Diário 2.0

12 Capítulo XII - Judy


Mãe. Mas eu não quero falar da minha mãe, pelo menos não diretamente. Hoje eu vim aqui para falar sobre amor. Eu amo os filmes da Disney e uma das minhas cenas favoritas por n questões sempre vai ser uma música em particular de Tarzan. “No meu coração você vai sempre estar”, acredito que todo mundo aqui já tenha visto Tarzan, mas se não está lembrando e a preguiça de abrir o youtube é muito grande… a tia ajuda… é uma música sobre amor incondicional. Sobre superar diferenças, sobre apoio, sobre luta… sobre ter um lugar seguro para se reerguer. Amor de mãe é assim, pelo menos ele deveria ser assim. Eu dei uma sorte que eu sei que muitas pessoas não tem, eu tenho um amor assim com a minha mãe. Um amor incondicional. E mesmo que ela já não esteja mais com você, respire fundo, onde quer que ela esteja acredite ela está com você.

Abriu os olhos percebendo o quarto ainda escuro. As cobertas fofas a envolvendo de maneira tão confortável a fazendo suspirar, deslizou a mão pela cama sentindo os lençóis frios. Ergueu a cabeça olhando envolta percebendo as cortinas cobrindo as janelas, empurrou as cobertas e seus pés tocaram o carpete do quarto e ela prontamente abriu as cortinas deixando a luz do sol entrar. O dia estava limpo e ela observou a cidade de São Francisco em pleno vapor. Se virou para olhar o quarto, paredes cinza claras, uma cama grande, um pequeno sofá perto da janela e uma passagem aberta para o banheiro e os dois closets.

Caminhou até sentir a passagem de carpete para porcelanato e sorriu sentindo o piso aquecido sobre seus pés. Passou pelos closets indo até o banheiro para iniciar sua rotina, sorriu mais ainda quando viu sua necessaire na pia. Quinn. Onde diabos ela teria se metido? Passou pela rotina o mais rápido que pode prendendo os cabelos rapidamente para sair do quarto, seus passos soaram suaves contra a madeira escura e aquecida. O corredor era largo e ela viu uma porta fechada e quadros pendurados nas paredes. Passou pelo corredor entrando no foyer.

— Quinn? – Chamou parando na entrada da sala, percebeu pela primeira vez que a mesma era dividida em dois ambientes.

O chão de madeira se estendia pelos dois ambientes, no primeiro ela viu poltronas de linhas limpas e modernas, a parede que separava os ambientes abrigava uma lareira. Uma porta estava fechada e um corredor se abria para a cozinha.

— Quinn? – Chamou outra vez e caminhou até o segundo ambiente, o que ficava atrás da parede divisória.

Um sofá confortável se estendia pela parede e Rachel teve certeza que ele era um sofá sob medida. O assento era largo, as almofadas eram fofas e havia uma manta jogada no encosto que deixava claro que Quinn usava muito o local. Um aparelho de televisão estava fixada na parede, e ela viu uma das cama de Arthur ali junto há alguns brinquedos.

Olhou para o outro lado vendo a sala de jantar, uma mesa longa de madeira com um detalhe no tampo de vidro, as cadeiras faziam par eram acolchoadas e em estilo moderno. Rachel passava os olhos pelos quadros pendurados, pinturas, fotografias, composições… Quinn parecia preferir uma decoração em cores frias com predominação em branco, cinza e preto. Os toques de cores quentes saltavam aos seus olhos e os tapetes traziam conforto em cada cômodo. O espaço era aberto para a cozinha, ela viu uma mesa circular com algumas cadeiras perto de uma das janelas panorâmicas do apartamento.

— Quinn? – Ela chamou ciente que a loira não estava no apartamento.

Ela olhou para a cozinha e suspirou janelas grandes traziam a luz solar, bancadas de madeira com tampo de granito claro. Na península tinha o cooktop industrial, ela arqueou as sobrancelhas para o tanto de bancadas em um dos armários inteiros ela viu o forno e o micro-ondas embutidos. O que chamou a sua atenção foi um bowl com um cartão apoiado.

Levei Arthur para passear, ele fica mal-humorado sem o passeio matinal.

Deixei granola para você e pode pegar o que quiser na geladeira

Sinta-se em casa. Volto logo.

Q

Rachel sorriu pelo carinho e andou até a geladeira, se surpreendeu ao encontrar leite de soja e iogurte vegano. Pegou o pote de iogurte e algumas frutas que já estavam picadas, deixou tudo na bancada e foi procurar um pouco de mel. Frutas picadas, granola, iorgute e mel… ela estava feliz. Se apoiou na bancada e começou a comer cantarolando baixinho enquanto olhava pela janela. Ela tinha uma visão maravilhosa da ponte Golden Gates e de uma parte da baía, ela ouviu a porta se abrir e fechar. Ouviu as patas de Arthur contra a madeira correndo na direção da cozinha.

