Diário
29 Capítulo XXVIII - Família
Família. Tenho uma definição de família um tanto quanto anormal. Minha família é grande, espalhafatosa, brigona, falamos muito alto e temos o lindo costume de falar mal um do outro. Temos uma frase que é: “Só presta os dois que estão juntos naquele momento”.
Outra coisa aqui em casa que é interessante é que quem entra para a família não sai, mesmo que o relacionamento com a pessoa da família tenha acabado. Festas familiares sempre acabam vindo o ex-marido com a atual esposa e os filhos ou então a ex-namorada com a irmã e o novo namorado e sempre acaba tudo em paz.
Uma vez minha mãe pegou um moto-taxi e ele disse para ela: Dona sabe o lugar em que eu mais bebi na minha adolescência e nunca tive problemas?
Minha mãe perguntou a onde era e ele respondeu: na sua casa.
Acho graça em outras coisas como o fato de que não fui criada exclusivamente por meus pais, como também fui criada por meus tios, e avós assim como os meus primos. Quem estivesse em casa era o responsável por cuidar da criançada dando banho, comida, colocando para a escola, olhando dever de casa e levando ao médico quando necessário e agora eu faço isso com os meus primos menores.
Meu conceito de família sempre foi algo unido e sólido, aquilo que me apoiaria em todos os instantes e sempre iria me acolher. Isso é família. Essa é a minha família.
Rachel entrou em casa e sorriu quase imediatamente. Quinn estava deitada no sofá com Ethan deitado em seu tronco ambos se encontravam adormecidos.
Rachel soltou um suspiro satisfeito, puxou o celular para fora batendo uma foto rápida. Judy e Hiram apareceram vindos da cozinha.
- Dois anjos. – Judy sorriu para a nora. – Como foi a ida ao mercado?
- Está tudo no carro do Sam, papai o senhor ajuda o pai, o Sam precisa ir embora? – Perguntou ainda sorrindo. – Comprei tudo o que estava na lista de vocês dois.
- Muito bom, vou fazer o recheio que ela tanto gosta. – Se aproximou da filha lhe acariciando os fios loiros sutilmente, Quinn se mexeu, mas não acordou. – Rachel eu quero falar com você.
As duas se dirigiram rapidamente ao corredor onde Judy poderia manter um olho na filha.
- Me perdoe, mas eu fiz um convite para o jantar de amanhã. – Murmurou nervosamente. – Eu convidei a Frannie e o noivo preciso fazer essas duas conversarem e se entenderem.
- Judy tem certeza disso? – Suspirou vendo o pai vir carregado de sacolas.
- Querida. – Hiram já previa o assunto das duas. – Confie nos instintos maternos.
- Só não quero que o nosso primeiro Ação de Graças seja com brigas. – Suspirou intercalando o olhar entre os dois percebeu que Judy se mexeu incomodada. – Eu entendo a senhora e eu sei que a Quinn quer reencontrar a irmã e conversar com ela, se a senhora realmente acha que as chances de as duas se acertarem são altas então vamos encher essa casa com a família Fabray.
- Ainda não falei com a Quinn. – Judy suspirou.
Rachel pensou por um instante antes de sorrir.
- Deixa isso comigo. – Deu um rápido beijo na sogra e outro no pai.
Puck empurrou as malas pelo saguão Shelby vinha ao seu lado agarrada a Beth firmemente, seus olhos castanhos percorriam cada canto do saguão atrás da filha.
- Dave. – Puck ergueu o braço cumprimentando o sócio. – Kurt.
- Puck. – Kurt sorriu muito bem embrulhado em seu casaco grosso, seus olhos deslizaram para Beth e o sorriso se alargou. – E você mocinha, está tão linda.
Beth sorriu desajeitadamente, Puck coçou a nuca com um sorriso carinhoso para a menina.
- Esse é o tio Kurt. – Apresentou o Hummel a filha. – Ele estudou com o papai.
- Oi. – A menina murmurou olhando envolta. – Cadê a mamãe?
- Hey linda. – Dave se abaixou na frente da menina com um sorriso. – Aconteceu um probleminha e não deu para elas virem, mas eu estou aqui para levar vocês até ela ok?
- Ethan está bem? – Pediu olhando para o pai.
- Está. – Puck tranquilizou a menina, ouviu Shelby estalar a língua ao seu lado. — Vamos?
