Diário

28 Capítulo XXVII - Limites


Notas iniciais
Boa-noite.
Estou um tanto quanto...chateada com algumas coisas.
Algumas pessoas já me perguntaram isso, mas eu vou esclarecer algumas coisas.
Não gosto de rótulos, mas sou gay, lésbica, sapatão, vocês escolhem. Sou solteira. Não tenho um relacionamento a mais do que amizade com a Subtly, o que acontece é que não nos conhecemos daqui do Nyah. Fizemos/Fazemos, sei lá que merda já, faculdade juntas. Nos conhecemos em uma terça-feira, por volta das 15:20 antes de uma aula de Fundamentos das Ciências Sociais onde o professor era uma bicha mais do que louca e insuportável. Isso foi há dois anos.
Somos parecidas? Sim, passamos por situações extremamente semelhantes.
Sou extremamente carinhosa com as pessoas que quero perto de mim, isso é um fato.
Sou extremamente carinhosa com ela? Sim, mas isso não é da conta de ninguém.
Acabou o assunto? Espero que sim. Lá embaixo tenho mais coisa pra falar.

A verdade é que eu passo todo o meu tempo no limite. Eu vou sempre ao meu limite seja físico ou psicológico e isso me assusta às vezes, posso ultrapassar um limite que não deveria e me perder mais uma vez e dessa vez não saber voltar. Costumo pensar que me divido entre luz e sombra e que como uma criança travessa eu vou sempre andar no meio fio que separa os dois. Já falei da minha insegurança, da minha raiva, do meu anseio de dominação, dos meus caminhos, dos meus pais, dos meus sonhos… eu falo dos meus sentimentos. Sempre foi suposto que eu nunca iria cair que eu nunca iria perder a minha cabeça, que meu coração sempre estaria certo, tenho alma de alguém que não tem a minha idade. Sou tradicional, embora não pareça. Sou fria embora digam o contrário. Sou covarde mesmo que digam que tenho uma coragem que poucos possuíam. Enfrento todos os dias o que poucas pessoas vão entender, o que muitos acharam que é uma frescura.

Estou cansada mesmo que eu me olhe no espelho e diga todos os dias: é mais um dia que enfrento os meus demônios, obrigada meu Deus por mais um dia.

São os meus sentimentos, são os meus limites. Minha intensidade vai sempre me por lá naquela linda tênue, mas não sei viver de outra maneira. Minha alma é antiga, meu coração cheio de cicatrizes. Meus pulsos estão limpos, mas até quando o meu limite irá resistir sem quebrar?

Sam parou ao lado da poltrona em que Quinn estava sentada olhando as pessoas se moverem.

- Nervosa? – O agente perguntou colocando as mãos nos bolsos. – Eles vão fazer perguntas pessoais.

- Rachel e eu conversamos e decidimos que poderei responder determinadas perguntas. – Quinn sorriu para ele. – Só estou preocupada.

- Com o que? – Sam se agachou fazendo um carinho no braço nu. – Os exames dele?

-É. – Alisou uma linha na testa. – Espero que de tudo certo.

- Vai dar. – Ofereceu um pequeno sorriso. – Agora se concentra e lembre-se, não fale nada sobre a outra família do Ethan.

- A mulher já entrou em contato? – Se aprumou na cadeira.

- Ainda não, mas não se preocupe com isso. – Se levantou quando vieram dar os últimos retoques na autora. – Relaxe e aproveite é só uma conversa.

Rachel segurava Ethan em seu colo, o menino estava tenso para o exame de sangue.

- Não quer. – Jogou a cabeça para trás acertando o peito de Rachel.

- Eu sei amor, mas é pro seu bem. – O beijou na testa. – Mamãe faz aquelas panquecas que você gosta quando chegarmos em casa, prometo.

- Não quer. – Repetiu puxando o braço para longe da enfermeira.

Rachel respirou fundo, prendeu o corpo de Ethan com os braços enquanto ele chorava e puxava o braço para longe.

- Precisamos de ajuda. – A enfermeira sentenciou, saiu da sala de procedimento.

Quinn sorriu para o apresentador antes de ir para a parte de trás do estúdio esperar a sua deixa.

