Diário
30 Capítulo XXIX - Família II
Notas iniciais
“Deus tem misericórdia de todas as almas, basta elas pedirem ajuda quando estiverem prontas e ele irá recebe-las em sua casa. Para se evoluir é preciso sofrer e ela passará por isso, mas não significa que ele a ame menos, pelo contrário isso só demonstra o quanto o amor dele é imenso.”
Foi mais ou menos o que eu disse para a minha mãe há algumas horas atrás enquanto estávamos olhando a irmã dela no caixão e a minha mãe balbuciava para que Deus tivesse misericórdia da minha tia.
É irônico eu estar falando sobre família e a minha receber um baque desse tamanho.
Meus avós vieram da Paraíba a mais de 40 anos, tiveram 11 filhos todos criados e pessoas de bem.
Isso é tão errado, os pais enterrarem uma filha. Minha tia tinha 56 anos, era uma mulher admirável que enfrentou um marido alcoólatra e abusivo e quando ele a abandonou criou sozinha dois filhos.
Me sinto dormente. Me sinto…
Essa foi a minha pior citação.
Quinn rodeou Rachel com os braços, estavam arrumando a cozinha ou pelo menos era o que Rachel estava tentando fazer. Soltou uma risada fraca dando uma tapa no braço de Quinn.
- Sossega que temos visitas. – A repreendeu voltando a arrumar os pratos sujos.
- Não estou fazendo nada. – Murmurou a beijando sutilmente próximo ao lóbulo da orelha. – Amo o teu cheiro sabia?
- Quinn não me provoque. — Estremeceu sentindo a mordidinha sutil abaixo do osso do maxilar. — Me ajude a colocar tudo na lava-louças.
A loira se afastou resmungando e rapidamente arrumou tudo dentro da máquina para o agrado da morena.
Se levantou pegando Rachel pela cintura a girando no mesmo lugar.
— O que você tem? — Se escondeu no pescoço da autora.
— Eu te amo. — Beijou o pescoço esfregando o nariz sutilmente pela pele morena. — Sou grata por você, pelo seu apoio, pelo seu carinho com o nosso filho e pelo seu carinho com a minha filha. Sou grata por poder te abraçar todas as noites, sou grata pelos teus ataques de ciúmes. — Soltou uma risadinha baixa no ouvido da morena que lhe deu uma tapa no ombro. — Eu te amo tanto Rachel
Afagou os cabelos loiros sentindo a lágrima quente escorrer pelo rosto.
— Desculpa por hoje cedo. — Escondeu o rosto no pescoço de Quinn. — É que...
— Eu sei. — Apertou o corpo da morena no seu.
— Beth sempre vai ligar vocês dois e eu tenho um pouco de inveja. — Afagou os ombros.
— O Ethan sempre vai nos ligar. — Franziu as sobrancelhas. — Você sabe disso.
— Você sabe o que eu quis dizer. — Suspirou se afastando. — Se um dia por qualquer motivo nós duas nos separarmos eu não vou ter direitos sobre o Ethan.
— Rachel. — A olhou seriamente. — Você acha que eu te proibiria de ver o Ethan de criar o Ethan comigo?
— Eu não tenho poderes legais sobre o Ethan.
— E eu não tenho sobre a Beth. — Rebateu, sua expressão ficou rígida. — Você realmente acha que eu te proibiria de vê-lo?
— Não foi isso...
— Foi isso sim. — A soltou apoiando-se na ilha da cozinha. — Você acha que a minha ligação com o Puck é mais forte porque Beth é nossa filha biológica. Como o Ethan é nosso filho adotivo você não acha que temos uma ligação por ele?
Rachel esfregou a testa sentindo uma pontada leve.
— Eu te amo e eu amo o nosso filho então nós podemos, por favor, esquecer esse assunto? — Ergueu os olhos castanhos. — Foi uma idiotice minha apenas insegurança besta.
Quinn fechou os olhos inclinando a cabeça para frente com um suspiro pesado.
— Amor hoje é dia de comemorar. — Rachel a abraçou apoiando a testa na curva do pescoço pálido. — Esquece isso.
— É como você se sente? — Perguntou baixinho.
— Eu falei sem pensar. — Sussurrou encostando os lábios no canto dos lábios da loira. — Eu sei que se por qualquer motivo isso acontecer você não vai me impedir de ver o Ethan.
Quinn suspirou engolindo saliva.
— Me abraça. — Rachel pediu apertando seus braços entorno da loira.
Quinn suspirou a abraçando com força colocando um beijo nos lábios grossos.
— Nunca mais quero ouvir você falar isso, ok? — Pediu acariciando o rosto da diva.