David ajudou o Puckerman com as malas, Kurt tentava conversar com uma Beth arredia. Shelby se manteve a parte da interação, Puck deixou a menina com os dois e se aproximou da esposa.
- Qual o problema?
- Ela não podia vir me buscar? – Reclamou cruzando os braços, as marcas da idade se mostrarão mais profundas.
- Shelby não estou te entendendo. – Puck retrucou levemente irritado. – Você não queria uma relação afetiva com a Rachel, nunca quis e agora vai reclamar?
- Ela deveria me respeitar como mãe.
- Você nunca foi e nunca quis ser a mãe dela. – Rebateu grosseiramente. – Não queira que ela continue te tratando como algo que você nunca foi.
- Beth não me chama mais de mãe, apenas pelo nome. – Sentiu sua veia palpitar ferozmente. – Quinn está roubando as minhas filhas de mim.
- Não Shelby, ela não está roubando nada de você. – Balançou a cabeça, incrédulo pelo o que ouvia. – Você perdeu a Rachel e está perdendo a Beth por que não sabe agir. Lembro-me do dia em que você deu um discurso para Quinn de como ser uma mãe, mas agora você não está agindo como uma e você não está mais sozinha.
- O que você quer dizer?
- Quero dizer que estou cansando disso Shelby. – Olhou por cima do ombro para a filha que ria com os dois homens. – Estou cansado de ter que mentir para Beth todas as vezes que você some.
- Cuidado Noah, eu posso muito bem sumir com a Beth e você e a sua preciosa Quinn nunca mais irão vê-la.
- Então é isso, nosso casamento chegou ao ponto em que você me diz isso? – Deu um passo para frente, sua postura rígida. – Ótimo então pegue as suas coisas e suma, mas deixe a minha filha.
- Ela é minha filha adotiva, você e Quinn desistiram dela.
- Quando nos casamos você me restaurou o pátrio poder sobre a Beth, se esqueceu? – Arqueou as sobrancelhas. – Tanto que ela tem o meu sobrenome e o meu nome na certidão de nascimento.
- Me de as minhas malas, e não se preocupe em ir para o hotel querido. – Sorriu amargamente.
- Não precisa se preocupar comigo. – Retrucou se aproximando do carro.
Shelby batia o pé impaciente enquanto o homem retirava a sua bagagem, Kurt e David trocaram um olhar confuso.
- Pegue a da Beth ela vai comigo. – Ordenou.
- Ela vai ficar. – Puck se virou para ela. – Beth fica comigo.
- Eu fico com o papai. – Beth se agarrou a Puck, encolheu levemente com o olhar gelado de Shelby.
- Ótimo, fique com o seu “papai”. – Afinou a voz para falar com a menina. – E você Puckerman não me procure quando se arrepender, você irá falar com os meus advogados.
Puck deu as costas para a esposa, ou seria ex-esposa? Agachou na frente da filha lhe acariciando o rosto rosado pelo frio.
- Vamos ser só eu e você por um tempinho ok?
- Eu e você. – Beth afirmou sorrindo para o pai. – E a mamãe, a Rach, o Ethan, a vovó Judy, o vovô Hiram, o vovô Leroy, o tio Dave e o tio Kurt.
- E mais algumas tias e tios que você ainda não conheceu. – Ajeitou o casaco da filha. – Vamos ficar bem, eu te prometo.
Quinn estava apoiada na parede, o rosto amuado.
- Por quê? – Gemeu baixinho vendo Rachel andar pelo quarto procurando um casaco que ela jurava estar no armário.
- Sua mãe a convidou. – Abriu as portas. – Não acredito que deixei esse casaco no apartamento.
- Rachel, não quero minha irmã aqui. – Bufou batendo a cabeça na parede. – Eu disse que queria um feriado tranquilo em família.
- E vamos ter isso. – Resmungou pegando outro casaco. – Tenho que ir no apartamento.
- Pega um casaco meu. – Retrucou se afastando da parede e sentando ao pé da cama.
Rachel se virou para olhá-la, soltou um suspiro se aproximando da loira. Descruzou as mãos da autora com um pouco de dificuldade e rapidamente antes que recebesse qualquer protesto se sentou no colo desta mantendo sua frente para frente da loira.
- Me escute. – Acariciou os fios claros da loira. – Estamos juntas e nada vai atrapalhar isso, é ação de graças deixa a sua mãe tentar fazer isso. Eu sei que você sente falta da sua irmã.
Apertou a cintura da morena afundando o rosto na curva do pescoço moreno e perfumado.
