Diário 2.0

23 Capítulo XXIII - Lima


Esses dias conversando com uma amiga eu brinquei com um gif da Katie McGrath personificando Morgana onde ela dizia algo mais ou menos “às vezes você tem que fazer o que é certo e dane-se as consequências”. Então agora eu sentei para escrever esse pequeno texto introdutório e percebi que não tinha nada. No fone está tocando Daughtry e eu olho para o teto tentando achar uma maneira de começar… é um capítulo que ele me abre caminhos… então eu percebi que estou falando muito sobre caminhos ultimamente.

Caminhavam pelos corredores apinhados, Quinn soltou uma risada baixa quando um grupo de líderes de torcida lhe olhou uma vez e se juntaram para fofocar entre si.

— Pelo visto você ainda tem o ar de head cheerio. – Rachel comentou de bom humor. – É só você aparecer no corredor e o mar vermelho se abre.

— Você realmente acabou de me comparar a Moisés? – Quinn franziu as sobrancelhas olhando para a morena.

Rachel soltou uma gargalhada segurando o braço da loira, mordeu o lábio inferior com olhos brilhantes e Quinn sorriu de volta. A pancada alta de um corpo sendo atirado contra o armário atraiu a atenção das duas. Quinn parecia estar tendo um deja vu. Uma cheerio morena estava empurrando uma cheerio loira contra os armários enquanto elas se agarravam pelos cabelos. A roda se formou e a antiga head cheerio se apressou para empurrar os alunos e agarrar a morena que encurralava a outra, a suspendendo pela cintura. Um dos jogadores de futebol se adiantou entrando entre as duas levando os chutes que eram destinados a cheerio loira.

— Fabray! – Sue gritou avançando pelo corredor, os alunos correram como formigas. – Que merda você está fazendo com as minhas cheerios?

Quinn franziu as sobrancelhas enquanto ainda tentava controlar a morena.

— Eu estou tentando evitar o derramamento de sangue. – Quinn grunhiu com o esforço, viu Rachel se adiantar para a loira que sangrava. – Não fui muito rápida pelo visto.

Os passos de Will chegaram correndo e Sue congelou quando olhou para Quinn.

— Quinn? – Perguntou e em seguida olhou para Schuester, os dois trocaram um longo olhar. – Pode soltar.

Quinn arqueou as sobrancelhas antes de soltar a morena que se lançou para a frente furiosamente atingindo as costas tensas do jogador, Will a segurou.

— Agora chega Amber. – Ele falou firmemente. – Me espera na minha sala. Agora.

Emma se adiantou e pegou a morena a levando na direção da sala do diretor, precisou pestanejar um pouco com a adolescente. Quinn respirou fundo e olhou para Sue.

— É bom saber que as cheerios ainda estão agitadas Treinadora. – Sorriu e soltou uma risada fraca.

Sue franziu as sobrancelhas e trocou outro olhar com Schuester o que atraiu imediatamente a atenção de Quinn. Will se adiantou e tocou o ombro do jogador.

— Leve-a para a enfermaria. – Pediu em um tom de voz calmo. – E depois eu quero vocês dois na minha sala.

— Mas quem começou foi a Amber. – O rapaz protestou, ele estava tenso e procurou o olhar da Treinadora antes de olhar para Quinn.

Os dois se encararam e Quinn franziu as sobrancelhas, algo de familiar na postura do rapaz lhe incomodou.

— Agora não Ben. – Will entrou na frente da linha de visão dele. – Agora não.

— Mas…

— Agora não. – Sue falou mais firmemente. – Leve Leighton para a enfermaria, agora.

Ele hesitou antes de concordar com a cabeça e amparar a garota a levando pelo corredor, ele olhou uma vez mais por cima do ombro na direção de Quinn. Os olhos verdes de ambos se encontrando antes do rapaz deixar os ombros caírem e continuar andando. A autora esperou o corredor ficar vazio, o silencio tenso entre os quatro enquanto Rachel olhava para o antigo professor tentando entender o porquê dele estar pesaroso.