— Nunca mais. — Murmurou bicando seus lábios nos dela.
Rachel se afastou fitando os olhos verdes, a segurou pela nuca a beijando de novo, deslizou delicadamente sua língua para dentro da boca quente de Quinn. As unhas arranhavam o couro cabeludo da autora que rapidamente desceu as mãos para as coxas grossas lhe apertando suavemente puxando o corpo pequeno para cima.
— Ah pelo amo de Deus tem criança na casa sem falar que os pais de vocês estão aqui. — Santana bradou parada no portal da cozinha com cara de nojo.
Quinn suspirou deixando Rachel deslizar para o chão, a pequena se escondeu no peito da amante.
— O que foi San? — Quinn abraçou Rachel colocando um beijo nos cabelos escuros. — O que você quer?
— Falar com você, será que podemos? — Arqueou as sobrancelhas bem desenhadas. — Solta a anã por 20 minutos.
Rachel ergueu o rosto dando um beijo rápido em Quinn.
— Vou ver as crianças. — Sussurrou a beijando de novo.
Santana grunhiu assim que Rachel passou por ela.
- Vocês não conseguem se afastar sei lá por meia hora? – Resmungou se aproximando da autora.
- O que você quer Satã. – Resmungou apoiando as palmas das mãos sobre o balcão.
- Conversar. – Deu de ombros com um sorrisinho sarcástico.
- O que foi? – Suspirou.
- Acho que Britt está me traindo. – Resmungou abaixando os olhos para o balcão.
- Perdão como é? – Arqueou as sobrancelhas.
- Ou é isso ou então ela acha que eu estou a traindo. – Suspirou cruzando os braços sobreo o peito. – Ela está estranha, mexe no meu celular o tempo todo se eu chego tarde é motivo para reclamar e tem esse ciúmes de uma das minhas detetives.
- San… — Ergueu a mão para silencia-la. – Você e Brittany estão juntas há quanto tempo? Uns onze talvez doze anos?
- É por ai.
- E morando juntas podemos dizer uns seis quase sete anos? – Arqueou as sobrancelhas.
- É.
Quinn soltou uma risada baixa.
- Você realmente não sabe qual o problema da Brittany?
- Não Fabray eu não sei qual o problema da minha mulher. – Rosnou estreitando os olhos escuros.
- Ela quer um anel. – Falou simples e calmamente. – É isso que ela quer.
- O que? Um anel?
- Ela quer casar com você Santana, mas está esperando você tomar a iniciativa sei lá como ela sempre fez quando o assunto é você. – Deu de ombros. – Ela só quer oficializar.
- Mas nós já somos casadas quero dizer moramos juntas…
- Lembra aquela história do romantismo? Que eu disse que você não tem? Então você realmente não tem. – Rolou os olhos. – Ela quer romance, quer que você mostre com um belo anel de diamantes que você só quer a ela e apenas a ela.
- Sério?
- Simples assim minha cara Lopez. – Começou a se afastar. – Simples assim.
Judy abraçou Quinn assim que ela entrou na sala dando pulinhos e soltando risadas.
- Ok chega de bebida pra senhora hoje. – Arqueou uma sobrancelha com uma risada baixa.
- Não estou bêbada. – Judy parou colocando as mãos nos quadris. – Talvez um pouco, mas estou feliz.
- Por? – Sentiu a mãe lhe arrastar pela sala até onde Frannie e Rachel estavam sentadas.
- Por que você e sua irmã se acertarão. – Fez a filha se sentar ao lado da namorada e tomou de imediato o outro lado de Rachel. – Por que estamos todos aqui e principalmente por que eu nunca me diverti tanto antes.
- Sua mãe estava me contando o que você e a Frannie aprontavam quando crianças. – Rachel pousou uma mão sobre a perna de Quinn com um pequeno sorriso. – Sério que você fez uma tenda no quintal e se recusou a entrar em casa por dois dias?
- Com madeira e lençóis. – Quinn acenou com a cabeça. – Frannie me passava biscoito e suco quando mamãe não estava vendo.
- Por quê? – Perguntou sobre os risos da cunhada e da sogra.
Quinn deu de ombros. – Não lembro eu tinha cismado que não queria mais entrar em casa e então eu não entrei.
- E como você entrou de novo? – Rachel olhou para Judy.
- Eu concordei em fazer uma torta que ela ama e fazer batata-frita para o almoço. – Judy mexeu nos cabelos de Frannie.
- Se vendeu por comida? – Arqueou uma sobrancelha. – Já sei como ganhar quando brigarmos.
