Diário

20 Capítulo XIX – Mamãe


Notas iniciais
Boa tarde.

A primeira palavra do bebê. Minha mãe se revolta nesse quesito “mamãe” foi a 20ª palavra que falei, mas hoje é a primeira que sai da minha boca na hora do aperto. Mãe é algo de outro mundo, vamos admitir. Ela passa noites acordada quando você está com uma mera tosse, ela assoprava o seu joelho quando você caia. Mãe é aquela que te conhece, mesmo que você não fale nada. Hoje em dia muitos confundem a palavra mãe com parideira. Perdoem-me, mas para ser mãe tem que ter talento, tem que estar no sangue e colocar no mundo não te caracteriza como mãe.

Quinn estava encostada no carro olhando as crianças que saiam do prédio. Estava ciente dos olhares que vagavam até a sua pessoa e hora ou outra reconhecia algum rosto. Cruzou os braços sobre o busto e esperou pacientemente até a cabeleira loira conhecida sair cercada por amigas, os olhos verdes pareciam mais sérios que o normal, o corpo já apresentando as mudanças da idade ia perdendo o feitio infantil. Ela permanecia quieta enquanto o grupo tagarelava animadamente.

- Beth. – A chamou tentando se sobrepor a balburdia.

As garotas pararam e se viraram para ela, não era exatamente o que estava querendo, mas o sorriso que a filha abriu superou qualquer receio.

- Mamãe. – Beth correu para Quinn ignorando as amigas, a abraçou com força pelo quadril.

- Hey princesa. – Sorriu sentindo o coração bater mais forte, ela nunca havia lhe chamado assim, se curvou a beijando nos cabelos claros e aspirando o cheiro da filha. – Senti sua falta.

- Eu também. – Murmurou apertando a mãe entre os braços. – Veio passar o final de semana.

- Todinho e hoje o dia é só meu e seu. – Sorriu acariciando as maçãs do rosto corado. – Se despeça de suas amigas e veja se alguma quer carona.

A menina se afastou, mas logo retornou correndo.

- Vamos? – Pediu segurando a mão de Quinn com firmeza.

- Ninguém quer carona? – Olhou por cima da cabeça da filha o grupinho compacto que as olhava.

- Não, não. – Balançou os cabelos loiros. – Vamos, por favor.

- Ok então. – Sorriu ignorando a sensação que a garota mentia.

Abriu a porta do passageiro e rapidamente a menina pulou para dentro do carro.

- Pegou o carro do papai? – Beth jogou a mochila para o banco traseiro.

- Sim. – Olhou no retrovisor engatando a ré do carro. – Está vendo esse papel prata, é um presente para você abra.

A garota se abaixou pegando o embrulho médio, rapidamente rasgou o papel e soltou um suspiro satisfeito.

- Coraline? – Sorriu largamente. – Obrigada mamãe.

- De nada meu anjo. – A olhou rapidamente. – Vamos lanchar?

Hiram estava sentado na mesinha de centro da sala olhando firmemente para Leroy. Nenhum dos dois havia se movido para iniciar a conversa.

Leroy se mexeu incomodado, olhava firmemente para a parede atrás do marido.

- Você está me tratando como uma criança que foi pega fazendo algo errado. – Rosnou de repente. – E não como o seu marido.

- Você está se comportando como uma criança. – Hiram rebateu. – E não como o meu marido e um pai de uma filha já adulta.

Leroy rolou os olhos soltando um leve bufar.

- Leroy. – Apertou a ponte do nariz com força. – Pelo amor de Deus pare de birra, esqueça Russel Fabray e olhe apenas para Quinn Fabray.

Leroy bufou mais uma vez.

- Então já que é tão difícil para você fazer isso, olhe apenas para a sua filha e a veja como ela está. – Seus olhos verdes pareciam queimar levemente. – Ela está linda. Uma mulher completa, que ama e é amada. Rachel está irradiando uma segurança que eu nunca vi, ela está envolta de uma felicidade que dificilmente Finn Hudson lhe proporcionaria.

- Nunca saberemos, ela não lhe deu uma chance.

- Ela deu todas as chances que podia e você sabe disso. – Esfregou a testa frustrado. – Agora a chance é da Quinn e eu sei que ela não consegue ser totalmente feliz com você contra. Ela precisa do seu apoio, ela precisa ouvir o filho dela te chamar de avô.

- Como é? – Se mexeu no sofá.

- O que você ouviu. – Abaixou a mão entrelaçando os próprios dedos. – Ethan me chama de avô e ela considera o menino como sendo filho dela e de Quinn e sinceramente? Eu adoro isso.

Leroy fechou os olhos, seus dentes se apertaram e a respiração saiu forte pelas narinas infladas.

- Roy. – O chamou pelo apelido carinhoso, hesitante se curvou para segura-lo nas mãos tensas. – Não estou pedindo que você abrace as duas de uma vez, mas que ao menos tente ficar perto sem provocar confusão.

