. – Rachel apresentou os dois, viu o olhar surpreso nos olhos da mais velha.
— É, Quinn só soube recentemente. – Ele encolheu os ombros. – Eu… eu não quero ultrapassar nenhuma linha, mas eu não conseguia não pensar em Beth. Minha mãe morreu há alguns meses e eu meio que entendo o que ela está sentindo… — Ele começou a balbuciar rapidamente arrancando um pequeno sorriso de Shelby. – Eu só quero tentar ajudar.
— Obrigada Benjamin, é muito gentil da sua parte. – A mais velha sorriu para ele. – Beth está no quarto se Rachel puder te levar até lá.
— É claro. – Rachel apertou o braço do rapaz antes de leva-lo pelo pequeno corredor.
A morena bateu na porta e a abriu um pouco.
— Hey, tem alguém aqui para ver você. – Ela sorriu para a menina que estava sentada no chão apoiada na cama.
Benjamin entrou no quarto e ele e a menina se entreolharam.
— Eu vou fazer um chocolate quente para vocês. – A Berry saiu do quarto.
— Hey… — Benjamin engoliu em seco. – Eu me chamo Benjamin. Eu… eu sou irmão da sua mãe, de Quinn. – Ele viu a confusão no rosto da menina. – É… eu sei… estranho.
— Minha mãe não tem um irmão.
— É, eu não sou filho da sua avó. – Ele se sentou no chão, um pouco afastado dela. – Sou filho do seu avô Russell com outra mulher. Eu só conheci Quinn recentemente.
Beth voltou a olhar para as próprias mãos.
— Eu vim morar com meu pai depois que minha mãe morreu. – Ele falou em voz baixa a vendo parar de rasgar o papel que segurava. – Minha mãe tinha câncer e um dia ela tomou muitos remédios…
A menina olhou para ele. – Eu sinto muito.
— Obrigado, eu também sinto muito pelo seu pai. – Ele concordou com a cabeça. – Eu ouvi muitas coisas legais sobre ele hoje. Queria ter podido conhece-lo.
Beth fungou voltando a olhar para o papel.
— Sabe Beth, a verdade é que eu não consegui não vir aqui hoje. – Ele se inclinou um pouco na direção dela. – Eu estava em casa e só conseguia lembrar de como ainda dói não ter a minha mãe aqui. E que eu sabia o quanto eu queria ficar sozinho quando eu a perdi, mas recentemente me mostraram que eu não preciso enfrentar essa dor sozinho. Então eu pensei “bem, ela também não precisa estar sozinha”. Então eu meio que comprei um pacote de alcaçuz e carreguei meu celular e pensei que nós não precisávamos conversar se você não quer… podemos ficar só aqui ouvindo música e comendo doce. Juntos.
— Eu não conheço você. – A menina respondeu.
— Eu sei, mas eu conheço a sua dor. – Ele inclinou a cabeça. – Então porque não poderia conhecer você? Esse é o ponto, encontrar outras pessoas em suas dores e sairmos mais fortes. Então… que tal se eu te ajudar e você me ajudar?
Ela hesitou por um momento antes de concordar com a cabeça, então e ele se aproximou da menina estendendo o pacote de balas para ela.
— Tem musical? – Ela perguntou enquanto ele se ajeitava ao lado dela.
Benjamin soltou uma risada baixa.
— Tem. Tem um musical que me ajudou muito, mas mesmo que não tivesse… — Ele ofereceu o fone para ela e quando os olhos verdes dela encontraram os verdes dele, ele disse com carinho. – Eu encontraria um para você, Beth.
Ela colocou o fone e ele deu play na exata música que queria, ela ofereceu o pacote de bala e ele pegou uma.
Even when the dark comes crashing through… when you need a friend to carry you… and when you’re broken on the ground… you will be found
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