Diário 2.0

24 Capítulo XXIV - Sam


Confesso, sempre shippei Surt, eu gosto de Fabrevans como amizade e definitivamente não gosto de Klaine. Quando Sam apareceu eu fiquei encantada e o queria com o Kurt, ele era um menino doce, inteligente, fiel, nerd e gentil… conforme a série avançou ele foi sendo tratado como o menino burro. E isso me irritava, muito, porque ele tinha todo o potencial de ser um líder, de ser melhor explorado, mas ele era o menino burro que era a segunda opção. Sam é forte, é bom, é inteligente e honrado.

Quinn arqueou as sobrancelhas para o celular enquanto fechava a porta do apartamento de Rachel. A morena levou as próprias malas direto para seu quarto antes de voltar e encontrar Quinn parada na mesma posição.

— O que foi? – Pediu se aproximando.

— Nossas fotos em Lima. – Quinn virou o celular para ela, fotos das duas abraçadas no McKinley já estavam viralizando.

Rachel pegou o celular enquanto Quinn movia sua própria mala para o quarto. A atriz deixou seus olhos rolarem pela quantidade de comentários, sorriu com a maior parte deles.

— Sorrindo é? – Quinn foi passar por ela e a beijou na bochecha antes de entrar na cozinha.

— Sim. – Rachel a seguiu vendo a loira pegar uma garrafa de água na geladeira. – Eu gosto do que estão dizendo… muitas delas estão falando que não conseguimos tirar as mãos uma das outras.

— E eu acho que elas podem ter razão. – Quinn concordou se servindo de um copo de água. – A gente não consegue não ficar se tocando quando estamos perto.

— Não consegue tirar as mãos de mim, Fabray? – Rachel a provocou arqueando as sobrancelhas. – Devo dizer… algumas também notaram que quando estamos longe você costuma olhar para a minha bunda.

Quinn abaixou o copo sentindo o rosto corar um pouco.

— Talvez eu realmente esteja olhando. – Provocou a morena. – Essas pernas que não parecem acabar nunca.

— Não gosta das minhas pernas? – Rachel ofegou parecendo sentida.

— Eu amo as suas pernas, querida. – Quinn piscou e se inclinou sobre a bancada dando um beijo rápido na morena.

Rachel fechou os olhos roçando seu nariz no de Quinn. Se dando conta pela primeira vez estava de volta em casa após a briga com o pai, respirou fundo espalmando as mãos contra a pedra fria.

— Está tudo bem? – Quinn perguntou em voz baixa.

— É, está sim… apenas… — Olhou pela cozinha, estava arrumada como se ela não tivesse saído como um foguete antes do jantar.

— Ele te ligou?

— Não. – Rachel se afastou indo para a sala. – Papai me ligou quando cheguei em Lima, ele estava furioso. Provavelmente eles brigaram.

Quinn lavou o copo o colocando para escorrer, guardou a garrafa e seguiu a morena que estava outra vez sentada no sofá com os pés sobre o assento enquanto mexia no celular, Quinn percebeu ser o seu celular. Se sentou ao lado da morena e puxou a perna começando a massagear a sola do pé.

— Olha, a maior parte deles parecem estar nos apoiando agora… — Mostrou a tela para a loira. – Eu fico feliz com isso… não queria ter que passar pelo tormento de ataques virtuais.

— Não se preocupe, provavelmente ainda teremos alguns bem barulhentos. – Quinn sorriu se concentrando no peito do pé sentindo os calos.

— Você acha que é engraçadinha né? – Rachel arqueou as sobrancelhas enquanto acessava a câmera do celular e tirava uma foto de Quinn com um sorriso travesso, sendo possível ver a ponta rosada da língua entre os dentes.

Rachel abriu uma das redes sociais e postou a foto com uma legenda engraçada antes de rir.

— O que? – Quinn arqueou a sobrancelha.

Rachel virou a tela para ela e Quinn revirou os olhos com bom humor.

— Sim, sim eu estou cuidando bem de você. – Implicou com a morena que a empurrou com o pé. – Assim seus fãs vão realmente me amar…

Rachel se esticou deixando o celular na mesa de centro antes de voltar a se recostar, apoiando a cabeça para olhar Quinn.

— Ainda precisamos ter uma conversa. – Rachel sussurrou.

— Ah… — Passou a dar atenção aos dedos. – Essa conversa… como eu disse, foi apenas a minha opinião.

— Mas você espera que eu fale algo. – Rachel manteve o tom.

— Eu não estou esperando nada, Rach… — Quinn negou com a cabeça, olhou para ela. – Quer dizer… eu espero uma chance, que você está me dando.

— Mas…

— Se você quiser espaço? – Quinn perguntou arqueando a infame sobrancelha. – Eu vou te dar espaço. Eu falei sério Rach, eu vou estar aqui… a não ser que você me peça para não estar.

