Diário 2.0

36 Capítulo XXXVI - Brothers in arms


Quando eu comecei esse capítulo eu sabia que eu queria fazer diferente do que eu fiz em MD e principalmente eu queria que Santana fosse a pedra basilar de Quinn. Eu fui dormir pensando em como eu deveria usar Santana… então eu acordei e eu tinha mensagens no meu celular me perguntando qual era o problema do elenco de Glee. E eu não acreditei quando eu li, eu só conseguia pensar que ela não poderia ter feito aquilo na frente do filho. Eu admito foi o meu primeiro pensamento e depois eu pensei que ela de fato não teria feito isso na frente do menino, algo tinha que ter acontecido. Eu já disse incontáveis vezes que Naya não era a minha pessoa favorita no elenco, também já disse que eu não gosto de Santana Lopes, inclusive disse isso alguns capítulos para trás. Mas doeu, confesso que doeu e eu chorei. Eu me lembrei do porque eu comecei a ver Glee, era 2009, eu estava me formando no ensino médio, estava apaixonada pela minha melhor amiga e eu queria desesperadamente não estar. Então um dia a tarde eu vi na primeira página do site que eu costumava baixar séries uma loira e uma morena em um poster com o nome Glee e eu fiquei, meu deus elas são lindas. E naquele momento em diante Glee se tornou meu refúgio, mais até do que One tree hill. Eu me sentia acolhida por um bando de perdedores que estavam tentando encontrar o próprio lugar no mundo. A série me trouxe tantas coisas que eu não posso nem dizer, então eu chorei, eu senti raiva e eu ainda estou com o coração partido.

— Conversa comigo. – A voz de Santana fez Quinn endireitar os ombros.

— Eu não tenho nada para falar. – Quinn respondeu automaticamente, encarou a cerca branca.

— Nada? – Ela podia ouvir um pouco da descrença. – Você não tem falado muito hoje.

— Não tenho muito a dizer.

— Conversa comigo.

Quinn se virou para olhar a latina. Suas mãos se fechando em punhos enquanto encarava sua melhor amiga. A respiração saindo com mais força e sua mandíbula se ajustando enquanto Santana continuava a lhe encarar, uma expressão plana. A latina deu um passo em sua direção e Quinn retesou, então ela deu outro e outro e outro… quando Santana estava ao comprimento de um braço dela, Quinn a empurrou para trás com força.

— Não. – Sua voz saiu baixa. – Não chega perto.

Santana parou por um momento vendo Quinn começar a tremer, então ela deu um passo para frente e outro e outro. Quinn a empurrou para trás de novo a fazendo recuar.

— Conversa comigo.

— Não, pare.

— Conversa comigo. – Santana deu um passo para frente e outro e outro e outro. Quinn a empurrou para trás

— E o que você quer que eu diga? – Suas mãos em punhos.

— O que está sentindo. – Santana ficou parada.

— Eu estou furiosa com ele. – Sua voz saiu abafada pelos dentes apertados antes dela sair mais alta. – Eu estou furiosa com Puck, é o que quer me ouvir dizer?

— É o que está sentindo?

— Eu confiei nele. – Quinn respirava com força, sua voz já não estava abafada, se ela estivesse prestando atenção teria visto os amigos olharem para as duas. – Eu confiei nele, naquela noite, quando ele me disse “confie em mim”. Nove meses depois eu tive que dar a minha filha.

Santana não respondeu, permaneceu em silencio a olhando.

— Eu confiei nele quando ele me disse que estaria sempre com Beth. – Ela gritou, seu peito descendo e subindo com força. – E então ele se enfiou numa maldita guerra.

Santana sentiu o queixo tremer.

— Eu confiei nele quando ele me disse… — Ela parou tentando respirar, viu Santana dar um passo em sua direção. – Não chega perto.