— Então… — Quinn começou e olhou para Sue. – Como a senhora não tinha me visto até eu falar… presumo que o Fabray não foi para mim.

Ela viu Sue enrijecer e apertar a mandíbula olhando firmemente para Will que parecia estar sendo castigado em silêncio. Rachel sentiu o entendimento lhe atingir como uma pedra e olhou para Quinn que estava fria como mármore.

— Pelo visto meu pai teve o filho homem que tanto queria.

— Quinn… — Will começou.

— Vocês sabiam? – Quinn olhou de um para o outro. – E não me disseram?

— Vamos conversar em um lugar mais privado? – Will pediu e tentou se aproximar, mas Quinn se afastou.

— William. – Sue deu um passo na direção dele, tentando ignorar o olhar entristecido do homem. – Vá resolver o problema que o seu pequeno Glee Club me arranjou, agora eu tenho duas cheerios que não conseguem nem ficar no mesmo campo. Não me interessa se você vai coloca-las para cantar seus sentimentos ocultos, apenas resolva e leve Berry com você. Talvez ela sirva de ajuda… — Sue olhou para Rachel. – Mais tarde eu lhe darei a conversa dura que está precisando.

A Treinadora se virou para Quinn e mandou no melhor tom de Sue Sylvester.

— Pro vestiário. Agora.

Quinn hesitou por um momento, mas um segundo olhar de Sue a fez se mover. Rachel observou as duas loiras se afastarem e olhou para Schuester.

— Sério? – Perguntou descrente. – Por que não disse ontem? Era óbvio que ela iria descobrir.

— Algumas coisas mudaram. – Will esfregou o rosto. – Sue e eu conversamos, decidimos que ela deveria saber por nós dois, a sós e em um lugar seguro.

Ele parou respirando fundo.

— Vem, vou te explicar tudo. – Ele pousou a mão no ombro da morena e a conduziu.

*Diário*

Quinn deu a última volta na velocidade máxima, viu algumas das cheerios deitadas na quadra enquanto a treinadora gritava com elas. Se aproximou do banco pegando a squeeze que a treinadora havia lhe jogado junto com o uniforme antigo. Quinn tomou um longo gole do isotônico se aproximando. Sue ergueu a cabeça e fez um aceno positivo.

— Ainda aguenta a minha sessão de corrida. – Quinn quase podia ouvir o tom de orgulho, olhou para as cheerios deitadas. – Isso é que é uma verdadeira cheerio. Agora levantem e comecem coma rotina.

Sue se afastou fazendo sinal para Quinn, as duas observaram a atual capitã começar a comandar a rotina de acrobacias.

— Quando agosto começou… — Ela falou em um tom de voz mais baixo. – Schuester entrou no meu escritório com olhos arregalados e aquele queixo de bunda tremendo. Seu… — Ela parou e suspirou. – Russel Fabray havia feito a matrícula do filho, estava atrasado, mas o garoto estava vindo de Cincinnati. A mãe morreu de câncer e ele estava vindo para morar com o… pai. Will estava tenso com isso, nós conversamos sobre te dizer e decidimos que seria melhor que falássemos com você pessoalmente.

Quinn secou o rosto com a toalha que Sue havia lhe estendido, a passou pelo pescoço sentindo os cabelos suados.

— William o acolheu no Glee. – Sue tinha um tom de voz mais suave. – Ele é um bom garoto, Quinn. Está um pouco perdido, mas é um bom garoto.

Quinn concordou com a cabeça, viu que eram observadas por algumas das cheerios.

— Eu não duvido que ele seja. – Quinn continuou observando as cheerios, vendo os sussurros compartilhados entre elas. – Não é dele que eu tenho raiva, embora ele só seja a prova viva da hipocrisia de Russell.

— A raiva não vai te levar a lugar algum, Quinn. – Sue suspirou. – Achei que a essa altura já teria aprendido isso. Apenas… olhe para o menino e não para o erro, ok?