— Hey menino, gostou do seu passeio? – Rachel sorriu para ele.

O cachorro foi direto para sua tigela de água para beber, ela soltou uma risada leve vendo o rabinho abanar.

— Desculpa. – Quinn apareceu no corredor enquanto segurava a correia do peitoral que Arthur ainda usava, Rachel olhou para a mulher e arqueou as sobrancelhas. Quinn usava uma calça colada, tênis, um top e um agasalho por cima… Rachel demorou os olhos nos abdomens desnudos cobertos por uma leve camada de suor…

— Bom dia… — Rachel murmurou comendo outra colherada de granola com um pequeno sorriso.

— Bom dia. – Quinn se aproximou dando um beijo na testa da morena. – Eu realmente não queria te deixar acordar sozinha, mas ele fica mal-humorado se não tem a caminhada matinal.

— Não tem problemas. – Rachel sorriu para ela e se inclinou para cima roçando seus lábios contra os de Quinn. – Eu amei o café da manhã, obrigada… posso perguntar porque tem leite de soja e iogurte vegano na geladeira?

— Eu costumo comer. – Quinn respondeu se afastando para ir até a geladeira pegar uma garrafinha de água. – Mamãe é meio… neurótica com a minha alimentação. Então ela tende a me fazer ter uma alimentação extremamente balanceada. Se tiver uma feira de pequenos produtores? Pode ter certeza que ela vai estar lá fazendo a feira da semana. Carnes? Apenas de açougues que trabalham com fazendas que são contra a crueldade animal.

Rachel arqueou as sobrancelhas verdadeiramente surpresa enquanto via a mulher loira drenar a garrafa de água e deixa-la perto da pia. Quinn se aproximou apoiando os braços na bancada e a olhando com curiosidade.

— Então…

— Então… — Rachel comeu outra colherada de granola, pegou um pouco mais com o talher e aproximou de Quinn que abriu a boca obedientemente. – Como você passou esses dias?

— Tentando trabalhar no livro. – Quinn respondeu enquanto mastigava. – E você?

— Dormi mal todos os dias… isso quando eu dormia… — Rachel abaixou o tom de voz enquanto brincava com a granola. – Pesquisei bastante…

— Montou uma apresentação de slides? – Quinn perguntou segurando o sorriso.

Rachel sorriu comendo outra colherada e alimentou Quinn mais um pouco.

— Não. – Murmurou ainda sorrindo. – Mas conversei com Santana.

Quinn perdeu o sorriso e ficou séria, as reações da autora fizeram Rachel abaixar o bowl já vazio e suspirar. A morena estendeu a mão e segurou a da loira a apertando suavemente.

— O que Santana te contou? – Sua voz saiu rouca.

— O que ela achou que eu deveria saber. – Rachel respondeu acariciando o dorso da mão pálida. – Quinn…

A loira puxou a mão e deu a volta saindo da cozinha pelo corredor que daria direto no foyer, Rachel prontamente a seguiu a segurando um pouco antes de entrarem no espaço.

— Santana só me ajudou a entender coisas que eu já estava enxergando. – A puxou pelo braço suavemente. – Não fique com raiva. E nem ouse pensar que eu estou aqui por pena ou qualquer outra coisa que não seja minha livre e espontânea vontade.

Quinn a olhou antes de desviar os olhos, Rachel a segurou pelo queixo a puxando para perto.

— Eu quero estar aqui. – Abaixou o tom de voz. – Eu quero estar com você. Eu quero descobrir as coisas com você e não vou fugir.

Quinn sentiu a mulher pincelar o nariz no seu e suspirou cedendo, concordou com a cabeça.

— Eu vou tomar um banho, ok? – Sussurrou a beijando entre os olhos.

— Eu vou arrumar a bagunça que fiz na cozinha. – Rachel respondeu a vendo se afastar.

A morena voltou para cozinha colocando a louça suja na pia e guardando as coisas em seus devidos lugares. Voltou para a pia para lavar o que havia usado, ouviu a respiração de Arthur e olhou para ele sorrindo.

— Como foi o seu passeio? – Perguntou ainda sorrindo. – Foi bom assim? Então você fica mal-humorado se não da o seu passeio? Eu te entendo, também fico mal-humorada se fico muito tempo sem exercício.

Ela soltou uma risada baixa enquanto ele abanava o rabo em sua direção. A mulher começou a secar os utensílios antes de guarda-los, observou um pote com petiscos e pegou um. O cachorro imediatamente se animou, balançando de um lado para o outro e latindo ansioso.