- Não posso ver isso. – Abriu os olhos irritados. – Você não entende que a nossa filha não pode ser feliz com aquela mulher.

Hiram correu a ponta da linha pelo lábio superior abaixando o rosto.

- Não, eu realmente não entendo, mas não é o fato da nossa filha não poder ser feliz com aquela mulher. – Afastou a mão, fechou seus olhos com um suspiro. – Eu não entendo como alguém que sofreu tanto para viver o seu amor com o parceiro que jurou amar a vida toda não pode simplesmente aceitar ou tentar aceitar que alguém que você ama também tem esse direito.

- Mas…

- SE… — O interrompeu erguendo a mão. -… se não der certo o relacionamento delas, o que do fundo do meu coração eu não acho que vá acontecer. Se por acaso isso vier a se tornar concreto e a Quinn machucar a nossa filha de forma intencional, eu vou ser o primeiro a olhar para você e pedir desculpas.

- Enquanto isso não acontece?

- Você vai ser gentil e educado com a nossa nora, vai tratar o Ethan com o mínimo de carinho e vai respeitar as decisões da nossa filha.

- E se eu não fizer?

- Então eu quero o divórcio. – Hiram se levantou saindo da sala.

Quinn roubou um anel de cebola da filha que rapidamente lhe atirou a língua. A autora soltou um pequeno riso enquanto comia o seu furto, a garota devorava uma porção de cebola e um hambúrguer.

- Shelby vai querer me matar estou estragando a sua dieta. – Arqueou as duas sobrancelhas.

Beth abaixou os olhos emburrando o rosto a menção da mãe adotiva.

- Então princesinha nórdica nós temos que conversar. – Quinn aproveitou a deixa. – Sobre o seu recente comportamento.

Beth soltou um gemido baixo enquanto tomava alguns goles do refrigerante.

- Beth, você pode me explicar o porquê de você ter brigado na escola. – Sua voz era calma e firme.

A garota deu de ombros sem querer levantar o rosto para atender os olhos verdes da mãe.

- Beth.

- Falaram algumas coisas. – Falou em voz baixa.

- Que coisas?

Beth empurrou o resto das cebolas para o lado, suas mãos se entrelaçaram encima da mesa e mesmo assim não levantou o rosto para a mãe.

- Por que você o adotou? – A voz era mais baixa e insegura.

Quinn sentiu o coração acelerar.

- Eu vou conversar com você sobre o Ethan, mas antes eu quero saber o porquê da briga e o porquê de você ter falado aquilo para a Shelby. – Pousou sua mão sobre as da filha dado um aperto suave.

- Eles falaram que a senhora não me quis, mas quis ele. – Uma lágrima ameaçou sair. – A senhora nunca lutou por mim, mas lutou por ele.

Sentiu seu peito se apertar diante da dor na voz da filha, se levantou e rapidamente deslizou no banco ao lado dela a envolvendo com os braços.

- Isso não é verdade e você sabe disso. – Sussurrou para ela se balançando levemente. – Já conversamos sobre o porquê de eu não ter ficado com você.

- Então por que você nunca lutou pra ficar comigo depois? – Ergueu os olhos, uma lágrima escorreu pelo rosto de Beth. – Por que a senhora nunca me pediu pra te chamar de mãe? Por quê?

- Beth. – Secou a lágrima da menina. – Não é tão fácil.

- Eu fui um erro?

- Nunca. – A segurou com mais firmeza. – Você nunca foi um erro e nunca vai ser. Dar você para a Shelby foi a decisão e ação mais dolorosas que eu já fiz, não tem um dia que passe que eu não queira acordar você, te levar pra escola e te ajudar com o dever de casa, mas eu abri mão disso assim como abri mão de ouvir você me chamar de mãe. Eu tinha 16 anos e não podia cuidar de você e você sabe disso, Shelby me deixou participar da sua criação e isso é mais do que eu poderia pedir.

A beijou na testa sentiu os braços finos lhe apertarem com força.

- Eu te amo Beth, nada vai mudar isso. – Falou contra os cabelos loiros. – Você é a minha princesinha e sempre vai ser. Você é a minha Beth, aquela para qual eu cantei durante 9 meses toda noite para você dormir dentro de mim. Você é minha e não importa o seu sobrenome ou quem você chama de mãe, você sempre vai ser minha, me entendeu?

Beth balançou a cabeça, Quinn secou as lágrimas insistentes.

- Shelby te ama tanto quanto eu te amo e é por isso que ela me deixa participar da sua vida. – Ergueu o rosto para que os olhos se encontrassem. – Você entende isso? Eu sou a sua mãe biológica, mas a Shelby é a sua mãe de fato. O que você falou para ela a machucou tanto quanto me machucou, eu não quero que você faça mais isso.

A garota tornou a balançar a cabeça dizendo que havia entendido.