Sam parou ao seu lado lhe dando um sorriso encorajador.

- Me diz quando o Blaine volta? – Sussurrou ouvindo o apresentador anunciar o que teria no show aquela noite.

- Ele está lutando para contratar as pessoas que a Donna tem indicado e tem conseguido alguns novos. – Sussurrou de volta. – Mas eu não tenho ideia de quando ele pretende voltar.

- Kurt ainda está saindo com o Dave? – Arqueou uma sobrancelha.

Sam encolheu os ombros com uma expressão pesada, Quinn ouviu o anuncio de seu nome e tratou de colocar um sorriso nos lábios enquanto entrava no estúdio.

- Olá. – Apertou a mão do apresentador.

- Como você está? – Ele esperou que ela se sentasse para tomar o seu lugar. – Temos muitas novidades.

- Sim, temos grandes novidades. – Quinn sorriu.

- Bem, vamos cobrir o básico primeiro? – Ele soltou uma risada baixa. – Fiquei sabendo que a Warner comprou os direitos para produzir os filmes da Saga de Stern isso é verdade?

- Sim, é verdade. – Umedeceu os lábios rapidamente. – Tínhamos alguns estúdios interessados, mas a Warner fez uma proposta que não foi possível negar.

- Também foi anunciado que você será uma das produtoras executivas do filme, como é isso?

- Essa foi a proposta inegável. – Soltou uma risada acompanhada do apresentador. – É uma espécie de tendência os livros de sucesso virarem filmes, mas nem sempre a história ou o personagem é tratado com o devido respeito e eu fiquei relutante em ceder parte dos direitos do livro por isso.

- Mas quando você entra como produtora executiva…

- Eu tenho uma espécie de controle sobre a parte criativa e fazer jus a história que eu tanto amo. – Se curvou pegando o copo d’água tomou um pequeno gole.

- E o próximo livro?

- Já estou escrevendo. – Sorriu pousando o copo sobre o descanso.

- E você pode nos falar algo?

- Posso dizer que é algo que ninguém vai esperar. – Deu mais um sorrisinho misterioso. – É uma história que eu estou apostando muito e que me surgiu de uma maneira espetacular.

- Falando em coisas que surgem como você criou a Saga? Eu sei que você já respondeu essa pergunta algumas vezes.

- Algumas. – Balançou a cabeça arrancando outro riso do apresentador. – Bem, eu estava com insônia e simplesmente escrevi, não tem um mistério grande nisso. É como se as palavras fluíssem como uma continuação de mim mesma.

- Algumas pessoas dizem ser uma declaração a Rachel Berry e recentemente a Berry confirmou em um vídeo postado pela mesma na internet que vocês estão namorando e até morando juntas, isso está certo?

- Em partes. – Meneou com a cabeça, captou o olhar confuso do apresentador. – Nós estamos namorando e estamos morando juntas, mas o primeiro livro não foi uma declaração de amor.

- Mas a personagem…

- É idêntica a ela, sim. – O interrompeu tomando mais um gole d’água. – O primeiro livro pra mim, em relação a Rachel é um alerta do tipo: olha você está pensando nela. Você tem sentimentos por ela.

- Mas não é uma declaração de amor?

- O primeiro não.

- E qual deles vai ser? – Ele inquiriu com um sorriso malicioso.

- O último. – Sorriu misteriosa mais uma vez.

- Último? – O homem arqueou a sobrancelha. – Você está dizendo que esse é o último livro da Saga?

- Eu não disse isso. – Soltou uma risada contida.

- Ok, você parou New York com uma sequencia de declarações de amor. Por que isso?

- Por que não? – Retorquiu encolhendo os ombros.

- As duas são pessoas na mídia, com carreiras e fãs.

- Sim. – Concordou cruzou uma perna sobre a outra. – Existe uma música que na verdade é um clássico e em uma de suas frases diz assim “Eu espero que você não se importe que eu tenha colocado em palavras como a vida é maravilhosa enquanto você está no mundo” eu só quis expressar ao mundo exatamente isso.

- Sir Elton John. – O homem bateu palmas. – Então posso perguntar sobre o Ethan?

- Dependendo da pergunta.

