Diário 2.0

11 Capítulo XI - Ficar


Notas iniciais
Adiantando a postagem da semana pelo motivo de que estarei ocupada pelos próximos dias e... ah cês vão reclamar?

É eu sei. Vocês queriam um romance clichê, sem dramas pesados e yada, yada, yada… mas gente, vocês leem fic minha desde 2011 e ainda não aprenderam? Juro que lembro do dia que me perguntaram por que eu odiava Faberry, já que elas nunca ficavam juntas. Quem entende não é mesmo? Mas vamos ao que interessa. Eu acredito que quando você tem uma condição, uma doença, que pode vir a afetar a sua qualidade de vida é complicado você manter relacionamentos. Eu sei disso. Eu sei bem disso. Eu não tenho HIV, antes que perguntem, mas eu tenho uma condição que afeta a minha vida e a vida daqueles que me cercam. Eu tenho fibromialgia. Se você não sabe o que é, não tem problema, a tia explica. Eu sinto dor, incômodo, queimação, fadiga, dificuldade para dormir e mais algumas coisas praticamente todos os dias. Sim, eu sinto dor todos os dias basicamente. E eu me acostumei a isso, eu criei maneiras de driblar isso tanto fisicamente quanto mentalmente e eu te garanto que isso é exaustivo. É cansativo lidar com a doença, é cansativo lidar com as pessoas que te cercam e não entendem isso, é cansativo manter um relacionamento onde a pessoa que está com você não entende. Eu tenho dias bons. Eu tenho dias ruins. Então entenda isso, quando eu estou com alguém essa pessoa tem que estar comigo 100%, pois a vida, a vida não é uma comédia romântica senhores. E embora as vezes tudo que a gente queira é um clichê para fugir da realidade, a gente precisa lembrar que mesmo com todas as dificuldades ainda podemos ser felizes… se fizermos por onde.

Rachel olhava para a mesma página de internet a qual já tinha revirado e relido pelo menos 10x só naquela manhã. Ela tinha tantas abas abertas na sua frente que já não sabia mais o que fazer ou o que ler, olhou para as anotações que tinha feito no caderno ao lado. Releu cada um dos tópicos, cada uma das perguntas que tinham surgido e cada uma das respostas. Ela estava exausta. Ela não dormia direito já tinha quase uma semana, desde que Quinn tinha ido embora, desde que ela pedira a Quinn para ir. Viu o pai parado na porta e tentou recolher suas anotações.

— Você já leu tudo o que podia ler. – Ele se aproximou sentando ao lado da filha na cama, pegou os papéis lendo as anotações detalhadas. – Você já foi a sua ginecologista, já me encheu de todas as perguntas que ela praticamente te respondeu. Conhece todos os prós e contras…

— Eu sei. – Rachel murmurou com a voz rouca. – Eu só…

— Ela tem HIV. – Hiram soltou os papéis e olhou para a filha com cuidado. – Ela tem HIV, nada do que você for revirar vai dizer o contrário.

— E o senhor está bem com isso? – Rachel o olhou.

— Eu? – Hiram arqueou as sobrancelhas. – Ela se cuida, o vírus está dormente. Se vocês tomarem cuidado e continuarem sendo responsáveis… Rachel… é a sua vida. Eu não tenho que estar bem com nada, quem tem que estar bem com algo é você.

Rachel suspirou e olhou para a tela do notebook outra vez. Seu coração batendo mais rápido e a boca que ia secando eram claros sinais de que ela não estava bem.

— Eu… — Ela parou e respirou fundo, sentiu o pai pegar delicadamente em seu pulso.

— No dia seguinte ao que Quinn foi embora, você apenas me disse isso, que ela tinha precisado voltar a São Francisco. Você foi ao teatro e acompanhou os últimos resgates, me disse que estava bem e que eu podia voltar. Kurt me ligou ontem porque você estava tendo uma crise de ansiedade sentada no chão do banheiro. Eu cheguei aqui e te encontrei assim… sentada nessa cama, rodeada por esses papéis e olhando para essa tela.

— Desculpa. – Rachel abaixou os olhos e respirou fundo. – Eu só estou tentando absorver tudo isso.

— Meu amor… — Hiram passou o braço pelos ombros da filha a puxando para perto. – Eu… posso entender que é uma surpresa para você, que você está tentando assimilar o fato de que Quinn é uma pessoa importante e ela possui uma doença incurável até o momento. Mas… você já parou para pensar em como ela está se sentindo?