— Sabe que elas estão enrolando e nos observando conversar, não é? – Quinn perguntou com um tom divertido mudando de assunto propositalmente.

— Eu sei, provavelmente estão perguntando como você conseguiu correr todas as voltas e está em pé. – Sue revirou os olhos. – Acho que preciso aumentar as voltas, você não vomitou.

— Eu tenho corrido pelo menos 2kms a mais das suas voltas habituais todos os dias. – Quinn olhou para ela e sorriu vendo a mulher arquear as sobrancelhas. – Correr me mantem sã. Agora… eu gostaria de pedir um favor.

— Se está pensando em me pedir para fazer Rachel enxergar que aqui não é o lugar dela… eu vou fazer. – Sue franziu as sobrancelhas para as cheerios que estavam enrolando. – Não precisava pedir.

— Eu sei, eu ia pedir para a senhora não ser tão contundente. – Quinn tomou um gole da garrafa e viu Sue zombar. – É sério treinadora… ela está… sensível.

— Então ela precisa de um desafio. – Sue olhou para Quinn. – Você pode dar a ela o caminho fácil, o amor e a compreensão… eu darei a ela a vida.

Quinn esfregou a têmpora e suspirou.

— Eu vou fazer o cheque para as cheerios antes de ir embora. – Começou a se afastar indo em direção ao vestiário. – E a ruiva que está perto da loira e da morena está fazendo o movimento errado… vai se machucar.

Sue se virou para ver a cheerio em questão e já saiu latindo ordens.

*Diário*

Rachel estava sentada com alguns dos membros do Glee Club, estava rindo com as implicâncias dos meninos entre si. Ergueu os olhos quando viu a mulher loira entrar pela porta, os cabelos úmidos pelo banho recém tomado, se levantou e a interceptou no meio da sala ignorando os olhares.

— Você está bem? – Perguntou em voz baixa.

— Estou. – Quinn acariciou o maxilar da mulher. – Não se preocupe. É apenas a hipocrisia do meu pai que está encarnada em 1,80m e tem uns 85kgs…

— Quinn…

— Eu não tenho raiva do menino. – Quinn manteve o rosto de Rachel aninhado entre suas mãos. – Tenho raiva de Russell.

Os polegares acariciaram a bochecha da mulher e Quinn deu um sorriso suave na intenção de tranquiliza-la.

— Agora… — Envolveu os ombros de Rachel. – Me diga quem são esses…?

— O New Directions. – Rachel abriu um sorriso largo.

— Olá a todos. – Quinn sorriu vendo os rostos ansiosos. – Eu me chamo Quinn Fabray e um dia eu também fiz parte do New Directions.

— Você realmente acha que precisa de introdução? – Ela viu uma menina morena perguntar com as sobrancelhas franzidas.

— Ao contrário da minha versão mais jovem eu nunca presumo que alguém saiba o meu nome. – Quinn sentiu Rachel puxar seu braço dos ombros para a cintura da morena e prontamente se virou para ela.

— Você está no top dez de autores do NY Times. – A mesma morena retrucou ainda com as sobrancelhas franzidas.

— Eu estou ciente disso. – Quinn soltou uma risada fraca. – Mas é apenas uma lista.

Rachel olhava para Quinn estudando seu perfil, a maneira divertida e leve com a qual falava. Tão diferente da menina que costumava frequentar aquela sala, a menina que queria o topo… que queria tão desesperadamente ser reconhecida.

— Como diabos você sobreviveu a Sue Sylvester? – Uma voz levemente admirada perguntou vindo da porta.

Quinn girou soltando Rachel, viu uma garota loira com o uniforme das cheerios entrar, soltou uma risada alta.

— Por que o que não te mata…

— Make you stronger. – Rachel cantarolou movendo a cabeça no ritmo de uma música invisível. – Lembra? Santana, Mercedes e Brit fizeram essa…

— Nossa última regional. – Quinn soltou uma risada baixa. – E ela pode até negar, mas Santana jura de pés juntos que viu um pouco de orgulho no rosto da Treinadora.