- Ok. – Murmurou colocando um beijo calmo na pele quente puxou o corpo de Rachel contra o seu. – Eles já devem estar chegando.
- Vamos descer então? – Roçou a unha contra o couro cabeludo da loira.
Quinn ronronou baixinho sentindo o carinho ousado, os pelos de seu corpo se arrepiaram sutilmente.
Puck carregou as malas junto com Karofsky para dentro da casa enquanto Quinn abraçava Beth com força e Rachel puxava Kurt para o lado de fora da casa.
- Minha pequena princesa nórdica. – Quinn murmurou beijando a testa da filha. — Gostou?
- Posso ver meu quarto? – Beth pediu olhando para o pai rapidamente.
- Lá em cima, quarta porta do corredor está com o seu nome na porta. – Viu a menina disparar pelo corredor, se virou para o Puckerman. – Dave o bar é todo seu.
- Vou aceitar. – Karofsky deu um sorriso leve. – Os dois me acompanham?
- Whisky. – Os dois responderam juntos.
Puck se aproximou dando um abraço apertado em Quinn.
- Onde está Shelby? – A loira perguntou franzindo o cenho.
- Hã… — Puck se sentou no sofá correndo a mão pelos cabelos raspados. – Acho que nós decidimos nos divorciar.
- Como é? – Quinn se sentou do lado dele com o rosto exibindo um pouco de perplexidade. – Como assim? Quando?
- Agora no aeroporto. – Suspirou olhando para a aliança de ouro em sua mão. – As coisas estavam se complicando e Beth estava… Beth não está feliz e eu não quero que ela se sinta infeliz nisso tudo.
- E agora?
- Vou entrar com o pedido de divórcio e vou pedir a guarda da Beth, Shelby não tem condições de manter a menina.
Rachel olhou pela janela Karofsky servir três doses de whisky falando animadamente com seus pais. Soltou um suspiro pesado olhando para o Hummel ao seu lado que fitava muito interessado o cãozinho em seu colo.
- O que está acontecendo? – Pediu suavemente ao amigo.
- Eu não sei. – Murmurou se concentrando em acariciar os pelos do animal que comia feliz um osso comestível.
- Como estão? Você e o Blaine?
- Tem dois dias que não nos falamos sabe? – Olhou para a morena. – Dois dias inteiros que nem ligar um para o outro ou um sms nós trocamos, sinto falta de ter atenção, de ter uma conversa descente ou que ele apenas me pergunte como foi o meu dia.
- E o Dave faz tudo isso não é? – Rachel acariciou sutilmente os cabelos escuros do homem.
- Faz.
- Cuidado. – Rachel ergueu o rosto dele pelo queixo fino. – Você pode ver nos olhos do Dave que ele tem sentimentos profundos por você. Não o magoe só por que você e o Blaine estão em crise.
- Não quero magoa-lo.
- Então seja honesto, com ele, com o Blaine e com você. – Acariciou as bochechas rosadas. – Olha não quero te pressionar a fazer nada, mas pensa com cuidado para não deixar vocês três machucados. Ou apenas o Dave.
Kurt acenou com a cabeça, Rachel se levantou o deixando sozinho para poder pensar.
Entrou na cozinha encontrando a sogra e Hiram conversando em voz baixa.
- Algum problema? – Perguntou atraindo a atenção dos dois.
- Não querida estamos apenas conversando sobre o fato da Quinn ter aceitado a vinda da Frannie. – Hiram tratou de responder sem levantar o rosto do que estava picando.
- Eu não acho que ela aceitou tão bem assim. – Rachel pegou a taça do pai e tomou um gole do vinho. – Acho que ela apenas não quis discutir o assunto para satisfazer a senhora.
- Qual o problema querida? – Judy trabalhava no tempero para o peru, tinha se acostumado a fazer um dia antes para no dia seguinte apenas mergulha-lo dentro do tempero e colocar no forno.
- Não gosto quando ela faz isso. – Deu de ombros apoiando a testa na mesa. – Ela se fecha no mundo dela e eu fico sem saber o que fazer ou o que falar, tenho que esperar ela vir falar comigo e isso me mata.
- Quinn é assim desde pequena. – A senhora suspirou. – Ela não faz de propósito, mas é o jeito dela de tentar te proteger.
- De que?