Rachel olhou para ele, seus olhos castanhos opacos e sem vida.

— Você me disse que ela pediu para que você não a odiasse. – Ele continuou usando o mesmo tom de voz calmo e médico. – Você já parou para pensar no medo que ela sentiu em te dizer isso e você afasta-la? Por mais que ela tenha dito que aceitaria a sua decisão, ela deveria estar apavorada. Só consigo imaginar quantas pessoas a abandonaram por isso, por causa da doença… do preconceito que ainda existe.

Rachel tampou o rosto entre as mãos e soltou um gemido frustrado, o pai esfregava suas costas com suavidade.

— Eu… — Rachel olhou para ele. – Eu não consigo dormir desde que ela saiu pela aquela porta e isso me assusta. Eu deito para dormir e eu sonho com o teatro pegando fogo. Eu sonho com Quinn morrendo. Eu… eu estou com tanto medo que eu estou paralisada sem saber o que fazer. Já aconteceu tanta merda com ela, pai… tanta merda. É como se ela nunca pudesse ter uma folga e eu não sei como ela aguenta tudo isso. Eu estou apavorada, pai.

— Apavorada em perde-la? – Hiram perguntou mantendo o mesmo tom profissional.

— Apavorada em ser a próxima coisa que irá machuca-la. – Rachel olhou para a frente. – E mesmo assim eu estou aqui a machucando. Eu não durmo desde que ela saiu pela aquela porta, pai. O que diabos é isso?

— É algo que você deve descobrir. – Hiram suspirou e se levantou deixando a mulher na cama confusa. – E para isso você deve saber se quer ficar com ela ou se vai correr dela. A única coisa que está no seu caminho, nesse momento, é você mesma e ao meu ver… pode ser um caminho meio torto, que vai causar um pouco de dor, mas que pode te reservar lotes e mais lotes de amor e felicidade. Eu vou estar aqui Rachel, mas a decisão é e sempre será sua.

Rachel viu o pai se afastar e sair do quarto e foi com um suspiro que ela pegou o celular e enviou uma mensagem.

*Diário*

Santana se sentou e olhou para Rachel, fizeram seus pedidos e o silencio se apresentou. Santana franzia as sobrancelhas enquanto olhava para uma Rachel abatida e cansada.

— Eu não tenho dormido. — Rachel encolheu os ombros. — Pesadelos me assaltam toda vez, acabo ficando acordada.

— Imagino que sim. — Santana inclinou a cabeça. — Muitas coisas para pensar, né?

Rachel suspirou e desviou os olhos para olhar ao redor do restaurante, concordou com a cabeça.

— Muitas. — Lambeu os lábios secos e voltou a olhar para a advogada. — Eu só não consigo entender, Santana.

— O que? — A latina perguntou com evidente interesse.

— Como que tantas coisas ruins acontecem com Quinn e ela continua de pé. — A morena suspirou arregalando os olhos, seus ombros subindo e descendo drasticamente. — Pelo amor de Deus, é humanamente impossível alguém passar por tudo isso.

— Bem, por um tempo Quinn brincou que estava espiando o karma de todas as vidas passadas. — Santana afastou o braço para a atendente colocar suas bebidas, pegou a caneca de café e tomou um longo gole. — Eu sei que ela te disse como aconteceu… presumo que já tenha pesquisado a respeito.

— Já. — Rachel envolveu as mãos na xícara de chá. — Já falei com a minha ginecologista também.

Santana franziu as sobrancelhas a olhando.

— Pra que? — A latina questionou. — Pelo que eu sei vocês não fizeram sexo e Quinn não pode te contaminar.

Rachel a olhou com olhos castanhos cansados. — Eu não estava preocupada com isso, apenas queria respostas de alguém que não fosse o Dr Google.

Santana suavizou as sobrancelhas e voltou a olhar para a mulher. Rachel parecia ter perdido peso, os cabelos sem brilho, os lábios rachados, olhos cansados com bolsas evidentes.