Santana deu um passo e outro e outro e outro. Quinn a empurrou com força, mas a latina a agarrou pelo braço, elas lutaram. A loira tentando se desvencilhar a qualquer custo enquanto a latina lutava pelo domínio. Tapas. Chutes. Gritos. E elas foram para o chão onde Santana conseguiu dominar Quinn até a loira parar de lutar e apoiar a cabeça no chão.

— Eu estou furiosa com ele, porque ele me fez acreditar em todas as promessas que fez. – Sussurrou sentindo os olhos queimarem com as lágrimas que saíam. – E não me cumpriu nenhuma.

Santana respirou fundo apoiando a bochecha contra os cabelos loiros da amiga e a apertou em seus braços o mais forte que conseguiu, sentiu o sangue pingar pelo seu nariz.

— Sua puta, vai me pagar o cirurgião plástico. – Santana resmungou e Quinn soltou uma risada abafada. – Pode começar a coçar o bolso.

Quinn se virou para olhar o nariz da latina.

— Não está quebrado. – Murmurou. – Mas é melhor estancar o sangue.

Brittany escolheu aquele momento para se aproximar com uma pequena compressa gelada. Rachel por outro lado estava com os braços cruzados olhando para as três no limite da varanda, sentia Mike e Sam parados perto dela prontos para intervir caso necessário.

Puck seria enterrado no dia seguinte e Schuster estava tentando manter todos juntos naquele momento. Para a surpresa de Rachel, Andrea havia chegado naquela manhã e Quinn havia ido busca-la no aeroporto, naquele momento a arquiteta estava ocupada em distrair Beth com uma grande maquete que havia trago. Quinn levantou a cabeça e olhou diretamente na direção da professora, se virou para as duas amigas murmurando algo que foi respondido com Santana lhe dando o dedo.

A autora se levantou andando na direção de Rachel. O rosto inchado e os olhos vermelhos assim como o nariz, a autora parou alguns passos antes de chegar a namorada que suspirou e descruzou os braços para que Quinn chegasse até ela. Se aproveitando da igualdade de altura já que Rachel estava em pé em um degrau, Quinn deixou seu rosto se esconder no pescoço da judia.

— Está se sentindo melhor agora que Santana te arrancou da sua zona do silencio? – Rachel perguntou a apertando contra seu corpo. – Eu preciso dizer que eu odeio quando você entra nessa zona e principalmente quando você tenta resolver seus sentimentos com os punhos.

— Eu sei. – Quinn resmungou em um tom abafado. – Beth viu?

— Está lá dentro com Andrea e Daniel. – Passou seus braços por dentro do casaco de Quinn, tocando o tecido do vestido.

— Você está zangada comigo?

— Estou preocupada. – Rachel a beijou no ombro. – Venha, me deixa colocar gelo nesse olho.

Rachel a puxou para dentro da cozinha a colocando sentada na ilha, Quinn abaixou os olhos para a pedra de mármore evitando o olhar de Emma e William. Emma estendeu o pacote de ervilhas congeladas para Rachel que deu um pequeno sorriso de agradecimento.

— O nariz de Santana parou de sangrar? – Quinn perguntou com uma careta.

Rachel olhou pelas janelas. – Brittany está tentando estancar.

— Está tudo bem? – A voz de Beth assustou os quatro adultos e uma Quinn culpada imediatamente se virou para a filha.

— Está meu amor, apenas… eu… — Quinn lambeu os lábios. – Eu…

— Estava conversando com sua tia Santana. – Andrea arqueou as sobrancelhas antes de tocar os ombros de Beth. – Você sabe, daquele jeito que você sabe que não deve conversar com as meninas do colégio.

Beth olhou para Quinn antes de Will se intrometer.

— Precisa de algo, Beth? – Ele deu um pequeno sorriso para a menina.

— Daniel está tentando ligar o videogame, mas os cabos não estão funcionando. – Ela respondeu educadamente. – O senhor pode ajudar?

— Mas é claro que eu posso. – Ele sorriu e se aproximou passando a mão suavemente pelo ombro de Quinn. – Eu sou mestre em ligar cabos, sabia?