- Da bagunça que ela é. – Judy respondeu se mexendo entre a bancada e a panela no fogo, o cheiro gostoso começou a exalar pela cozinha. – Quinn é uma bomba de emoções, ela tem esse monte de pensamentos na cabeça que ela tem que se resolver sozinha. É como se ela precisa se reafirmar encima dela mesma, ela tem que mostrar que é capaz de fazer sozinha, se ela não conseguir ela vai te procurar.
- Um relacionamento não tem que ser assim. – Suspirou tomando mais um gole do vinho.
- Deixe-a quieta até que ela esteja confortável e então ela vai ir falar com você e resolver a questão. – Judy mexeu o caldo cuidadosamente antes de derrubar alguns temperos. – Ela só precisa de tempo e espaço em silêncio.
- Como você sabe disso tão bem? – Rachel soltou uma risadinha baixa.
- É a minha filha, eu a criei como não vou conhecê-la. – A mulher se voltou sorrindo para a nora.
Quinn correu a mão pelos cabelos, respirou fundo batendo levemente na coxa de Puck.
- Ela está bem?
- Pareceu aceitar bem. – Puck tomou o resto do whisky. – Dave temos negócio a acertar.
- Os seguranças da senhorita Fabray. – Dave se levantou. – Vou pegar a pasta no carro para vermos isso ok?
Quinn se apoiou no ombro do Puckerman o sentindo passar o braço forte pelos seus ombros. O beijo carinhoso em seus cabelos enquanto passava seu braço magro pelo tronco grosso de Puck.
- Temos a nossa menina conosco mais uma vez. – Puck cantarolou em voz baixa. – Quer conversar sobre o que aconteceu?
- Não. – Negou com a cabeça. – Só quero esquecer aquele carro e proteger os três.
- Três? – Torceu o rosto para olhar a mulher.
- Puck eles já sabem da Beth, já viram fotos da Beth não vai demorar muito para começarem a assedia-la. – Apertou os olhos e o suéter grosso que ele usava.
- Ok, podemos providenciar proteção se te tranquiliza. – Tocou os fios loiros. – Cadê o guri?
- Fazendo exercícios no quarto dele junto com a Britt. – Fechou os olhos.
- Andy vem?
- Não, vai ficar com os pais. – Suspirou baixinho. – Eu a queria aqui, Frannie e o marido vão vir.
- Olha, ela não vai estar, mas a Santana, Brittany, nossa filha linda, sua mãe, Kurt, Karofsky, Sam, Mercedes, Hiram, até o Leroy e acima de tudo Rachel e Ethan. – Tocou o maxilar da loira. – Não tem que ter medo ok?
- E você vai me abandonar Puckerman? – Se afastou do ombro dele elevando uma sobrancelha.
- Nunca. – Deu o seu sorriso galanteador. – Acho que no fundo você foi a única mulher que amei de verdade e como presente você me deu a menina mais linda que eu poderia pedir.
Quinn sorriu se aconchegando nele mais uma vez, ganhou outro beijo na testa.
- Atrapalho? – A voz levemente enciumada de Rachel veio do corredor.
Afastaram-se olhando a morena com os braços cruzados e as sobrancelhas erguidas. Puck se soltou de Quinn.
- Estávamos apenas conversando. – Puck se explicou sem graça. – Vou ver por que o Karofsky está demorando tanto.
Levantou-se deixando a sala rapidamente, antes de sair correu a mão pela cabeça raspada mais uma vez. Quinn se sentou confortavelmente abrindo os braços para a morena, Rachel se encostou na parede negando com a cabeça.
- Vem cá. – Quinn pediu suavemente. – Baby.
- Você estava bem confortável nos braços do Puckerman. – Resmungou irritada.
- Rachel. – Abaixou os braços se levantando para se aproximar dela. — Sério? Ciúmes do Puck?
Rachel apoiou a cabeça contra a parede fechando os olhos. Sentiu os braços de Quinn lhe circularem e o beijo pequeno em seu pescoço.
- Você está com o cheiro dele. – Empurrou Quinn levemente saindo dos braços da autora, deu as costas para a mulher.
- Rachel. – Chamou franzindo as sobrancelhas.
Rachel se virou para ela erguendo a mão.
- Não. – Seu tom de voz foi cansado.
Rachel subiu as escadas tentando colocar os pensamentos em ordem. Ouviu o barulho que Beth fazia no quarto e se aproximou.
- Hey pequena. – Sorriu para a enteada.
Beth se levantou no pequeno ninho que havia feito com os cd’s para abraçar Rachel.