— Quando ela pegou o exame… — A latina começou em voz baixa atraindo a atenção de Rachel. — Ela foi até o nosso apartamento. Ficamos lá sentadas encarando o envelope, uma das que tinham sido infectadas pelo babaca tinha avisado a ela… então ela fez todos os exames. Era o último exame, os outros dois haviam dado positivo e aquela era a última etapa para a confirmação. Eu lembro que nós ficamos sentadas naquele sofá apertado, ela entre Brit e eu e nós ficamos olhando para o envelope, então do nada ela explodiu em uma risada. Eu lembro de pensar "agora ela enlouqueceu de vez", mas ela só ficava lá rindo sem conseguir explicar o porquê de estar rindo e eu a olhava sem entender nada.

Rachel sentiu a vontade de chorar se acumular em seus olhos, seu rosto ardia, mas ela não conseguia se afastar do olhar penetrante de Santana.

— Ela estava rindo se lembrando da sua fantasia de bichinhos de pelúcia. — Santana deu um pequeno sorriso contido. — Ela riu até chorar e então eu a segurei enquanto ela deixava todo o medo sair. Ela não precisava pegar o papel para saber qual era o resultado, mas mesmo assim Brit o leu e lá estava… Quinn ficou em silêncio e não reagiu ela apenas ficou lá parada olhando pro nada, quando o dia amanheceu ela levantou pegou as coisas dela e disse que ia voltar para New Heaven. Eu fui leva-la e eu não sabia o que falar ou o que fazer… como diabos eu ia permitir que Quinn entrasse no metrô sozinha depois daquilo? Eram quase 4h até New Heaven… um metrô e dois ônibus e ela estaria sozinha com aquela bomba.

Santana parou e respirou fundo, ela podia ver a vontade de Rachel em chorar. Sua voz estava pesada e triste, ela sabia disso. Lembrar daquele dia era doloroso.

— Ela sorriu pra mim antes de descer para entrar na Ashmont e pediu para que eu não me preocupasse. — Santana tomou outro gole de café. — Ela me disse que se cuidaria. Eu lembro de estar olhando para ela, os cabelos escondidos debaixo do gorro cinza, o casaco pesado e ela sorria. Era um sorriso tão calmo e bonito que eu quase acreditei nela, ela disse que me amava e saiu. Eu fiquei lá sentada no carro olhando-a se afastar e dentro de mim eu sabia que algo estava errado e eu levei 2mins para entender o que era. Ela disse que me amava. Nós nunca falamos isso, quer dizer era óbvio para nós, mas nunca verbalizamos. Então eu sai correndo e entrei na estação… — Ela viu o olhar de medo de Rachel. — Ela estava parada, tinha tirado a mochila e olhava para os trilhos… ninguém em volta percebeu. Ela só estava lá parada esperando o trem e eu a segurei no último instante… Deus abençoe Sue Sylvester pelos anos de treinamento… eu consegui segura-la e joguei nós duas para trás… não me pergunta como eu fiz isso porque eu não sei, eu só sei que no momento seguinte estávamos no chão da estação, uma gritaria ao nosso redor e o metrô estava parando. Eu a segurei lá o mais firme que eu consegui.

​Santana parou sentindo sua lágrima ser acompanhada pela de Rachel a latina fungou e tomou outro gole de café para se recuperar, permitiu que a atendente trouxesse seu sanduíche e a salada da atriz enquanto Rachel tentava limpar o rosto com um lenço de papel que havia tirado da bolsa.

— Eu a segurei enquanto éramos encaminhadas para o hospital. — Santana continuou após sentir que podia. — Gritei que não a soltaria. Brittany foi para o hospital enquanto finalmente me soltavam de Quinn e a sedavam. Tivemos que ligar para a Sra F e pedir para ela vir… eu não deixei que os médicos falassem nada. Se ela fosse abandonar Quinn então teria que fazer isso na minha frente e era melhor que a Q estivesse desacordada, então eu sentei e mostrei os exames. Ela ficou e se recusou a deixar que Quinn sucumbisse… ela foi a cada consulta e controlou cada um dos remédios até que a Q estivesse apta a ser ela outra vez. Ela esteve presente em cada uma das audiências e em cada um dos depoimentos, ela ia com Quinn para os grupos de apoio e se recusou a deixar que ela desistisse de Yale. Eu só a vi chorar no dia que o resultado da carga viral veio indetectável.

— Santana… — Rachel começou, mas foi interrompida.