- Ele é adotado?

- Sim.

- Como você o conheceu?

- Ethan precisa de alguns cuidados especiais e eu tenho uma amiga que é terapeuta e cuida dele. E um dia eu fui visita-la na clínica e encontrei aquele garotinho loiro que estava com medo.

- E a primeira coisa que você pensou foi adota-lo?

- Não, eu pensei em protegê-lo. – Seu rosto se tornou um pouco mais suave. – Ethan é muito doce e inteligente.

— Eu vi você dizendo no vídeo que ele é seu filho com a Rachel, então o relacionamento deles é bom?

- Ethan chama a Rachel de mãe então sim, eles têm um bom relacionamento. – Mais alguns pequenos goles d’água. – Rachel é louca por ele e eu sou louca pelos dois.

- Alguns fãs de ambas não gostaram desse envolvimento, principalmente os pais dos seus fãs menores.

- É eu ouvi algo sobre isso. – Acenou com a cabeça. – Bem, ficamos tristes com isso, mas não podemos fazer nada a respeito.

Rachel segurou Ethan próximo ao seu corpo, o menino ainda choramingava enjoado por ter tirado o sangue.

Saíram da clínica andando até o carro de Quinn que estava estacionado não muito longe.

- Vamos assistir musicais hoje o que você acha? – Murmurou tentando arrancar um sorriso dele. – Olha a Beth vai chegar amanhã e só vai embora no domingo.

- Beth. – Fungou amuado. – Eu gosto Beth, irmã bonita.

- Sim, a Beth é a sua irmã e ela é bonita. – O beijou na testa, olhou para o carro e sentiu o coração parar. – Não, não, não.

A lataria do carro estava toda arranhada, palavras ofensivas a ela e a Quinn assim como alguns desenhos obscenos. Os vidros estavam riscados com ameaças e uma que lhe gelou o sangue, uma ameaça a Quinn.

As pessoas paravam olhando para o carro e para Rachel, algumas pessoas lhe reconheciam, mas não chegavam perto enquanto a morena passava a mão sobre o capô.

- Quinn… — Murmurou pegando sua bolsa desajeitadamente tentando achar seu celular.

Um paparazzi que estava retratando a cena de longe observou a mulher atrapalhada, soltou um suspiro e pendurou a câmera no pescoço se aproximando, poderia faturar alguma coisa com aquilo.

- Senhorita Berry. – Chamou erguendo as mãos quando ela se virou. – Perdão, mas eu sou paparazzi.

- Não posso dar declarações agora. – Rachel estava tremendo.

- Calma. – Se aproximou olhando o garoto que se escondeu no pescoço da morena. – Eu posso ajudar a senhorita, está nervosa.

- Eu… eu preciso falar com a Quinn. – Murmurou sem achar o celular.

- Aqui. – Estendeu o seu celular. – Use o meu.

Pegou o celular do homem e digitou apressadamente.

- Quer me dar ele? – Perguntou estendendo os braços para o menino.

- Não. – Rachel tremia levemente. – Ele não sai de perto de mim, ele não gosta de desconhecidos.

- Desculpa. – Abaixou as mãos.

- Desligado, ela não terminou a entrevista ainda. – Mordeu o lábio reprimindo o choro. – Santana, é isso Santana.

O homem olhou para o carro franzindo as sobrancelhas, ouviu a mulher falar com a tal Santana.

- Obrigada. – Estendeu o aparelho para ele.

- De nada. – Ofereceu um sorriso acolhedor. – Olha eu tirei algumas fotos quando vocês chegaram e fiquei aqui esperando vocês saírem.

- Você viu quem fez? – Rachel ajeitou Ethan em seu colo.

O homem sorriu pegando a câmera.

- Eu tirei fotos delas fazendo, era um bando de garotas provavelmente matando aula.

- Garotas? – Murmurou. – Meu Deus.

- Não é melhor coloca-lo dentro do carro está esfriando. – Esfregou as mãos para frisar o que falava. – Ele ficaria mais calmo.

Rachel olhou para Ethan antes de concordar com a cabeça, abriu a porta do carona o colocando ali, ligou o carro e o aquecedor em seguida.