- Senti saudades. – A pequena murmurou.
- Também senti. – Beijou a testa da menina a prendendo contra o seu copo. – Gostou do quarto?
- Amei. – A menina puxou Rachel a forçando a sentar na cama ao seu lado. – Amei os cd’s e os dvd’s e tudo.
- Que bom meu amor. – Beijou as mãos da menina. – Onde está Shelby?
Beth ficou tensa por um instante dando um sorriso sem vontade encolhendo os pequenos ombros.
- Não sei. – Respondeu simplesmente. – Posso brincar com o Ethan?
- Espera. – Rachel segurou a menina inclinando a cabeça para o lado. – Você não sabe?
- Papai e Shelby brigaram. – Beth abaixou o tom da voz. – Ela foi embora, mas o papai não deixou ela me levar.
- Por que você a está chamando de Shelby? – Ajeitou uma mecha de cabelos loiros.
Beth se mexeu nervosamente, apertou as mãos de Rachel.
- Ela mudou. – Resmungou baixinho. – Estava sempre zangada, reclamando e gritando por tudo. Ela falava da mamãe reclamando dela e do papai, mas não era verdade o que ela dizia.
- O que ela dizia? – Rachel franziu as sobrancelhas.
- Que eles estavam juntos. – Olhou para a porta nervosamente. – Mas não era verdade Rach, não era.
- Shh… — Afagou os cabelos da menina a puxando para perto.
- Mamãe gostava da Andy, a Andy era legal me levava para um monte de lugares. – Acenou com a cabeça. – E a mamãe gosta de você, ela me disse isso e o papai também disse.
- Beth calma. – Puxou o rosto da menina para poder olha-la nos olhos. – Calma ok?
- Ela bebia e sumia por dias. – A menina apoiou no peito de Rachel, uma lágrima vazou. – Ela não era mais a minha mãe, não posso reconhecê-la assim. Ela me disse coisas ruins, foi ela que começou dizendo que a mamãe quis o Ethan, mas não me quis.
Rachel apertou a menina cuidadosamente, seu sangue ferveu.
- Seu pai sabe disso? – Olhou para a porta.
Beth agitou a cabeça negando circulou Rachel com os braços.
Quinn apareceu na porta, bateu suavemente na porta fazendo as duas se afastarem e Beth limpar as lágrimas.
- Vamos ver o Ethan? – Rachel sorriu para a enteada ignorando o olhar da namorada.
- Vamos. – Beth se pôs em pé segurando a mão de Rachel. – Oi mamãe.
- Está tudo bem minha princesa? – Limpou o rosto da filha cuidadosamente.
- Sim, amei o quarto. – Abraçou Quinn sem se soltar de Rachel.
A diva se aproximou da autora levantando o rosto da mesma com o dedo, a beijou suavemente nos lábios antes de abraça-la deixando Beth protegida entre as duas.
- Espera esse abraço não está completo. – Quinn sorriu para as duas. – Falta o homem dessa família, vamos pegar o Ethan eu sei que ele está doido para ver a irmã bonita dele.
Apoiou na madeira olhando os dois brincando com o cachorro na sala, a casa estava cheia. Sam, Dave, Puck, Leroy e Santana estavam em um canto da sala conversando sobre os possíveis seguranças que estariam disponíveis para atender Quinn e Rachel. Brittany estava sentada no chão com as crianças brincando com Aslan. Kurt, Mercedes e Rachel estavam conversando próximos ao piano pareciam ter uma conversa mais acalorada do que o normal. Judy e Hiram estavam terminando o jantar de ação de graças, tinham expulsado todos da cozinha alegando que poderiam dar conta de tudo.
Tomou um gole da cerveja parecendo cansada, não tinha dormido muito bem. Rachel se recusava a falar qualquer coisa com ela que não tivesse relação com Beth ou Ethan, sua situação tinha piorado quando cedeu a cama extra do quarto de Beth para Puck.
A campainha tocou e inconscientemente a loira soltou um suspiro, só faltava um casal naquela sua conta.
Seu olhar encontrou o de Rachel antes de se dirigir a porta, parou com a mão na maçaneta e tomou uma respiração profunda.
Encontrou a mulher da sua altura, os cabelos loiros caindo em cachos espaçosos pelas costas esguias. Os olhos azuis como os da mãe encontraram os verdes da irmã e uma pequena vermelhidão tomou as bochechas coradas.