— Então, não, Rachel… ela não é uma super-heroína que aguenta todas as merdas que a vida joga no caminho dela e continua magicamente de pé. — Santana suspirou. — Ela fraqueja. Ela sangra. Ela sente dor. Então no dia que o teatro pegou fogo e Brit me ligou em pânico… eu sabia que se algo tivesse acontecido com você, ela não iria se reerguer mais. E aqui sou eu sendo extremamente sincera com você, Rachel. Eu gosto de você, mas Quinn é minha irmã… então, se você tem alguma dúvida sobre vocês não a procure. Se tudo isso que você está sentindo é apenas curiosidade pelo livro, é algum complexo de adolescente vingativo… o que seja… ela já pagou o suficiente.

Rachel se recostou na cadeira e olhou para Santana, ela estava ali parada absorvendo tudo o que ouvira. Ela entendia a posição da latina, ela estava protegendo a melhor amiga de passar por mais um sofrimento. Mas o que Rachel sentia? Desde que Quinn fora embora a atriz sentia frio, não tinha outro jeito de dizer. Era uma sensação estranha, mas estava lá… aquela frieza em olhar para as coisas e não realmente compreende-las. Era a insensibilidade que lhe tomava, misturada a letargia que ia aos poucos consumindo os seus dias. Era a falta de gosto da comida que ela se forçava a comer pelo menos uma vez por dia. Era a falta de energia que lhe fazia ficar na cama por um dia inteiro enquanto devorava artigos e mais artigos sobre HIV. Mas era mais do que aquilo, ela sabia, ela sentia… era mais do que aquilo e vinha de antes do incêndio… era o coração que acelerava todas as vezes que ela via algo sobre Quinn. Eram as noites que ela tinha perdido lendo e relendo os livros, quantas vezes ela terminava um e já ia pegar o seguinte ou o primeiro se tivesse acabado de ler o último lançado, mesmo que já os tivesse decorados na ponta da língua. Ela tinha duas versões, ainda podia ouvir Kurt e Jesse rindo disso, mas era verdade ela tinha… ela tinha as versões que ficavam na estante da sala e estavam impecáveis como saíram das livrarias e as versões surradas, bolidas, marcadas que eram suas e apenas suas para ler. Era aquele pequeno momento de hesitação antes da primeira vez que digitara o nome de Quinn em uma barra de busca de uma rede social, era o sorriso que se rastejava ao ver os elogios, fossem os mais carinhosos aos mais esdrúxulos dos fãs. Era a forma como seu dedo tocava a tela quando via uma foto nova, fosse de um paparazzi ou de um ensaio para uma entrevista, entrevista essa que ela salvaria em seus favoritos. Era a forma como sentiu uma dor sem saber de onde vinha quando vira o anuncio do noivado. Ela diria e tentaria acreditar que era orgulho pela antiga rival ter chegado onde chegou, era lisonjeiro ser comparada ao personagem. Ela diria. Ela tentaria. Ela tentou por anos e ela sabia disso. Ela escondeu tudo aquilo com medo que se os amigos soubessem o que eles falariam? Que ela era uma louca se comportando como um fã obcecado? Rachel parou olhando para o nada. O que ela sentia? Ela sentia saudades. Ela sentia desejo. Ela sentia…

Santana estava em silêncio observando a morena, as formas como seu rosto parecia mudar conforme seus pensamentos seguiam o rumo. A latina pegou o chaveiro dentro de sua bolsa quando viu que Rachel finalmente chegara a algo, a maneira como os olhos brilharam foi o que lhe deu certeza. Retirou duas chaves e estendeu para ela.

— Quinn mora na Pacific Ave, 2100, apartamento 1001. — A latina falou atraindo a atenção da atriz. — A maior é a da portaria e a menor é a do apartamento.

Diário

A loira estava sentada no sofá enquanto relia as anotações, podia ouvir Arthur deitado ali perto dormindo. Apoiou a caneta contra a testa enquanto relia um dos pontos anotados, era algo que até aquele momento ela não tinha certeza se poderia fazer. Apoiou o diário sobre o peito e encarou o teto. Ela já tinha deixado claro que Beth Stern era bissexual, mas até aquele momento ela nunca tinha aprofundado nenhum relacionamento dela com uma mulher. Quão problemático aquilo seria com a editora, aquele livro faria com que a saga saísse definitivamente do plano juvenil. Quinn poderia alegar que seus leitores cresceram e que a personagem já era uma adulta, poderia podar as cenas de sexo que já estava imaginando… e aquilo mataria totalmente o seu ritmo criativo. Quinn queria alçar outros voos e principalmente queria que Beth Stern fosse finalmente livre de todas as amarras. Franziu as sobrancelhas quando ouviu a batida tímida na porta, pegou o celular que estava no encosto do sofá, já era madrugada. Ninguém interfonou da portaria, só poderia ser sua mãe ou Santana. Se levantou quando ouviu uma batida mais forte, ouviu Arthur se mexer aproximando-se da porta a farejando o rosnado baixo saindo do animal. Quinn digitou 911 no celular antes de entrar no foyer e se aproximar da porta olhando pelo olho de vidro, sentiu uma onda de choque percorrer o seu corpo. Travou a tela colocando o celular no bolso traseiro da calça e se inclinou agarrando a coleira de Arthur enquanto abria a porta. Rachel lhe olhou com os olhos castanhos tímidos que lhe derretiam, duas malas acompanhavam a morena.

