Diário 2.0
27 Capítulo XXVII - Caixa
Uma das minhas introduções favoritas da primeira versão é sem dúvida alguma, Caixa. A ideia de revirar o passado e se livrar de coisas que já não lhe servem, abrindo espaço para coisas novas, ainda é algo que eu acredito fielmente. Isso não mudou. Mas eu descobri ao longo dos anos como é difícil realmente empregar isso. É muito difícil desapegar das memórias, dos objetos que trazem lembranças e das pessoas. Essa semana Selena lançou uma nova música e a minha primeira reação foi “outra música para ele?” e eu admito isso me incomodou. Mas quanto mais eu ouvia a música eu entendia que o que me incomodava não era o fato de ser “para ele”, na verdade o que me incomodava era o fato de que a música representa um tipo de relacionamento que eu já estive. E por um momento eu esqueci como é difícil tirar isso da caixa. Porque essa é a verdade, cada um sabe o que carrega em sua própria caixa, o que tem um peso maior ou menor para você mesmo. E infelizmente tendemos a minimizar as caixas dos outros, mas continue… continue limpando a sua caixa e recebendo novos objetos. E leve o seu tempo para isso.
A morena ergueu o dedo assim que Sam entrou no apartamento. Ela andava furiosamente de um lado para o outro atrás do sofá. O loiro retirou o casaco e o paletó os deixando em cima de uma das poltronas e soltou os punhos da camisa.
— Eu não acredito que o senhor fez isso. – Ela rosnava com as mãos em punhos. – O senhor não deveria se meter na minha vida, não… eu não me importo se é meu pai, nada te da autorização para se meter na minha vida.
Ele arqueou as sobrancelhas antes de ir para a cozinha, pegou uma garrafa de uísque que Rachel deixava escondida no armário da cozinha e um copo. Ele podia ouvir a voz da morena alta e clara enquanto engolia a dose que havia se servido, se serviu de outra e se virou para olhar a morena.
— Eu te quero bem longe de mim, bem longe e se eu souber que você andou dando declarações sobre mim outra vez, eu não vou hesitar em te processar. – Ela gritou antes de desligar o telefone e o jogar no sofá.
Ela sentia o corpo tremer, Leroy lhe confirmando que de fato ele havia falado com a revista revoltava o seu estômago. Ele dizia que havia feito aquilo para proteger a filha, porque ele tinha certeza que se Rachel percebesse como aquela relação era prejudicial iria se afastar. Mas ele também confessou que tinha a esperança de ver Quinn se acovardar ao perceber que não iria faturar em cima da morena. Ela caminhou até a cozinha e tomou o copo da mão de Sam o esvaziando com uma careta.
— Saúde. – O loiro se inclinou abrindo o armário e pegando outro copo, se serviu no novo copo e mais uma dose para Rachel. – Leroy era a fonte?
— Era. – Ela encarou o líquido. – Meu pai me vendeu para os tabloides.
Ele ergueu o copo e tomou um gole, ela franziu as sobrancelhas olhando para a mão do agente.
— Cadê sua aliança? – Perguntou intrigada.
— O noivado acabou. – Ele respondeu e terminou a bebida em dois goles. – Eu vou ser pai.
— O que? – Rachel arqueou as sobrancelhas, sua voz subindo três tons ficando mais aguda. – Como assim? Ser pai? Pai de quem?
— Eu transei com a Katie quando Kurt me largou para ficar com o Blaine. – Ele olhou para o copo vazio. – Ela engravidou e só me disse tem algumas semanas. Já está para nascer… ela achou que ia conseguir cuidar de tudo sem precisar me envolver, mas perdeu o emprego e Marie terminou com ela. Então ela me procurou… é um menino.
— Sam… — Rachel falou em voz baixa e colocou o copo na bancada, tirou o copo dele e a garrafa antes de pega-lo pelo braço e o carregar para a sala. – Fala comigo.