— Aqui menino. – Ofereceu para ele.

Viu o cachorro pegar o petisco e correr para a sala, andou atrás dele o vendo pular na cama que estava encostada a parede e começar a comer. Se aproximou do sofá e pegou a manta, o cheiro de Quinn era forte ali, dobrou a manta com cuidado o colocando no encosto. Mexeu nas almofadas as arrumando, ouviu Arthur latir e se virou para ele.

— O que foi menino? – Perguntou quando ele disparou na direção da porta. – Arthur?

Ouviu o barulho na porta e franziu as sobrancelhas quando a viu ser aberta.

— Bom dia amor, sua mãe já acordou? – A senhora loira perguntou ao cachorro que pulava em suas pernas. – Já te levou para passear?

— Bom dia. – Rachel murmurou sentindo o rosto esquentar ao perceber que estava de frente para a senhora Fabray.

Judy ergueu o rosto e olhou para Rachel com surpresa antes de abrir um sorriso.

— Meu Deus, você se tornou uma mulher realmente linda, Rachel. – Judy a elogiou se aproximando. – Ah querida, desculpe entrar assim, mas Quinn é péssima em manter a casa abastecida com comida. Então eu trouxe algumas coisas que eu sei que já estão acabando.

— Não, não… — Rachel murmurou encabulada. – A senhora não tem que me pedir desculpas…

— Eu não quero ser inconveniente. – Judy sorriu ciente do constrangimento da mulher.

— Não, por favor. – Rachel olhou para ela com os olhos arregalados, deu um sorriso contido. – Acho que a última vez que nos vimos foi na nossa formatura.

— Acredito que sim. – Judy concordou com a cabeça. – Vocês se apresentaram durante a formatura, Cindy e eu estávamos segurando o choro durante a maior parte da cerimônia.

— A senhora quer café? – Rachel ofereceu sem saber se deveria fazer aquilo. – E devemos guardar as compras, certamente.

Judy soltou uma risada baixa e foi na direção da cozinha deixando a morena lhe acompanhar junto a Arthur. Parou no balcão vendo Judy se mover pela cozinha guardando o que tinha comprado rapidamente antes de se aproximar da cafeteira e servir duas canecas de café, preparou a sua e olhou para Rachel.

— Apenas açúcar. – Rachel se atrapalhou enquanto se aproximava. – Eu costumo beber com creme vegano, mas eu percebi que Quinn não tem.

— Existe creme vegano? – Judy arqueou as sobrancelhas antes de abrir a geladeira e pegar o leite de soja. – Aceita?

— Ah, sim. – Rachel sorriu enquanto a mulher servia um pouco em sua caneca. – E sim existe.

Elas se sentaram na mesa circular e Judy bebeu um pouco do café a olhando. Sorriu amistosa percebendo que a morena estava visivelmente acanhada.

— Como você está querida? – Judy perguntou de forma carinhosa. – Tem se alimentado? Dormido bem?

— Hnnnn… — Rachel sorriu sem jeito. – Tem sido um pouco difícil, na verdade…

— Eu imagino que sim. – Judy estendeu a mão e segurou com cuidado a da mulher. – Mas vai te fazer bem ficar um pouco longe de New York por uns dias. Faça Quinn te levar em todos os pontos turísticos! – A mulher piscou sorrindo. – E se me permite… acredito que Shelby ficaria feliz em te ver.

— Para ser sincera eu estou pensando em ir vê-la, também quero conhecer Beth. – Rachel sorriu mais tranquilamente. – Mas… seria realmente bom ter Shelby por perto agora.

— Acredite… para ela também. – Judy deu um suspiro franzindo as sobrancelhas. – Eu provavelmente não deveria dizer isso, mas ela entrou em pânico quando viu as notícias. Ela não podia demonstrar, porque Beth estava ansiosa ao extremo, mas ela estava com medo.

Rachel se concentrou em olhar para a caneca antes de olhar para a mulher e concordar com a cabeça.

— Eu vou vê-la. – Falou com determinação. – Eu duvido que seja muito difícil de convencer Quinn em ir para lá.

— Ah meu anjo, isso é a coisa mais fácil que você vai conseguir. – Judy brincou. – Eu ainda não sei por que moramos em São Francisco ao invés de Los Angeles.

— Por que a vista maravilhosa que este apartamento me proporciona de basicamente todos os principais pontos turísticos da cidade me deixa inspirada. – Quinn respondeu entrando na cozinha, puxava as mangas da camisa longa um pouco para cima. – Bom dia mamãe.