— Surpresa? — A morena falou com um sorriso contido. — Santana me deu as chaves, mas fiquei sem jeito de abrir a porta e ainda bem que eu não fiz. Oi você.

A morena se abaixou estendendo a mão para o cachorro lhe cheirar, o buldogue prontamente esticou o pescoço e a cheirou até o cotoco de rabo balançar loucamente. Quinn observou o animal ficar agitado querendo chegar a Rachel e o soltou vendo a morena rir baixinho enquanto ele lhe fazia festa.

— Vai deitar Arthur. — A loira ordenou correndo o indicador entre as orelhas pontudas. — Pra cama, vamos.

O buldogue correu para a cama acolchoada e se sentou olhando com expectativa para as duas. As duas mulheres se entreolharam e Rachel ficou insegura outra vez.

— Arthur? — Rachel abordou o assunto seguro. — Você e seu amor por Sherlock Holmes.

— Como sabe disso? — Quinn franziu as sobrancelhas, mas um sorriso brincava em seus lábios.

— Você sempre tinha algum livro dele nas mãos pelo menos uma vez por mês depois que saiu das cheerios. — A morena murmurou sem jeito. — Eu sei que eu deveria ter avisado que vinha, mas…

— Não… — Quinn a interrompeu. — Fico feliz que tenha me feito uma surpresa, deixa que eu pego as malas, entra.

Rachel entrou olhando ao redor, seus olhos se prenderam na vista da cidade iluminada contra o céu escuro, era a visão que ela tinha da parte de trás da sala. Era uma visão que poderia lhe arrancar o fôlego se ela não tivesse se virado para olhar Quinn assim que a loira fechara a porta. As duas se entreolharam sem saber o que fazer, até que a atriz tomou a dianteira e se aproximou lentamente vendo a autora permanecer parada. Espalmou sua mão contra o abdômen de Quinn a empurrando contra a madeira, sentiu a mulher ficar tensa com seu toque e continuou se aproximando. Os olhos castanhos nunca se afastando dos olhos verdes enquanto invadia seu espaço pessoal, Rachel se ergueu um pouco quando seus corpos se tocaram e ela subiu a mão para acariciar o pescoço pálido. Ela podia sentir que Quinn estava imóvel lhe dando todo o domínio do ato.

— Eu estou aqui. — A morena sussurrou antes de roçar seus lábios contra os da autora. — E eu vou ficar aqui.

Ela obrigou Quinn a inclinar a cabeça pressionando seus lábios nos da mulher, apenas para perceber que aquele beijo inocente já não lhe satisfazia mais. Ela queria mais. Ela precisava de mais. E então ela instigou Quinn a lhe dar mais enquanto abria os lábios e lambia a boca da outra seguindo o contorno dos lábios com a ponta de sua língua o ofegar da autora fora o suficiente para que ela aprofundasse o beijo. Sentiu quase imediatamente as mãos agarrando sua cintura enquanto o beijo se desenvolvia apaixonadamente, seus próprios dedos se entrelaçando aos cabelos loiros os puxando obrigando Quinn a lhe dar mais. O latido de Arthur fez com que as duas se afastassem ainda respirando pesadamente, Quinn apoiou sua testa na da mulher mantendo seus olhos abertos enquanto Rachel tinha os seus fechados.

— Tem certeza? — Perguntou em voz baixa, insegura fazendo com que Rachel abrisse os olhos imediatamente.

— Tanta certeza como a que tenho quando digo que pertenço a Broadway, eu vim para ficar. – Rachel respondeu ainda respirando pesadamente, Arthur latiu outra vez. – Alguém quer atenção.

Notas finais
@just_someone13