Os dois saíram pelo corredor e Andrea se virou para olhar Quinn com as sobrancelhas ainda arqueadas.

— Eu tenho quase certeza que Mark já te disse inúmeras vezes que palavras são melhores que os punhos. – A arquiteta se aproximou.

Quinn soltou um gemido levando o pacote de ervilhas congeladas ao rosto e apoiando a testa no tampo da ilha.

— Ela ouviu alguma coisa?

— Não. – Andrea parou ao lado dela, evitando olhar para Rachel. – Estava distraída com Daniel e a maquete, mas eles cansaram.

— Obrigada… — Quinn a olhou. – Por vir.

— Eu amo Beth. – Andrea encolheu os ombros.

— Vocês querem beber? – Emma perguntou olhando para Rachel. – Vinho? Cerveja? Chá?

— Vinho seria bom. – Andrea deu um pequeno sorriso.

— Cerveja. – Quinn voltou a apoiar a testa no tampo da ilha.

— Chá? – Emma olhou para Rachel assim que a chaleira apitou. – Ou vinho?

— Chá. – A atriz suspirou já se adiantando familiarizada com tudo.

— Comprei aquele que tinha acabado, faça esse. – Emma deslizou a cerveja para perto de Quinn e se virou para pegar o vinho. – Você falou com o rabino?

— Falei, mas Cindy ainda é categórica que não quer ver Beth nos rituais. – Rachel suspirou preparando o bule de chá. – Argumentei com o rabino, garanti que estarei o tempo inteiro com Beth caso ela precise. Papai está chegando então também pode ajudar, ele parecia inclinado em passar por cima dela e autorizar.

— É simplesmente absurdo ela não querer a menina perto na despedida do próprio pai. – Emma estendeu a taça de vinho para Andréa, ouviu o grunhido de Quinn. – Levante a cabeça.

Brittany escoltou Santana para dentro e Emma olhou para as duas.

— Precisa da maleta de primeiros socorros?

— Não, já parou. – Brittany sorriu para ela antes de empurrar Santana para o banco ao lado de Quinn. – Só vai ficar dolorido por uns dias.

— Maldito soco de direita. – Santana resmungou.

— De nada. – Quinn resmungou de volta. – Vaca.

— Puta.

— Parem. – Rachel falou sem se virar. – Estou falando sério.

As duas mulheres encararam o tampo da ilha sem dizer mais nenhuma palavra.

— Ok, isso teria sido muito útil nos últimos seis anos. – Andrea arqueou as sobrancelhas enquanto Brittany aceitava a cerveja que Emma lhe entregava.

— Quando você começa a trabalhar com adolescentes, aprende a usar voz de comando. – Rachel passou o chá para a mulher ruiva antes de se virar para olhar Andrea. – É útil quando duas mulheres adultas resolvem se comportar como adolescentes.

— Não se vanglorie muito, Berry. – Santana estreitou os olhos. – Eu sempre posso levar Q para o chão e dar uma surra na bunda branca dela.

Quinn zombou, mas parou quando seu olhar encontrou com o de Rachel. A diva tomou um gole do chá de gengibre enquanto Brittany soltava uma risada baixa.

— Eu ainda não vi sua mãe. – Andrea olhou para Quinn.

— Está vindo de Los Angeles com Frannie. – Respondeu se concentrando na garrafa de cerveja. – Meu pai já deve estar a caminho do aeroporto para busca-las.

— Desculpe, o que? – Franziu as sobrancelhas sem acreditar no que tinha ouvido.

— É… — Quinn suspirou brincando com a garrafa. – Algumas coisas… mudaram.

— Basicamente Russell passou a ter um pouco de juízo. – Santana roubou a cerveja da esposa para tomar um gole. – É quase como se ele tivesse se tornado outra pessoa.

— Mais ou menos isso. – Quinn concordou com a cabeça ainda encarando a garrafa. – Ainda estou tentando me decidir sobre como estou me sentindo a respeito de tudo isso.