O homem que a envolvia era mais alto do que as duas, os cabelos loiros eram escuros e bem cortados assim como a barba cheia que tomava o queixo e o bigode bem aparado sobre os lábios. Os olhos cinzentos viajaram da cunhada para a noiva e ele rapidamente cortou o clima tenso estendendo a mão com um sorriso cortês.
- Thomas Becket. – Segurou a mão de Quinn delicadamente. – É um prazer finalmente conhecê-la.
- Quinn Fabray. – Acenou com a cabeça. – Por favor, entrem está esfriando.
- Querida. – Thomas sorriu para a noiva a deixando entrar primeiro. – Bela casa, muito bonita mesmo.
- Obrigada. – Sorriu sem jeito. – Rachel, baby, por favor.
Rachel se aproximou sabendo que era observada disfarçadamente por todos, abraçou a cintura de Quinn sentindo o corpo tenso da autora.
- Essa é Rachel, Rachel Berry minha namorada. – Apresentou com um sorriso mais seguro.
- É um prazer. – Thomas estendeu a mão a apertando com um sorriso de lado. – Minha noiva e irmã da sua namorada Frannie Fabray, mas acho que ela perdeu a voz pelo nervosismo.
Sentiu Frannie lhe beliscar no braço e o seu sorriso se alargou.
- Frannie. – Judy veio do corredor sorrindo. – Thomas que saudade de vocês.
- Mamãe. – Frannie finalmente falou abraçando Judy.
Quinn apertou os ombros de Rachel sutilmente e recebeu em troca um na cintura.
- Bebe alguma coisa? – Perguntou ao cunhado enquanto a mãe e a irmã trocavam cumprimentos afetuosos.
- Uma cerveja talvez. – Thomas respondeu calmamente. – Não quero incomodar.
- Não que isso, você e eu vamos tomar uma cerveja. – Quinn deu um beijo em Rachel antes de se afastar.
- Você é atriz não é? – Thomas cruzou os braços perguntando interessado. — Teatro?
- Broadway. – Acenou com a cabeça e um pequeno sorriso. – E você trabalha em que?
- Eu sou Chef. – Sorriu um pouco envergonhado. – Tenho um restaurante.
- Mesmo? – Rachel sorriu encantada. – É uma bela forma de se fazer arte.
- Rachel. – Judy se virou para a nora. – Esta é Frannie minha mais velha e sua cunhada.
As duas se atrapalharam sem saber como se cumprimentar, risadinhas fracas e sem graças antes de um abraço rápido.
- Rachel é uma talentosa e surpreendente atriz da Broadway. – Judy abraçou a nora com um sorriso orgulhoso. – E muito dedicada a sua irmã e as crianças.
- É bom conhecê-la. – Frannie sorriu sem jeito. – Onde estão as crianças? Queria muito conhecer os meus sobrinhos.
- Estão ali brincando com o cachorro. – Rachel se virou para olhar as crianças que riam com Brittany. – Vem comigo?
- Claro. – Se aproximaram dos dois.
Quinn voltou com duas garrafas entregando uma para Thomas, os dois olharam a interação de Frannie com as crianças. Ethan ficou arredio com a tia mesmo com Rachel lhe tocando o tempo todo.
- Preciso ver a cozinha. – Judy colocou um beijo na bochecha do genro e outra na da filha. – Se comportem e você converse com a sua irmã.
Os dois se entreolharam e tomaram um gole de cerveja. Seria um longo dia.
Sentou-se na cadeira do escritório, relaxou contra o encosto. Ligou o notebook seus olhos fixos no quadro de cortiça apoiou a cabeça nos nós dos dedos.
- Atrapalho? – Frannie apareceu na porta.
Virou-se para enfrentar a irmã, soltou a respiração lentamente negando com a cabeça. Frannie se aproximou como se testasse adivinhar onde poderia pisar sem ser explodida.
- Eles são lindos… — Começou devagar. – Beth e Ethan, são absolutamente lindos.
- Obrigada. – Murmurou com a garganta seca, se ajeitou na cadeira e indicou a poltrona para a irmã. – Thomas parece ser um cara muito legal.
- Ele é. – Sentou-se ereta e tensa, as mãos repousadas no colo.
Os olhos se encontraram e um suspiro pesado foi compartilhado.
- O que aconteceu com nós duas? – Frannie murmurou cobrindo o rosto com as mãos. – Deus Quinnie somos irmãs, deveríamos nos apoiar e manter contato.