— Não tem o que falar. – Sam se sentou no sofá e esfregou o rosto. – Ela está gravida e a criança é minha.
— E o Kurt? Você terminou com ele?
— Não, ele terminou comigo. – Sam apoiou a nuca no encosto do sofá e encarou o teto. – Ele disse que não era assim que queria ter filhos e que não perdoava essa traição.
— Traição? Mas vocês estavam separados. – Rachel franziu as sobrancelhas.
— É, mas para ele é traição. – Sam fechou os olhos e sentiu o carinho da mulher nos seus cabelos. – Ele me largou para ficar com Blaine, ele disse que me amava, mas que ele devia uma nova tentativa ao Blaine. Eu fiquei quebrado, Rachel.
— Eu sei. – Ela continuou acariciando os cabelos dele. – Eu sei, querido, eu me lembro.
— Eu o aceitei de volta depois que ele disse que havia percebido que cometeu um erro. – Ele sentiu a lágrima escorrer pelo rosto. – Eu… eu não posso deixar que a meu filho passe necessidades. Eu sei que eu não tinha planejado ter filhos agora e muito menos dessa forma, mas ela existe, Rachel. Ele existe. E eu não posso fingir que ele não existe.
— E nem deve. – Rachel apoiou a mão no peito dele. – Você vai ser um pai maravilhoso, Sam. Pode não ser a forma como você planejou, mas eu sei que vai ser um pai maravilhoso.
— Eu o queria comigo, mas ele não quer. – Olhou para a mão vazia. – Ele me colocou para fora ontem.
— Onde você dormiu?
— Fui para um hotel. – Ele deu de ombros. – Preciso arranjar um apartamento e tirar minhas coisas do dele.
— Não, é claro que não. – Rachel negou com a cabeça, olhou pela sua sala. – Fica aqui. Eu vou para Lima, não sabia o que ia fazer com o apartamento de qualquer forma. Fica aqui. Podemos mudar as minhas coisas para um depósito.
Ele negou com a cabeça, mas ela apertou a mão do homem.
— É sério, Sam. – Ela se inclinou para ele. – Eu ficaria mais tranquila se você ficasse aqui. Meu apartamento vai ficar vazio de qualquer forma.
— Quanto de aluguel?
— Pague as contas e estamos quites. – Ela sorriu para ele. – Guarde o dinheiro para o bebê, vai precisar.
Ele voltou a apoiar a cabeça no encosto do sofá.
— Falou com Quinn? – Mudou de assunto, sua voz era cansada.
— Estamos em silencio desde que ela foi para L.A. anteontem. – Rachel suspirou. – Ela está enfiada em reuniões com os editores.
— As coisas não estão boas para ela, se você quer saber. – Sam virou o rosto olhando para a morena que fechou os olhos. – As mídias estão caindo encima. Jacob fez o nome dele com essa reportagem.
— Maldito Jacob Bem Israel que voltou do inferno judeu para atazanar a nossa vida. – Ela copiou a posição dele apoiando a nuca no encosto do sofá. – Eu jurei que ele estava preso por perseguição a qualquer mulher, mas não… o filho da mãe tinha que estar trabalhando em uma locadora falida e morando no porão da mãe. Ai escreve num blog que ninguém lê sobre tudo o que aconteceu enquanto estávamos na escola, uma maldita revista acaba encontrando e nossa vida está exposta para todos.
— Eu sinto muito. – Sam murmurou.
— E eu sinto muito por Kurt ser um imbecil. – Ela respondeu. – Vamos passar por isso, certo?
— Nós vamos, sempre passamos. – Ele a olhou e estendeu o punho fechado.
Rachel deu um pequeno sorriso e acertou o punho dele.
*Diário*
Quinn entrou no elevador e se apoiou na parede, Alex entrou atrás e apertou o botão do subsolo. A ruiva olhou para a loira que estava séria, um olhar que ela nunca tinha visto nos olhos verdes. Era frio. Cortante. Irritado.