— E não se esqueça do seu irmãozinho mais novo de 17 anos. – Santana tomou outro gole da cerveja.

— É tem isso também. – Quinn franziu as sobrancelhas antes de olhar para Rachel. – Shelby me disse que ele foi ver Beth ontem.

— Ele foi. – Rachel apoiou a caneca no balcão ao qual estava apoiada. – Ele sabe o que ela está sentindo, Quinn. Achei que não faria mal, eu já te disse… ele é um bom garoto.

Quinn franziu as sobrancelhas e voltou a encarar a garrafa antes de suspirar e olhar para a namorada outra vez.

— Acho que se vamos fazer isso… então não tem mal algum. – Encolheu os ombros e viu o pequeno sorriso na boca da judia.

— Hey… — Mercedes apareceu na porta. – Venham aqui fora.

Andrea hesitou antes de Rachel lhe sorrir e a chamar com um movimento de cabeça, as antigas cheerios já haviam saído da cozinha.

—… don’t look back… — O grupo cantava em coro.

Rachel entrou deixando sua voz sobressair por um instante antes de sorrir para Tina. Quinn enfiou as mãos nos bolsos do casaco olhando para o grupo cantando em harmonia, como se nunca tivessem se afastado. Andrea estava parada ao seu lado

— Rachel! – Blaine olhou para a morena. – Precisamos de um pouco de Rachel Berry.

Rachel deu um pequeno sorriso antes de olhar para Sam que segurava o violão de Schuster.

— Yesterday… — Ela começou e quase imediatamente Sam começou a dedilhar o violão. — All my troubles seemed so far away… now it looks as though they're here to stay… — Ela lambeu os lábios. — Oh, I believe in yesterday…

Quinn olhou na direção da morena, seus amigos tinham pequeno sorrisos no rosto e ela quase jurou ouvir Andrea suspirar. Rachel continuou a musica do jeito mais honesto e vulnerável que pode até sustentar a última nota.

— Eu decididamente senti falta de te ouvir cantar. – Mike sorriu para ela, a noiva grávida estava sentada ao seu lado e tinha um olhar espantado.

— Espera, vocês ouviam isso todos os dias? – Ela olhou para ele. – Era praticamente um ingresso para Broadway todo dia?

— É, mas as vezes eu queria apenas enfiar uma meia suada do Azimio na boca da Berry. – Santana revirou os olhos puxando Brittany para o seu colo.

— Nojenta. – Rachel olhou para a latinha estreitando os olhos. – Sinceramente Santana…

— Sem discursos, Berry. – Santana escondeu o sorriso.

— Tudo bem. – A noiva de Mike ergueu as mãos. – Mas então vocês realmente cantavam, toda semana?

— Não o Mike. – Sam implicou dando um pequeno chute na perna do Chang. – Mas por outro lado ele e Brittany praticamente criavam nossas coreografias quase todas.

— A musica servia como nossa válvula de escape. – Mike encolheu os ombros, olhou para Brittany. – Não importava se era cantando ou dançando.

— E eu nunca tive um parceiro de dança melhor. – Brittany sorriu para ele.

— Hey… — Santana franziu as sobrancelhas arrancando risadas baixas enquanto Brittany se inclinava para dar um pequeno beijo na esposa.

— Chegou o momento em que mesmo que não precisássemos estar no glee, nós estávamos juntos. – Kurt olhou para Sam. – Era o nosso lugar seguro, mesmo que Santana conseguisse transformar o lugar num inferno algumas vezes.

— De nada. – Santana respondeu com um sorriso.

— Uma vez você me disse que era o único lugar em que você conseguia se sentir mais como você. – Andrea olhou para Quinn.

— E era. – Quinn lambeu os lábios, olhando para o chão. – Era mais fácil ignorar todo o resto, mesmo com nossas briguinhas sobre namorados, solos e todo resto. Também era mais fácil estarmos juntos para as grandes brigas. Kurt disse que era o nosso lugar seguro e era de fato, era onde poderíamos ser nós mesmos e mesmo com todo o drama ainda estaríamos lá um pelo outro.

