Diário 2.0

2 Capítulo II - Possibilidades


Notas iniciais
Só queria dizer que vocês são fantásticos! Eu nunca ia imaginar que teria uma recepção dessas. Obrigada de coração.

Preste atenção. Está prestando? Na vida você dificilmente terá apenas um amor. Pelo contrário, uma vida bem vivida é constituída por uma junção de amores. Seja apaixonado pelo que faz e acima de tudo seja apaixonado por você mesmo! Viva como achar que deve, divirta-se como achar que deve, ame como achar que deve e seja quem você achar que deve ser sem se importar com o que falam ou com o que pensam. Não fique sentado esperando que ele ou ela te ame… não fique sentado pensando em possibilidades… apenas vá. Seja. Esteja.

Sentiu o celular vibrar no bolso da jeans e o pegou enquanto olhava para os cartões de anotações que havia escrito. Seu sorriso se abriu automaticamente ao ver o remetente.

Uma foto de Rachel cobrindo metade do rosto com a capa do livro apareceu em sua tela. Sorriu um pouco mais antes de fechar o aplicativo e ligar para a morena.

Oi. — A voz de Rachel soou pelo autofalante. – Não queria te atrapalhar, estou na minha pausa para o almoço.

— Não está, estou estudando a palestra. – Quinn respondeu soltando os cartões. – Se apresenta hoje?

— Sim, as 20h como sempre. — Rachel respondeu cantarolando. – Já estou saindo para o ensaio geral.

— Gostaria de poder ir te ver hoje. – Quinn suspirou depois fechou os olhos levemente arrependida, esperou em silencio.

Você tem a noite de autógrafos hoje, não é? – Rachel perguntou ignorando o silêncio repentino da outra. – Fica difícil, mas e amanhã?

— Amanhã eu vou para Boston. – Quinn suspirou. – Tenho uma sessão de leitura e outra noite de autógrafos, aí acho que tenho dois dias de folga e vou para… — Franziu as sobrancelhas tentando lembrar qual era o destino depois de Boston. – Chicago? É acho que é Chicago… depois Seattle, LA e termino em San Diego.

Acho que você vai estar ocupada até semana que vem. – Rachel murmurou soltando um suspiro.

— Depois melhora. – Quinn suspirou passando a mão pela nuca. – Aí talvez eu consiga ir para New York passar uns dias.

E então o que faremos? – A voz da morena soou um pouco insegura.

— Bem… pensei em ir ver uma apresentação sua. – Quinn brincou com os cartões encima da mesa. – Dessa vez com você ciente que eu estou na plateia. – Soltou uma risada baixa. – Talvez jantar depois? Almoçar no dia seguinte? Conversar? Eu decididamente preciso ver Santana e Brittany enquanto estiver aí, já ouvi o suficiente por não ter passado nenhum tempo com elas.

Santana e Brittany estão morando aqui? – A morena perguntou curiosa.

— Sim, tem um ano pelo menos. – Quinn respondeu olhando para o homem que abriu a porta. – Preciso ir, posso te mandar mensagem mais tarde?

Estarei esperando. Boa apresentação. – Rachel sussurrou e Quinn quase pode ouvir o sorriso na voz da mulher.

— Bom ensaio. – Respondeu com um sorriso igual.

O homem sorriu para Quinn e indicou o lado de fora, estavam prontos para ela. Quinn suspirou recolhendo seus cartões.

*Diário*

Rachel alongou a coluna soltando um suspiro pesado. Ouviu a porta se fechando as suas costas e olhou por cima do ombro. A mulher de cabelos cacheados e espessos, pele queimada de sol… quadris volumosos e olhos de um castanho claro. Rachel se virou para a mulher com as sobrancelhas franzidas.

— Pensei em irmos jantar. – A mulher falou suavemente. – Talvez conversar…

— Ellen. – Rachel suspirou se virando para pegar a bolsa. – Eu não sei se devemos.

— Rach… — A mulher deu um passo em sua direção. – Apenas conversar… tem tempo desde que realmente saímos para conversar.

— Por que sempre que saímos para conversar acabamos com uma garrafa de tequila e terminamos na cama. – Rachel apoiou a alça da bolsa em seu ombro.

— E isso é um problema? – Ellen sorriu arqueando as sobrancelhas.

Rachel andou na direção da porta, mas a outra a pegou pela cintura a puxando contra o seu corpo. Sentiu a mulher roçar por sua pele, a ponta do nariz pelo seu maxilar e seu corpo reagiu traiçoeiro. Os lábios grossos passeando pela pele sensível do pescoço fez com que os olhos de Rachel se fechassem e o corpo se arqueasse na direção da mulher.

— Vamos jantar, Rach? – A morena sussurrou contra o ouvido da atriz, seus dentes roçando a cartilagem sensível.