Rachel suspirou e se moveu ajoelhando no sofá, se arrastou até Quinn montando em seu colo.

— Eu quero estar com você. – Acariciou a nuca da autora. – Quero mesmo, mas você está certa, eu estou perdida sem saber o que fazer por mim.

— Bem você não precisa decidir agora… — Quinn a embalou em seus braços. – Porque hoje a gente não pede uma pizza e vê alguns filmes… me parece ser uma boa ideia por hora.

Rachel sorriu e roçou seu nariz no dela.

— Por hora parece perfeito. – Sussurrou a beijando nos lábios, mordiscou o lábio inferior da mulher. – Seu celular está tocando.

— Não é o toque de Beth ou da minha mãe. – Quinn murmurou de volta a puxando pelo pescoço, sua língua lambendo os lábios da mulher.

Rachel sorriu sentindo as mãos deslizando por suas costas, suspirou quando os lábios passaram por sua mandíbula indo em direção ao seu pescoço.

— Querida… o seu celular. – Murmurou com um pequeno sorriso.

— Deve ser Santana me provocando pela foto que você postou. – Quinn a mordeu no queixo.

Rachel se empurrou se afastando da mulher com um sorriso travesso.

— Atende o celular, eu vou pedir pizzas. – Rachel riu para o beicinho de Quinn. – Se você for uma boa menina eu até posso te pedir uma com bacon.

— E eu vou poder te beijar se comer bacon? – Quinn arqueou as sobrancelhas.

— Não, apenas se escovar os dentes. – A morena se afastou.

— Peça apenas vegetariana. – Quinn ergueu a voz ouvindo uma risada da mulher, pegou o celular.

As duas ligações perdidas eram de Alex, franziu as sobrancelhas e retornou.

— O que desejas? – Perguntou de bom humor.

Acabei de sair de uma reunião fodida com o seu editor.— Alex suspirou. – E ainda é meio da tarde aqui.

— Eles não vão ceder? – Apoiou a cabeça contra o encosto.

Não, eles não querem ceder.— Alex respondeu. – E não dizem abertamente que a questão é o fato do romance de Beth com Rosalinda. Eles apenas dizem que pela trajetória dos livros eles acham que a rentabilidade e aceitação seria melhor com o romance entre Beth e Alkaid.

— Rentabilidade e aceitação? – Quinn grunhiu. – Eles estão usando números? Os meus números?

Exatamente. — Alex respondeu. – Os seus números. Os seus maravilhosos números aos quais eles dizem que uma pesquisa de mercado indicou que eles podem despencar com uma mudança tão brusca no enredo.

Quinn se inclinou para a frente esfregando sua nuca, estava ficando com calor.

— Então o que? – Perguntou se levantando. – Estou presa pelo contrato?

Eu joguei a questão de que você tem o controle criativo e das obras na mesa, eles responderam com o fato de que você já recebeu um adiantamento pelo livro e eles tem 49% dos direitos dos livros por mais 10 anos. Se você não entregar nada eles podem te processar por quebra de contrato e pela clausula você não pode levar os livros publicados de Stern para nenhuma outra editora.

— Mas eu estou entregando um livro. – Quinn ergueu um pouco a voz, viu Rachel voltar para sala com as sobrancelhas franzidas. – Eles estão se recusando a aceitar o livro.

Se for quebra de contrato vai sair mais caro do que o adiantamento que eles te deram. – Alex respondeu com calma. – Você tem que publicar mais um livro com eles, mas nada diz que tem que ser Stern.

— E? – Quinn esfregou a nuca outra vez. – Você quer que eu escreva outro livro para eles publicarem? Acha que é fácil assim?

Quinn, agora eu quero que você foque no livro que está escrevendo, mas ache caminhos que podem ser trilhados. – Alex falou calmamente. – Pense nos enredos, você melhor do que ninguém pode achar os seus próprios buracos. Apenas pense e ignore toda a questão burocrática por agora, deixe isso comigo e com os engravatados, você pode fazer isso?

— Vou tentar. – Quinn mordeu o lábio. – Estou em New York, vou ficar aqui por um tempo.

Tudo bem, fique com Rachel ai por um tempo, pode ser o melhor a ser feito. – Alex parou antes de acrescentar. — E por sinal… belas fotos, viu?

Quinn revirou os olhos antes de se despedir. Deixou o celular sobre o sofá e esfregou o rosto tentando exalar um pouco da frustração.

— O que foi? – Rachel se aproximou acariciando os ombros da mulher.

— A Editora. – Respondeu mordendo a língua. – Alex acha que eles conseguiram me encurralar. Eles se recusam a publicar o livro que estou escrevendo e alegam que uma pesquisa de mercado foi feita e uma mudança de enredo nesse nível vai alterar a minha rentabilidade.

— Mas o catálogo é seu, o controle é seu. – Rachel franziu as sobrancelhas.