- Como se não bastasse você fazer bico pra que eu cedesse tudo né? – A beijou na têmpora.
- Vocês estão juntas há quanto tempo? – Frannie tomou um gole de seu café.
- Vai fazer três meses. – Rachel respondeu sentindo os braços da loira lhe envolverem.
- E já estão morando juntas? – Frannie arqueou as sobrancelhas. – Um pouco rápido não?
As duas se entreolharam com sorrisos sem jeito.
- Nós queríamos ter levado tudo mais devagar. – Quinn começou sem desviar os olhos de Rachel. – Mas as coisas foram acontecendo.
- Só nos deixamos levar e aqui estamos. – Rachel completou, apertou a perna de Quinn. – Não acho que tivéssemos alternativa se quiséssemos ficar juntas teria que ser assim.
- Hey vocês, foto de família. – Puck apareceu chutando a perna de Quinn carinhosamente. – A família Fabray precisa de uma nova foto de família.
- Não, eu quero uma foto de todo mundo junto. – Judy sorriu para o homem. – Todo mundo, vou mandar aumentar e colocar na parede da sala.
- Ok. – Noah olhou envolta. – Vamos tirar essa foto então.
Dave se adiantou pegando a câmera que Puck segurava.
- Eu bato. – Se afastou alguns passos vendo todos começarem a se ajeitar.
- Negativo. – Rachel segurava Ethan no colo. – Você faz parte dessa família e vai entrar nessa foto Karofsky.
- Não gosto. – Sorriu sem graça. – Não gosto de tirar fotos.
- Abaixa essa câmera e vem aqui garoto. – Judy ralhou com ele. – Noah, por favor.
Puck se aproximou de Karofsky tirando a câmera das mãos do homem e o colocando em pé ao lado de Kurt, equilibrou a câmera na estante e ligou o temporizador. Correu se sentando aos pés de Rachel com um sorriso largo.
Mirou o fundo do copo onde estava o líquido transparente. Estava sentado naquela cadeira acolchoada que já estava gasta pelo tempo, ouvia sua mãe cantando na cozinha junto com o padrasto que soltava uma risada ou outra. A televisão estava transmitindo os minutos finais do jogo.
- Em que você está pensando tão concentrado? – O homem careca parou na porta da sala, os olhos azuis miraram o enteado.
- Em nada. – Finn resmungou tomando o resto da bebida com um gole.
O homem se aproximou, coçou a cabeça careca antes de dar uma tapa no joelho do enteado e se sentar na mesinha de centro enfrente ao mesmo.
- Rachel? – Perguntou tomando um gole de seu café.
Finn grunhiu, seus olhos castanhos muito vermelhos, observou o jogo terminar e algo em seu peito revirou desconfortavelmente.
- Você acabou com a minha garrafa de Gim. – O padrasto comentou casualmente.
- Eu te dou outra. – Retrucou com a voz meio pastosa.
- A questão não é essa, a questão é o que você está fazendo com a sua vida. – Sua voz seria e calma. – Você não é mais um garoto Finn.
- Você não é o meu pai Burt. – Finn o encarou. – Não me venha com lições de moral, guarde isso para o seu filho que está lá traindo o noivinho.
- Não se preocupe que eu também terei uma conversa com o Kurt. – Burt bufou apoiando uma mão sobre o próprio joelho. – Mas agora eu estou preocupado com você e não me venha com essa merda de que eu não sou teu pai, te tenho como filho.
Finn rolou os olhos tentando se levantar, mas Burt o empurrou sentado.
- Senta moleque. – Bradou nervoso.
- Burt seu coração. – A mulher entrou na sala nervosa, se aproximou do filho tentando lhe acariciar os cabelos escuros, mas ele desviou a cabeça. – Querido por que você não vai passear?
- Esse é o problema, você passa a mão na cabeça dele. – Burt negou com a cabeça. – Me deixa ter uma conversa de homem com ele.
- Ele não fez nada errado, a errada foi a Rachel que largou o meu bebê por aquela qualquer. – A mulher defendeu a cria como uma leoa, sempre o justificando.
- Carole. – Burt se levantou pesadamente, seu rosto estava cansado. – Pare com isso, Finn já é um homem.
- Estou cheio disso. – Finn se levantou passando pelos dois, estava um pouco tonto, mas permaneceu andando para fora de casa.
Quinn fechou a porta do quarto do quarto com cuidado, a porta do banheiro estava aberta deixando a voz de Rachel entrar no quarto. Aproximou-se parando na porta do banheiro, a diva estava deitada na banheira coberta de espuma, os olhos fechados enquanto cantava.