— Ah claro, a loira ao lado de Quinn é a ex-noiva que vocês não conheceram porque Q estava tentando esconder a Berry dela. – Santana tomou um gole da garrafa de cerveja.

— Sério? – Quinn olhou para a latina com um pouco de irritação mais séria do que a brincadeira que tinham interpretado antes. – Sério mesmo, Santana?

— Está tudo bem. – Andrea pousou a mão no braço de Quinn antes de olhar para a latina. – Ela não mentiu, e você sabe disso, mas eu iria preferir que me chamassem de Andrea ao invés de ex-noiva que vocês não conheceram.

Brittany suspirou e tirou a garrafa da mão de Santana a estendendo para Tina que imediatamente a colocou junto das garrafas vazias.

— Chega. – Falou em voz baixa vendo o pequeno beicinho da esposa.

Kurt olhou para uma Rachel que tentava esconder o pequeno desconforto desviando os olhos da mão de Andrea no braço de Quinn.

— Vocês se lembram de quando os meninos furaram os pneus dos carros do Vocal Adrenaline? – Ele falou atraindo a atenção dos amigos.

— Obrigada por me lembrar da quantidade de ovos que eles jogaram em mim. – Rachel fechou os olhos estremecendo. – Fiquei dois dias para tirar o cheiro dos cabelos.

— A ideia de estourar os pneus foi de Puck. – Mike soltou uma risada baixa. – Por que ninguém mexia com a princesa judia.

— Jesse vem? – Tina olhou para a Berry. – Não consegui falar com ele.

— Ele me ligou, mas não vai conseguir vir. – Respondeu com um suspiro. – As gravações estão atrasadas, mas prometeu que vai encontrar com Shelby quando elas voltarem para LA.

— Nós vamos continuar fingindo que está tudo bem? – Finn ergueu a voz olhando para Quinn. – Que está tudo certo?

Quinn o encarou de volta.

— Ninguém está fingindo nada. – Ela respondeu com calma. – Estamos apenas juntos, lembrando de coisas do passado, qual o problema disso?

— O problema? – Ele soltou uma risada amarga. – O problema de tudo isso é que você sempre foi uma puta.

— Finn. – Kurt o repreendeu.

— Deixe. – Quinn ergueu a mão para o Hummel. – Vamos Finn, o que mais você tem?

— Você vai mata-la. – Ele cuspiu. – Porque é só o que você sabe fazer. Machucar as pessoas que estão perto de você. O que garante que você não está deixando todo mundo aqui doente?

— Finn. – Ouviu mais de uma voz o repreendendo.

Quinn se adiantou sem dizer nenhuma palavra, o viu se empertigar. Pegou a garrafa que ele segurava e a puxou para fora da mão do homem que não esperava por aquilo. Tomou dois longos goles da garrafa antes de devolve-la a ele.

— Quão doloroso deve ser para você ter que aceitar que entre você e eu, ela escolheu ficar com aquela que pode matá-la. – Deu um sorriso sarcástico para ele antes de se afastar, parou perto da porta e o olhou. – Vamos, beba da garrafa, eu te desafio.

*Diário*

Rachel entrou na sala vendo a loira deitada no sofá. Já passava das 3 da manhã e ela suspirou, se aproximou lentamente do sofá e com cuidado deitou com ela.

— Eu não queria te acordar. – A loira murmurou olhando para ela.

— Eu não consigo dormir se você não estiver na cama. – Rachel respondeu traçando uma linha no ombro da loira.

Elas ficaram em silencio, Rachel traçando pequenos padrões na camisa de Quinn e a loira por sua vez a envolvendo com o braço.

— Eu sei que não é uma situação confortável para você. – A autora murmurou. – Ter Andrea aqui.

— Não é. – Rachel apoiou o queixo no ombro que estava apoiada. – Mas Beth é mais importante do que o meu ciúme. Achei que tinha escondido bem.