— E eu tenho certeza que ela viu. – Schuester entrou na sala acompanhado pelas duas cheerios que haviam brigado e o irmão desconhecido de Quinn. – Sentem e eu não quero ouvir um pio.

Quinn deu as costas para o rapaz que procurou seus olhos, se aproximou da parede onde estavam os troféus e sorriu para os troféus agrupados perto da porta, fotos deles enfeitavam as prateleiras. Schue olhou para a antiga aluna e trocou um olhar com Rachel antes de sorrir para os membros atuais e começar a falar de como seria o dia. Rachel se aproximou parando ao lado de Quinn que olhava para a foto da última regional. Ainda estavam com as roupas de competição, sorriam felizes com o troféu.

— Pensando naquele dia? – Rachel falou em voz baixa.

— Em algumas coisas. – Quinn se endireitou sentiu Rachel apoiar o queixo em seu ombro.

— No acidente? – Rachel perguntou suavemente. – Você não lembra de nada, não é?

— Não. – Quinn negou com a cabeça e olhou para ela. – Não lembro de nada… apenas… — Quinn franziu as sobrancelhas. – Eu estava atravessando o cruzamento, digitando a mensagem para você… ouvi a buzina e mais nada.

Rachel engoliu em seco.

— Você estava há duas quadras. – Rachel olhou para a foto das Nacionais. – Finn estava me apressando, então fomos para o corredor conversar. Foi quando nós dois ouvimos. Um homem entrou apressado falando que tinha tido um acidente, uma caminhonete contra um New Beetle. Nós dois nos olhamos e ele automaticamente entrou na sala chamando por todos… eu fiquei parada sem conseguir me mexer. Meu pais, Burt e Mr Schue correram para o local. Puck e Sam precisaram segurar Santana no lugar, ela queria sair atrás de você. Mercedes e Tina vieram me pegar enquanto Kurt tentava ligar para a sua mãe… quando Mr Schue ligou para a Treinadora avisando que era você… — Rachel parou e fechou os olhos, respirou fundo. – Todos nós saímos do jeito que estávamos.

Quinn tentou se mover, mas não conseguiu, Rachel lhe segurou com mais força.

— Quando chegamos lá os bombeiros estavam trabalhando em tirar você. – Continuou falando calmamente, mesmo que não se sentisse calma. – A treinadora conseguiu falar com a sua mãe… Mr Schue continuava falando com você, mesmo com os bombeiros o mantendo afastado, ele continuava falando com você. Quando conseguiram te tirar das ferragens, tinha muito sangue e todo mundo começou a se mexer para ir para o hospital, Mr Schue foi com você na ambulância. Quando o bombeiro pegou seu celular destruído eu soube…

— Não foi culpa sua. – Quinn falou antes que ela completasse. – Eu estava a duas quadras, eu poderia ter ignorado as mensagens e prestado atenção no caminho.

Elas se olharam até serem chamadas pelo antigo professor que estava com um projetor nas mãos.

— Estava explicando para eles que eu tenho algumas das performances de vocês gravadas… — Encolheu os ombros sorrindo para elas. – Querem ver?

— Performances? – Rachel limpou o rosto e sorriu para ele. – Quais?

— Nossas apresentações oficiais e do auditório. – Ele repetiu, seus olhos se estreitando um pouco. – Está tudo bem?

— Sim, apenas… lembrando de algumas coisas. – Quinn respondeu olhando para Rachel, franziu as sobrancelhas. – Como assim do auditório? Tem câmeras no auditório?

— Sim. – Ele concordou com a cabeça.

— E elas gravam direto ou…? – Quinn perguntou um pouco alarmada.

— O que você fez no auditório que não deveria ter feito? – Rachel arqueou as sobrancelhas com um tom acusatório, elas ouviram algumas risadas.

— Eu nada, mas Santana e Brittany podem ter traumatizado alguém. – Quinn respondeu rindo.

— É. – Mr Schue resmungou arrumando o projetor.

As duas se entreolharam e soltaram uma risada combinada.

Notas finais
@just_someone13