Quinn se mexeu desconfortável mais uma vez.
- Eu não sou como ele, você sabe. – Frannie abaixou as mãos encarando os próprios joelhos. – Eu realmente não sou como ele.
- Eu também não. – Quinn respondeu.
- Então por que deixamos que ele continue tomando conta das nossas vidas e nos controlando? – Ergueu os olhos para a irmã. – Seus filhos são lindos, sua namorada é fantástica. Eu tenho um noivo apaixonado por mim e que me apoia.
- Então por que temos essa sensação de que não é bom o suficiente? – Quinn se levantou caminhando até ela.
Frannie sorriu cansada. – Acho que só vamos nos livrar disso quando aceitarmos que não precisamos mais dele, mas ele…
- Colocou isso tão fundo na nossa cabeça que é difícil. – Abaixou na frente da irmã. – Ele nos separou por que colocou nas nossas cabeças que temos que ser as melhores.
- Uma melhor que a outra. – Fechou os olhos acenando com a cabeça. – Ele está errado.
- Totalmente. – Sorriu com o canto dos lábios. – Somos melhores juntas.
- E é assim que vamos derrota-lo. – Inclinou a cabeça encostando o rosto no da irmã mais nova. – Dane-se Russel Fabray. Ele já nos estragou de mais.
Dave se ajeitou no sofá levando a garrafa à boca, seus olhos acompanhando o movimento dos homens na tela. Sentiu Kurt passar a mão por seu ombro lhe atraindo a atenção.
- Podemos conversar? – Sussurrou para o Karofsky.
Acenou com a cabeça saindo logo da sala, saíram pela porta da frente. Kurt levou as mãos até a nuca olhando o gramado bem cuidado.
- O que foi? – Dave franziu as sobrancelhas grossas.
- Não posso fazer mais isso. – Levantou os olhos azuis cheios de lágrimas. – Não posso.
- Não pode o que? – Se aproximou preocupado, a expressão de Karofsky apenas fez com que as lagrimas rolassem. – Kurt me diz o que está acontecendo.
- Não posso continuar vendo você. – Murmurou deu um soco fraco no peito maciço. – Não posso você me confunde. Eu vou me casar.
Karofsky parou, colocou as mãos nos bolsos da calça e esperou ele se acalmar.
- Não posso fazer isso com o Blaine. – Secou as lágrimas frustrado. – Eu o amo e vou me casar com ele.
- Eu sei. – Sua voz saiu baixa e pesada. – Por isso eu nunca forcei nenhuma situação.
Kurt o encarou silenciosamente.
- Eu sei que você ama o Blaine e que vocês vão se casar e respeitei isso, mesmo que eu me sinta de maneira diferente com relação a você. – Encolheu os ombros largos. – Se eu te confundo então irei pedir desculpas não foi a minha intenção, apenas achei que a proposta que você me fez há anos atrás ainda estivesse válida. New York é uma cidade enorme e é um pouco assustadora enfrenta-la sozinha achei que tendo um amigo do lado seria mais fácil.
- Não é isso. – Kurt murmurou ainda mais frustrado, preferia que ele gritasse e não fosse compreensivo. – Eu juro que não é isso.
Dave soltou um sorriso pesaroso.
- Não precisa falar que não é. – Abaixou os olhos soltando um suspiro triste. – Eu não vou mais te incomodar, só não posso ir embora agora por que seria uma desfeita com a Quinn e a Rachel.
Kurt correu a língua pelos lábios trêmulos.
- Eu sinto muito Kurt. – Karofsky se afastou com os ombros caídos.
- Eu também. – Sussurrou para si próprio vendo o homem se afastar, seu peito apertou dolorosamente. – Não é culpa sua.
Quinn se aproximou de Rachel que estava distraída olhando pela janela, a abraçou cuidadosamente.
- Hey você. – Sussurrou para a morena.
- Oi. – Murmurou encolhendo ligeiramente.
- Por que essa crise de ciúmes com o Puck? – Mordeu o ombro da morena por cima da blusa grossa. – Não estou entendendo.
- Não gosto de saber que você confia mais nele do que em mim. – Resmungou.
- E da onde você tirou isso? – Se afastou, puxou Rachel para que ficassem de frente uma para a outra. – Rachel isso é absurdo.