— Quinn, nós tentamos. – Ela falou. – Nós tentamos, mas…
— Eu vou continuar escrevendo o livro. – Quinn sentenciou com a voz firme. – Vou escrever uma nova história para Stern.
— Você vai fazer um novo livro? – Alex franziu as sobrancelhas. – Quinn…
— Procure uma nova editora. – A Fabray continuou no mesmo tom. – Eu vou publicar Acrab de qualquer jeito.
— E o que diabos você vai fazer com Stern? – Alex se virou para ela. – Eu sei que o seu contrato é de mais um livro, mas eles vão querer fazer um novo…
— Eu vou matar Beth Stern. – Quinn olhou para a ruiva. – Eu vou acabar com a saga agora.
— Você vai mata-la? Enlouqueceu? – Alex se aproximou. – Se você quer encerrar a série eu não vou questionar, mas matar a personagem principal? É suicídio literário.
— Não, não é. – Quinn negou com a cabeça. – Eu vou fazer a morte dela ser grande, ser gigante, ser tão monumental que eu vou me sagrar. Ela vai morrer como uma supernova.
— Quinn, pensa direito.
— Eu estou pensando, Alex. – Quinn se moveu quando sentiu o elevador começar a desacelerar. – Eu estou pensando, agora faça o que eu falei. Me encontre uma nova editora, uma que não tente me controlar de preferência.
Alex saiu atrás da loira.
— Você precisa se manifestar. – Alex a seguiu pelo estacionamento.
— Eu vou, depois que eu conversar com Beth. – Quinn suspirou destrancando o carro com o controle. – Eu preciso falar com a Beth, ainda não consegui falar com ela direito. Ela sabia por alto o que aconteceu, mas agora… eu preciso falar com a minha filha.
— Ok, vai e conversa com a Beth. – Alex a olhou com um pouco de preocupação. – E por favor, repensa essa história de matar Stern.
Quinn entrou no carro e viu a mulher se afastar, apertou o botão de partida e sentiu o ronco do motor. Partiu com o carro.
— Ligar para Rachel. – Ordenou, ouviu o som de chamada.
— Oi amor. — A voz de Rachel encheu o carro.
— Oi. – Quinn estalou o pescoço enquanto levava o carro para a rua. – Eu estou saindo da última reunião com os editores.
— E como foi?
— Um inferno. – Respondeu. – Eles conseguiram me encurralar, Rachel. Eu vou ter que ceder.
— Eu sinto muito amor.
— Mas eu não vou ceder como eles querem. – Quinn respondeu sentindo a calma lhe invadir. – Eu vou fazer o que você sugeriu, Acrab será uma nova história.
— Eu sei que você pode fazer isso. – Rachel falou carinhosa. – Eu quero ler tudo o que você escrever.
— Vai aguentar as minhas longas horas no computador?
— Eu vou garantir que você coma e beba regularmente, pelo menos quando eu estiver com você.
— Ainda não decidimos como vamos fazer.
— Quem estiver livre no final de semana vai para onde a outra está.
— Passarei muitos finais de semana em Lima. – Quinn brincou. – Eu sei que você vai estar ocupada e que meu horário é mais flexível.
— Eu não quero te atrapalhar, Quinn.
— Você nunca me atrapalha. – Quinn respondeu de imediato.
— Você está dirigindo? – Rachel falou de repente, como se tivesse acabado de se dar conta. – Me diz que você ainda está no prédio.
— Eu estou dirigindo e você está no viva-voz.
— Então desligue e me ligue apenas quando estiver fora de um carro, Fabray. – Rachel falou irritada. – Sabe que eu odeio quando está falando no telefone e dirigindo, você me garantiu que não usaria mais.