- Mamãe está aqui, ok? – Murmurou acertando o topete dele. – Qualquer coisa bate no vidro.

Ligou o rádio colocando um dos seus cds, Ethan ficou calmo dentro do carro enquanto ela fechava a porta suavemente. Conseguiu achar o seu celular e ligou mais uma vez para Quinn, ainda desligado.

- Meu Deus do céu, isso não pode estar acontecendo. – Murmurou cobrindo o rosto com as mãos. – Eu estou com ele, isso não pode estar acontecendo.

- Calma. – O homem esfregou seu braço. – Quer que ligue para a polícia?

- Eu já liguei para a Santana. – Esfregou os olhos.

Sam se mexeu impaciente esperando o final da entrevista, checou o celular mais uma vez, Santana havia lhe ligado e sabia que Quinn ia ficar uma pilha de nervos quando soubesse.

A loira se aproximou conversando com uma auxiliar, assinou um pedaço de papel para ela.

- Vamos? – Sorriu para o homem.

- Temos um pequeno problema. – Sam pousou a mão nas costas de Quinn a guiando para longe.

- Qual problema?

- Santana me ligou, Rachel está com um problema.

Sentiu a loira enrijecer e acelerar o passo.

- Que problema? – Se livrou do microfone apressadamente, o entregou ao assistente de som.

- Com o carro. – Foi evasivo. – Vamos logo.

Correram para o carro sem mais uma palavra, as portas bateram e a loira virou para ele com os olhos verdes frios.

- Ela bateu com o carro? – Pegou o celular dentro da bolsa, mas Sam segurou o pulso.

- Calma, ela e o Ethan estão bem, mas pelo o que a Santana me disse o teu carro foi todo arranhado com palavras e desenhos ofensivos.

- Ofensivos?

- Ao que parece tem uma ameaça a você. – Acelerou o carro assim que saiu do estúdio. – Agora se acalma Santana disse que a Rachel está uma pilha de nervos.

Santana estava observando o carro se coberto pelo pano branco, Rachel estava ao seu lado paradas perto do carro da latina onde Ethan estava sentado confortavelmente.

- Isso é um pesadelo. – A diva sussurrou.

- Rachel. – A voz urgente de Quinn.

Virou-se sentindo os braços lhe prenderem fortemente e a respiração ofegante de Quinn.

- O que aconteceu? – Sussurrou a beijando quase em desespero, seus lábios colados aos da morena.

- Meu Deus do céu você está aqui. – Se prendeu a loira. – Foi horrível, fiquei com tanto medo.

- Já passou. – Se afastou afagando o rosto olhou para dentro do carro. – Ele está bem?

- Ele ficou ouvindo música. – Respondeu limpando o rosto.

Quinn abriu o carro enquanto a capitã se afastava dando um aceno para a loira.

- Hey meu lindo. – Acariciou o rosto de Ethan. – Tudo bem?

- Sim. – Ethan sorriu inclinando o rosto para o carinho. – Música?

- Fica quietinho, ok?

- Quietinho. – Acenou com a cabeça ainda sorrindo.

Afastou-se fechando o carro com cuidado, Rachel lhe olhou com lágrimas nos olhos.

- Já passou. – Sussurrou a beijando nos lábios. – Estamos juntas agora e elas não vão chegar perto de você ou o Ethan.

- Quinn elas te ameaçaram. – Fungou.

- Rachel eu quero que vocês andem com segurança, já falei com o Puck. – Limpou a lágrima que escorreu. – Por favor, não discute comigo ok?

- Só se você também andar. – Murmurou a segurando com força pela cintura.

- Se te deixa tranquila eu ando com quantos armários você quiser. – Arrancou um sorriso fraco.

- Com licença. – O rapaz se aproximou. – Eu apenas queria saber como a senhorita está?

- Estou melhor agora. – Sorriu para o paparazzi.

Quinn olhou para o homem, deveria estar na casa dos 30, os cabelos escondidos debaixo do boné dos Yankees, a camisa xadrez surrada e os jeans desgastados. Os olhos castanhos pareciam precisar de um pouco de descanso e a barba precisava ser feita.