Lambeu os lábios secos e apoiou as mãos nos ombros da mulher a empurrando um pouco para trás, seus olhos castanhos um pouco escuros pelas pupilas dilatadas. A mulher sorriu abertamente, um sorriso quase predador que arrepiou a nuca de Rachel.

— Podemos ir… — Rachel lambeu os lábios outra vez. – Jantar.

*Diário*

Quinn suspirou deixando a garrafa de cerveja encima da mesa e se sentando de frente para a mulher que estava agarrada ao celular. A loira levou a garrafa aos lábios olhando pelo bar universitário, algumas mulheres lhe chamaram a atenção.

— Quando você ia me contar? – A mulher que estava na mesa lhe chamou de volta atraindo seu olhar. – Merda, Quinn, não pensou em falar que Beth é baseada em uma atriz da Broadway? E que você estudou com ela enquanto era adolescente?

Quinn abaixou a garrafa e lambeu os lábios soltando um suspiro. Olhou para a mulher, ela tinha os cabelos vermelhos e olhos incrivelmente azuis. A tatuagem escapando por debaixo da manga da camisa social eram flores envolvendo o pulso.

— Eu… — Quinn encolheu os ombros.

— Desde domingo meu celular não para. – A mulher ergueu o aparelho. – Tem tabloides especulando se vocês têm um caso.

— Não, não temos. – Quinn tomou outro gole da cerveja. – Eu só não entendi porque isso estourou agora, já estamos no terceiro livro.

— Eu andei pesquisando e isso não vem de agora. – A mulher voltou a olhar para o celular. – Algumas fãs criaram uma teoria a respeito disso. Elas acham que você era apaixonada por Rachel na época do colégio, mas Rachel estava namorando Finn Hudson. Tem fotos suas de cadeira de rodas, tem fotos de vocês duas em grupo, tem fotos suas olhando para Rachel de um jeito bem… carinhoso… então a teoria é que você fez isso para se declarar.

Quinn tomou mais um gole da cerveja e a pousou na mesa com um baque um pouco mais forte.

— Rachel e eu temos uma história complicada. – Falou olhando para a mesa. – Basicamente… eu era a garota de família cristã, que tinha uma boa condição financeira, que era a capitã das líderes de torcida, que namorava o quarterback que era o Finn Hudson e Rachel era… a menina judia com dois pais gays, que era apaixonada por musicais e tinha um péssimo gosto para moda. Eu torturava Rachel… eu a torturei por boa parte do nosso tempo na escola.

A mulher tomou um gole da cerveja enquanto olhava para Quinn que continuava olhando para a mesa com as sobrancelhas franzidas. A autora parecia estar relembrando de algo que não estava lhe agradando muito.

— Rachel e eu disputamos Finn Hudson. – Quinn encolheu os ombros dando uma risada baixa. – Não éramos amigas, mas em algum momento chegamos em algo similar a uma amizade.

— E porque escreveu o livro? – A mulher se inclinou para ela. – É apaixonada por ela?

Quinn levou a garrafa a boca tomando alguns goles lentamente usando o tempo para pensar em uma resposta.

— Acho que sim. – Respondeu abaixando a garrafa, lambeu o lábio superior. – Acho que sou apaixonada por Rachel Berry.

— E Andrea? – A mulher perguntou baixinho.

— Terminamos quando ela viu uma foto de Rachel. – Quinn respondeu soltando um suspiro. – Melhor… ela terminou. Você disse que tem tabloides especulando? Mas porque especulariam isso?

— Você é uma autora de sucesso mundial. – A mulher revirou os olhos. – E ela não é uma anônima exatamente. Quando colocaram a foto dela naquele telão e ele disse que Beth Stern tinha a aparência dela… pronto… atiçou a curiosidade de boa parte dos fofoqueiros do mundo. As vendas dos seus livros dispararam caso você queira saber.

— Eu não quero ganhar dinheiro encima dela. – Quinn ergueu os olhos imediatamente.

— Você está ganhando dinheiro pelos seus livros. – A mulher retrucou. – Rachel… está sendo um marketing involuntário.

— Alex. – Quinn a chamou com um estalar de língua.

— Eu sou sua agente. – A mulher ergueu as mãos se defendendo. – Eu preciso tirar algum proveito disso, é uma crise Quinn.

— Não envolva Rachel nessa merda. – A loira grunhiu antes de se levantar.

*Diário*

Tomou um gole do café, estava de roupão no meio da cozinha ainda sonolenta. O celular brilhando encima do balcão atraiu sua atenção, desbloqueou a tela e percebeu a mensagem de Sam.

Então você está namorando a Fabray e não pensou em me informar?