- Ele disse que você foi a única mulher que ele realmente amou e você se sentiu tão confortável nos braços dele…
- Rachel. – Segurou o rosto da morena. – Eu fico confortável nos seus braços, você me trás a segurança que eu preciso amor. Você sabe que eu sempre vou ter uma ligação com o Puck e é uma ligação forte.
- Eu sei. – Segurou os pulsos da loira. – Só que… não gosto de te ver nos braços de outra pessoa e muito menos que essa pessoa diga que te ama.
A beijou com calma e delicadamente nos lábios, Rachel a prendeu pela cintura soltando um suspiro.
- Mamãe. – Ethan chamou sentado do meio da sala. – Mamãe.
As duas se viraram para ele, Rachel prendeu Quinn em seu corpo.
- O que foi amor? – Perguntou ao filho enquanto Quinn passava os braços por sua cintura.
- Não. – Ethan agitou a cabeça. – Mamãe Quinn.
- Aqui príncipe o que foi? – Sorriu com o chamado, ele sempre nomeou Rachel de mamãe.
Beth sussurrou algo no ouvido do menino que acenou soltando uma gargalhada. O menino se inclinou para frente espalmando as mãozinhas no chão, fez um barulho engraçado com a boca. Quinn franziu as sobrancelhas, pelo canto dos olhos viu Brittany mandar Santana pegar a câmera. O menino parecia estar pensando enquanto o corpinho estava inclinado para frente.
- O que ele está fazendo? – Rachel sussurrou no ouvido da loira.
- Não tenho ideia. – Quinn respondeu no mesmo tom.
Ethan se moveu sustentando o tronco com as mãos enquanto as pernas estavam deitadas no chão, sorriu fácil se movendo mais uma vez. Lentamente começou a se arrastar pelo chão enquanto sorria, as pernas faziam movimentos sutis quase imperceptíveis ajudando no movimento.
- Quinn. – Rachel arregalou os olhos apertando as mãos no corpo da loira. – Ele… ele…
- Ele está engatinhando. – Quinn sorriu fraco. – Ele está engatinhando.
Puck tirou o som do jogo para que pudessem olhar o garoto.
- Vem príncipe. – Quinn chamou sorrindo. – Vem com a mamãe.
Ethan gargalhou alto indo na direção delas, Quinn se soltou sutilmente de uma Rachel com lágrimas para poder se agachar no chão e receber o menino. Quando Ethan finalmente chegou até a loira Quinn o pegou nos braços o beijando no rosto e o abraçando com força.
- Você engatinhou. – Sussurrou para ele. – Você engatinhou meu amor.
Rachel abraçou os dois sorrindo, Quinn chamou Beth com a mão e a menina foi correndo para eles abraçando Rachel pela cintura com uma gargalhada.
Santana desligou a câmera sentindo Brittany lhe abraçar pelas costas e a lágrima quente que a loira deixou cair em seu ombro.
- Eu sabia que ele só precisava das duas. – Sussurrou no ouvido da latina. – Ele só precisava de um pouco de cuidado e atenção.
Leroy observou todos tomarem os seus lugares antes de se aproximar da mesa.
- Será que eu poderia dar as graças? – Perguntou para Quinn.
- Claro. – Tomou o seu lugar ao lado de Rachel a segurando pela mão dando um beijo no dorso.
Leroy se manteve em pé segurando sua taça.
- Acho que podemos começar agradecendo por estarmos todos aqui com saúde. – Começou com um pequeno sorriso. – Também gostaria de agradecer ao fato de estarmos juntos como uma verdadeira família deve estar, viemos de troncos familiares diferentes, mas acabamos nos reunindo aqui nesta família meio desleixada coloquemos assim. Dou graças pelas alegrias que tivemos e pelas que vamos ter, mas também dou graças pelas dificuldades em nossos caminhos. Dou graças por essas crianças aqui nesta mesa e pelas que ainda virão, dou graças pelo meu lindo neto ter demonstrado hoje que está se recuperando. E vou dar graças a você Quinn, por que você reuniu essa família e me deu esses netos e faz da minha filha uma mulher feliz.
Levantaram as taças murmurando mais algumas graças e beberam em seguida, Rachel apoiou sua testa na têmpora de Quinn.
- Sou grata por você. – Sussurrou em seu ouvido. – E sou grata pelos nossos filhos.
Quinn a olhou com um leve sorriso.
- Sim, estou tomando Beth como minha. – Afagou o maxilar antes de roubar um beijo.
- Eu te amo. – Quinn respondeu baixinho.
Fale com o autor