- Josh Knight. – Estendeu a mão para Quinn. – Sou paparazzi eu ajudei a senhorita Berry.

- Quinn Fabray. – Apertou a mão do homem.

- Eu entreguei as fotos para a Capitã Lopez. – Ele continuou colocando as mãos nos bolsos da jeans. – E o meu contato caso precisem de algo mais.

- Fotos? – Quinn olhou para Rachel.

- Eu direi fotos das meninas que fizeram o ato, um bando de garotas que não deviam ter mais de 19 anos. – Josh respondeu encolhendo os ombros.

- Nesse caso eu preciso te recompensar de alguma maneira. – Quinn balbuciou. – Você perdeu um dia de trabalho.

- Sinceramente? Eu agradeço, mas me recuso a aceitar. – Ele ergueu as mãos as colocando na frente do corpo. – Fiz o que gostaria que fizessem pela minha ex-esposa e pela minha filha se estivessem nessa situação. Mas aceito um autógrafo para ela.

- Claro. – Quinn se mexeu pegando a bolsa arrancou uma página do diário e se pôs a trabalhar. – Posso te pedir um contato? Talvez eu ache outra maneira de te compensar então, com trabalho.

- Isso eu posso aceitar. – Ele puxou a carteira pegando um cartão de visitas recebeu o autógrafo em troca. – Ela vai amar. Espero que tudo se resolva e eu estou à disposição.

Quinn entrelaçou seus dedos aos de Rachel.

- Vamos, quero te levar pra casa e depois vou encontrar Santana para oficializar a denuncia. – Acariciou o rosto dela, estava ciente dos paparazzi no local.

- Por favor. – Murmurou.

O suor já estava escorrendo, continuava acertando a lateral do saco de areia sentindo as costas arderem de tanto esforço. Sua respiração saia rasgada pelos lábios entreabertos e cada golpe era mais forte que o anterior.

Rachel estava sentada nas escadas observando Quinn descarregar a raiva no inocente saco de pancadas. Não entrava no porão da casa com muita frequência, apenas para lavar roupa, tinha feito aquele cômodo especialmente para Quinn. Alguns pesos e aparelhos que ela não se atrevia a chegar perto e o tão maltratado saco de areia.

- Você vai se machucar. – Murmurou atraindo a atenção da loira.

Quinn socou mais uma vez o saco antes de se afastar, respirava pesado. Olhou para a morena que estava sentada na escada lhe olhando com paciência.

Aproximou-se dela estendendo as mãos para que a morena tira-se as luvas.

- Estava apenas extravasando. – Respondeu fazendo um movimento estranho tentou limpar a lateral do rosto no ombro da camisa. – Que horas eles chegam?

- Já falei com papai eles já estão no táxi vindo para cá. – Respondeu empurrando a luva suada para longe com um pouco de nojo, se ocupou em tirar a outra.

- Ethan está na piscina?

- Tenta tira-lo de lá. – Deu um meio sorriso. – Faz um escanda-lo, Brit assumiu quando a fisioterapeuta precisou ir embora.

- Quando eles chegarem ele vai querer sair de lá num instante. – Se curvou apoiando as mãos nos degraus. Inclinou-se para colocar um beijo nos lábios macios de Rachel.

- Eu gosto disso. – Olhou os braços rígidos. – Está tensa, suada… isso é bom.

- Nossos pais chegam daqui a pouco. – Beijou os lábios mais uma vez. – Se aquiete.

Rachel soltou um muxoxo enquanto Quinn se endireitava puxando a luva para fora.

- Mais calma? – A Fabray perguntou antes de fazer um carinho no rosto moreno.

- Agora que estamos em casa e vocês dois estão onde eu posso ver. – Sorriu de leve. – Sim, estou.

- Falei com o Sam ele vai entrar com uma ordem de restrição. – Pegou a luva que estava sobre o degrau e se afastou para passar talco. – Pelo que ele disse são realmente as criaturinhas do seu FC com o Finn.

- Eu imaginei. – Murmurou entrelaçando os dedos sobre o joelho da perna que estava no degrau abaixo e a outra se encontrava esticada. – Você falou com o Puck?