Franziu as sobrancelhas sem entender a mensagem do amigo/agente. Abriu uma rede social e digitou seu nome na barra de buscas, e se ela estivesse bebendo naquele momento teria se engasgado. As mensagens apoiando ou criticando um suposto relacionamento entre ela e Quinn iam surgindo na tela. Pode ver um ou outro artigo falando sobre o suporto namoro, especulações sobre a quanto tempo estariam juntas ou se o relacionamento havia acabado na época do colégio e os livros eram uma espécie de tentativa de reconquista. Precisou se apoiar na bancada quando fotos das duas na outra noite apareceram na tela, não havia notado que tinham sido fotografadas. Viu uma foto de Quinn apoiando a mão na base de sua coluna e um sorriso compartilhado. Ligou para Sam imediatamente.

— Obrigado pela informação. – Ouviu a voz grossa dele lhe saudando. – Fiquei muito feliz em saber que você e a minha ex estão namorando…

— Sam! – Rachel olhou para o corredor tentando controlar o tom de voz. – O que está acontecendo?

— As fotos saíram ontem. – Sam explicou calmamente. – Passei a tarde de ontem lidando com jornalistas perguntando se vocês estavam ou não juntas. Respondi sem comentários para todas as perguntas, mas com as fotos saindo…

— Enlouqueceram. – Rachel murmurou fechando os olhos e apoiando a mão no rosto. – Puta merda…

— A partir do momento que te colocam no patamar de musa de uma autora de renome mundial e vocês são fotografadas juntas é óbvio que a imprensa vai enlouquecer como abutres diante de um banquete.

— E o que vamos fazer? – Rachel perguntou erguendo o rosto encarando um de seus armários, apoiou a mão no tampo de granito.

— Primeiro eu quero saber o que está acontecendo. – A voz de Sam veio calma e forte. – O que aconteceu? Vocês estão juntas? Algo perto?

— Sam. – Rachel começou, lambeu os lábios. – Não estamos juntas, mas…

— Mas… — Ele insistiu quando ela parou. – Rach…

— Eu não sei. – Rachel mordeu os lábios franzindo as sobrancelhas. – É… algo que me intriga e eu senti que também a intriga.

— Intriga? – Sam repetiu ainda mantendo a voz calma. – Como assim?

Ela ouviu os passos e endireitou o corpo.

— Posso te encontrar para conversar sobre isso? – Pediu apressadamente.

Se virou a tempo de ver Ellen entrando na cozinha olhando para o próprio celular, desligou assim que Sam confirmou. Jogou o próprio celular na bancada e tomou um gole do café, observou Ellen pegar uma caneca para se servir, mas a mulher desistiu antes de alcançar a cafeteira.

— Viu, não acabamos com nenhuma garrafa de tequila. – A morena brincou antes de abraçar Rachel por trás a beijando na têmpora. – Adoro seu cheiro pela manhã.

A mulher deslizou a ponta do nariz pelo maxilar de Rachel dando um beijinho no pescoço da atriz. Os dentes roçando a pele sensível antes de suga-la com cuidado soltando um pequeno gemido. Rachel olhou para o celular enquanto sentia a mulher acariciar sua barriga por cima da camisola.

— O que foi? – Sussurrou puxando o lóbulo da orelha com os dentes. – Está tensa…

— Tenho que ir encontrar com o Sam. – Rachel respondeu tomando um gole de café. – Resolver algumas coisas.

— Algum teste novo? – Ellen perguntou interessada roubando a caneca de Rachel antes que ela a colocasse na bancada.

— Preciso ver as opções. – Rachel encolheu os ombros. – O contrato está acabando e eu preciso ver o que vou fazer.

Ela esticou a mão pegando o celular e se virando para sair deixando Ellen com a caneca na mão, mas a morena a pegou pelo braço a puxando de volta. Apoiou Rachel contra a bancada a segurando pelo quadril.

— O que está te incomodando? – Perguntou calmamente. – E não venha me dizer que não é nada por que eu posso ver que tem algo te incomodando.

Rachel ergueu o rosto para a mulher e respirou fundo encarando os olhos claros da mulher se impedindo de morder o lábio inferior.

— Apenas preocupada com essa reunião com Sam. – Ela respondeu suavemente. – Preciso decidir as coisas e ele me ligou logo cedo então…

— Está apreensiva. – Deslizou os dedos longos pelos cabelos escuros de Rachel. – Então vamos, vou me arrumar para não te prender mais tempo em casa.

— Obrigada. – Rachel murmurou sentindo uma leve apreensão de estar mentindo.

Rachel voltou para o quarto entrando direto em seu banheiro, tentou não pular quando sentiu os braços entorno do seu corpo e a boca colada ao seu ouvido.

— Posso não te prender, mas posso te relaxar um pouco antes de sair. – A mulher estava sorrindo.

Notas finais
@just_someone13