Quinn entrou no banheiro sem fazer barulho, se curvou correndo a ponta dos dedos pelo maxilar de Rachel.
- Já dormiram? – Rachel sorriu sem abrir os olhos.
- Sim, Beth cismou de dormir no quarto do Ethan. – Agachou ao lado da banheira, brincou com a espuma. – Dormiram iguais dois anjos.
- Eles são dois anjos. – Virou o rosto abrindo os olhos, um sorriso fraco. – São nossos anjos.
Um sorriso cruzou os lábios da autora que se curvou a beijando, Rachel a segurou pela gola do suéter com a mão coberta de espuma.
- Entra. – Pediu baixinho mordendo os lábios rosados da autora, colocou um beijo amoroso. – Vem entra aqui comigo.
Quinn suspirou se levantando, tirou a roupa com calma enquanto Rachel observava tudo com um brilho diferente nos olhos. A loira mergulhou na banheira se acomodando sobre Rachel, sua cabeça se encaixou no peito da morena. Rachel retornou a cantarolar enquanto acariciava os cabelos loiros.
Finn se sentou na frente da mecânica, enterrou o rosto entre as mãos. Seus ombros largos se sacudiram silenciosos, limpou o rosto quando sentiu alguém se sentar ao seu lado.
Ouviu o suspiro pesado do homem, mas não ergueu os olhos castanhos para encontrar os olhos esverdeados.
O homem fitava suas mãos com os dedos entrelaçados, as mangas da blusa social estavam arregaçadas, o rosto com a barba feita com esmero parecia mais cansado pelo tempo.
- Minha mãe te ligou? – Finn perguntou sem ainda olhar o antigo professor.
- Burt na verdade. – A voz grossa e entristecida. – Ele está preocupado e eu também estou.
- Eu só a quero de volta. – Finn abaixou a cabeça. – É pedir muito?
- É. – Mrs. Schue olhou para o seu antigo aluno. – É pedir muito, o que aconteceu com você?
- Não precisa dizer que sou uma decepção. – Resmungou.
- Não estou dizendo isso. – Encarou o perfil derrotado do Hudson. –Eu nunca sinto orgulho de você todos os dias, sinto orgulho de todos vocês. Do que conquistaram, das famílias que estão formando, mas aconteceu algo com você que eu ainda não entendi o que é. Você se perdeu no meio do caminho.
- Eu sei. – Finalmente olhou para o antigo mestre, os cabelos brancos já começando a despontar nos cachos. – Eu sei ta legal? Eu sei que estou fazendo merda, mas eu só a quero de volta.
- Ela não quer voltar. – Mrs. Schue soltou de uma vez. – Eu falei com a Rachel hoje pela manhã e ela está feliz, me contou das crianças, me contou da Quinn, dos planos. Ela está feliz Finn, não era esse o plano? Não foi por isso que você a deixou ir para New York sozinha?
- Eu fui atrás dela, eu me formei, me tornei um jogador de futebol por ela.
- Ótimo agora cresça e siga enfrente. – Mrs. Schue se levantou bufando. – Ela está casada e com um filho.
- Ela não está casada. – Finn também se levantou, mas com dificuldade. – Elas não estão casadas.
- Finn. – Segurou o rosto do seu antigo aluno. – Abra os olhos, enxergue o que está na sua frente.
Empurrou o professor, as lágrimas saindo por seus olhos eram como fogo, seus dedos se atrapalharam pegando o celular.
- Kurt me mandou isso. – Jogou o celular para o homem.
Mrs. Schue olhou a foto, soltou um suspiro. Sentia a dor do homem na sua frente, mas não conseguia não se emocionar com o que via na tela do celular.
- Por que eu não posso dar isso a ela? Por que não posso dar essa felicidade? – Finn abriu os braços.
- Você já deu tudo isso a ela, mas as pessoas mudam e passam a querer coisas diferentes. – Guardou o aparelho em seu próprio bolso. – Me deixa te ajudar.
- Por quê?
- Por quê? – Soltou uma risada baixa se aproximou dele colocando a mão no ombro largo. – Lembra no nosso primeiro ano quando achamos que iriamos perder o Glee Club e vocês organizaram uma surpresa pra mim? E todos vocês me disseram como eu mudei ao menos um pouco a vida de vocês? Lembra o que você me disse? Que até aquele ano você não tinha um pai alguém que te mostrasse o que é ser um homem. – Apertou o ombro. – Continuar nisso só vai te machucar. Olha pra mim, me deixa te ajudar. Volta pra Lima, vamos cuidar de você, voltar ao começo pra se reencontrar é sempre uma boa ideia.
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