- Sim, Dave se responsabilizou por encontrar seguranças bons aqui em NY. – Esguichou um pouco d’água dentro da boca antes de ir se sentar ao lado da morena.

- Você acha que isso pode dar problemas com a tia-avó do Ethan? – Rachel murmurou.

- Talvez, mas não vamos pensar nisso agora. – Tomou mais um pouco d’água. – Só quero passar um bom feriado em família.

- Você já pensou de onde vamos colocar esse povo todo? – Rachel perguntou com um sorriso.

- Bem… — Parou franzindo a testa em concentração. -… não.

Rachel soltou uma risada.

- Puck falou algo de ter alugado um quarto para ele e a Shelby. – Quinn se manteve pensando. – Beth vai ficar conosco no quarto dela, o que ela está bastante animada diga-se de passagem.

- Eu estou muito animada em tê-la aqui. – Deslizou um dedo pelo braço suado ganhando um sorriso de volta. – Sua mãe fica no quarto de hospedes e os meus pais no meu apartamento, que tal?

- É uma boa ideia. – Tomou mais um gole. – Hn… seus pais já sabem que você veio morar comigo né?

- Quinn nós colocamos um vídeo na internet falando isso, eu acho que os meus pais já sabem.

Sentiu a loira estremecer de leve.

- Mal posso esperar para encontrar o Leroy. – Murmurou desanimada.

Judy estava segurando Ethan que soltava pequenas gargalhadas agarrado a mulher.

- Mas você cresceu uns 3 metros. – A senhora ia falando com ele. – Está enorme.

- Sou gande. – Concordou acenando sabiamente. – Tirei sangue.

Estendeu o braço em que havia sido tirado o sangue.

- Ah tadinho. – A mulher murmurou dando pequenos beijos pelo braço. – Vai sarar.

Hiram e Leroy colocavam as malas dentro da casa com a ajuda de Quinn.

- Ele falou a mesma coisa para a fisioterapeuta. – Quinn murmurou para os sogros.

Hiram soltou uma risadinha.

- Rachel também tinha essa constante necessidade de atenção. – O pediatra argumentou, parou no meio do movimento quando a nora lhe olhou um pouco cética. – Ok, ela ainda tem essa necessidade.

Leroy se manteve um pouco afastado quando Hiram se aproximou para brincar com o menino. Rachel sentiu uma pequena pontada quando percebeu que o pai não se inclinou para brincar com o neto.

- Mãe a senhora vai ficar no quarto de hóspedes. – Quinn cortou a atenção de Rachel.

- E os senhores vão ficar no apartamento. – Rachel concluiu abraçando Quinn por trás. – Tem problema?

- Não, nenhum. – Hiram respondeu com um sorriso. – Puck e Shelby chegam quando?

- Amanhã. – Quinn respondeu, sentiu que ele estava evitando o assunto.

- Você estão bem? – Judy perguntou se aproximando das duas.

- Agora sim a pergunta esperada. – Rachel falou com um sorriso. – Sim, foi mais o susto.

Quinn se manteve calada sentindo os braços de Rachel lhe envolvendo, seu olhar encontrou com o de Leroy e ele acenou secamente.

Estava sentada na poltrona do escritório, o Diário repousado na coxa e a caneta prateada entre os dedos. Os risos de Ethan vindo pela janela junto com as vozes misturadas a da mãe, a da namorada e a do sogro.

- Posso? – Leroy estava parado na porta, parecia estar sério.

Quinn se pôs em alerta acenando com a cabeça o convidando a entrar. O homem entrou analisando o interior do escritório com atenção.

- Então, é aqui que você se refugia? – Perguntou parando no meio do aposento, as mãos pendendo ao lado do corpo.

- É. – Fechou o diário o largando sobre o colo. – Posso ajudar?

- Só queria saber como você está com o que aconteceu hoje. – Ele se balançou na planta dos pés.

- Bem, eu respondi isso quando vocês chegaram. – Arqueou uma sobrancelha.

- Não, Rachel respondeu isso quando chegamos você ficou quieta. – Ele rebateu. – Então, como você está?

Quinn olhou para o braço da poltrona tamborilando os dedos contra o couro.

- Estou… — Correu a língua pelos lábios secos. – Frustrada, irritada por que não posso proteger a minha família. Era isso que o senhor queria ouvir?