— Sim, majoritariamente. – Quinn respondeu calmamente. – Mas por 10 anos eles possuem 49% dos direitos dos meus livros publicados, então eu não posso simplesmente migrar para outra editora com um novo livro de Stern sem ter uma briga judicial.

— Então eles vão te forçar a escrever o que eles querem. – Esfregou o braço de Quinn.

— Alex quer que eu explore os enredos, mas eu quero fazer essa história, Rach. – Mordeu o lábio com força antes de soltar a respiração. – Eu quero.

— Posso ousar fazer uma sugestão? – Rachel perguntou em voz baixa, viu Quinn concordar com a cabeça. – Faça ser uma nova saga. Tire Beth da história, crie outra personagem… ela também pode ser uma Agente da mesma Agência se for o caso, pode ser o ponto incomum, mas crie uma mulher, uma independente de todo o enredo de Stern e faça a história.

— E o que eu faço com Stern?

— Faça o que Alex disse, volte ao final do terceiro livro e estude o enredo… — Beijou os lábios da autora. – Você pode fazer isso.

*Diário*

Bateu a caneta contra o diário aberto na sua frente, estava sentada na mesa da cozinha. O notebook aberto um pouco mais para o lado, seus olhos rastreando a linha temporal que havia montado. Quinn rolou a tela e parou para fazer uma anotação, sua mente estava em branco. Ela parou e se encostou contra a cadeira. Ela queria tanto fazer a história que já estava trabalhando, queria vê-la ganhar ares e aquilo estava lhe bloqueando. Fechou os olhos, as palavras de Rachel ressoando em sua mente. A testa batendo contra o diário aberto. Ela não tinha nada.

*Diário*

Se serviu da caneca de café enquanto esperava as torradas ficarem prontas. Kurt entrou na cozinha deixando suas coisas em cima de uma das cadeiras.

— Bom dia. – Beijou o ombro de Sam. – Dormiu bem?

— Bem… — Ele respondeu tomando um gole do café, pegou uma caneca nova e encheu com o café a estendendo para Kurt que pegava o leite na geladeira. – E você? Demorou para ir para a cama.

— Eu precisava fazer algumas considerações para a revista. – O Hummel sorriu para ele, bicou seus lábios nos do loiro. – Não queria te acordar.

Sam tomou outro gole de café e mordeu a torrada que Kurt lhe estendeu com a geleia.

— O que vai fazer hoje? – O moreno perguntou enquanto pegava os papéis que estavam sobre o balcão.

— Rachel tem uma entrevista e eu vou estar junto. – Sam respondeu engolindo o pedaço de torrada. – A sessão de fotos não vai ser hoje então eu basicamente estou por ela. Devo passar o resto do dia no escritório, tenho que trabalhar com alguns agenciados também.

Kurt concordou com a cabeça guardando os papéis na maleta.

— Acha que da para almoçarmos juntos hoje? – Kurt bebeu um gole do café. – Queria te mostrar as fotos de algumas locações para o casamento.

— Claro. – Terminou a torrada e o café o deixando dentro da cuba. – Eu te mando uma mensagem quando terminar a entrevista e ai você me diz onde.

Kurt terminou a torrada e o café apressado antes de beijar Sam mais uma vez.

— Te vejo mais tarde. – Sussurrou acariciando a barba do mais novo. – Amo você.

Sam sorriu vendo o noivo sair, pegou a caneca de Kurt a levando para a pia, arregaçou as mangas da camisa e começou a lavar a pouca louça. Ouviu seu celular tocando e pegou o pano de prato para se secar.

— Katie? – Atendeu a amiga com um tom surpreso. – Tem meses que você não me liga ou me atende.

Preciso falar com você. – A mulher parecia cansada. – É urgente Sam.

— O que houve? – Ele franziu as sobrancelhas. – Você está bem? Marie está bem?

Marie terminou comigo há alguns meses. – A mulher falou lentamente. – Mas não é sobre isso que eu quero falar.

— Marie terminou com você e você não me disse nada? – Ele franziu as sobrancelhas confuso, os dois se conheceram durante a faculdade e se tornaram logo amigos. Quase inseparáveis, Katie fora um ponto seguro durante todo o seu processo de aceitação. – O que está acontecendo?

Ele perguntou tentando se manter ingênuo, ele sabia que aquela noite há quase 8 meses atrás tinha sido um erro. Quando Kurt voltara para Blaine e ele se viu de coração partido, onde todas as noites era um boa noite para beber e festejar. Em uma dessas noites eles beberam de mais e acabaram dormindo juntos, juraram que aquilo não tinha sido nada, apenas um engano de dois bêbados. Mas dois meses depois Katie sumiu e ele fingia não saber o porquê, bem se tivesse sido aquela noite ela teria conversado com ele, era o que ele próprio dizia para si

Estou grávida. – Ele ouviu o fio de voz da mulher e seu coração parou por um momento. – Estou grávida, Sam.

Notas finais
@just_someone13