— Bom dia meu amor, trouxe algumas coisas que já estavam acabando. – Judy tomou um gole de café e balançou as sobrancelhas para Rachel com um ar de travessura.

— Mãe, eu já disse que posso fazer isso. – Quinn resmungou enquanto se servia de café.

— Querida você é maravilhosa em várias coisas, mas é péssima em manter uma dispensa abastecida. – Judy revirou os olhos e isso fez com que Rachel soltasse uma risada baixa. – É sério, Quinn cozinha maravilhosamente bem, sabe cuidar da lavanderia, é organizada…

— Mamãe. – Quinn arqueou as sobrancelhas enquanto se sentava ao lado da morena. – A senhora já acabou de enumerar minhas qualidades?

— Mas é péssima em manter uma dispensa abastecida. – Judy revirou os olhos outra vez, mas um sorriso estava em seus lábios.

— Por favor, a ignore. – Quinn pediu olhando para a morena, sentiu a mãe lhe chutar e reclamou.

— Olhe como fala com a sua amada mãe. – Judy a repreendeu arqueando uma sobrancelha. – Sua entrevista na Ellen é hoje?

— Sim, segundo a mensagem de Alex. – Quinn revirou os olhos, tomou outro gole de café. – Deve ir ao ar hoje e ela já está surtando em como vai lidar com a imprensa.

— Por quê? – Rachel perguntou curiosa.

— Eu falei algumas coisas que… podem não ser exatamente boas para a minha imagem. – Quinn falou lentamente. – Falei de como te tratei durante a escola.

— Quinn… — Rachel franziu as sobrancelhas. – Pra que falar disso? Eu já te perdoei. Nós já resolvemos isso…

— Eu falei porque era o certo. – Quinn a interrompeu. – Falei porque não escondo o meu passado, Rach. O que eu fiz com você é indescritível e eu me arrependo todos os dias de cada ação.

— E eu acho que você já foi punida o suficiente por isso. – Rachel franziu as sobrancelhas. – Eu não quero que você continue se torturando. Não quero que se prejudique intencionalmente por isso. Podemos, por favor, deixar o nosso passado onde ele deve estar e nos concentrarmos no nosso presente e em como construir o nosso futuro, juntas.

Judy sorriu extremamente satisfeita com as palavras da mulher, percebeu a facilidade com que as duas se inclinavam uma para a outra, os toques sutis que compartilhavam desde que Quinn se sentara.

— Eu acho que você deveria leva-la para passear pela cidade. – Judy a cutucou com o pé.

— Por favor! – Rachel abriu um sorriso largo. – Eu sou louca para conhecer o Musée Mécanique! Eu sou apaixonada pelo Diário de uma princesa. E andar nos bondes também! E ir na Lombard Street e…

— Eu vou te levar a todos esses lugares. – Quinn a interrompeu sorrindo. – A todos esses e mais alguns, ok?

— Leve-a ao Farol de Point Bonita. – Judy falou com um sorriso carinhoso. – Tem uma das vistas mais lindas e vocês poderiam tirar lindas fotos juntas.

— A senhora deveria vir conosco. – Rachel olhou para Judy.

— Ah não querida, eu não quero atrapalhar vocês. – Judy negou erguendo as mãos. – Vocês precisam ter alguns momentos de casal, aproveitar a vida sem paparazzis pelo menos um pouco.

— E nós faremos, mas eu gostaria que a senhora fizesse alguns dos passeios conosco. – Rachel tornou a pedir. – Eu gostaria que… bem… nos conhecêssemos melhor.

— Eu adoraria. – Judy sorriu estendendo a mão para Rachel, a morena a segurou. – Fico muito feliz que vocês tenham se acertado. Que a doença não seja um empecilho entre vocês, eu confesso… estava apostando em você e disse a Quinn que você precisava apenas de um pouco de tempo para assimilar tudo. E acredite eu briguei com ela por ter te dado a notícia logo depois daquela terrível tragédia, você já tinha muita coisa para pensar e ela te deu mais uma. Foi insensível e eu não consigo acreditar que ela ganha a vida escrevendo.

Rachel sentiu a lágrima escorrer pelo seu rosto e rapidamente limpou com a mão livre.

— Eu… eu acredito que o que fez Quinn me contar naquela noite foi uma visita que estava conosco. – Ela olhou para Quinn que desviou os olhos. – Ele mexeu com a sua cabeça, não foi? Olha… eu não quero saber o que ele disse ou deixou de dizer, mas, por favor, entenda que ele não está certo. Você é uma pessoa incrível e eu estou ansiosa por descobrir ainda mais de você.

Judy tomou outro gole de café, sim… ela definitivamente gostava de Rachel Berry.

Notas finais
@just_someone13