- Por que você acha que era isso que eu queria ouvir. – Ele se aproximou se sentando na poltrona ao lado dela.

- Bem, obviamente agora você vai jogar na minha cara como eu só faço mal a sua filha e ao menino que adotei e que provavelmente será melhor para ele voltar para a mãe drogada do que ficar comigo. – Entrelaçou os dedos das mãos e encarou Leroy com uma frieza velada.

- Na verdade eu vim conversar com você por que eu entendo essa frustração e impotência que você está sentindo. – Ele cruzou as pernas mantendo a postura calma. – Eu sei o que é não conseguir proteger aquilo que te é mais caro.

Quinn respirou fundo para se manter no controle das próprias palavras.

- Eu só não quero… — Parou procurando as palavras que melhor se encaixavam na situação. – Não quero parecer que estou controlando os dois, quero apenas…

- Mantê-los em uma bolha perto de você onde nada nunca vai acontecer com eles e eles sempre estarão felizes, bem-cuidados e seguros. – Leroy ofereceu um sorriso. – Acredite, eu te entendo.

- Eu deveria ter pensado na segurança antes. – Agitou a mão como se estivesse tentando afastar uma mosca. – Foi irresponsabilidade da minha parte.

Leroy apoiou o cotovelo sobre o braço da poltrona e o indicador se encontrou a sua têmpora sustentando a cabeça.

- Você não quer ser controladora, por que ele é controlador. – Sua voz grossa era macia. – Mas acredite que tem uma linha fina entre ser controlador e ser cuidadoso.

Quinn se mexeu incomodada.

- Eu posso ter me enganado. – Leroy murmurou. – Talvez você não seja igual ao Russel, talvez você seja igual a mim.

O encarou esperando um complemento, mas o homem apenas sorriu com os lábios, seu olhar pousou sobre o quadro de cortiça.

- Eu li os seus livros. – Se levantou andando até o quadro demonstrando interesse. – Fiquei realmente impressionado.

- Achei que me achasse uma autora medíocre que só faz sucesso por que usa a sua filha e os adolescentes de hoje não tem um senso crítico muito alto.

- Os adolescentes de hoje não tem um senso crítico aguçado. – Se voltou para ela erguendo o braço. – Mas suas palavras possuem uma beleza e você não usa a minha filha.

Ele parou analisando o quadro.

- Como anda o livro?

- Bem, tenho conseguido escrever capítulos ótimos. – Se levantou indo ficar ao lado do homem.

- É uma boa história essa, mas já parou para pensar ao final que ela está te levando? – A olhou interessado. – Por que eu só vejo uma saída desse labirinto.

- É por que só existe uma. – Acenou afirmativamente.

- Seria um final triste, mas nobre. – Ele concordou. – Grandes histórias merecem grandes finais.

Quinn ergueu a mão e pegou uma nota amarela sobre a mesa junto com uma caneta, rabiscou rapidamente na nota e a prendeu exatamente no meio do caminho que havia feito com os papeizinhos.

O quadro de cortiça estava montado como um labirinto entre os fatos que haviam acontecido durante toda a saga e tudo aquilo conduzia aquela ultima nota que havia acabado de fixar. Leroy se encostou na cadeira cruzando os braços sobre o peito largo. Quinn afagou o papel como se aquilo lhe pesasse mais do que deveria.

- Não tem outro jeito minha estrela. – Sussurrou sabendo que o sogro lhe ouvia.

Encostou-se ao lado do sogro que lhe envolveu com o braço pelos ombros, ambos sabendo o que aquele momento representava. Os dois pares de olhos presos no papel que se sacudiu suavemente com a brisa que entrou pela janela.

Beth Stern. A estrela que vira uma supernova.

Notas finais
NÃO. A fic não está terminando, ainda. Eu acho pelo menos ainda tenho algumas coisas a tratar. Tenho uma nova fic "Espadas de prata" espero que vocês estejam gostando dessa minha pequena brincadeira, não vou me aprofundar muito nela, é apenas uma diversão, então aproveitem ok?
Por hoje é só, até semana que vem acho.
@the_sadistics