— Ok… ok… — Quinn tentou conter o sorriso. – Eu estou indo para a sua mãe, preciso falar com Beth. Quando chegar em casa deve ser muito tarde para te ligar.
— Então me ligue amanhã. – Rachel retornou no mesmo tom irritado. – Me mande mensagens.
— Ok amor, eu vou te mandar mensagem quando chegar.
— Beijo.
A chamada se encerrou e a loira sorriu, Rachel simplesmente odiava que ela atendesse o telefone no carro. No dia que ocorreu a diva fez uma palestra, pois ela não tinha boas lembranças com Quinn dentro de um carro usando o telefone, Quinn respondeu brincando que ela não tinha lembrança alguma. Rachel não levou a brincadeira muito bem e se recusara a falar com a loira até Quinn se render e dizer que não usaria mais o celular dentro do carro. O trânsito de Los Angeles era infernal a qualquer hora do dia e ela sabia disso, mas estava quase no final da tarde e as ruas congestionadas apenas lhe irritavam ainda mais. O toque do celular a fez olhar para o painel e estreitar os olhos ao ver o nome.
— Atender. – Ordenou, limpou a garganta. – Alô.
— Quinn?
— Sou eu. – Quinn apertou um pouco o volante.
— É Frannie… — A voz insegura da irmã a fez franzir as sobrancelhas, engoliu em seco.
— Está tudo bem? Aconteceu algo?
— Está, está tudo bem. Eu… eu estou ligando para saber se você está bem.
— Eu? – Quinn ficou sem entender.
— As manchetes.
— Ah… — Deixou escapar ainda sem saber o que responder. – Estou. Estou bem.
— E mamãe? Ela está bem? Precisa de algo? – Ela quase podia ouvir a irmã tentando buscar um assunto.
— Frannie. – Quinn falou um pouco mais brusco do que pretendia. – Ligue para a mamãe e faça as perguntas que quer fazer, mas não me ligue como se nada tivesse acontecido.
— Quinn…
— Eu estou dirigindo e não gosto de falar no telefone enquanto isso. – A loira sentenciou e levou a mão ao painel desligando a ligação antes que a irmã tivesse chance de falar algo.
Respirou fundo algumas vezes deixando o trânsito fluir enquanto ela ia aos poucos se acalmando, quando finalmente estacionou na entrada para carros da casa de Shelby ela estava mais tranquila. Trancou o carro e caminhou até a porta de entrada tocando a campainha, alguns segundos depois a porta se abriu e Shelby apareceu com uma expressão cansada.
— Ela está lá em cima. – A morena falou com uma voz cansada. – E se quer saber… as coisas não estão boas.
— Quão ruim? – Quinn deixou a bolsa em cima do sofá enquanto iam na direção da cozinha.
— Se recusa a falar comigo. – Shelby fez um movimento para a loira se sentar enquanto pegava a cafeteira. – Não quer conversar sobre as reportagens e nem ir a escola. Então… o que fazemos?
— Eu vou tentar conversar com ela. – Aceitou a caneca. – E então quando ela se acalmar, podemos perguntar o que ela quer fazer. Se quer mudar de escola ou estudar em casa. O que acha?
— Eu acho que soa como um bom plano. – Shelby concordou com um suspiro cansado. – Como está a Rachel?
— Acabei de falar com ela. – Tomou um gole do café. – Ela está bem, preocupada com tudo isso e eu não posso tirar a razão dela.
— Como vocês estão com tudo isso? – Shelby inclinou a cabeça. – Eu sei que você não deve estar confortável com o passado sendo revirado.
— Eu sabia que era uma boa opção, considerando a minha entrevista para a Ellen há quase dois meses, mas… você está certa. – Encolheu os ombros. – Eu não estou confortável, estou insegura e preocupada.
— Não a deixe de fora. – A mais velha instruiu. – Converse com ela.
— Eu prometo tentar. – Tomou outro gole de café. – Vou subir para falar com Beth… deseje-me sorte.