— E escondeu. – Quinn virou o rosto para encara-la. – Mas eu conheço você.

— Eu sei que é besteira. – Rachel suspirou. – Eu sei que vocês quase se casaram, que moraram juntas… ela tem todos esses 6 anos de lembranças com você e com Beth que eu não tenho. Então eu tenho ciúmes e um pouco de inveja também.

— Por quê? – Franziu as sobrancelhas claras. – Estamos aqui agora, juntas.

— Não é exatamente racional. – Rachel encolheu os ombros. – Eu… eu queria que tivéssemos tido coragem de nos procurarmos antes, de estarmos juntas antes.

— Nós não estávamos prontas. – Quinn deslizou um dedo traçando a linha da mandíbula da mulher. – Não estávamos prontas para sermos o que somos hoje, acredito que se tivéssemos tentado antes nunca teríamos conseguido.

— Por que?

— Porque nos faltava amadurecer. – Deslizou a ponta do dedo pelo nariz da mulher. – Crescer.

Rachel suspirou e voltou a deitar a cabeça contra o ombro de Quinn.

— Foi na noite em que você estreou na Broadway. – Quinn olhou para o teto. – Eu estava sentada em um bar perto de Yale. Eu comprei o ingresso do show, eu comprei a passagem de trem, reservei o hotel… mas não consegui embarcar.

Rachel ergueu o rosto outra vez, para encarar a namorada sem entender do que ela estava falando.

— Então eu sentei em um bar e comecei a beber, eu sentia que se eu estivesse na sua noite de estreia, mesmo que você nunca soubesse que eu estivesse lá… eu estaria maculando o seu momento de maior glória. – Lambeu os lábios secos e continuou encarando o teto. – Eu não era digna de te ver realizar o seu maior sonho, então Andrea sentou na minha mesa perguntando se eu sabia onde diabos Joshua havia se metido. Ela me ouviu falar sobre você e no final da noite nós fomos para a cama e então começamos a namorar porque era mais fácil. Ela sabia do HIV, ela não tinha um passado doloroso comigo… no dia em que ela viu a sua foto… eu percebi como eu fui covarde com ela. Por mais que no fundo ela soubesse que eu sentia algo por você, ela me disse que esperava que um dia ela fosse a minha inspiração.

Quinn olhou para Rachel e suspirou.

— Eu a amei, apenas não a amei o suficiente. – Deslizou os dedos pelos cabelos escuros da mulher. – Eu a machuquei e fui egoísta, porque não estava pronta para você. Por que Rachel… você foi o que me guiou para longe de todas as merdas que aconteceram comigo. Você me tirou da escuridão, sua voz me puxou para a luz… você sempre me salvou, mesmo quando eu fui cruel com você. Me deu direção, sentido, propósito e mesmo quando eu estava longe eu gostava de ouvir nossas gravações antigas para me sentir protegida por você. Eu ouvia suas musicas nas peças apenas para me sentir perto de você, principalmente quando as coisas estavam tão ruins que eu não via saída e então o mundo fazia sentido de novo e eu conseguia respirar. Eu quase podia acreditar que o mundo era belo, eu voltava a ter fé no mundo, em mim… eu a amei, mas não o suficiente. Por que no fundo só existia você e eu sei que os livros não são uma história de amor ou uma declaração de amor, mas eu percebi que a maior prova de amor que eu poderia te dar é o fato de que estou aqui.

Rachel se inclinou a beijando no ombro.

— Agora seria o momento perfeito para você me pedir em casamento. – Brincou com um pequeno sorriso.

— Eu vou… um dia… — Quinn suspirou. – Em um barco no meio de um lago do Central Park.

Rachel ergueu a cabeça para olha-la.

— E eu direi todas as palavras certas, terei um bonito anel no meu bolso e quando você disser sim, então toda a minha vida realmente estará completa e o mundo fara sentido como ele nunca fez até esse momento.

Notas finais
@just_someone13