— Vai precisar. – Beth ergueu a caneca para ela. – Estarei no escritório trabalhando em alguns projetos.
— Ok. – Quinn suspirou.
As escadas para o segundo andar nunca pareceram tão longas. A porta do quarto de Beth estava fechada, ela bateu e esperou. Nada. Bateu outra vez. Nada. Suspirou e empurrou a porta a abrindo, Beth estava sentada na cama com o notebook no colo.
— Hey. – Quinn ficou parada no portal, a mão ainda segurando a maçaneta da porta. – Posso entrar?
A menina continuou focada na tela do computador, mas as mãos não se moviam pelo teclado. Quinn entrou cautelosamente, fechou a porta e pegou a cadeira que estava apoiada na escrivaninha.
— Precisamos conversar… — Quinn se inclinou na direção da filha, as mãos entrelaçadas na frente do corpo. – Sobre as reportagens que saíram.
Beth não respondeu, mas Quinn a viu respirar fundo e apertar os dentes.
— Eu acho que você deve ter perguntas, certo? – Continuou com a voz calma. – Sobre o meu passado com Rachel.
A menina a olhou e Quinn viu algo que nunca tinha visto no rosto da filha antes, pelo menos não direcionado a mãe. Ela viu raiva.
— Como pode? – A menina murmurou irritada. – Como pode fazer tudo isso com ela?
— Beth…
— Não, não tem justificativa. – A menina a interrompeu. – Nada do que a senhora fez tem justificativa. A senhora a agrediu, a intimidou, a humilhou e fez com que ela se sentisse mal por ser filha de quem é, por ser quem é.
— Eu sei. – Quinn fechou os olhos por um momento e respirou fundo. – Eu sei, minha filha. Eu sei tudo o que eu fiz com ela e eu me arrependo por cada uma dessas coisas.
— Se arrepende? – Beth negou com a cabeça – Acha que é simples assim? É só se arrepender? Eu não sei como diabos ela aceita estar com a senhora.
— Eu também não entendo, mas ela me perdoou e quer estar comigo. – Quinn se recostou na cadeira e cruzou as pernas. – As coisas entre nós nunca foram boas, eu errei e ela também, mas sim os meus erros foram bem piores dos que os dela. Eu tive muitos erros aos quais eu me arrependo e aos quais eu peço desculpas sempre que acho necessário.
— A senhora é como elas. – Beth deixou o notebook em cima da cama. – É exatamente como elas.
— Beth, as coisas não são tão simples.
— Simples? – A menina perguntou quase gritando, pegou o notebook e mostrou a tela para Quinn. – Isso aqui não é tão simples?
A imagem de uma Rachel adolescente preenchia a tela ela usava um suéter de bichinhos. A loira abaixou a cabeça e tentou outra vez.
— Amor, me deixa tentar explicar aquela época, por favor?
— Sabe o que eu queria? – A menina voltou a colocar o notebook na cama. – Eu queria o meu pai aqui e você longe, Quinn. Por que isso aqui? Isso aqui não da para perdoar.
Quinn não reagiu a menina, ficou sentada estática.
— A senhora pode sair, por favor? – A menina pediu sustentando o olhar da mãe. – E eu iria preferir que não aparecesse mais.
— Beth…
— Eu estou pedindo educadamente para a senhora sair. – A menina andou até a porta e a abriu.
Quinn se levantou lentamente, se virou para a menina e concordou com a cabeça saindo do quarto. Já estava no corredor quando ouviu a porta bater, se apoiou na parede e tentou acalmar a tremedeira que lhe tomou.
*Diário*
Rachel se sentou em seu quarto e olhou para as caixas vazias e para o seu armário com as suas roupas. Respirou fundo sentindo a inquietação diante de uma nova fase da vida que iria começar. Ela estava ponta para recomeçar e para isso, ela precisava decidir o que ficaria e o que iria com ela.
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