Rachel terminava de secar os cabelos de Ethan que estava deitado na cama tentando agarrar os cabelos castanhos da diva.

- Eu vou te pegar garoto. – Ela ia lhe ameaçando de brincadeira. – Vou te encher de cosquinhas e beijos.

- Mamãe. – Murmurou com um sorriso.

Rachel ergueu a cabeça para olhar o menino, sentiu seu coração acelerar com uma felicidade assombrosa.

- Do que você me chamou? – Pediu mais uma vez acariciando os cabelos claros.

- Mamãe. – Ethan repetiu acanhado.

Rachel a pegou no colo o apertando contra o seu corpo com carinho, a batida suave na porta lhe chamou a atenção.

Judy estava ali parada com um pequeno sorriso nos lábios, ao seu lado uma mulher mais alta e magra. As rugas já começavam a aparecer envolta dos olhos castanhos, seu nariz era o mesmo que o da filha e os lábios carnudos tinha quase o mesmo desenho.

- Ele me chamou de mamãe. – Seu olhar encontrou o da sogra e um sorriso lagrimoso se espalhou pelo rosto de Rachel.

- Minha querida. – Judy juntou as mãos sobre o peito. – Isso é ótimo.

Shelby se mexeu incomodada vendo Judy se aproximar de Rachel e acariciar os cabelos de Ethan.

- Estava pensando em fazer um chá aqui em casa, chamei seus pais. – Seu tom de voz era gentil. – Se importa de se juntar a nós?

- Eu adoraria, mas antes vou levar esse rapazinho para cortar os cabelos.

Quinn comprou sorvete para Beth antes de andarem até o balanço do parquinho.

- Eu não posso mais te chamar de mamãe. – Beth finalmente falou depois que saíram da lanchonete.

- Eu iria adorar que você continuasse me chamando assim, mas eu acho que não seria justo com a Shelby. – Ajeitou a franja da filha.

Beth acenou com a cabeça, seu olhar sempre de encontro ao chão. Quinn suspirou olhando envolta, um carro parado chamou sua atenção, pensou ter visto uma lente de câmera.

- Como você escolheu ele?

- Ethan? – Olhou para a filha começando a se balançar. – Eu o conheci através da tia Brit ela cuida dele.

- Ele é especial?

- Você sabe que nem todas as crianças tem a sorte que você tem não sabe? – Começou tentando encontrar as palavras. – Ter uma família amorosa, casa, comida e todas essas coisas que você tem.

- Eu sei.

- O Ethan não tinha nada disso. – Se curvou entrelaçando os dedos. – A mãe dele usa drogas e deixava o padrasto bater nele, isso causou uma série de problemas.

- Problemas?

- Ele acabou perdendo a visão e não anda.

- Pra sempre?

- Não, a mamãe e a Rachel já estão cuidando disso. – A olhou fitando o perfil sério da garota. – Beth eu adotei o Ethan, mas isso não faz de você deixar de ser minha filha.

- Eu sei. – Olhou para a mãe com um pequeno sorriso triste.

- Eu tinha que ter conversado com você antes e eu te peço desculpas por isso. – Acariciou o rosto rosado.

Beth acenou com a cabeça antes de soltar um suspiro.

- E a Rachel? – Perguntou animada. – Ela está aqui?

- Na verdade ela está. – Segurou nas correntes voltando a se balançar. – Ela está com o Ethan, você quer encontra-los?

- Podemos? – Se pôs em pé. – Quero conhecer minha irmã.

- Só a sua irmã? – Arqueou uma sobrancelha.

- E o meu irmão. – Murmurou coçando a nuca.

Rachel olhava satisfeita o novo corte de cabelos do garoto, sentiu a mão em sua cintura.

- Ficou ótimo. – Quinn falou satisfeita, segurava a mão de Beth.

- Hey você. – Virou o rosto lhe dando um beijo no canto dos lábios, seu olhar desceu para Beth. – E você hein mocinha está muito linda.

Beth sorriu se escondendo atrás de Quinn.

- Que isso voltou a ter 6 anos? – Quinn cutucou a filha. – Fala com a Rachel, você não queria tanto?

- Oi. – Murmurou corando.

- Noah não disse que ela tinha o jeito dele com as palavras? – Rachel se moveu agachando na frente da menina para que ela ficasse mais baixa que a enteada.

- Deixa ela se acostumar com você. – Quinn foi pegar Ethan no carrinho. – E você meu príncipe, se comportou?

- Sim. – Acenou sorrindo.

- Tenho alguém pra te apresentar. – Quinn o cutucou no nariz. – Pode ser?

- Sim. – Apoiou a cabeça no ombro da loira.

Beth olhava para Ethan. O rosto já gordinho e com a aparência saudável, os olhos azuis opacos eram delimitados pelas sobrancelhas grossas em uma tinha um risco pálido originada de um corte. Seus lábios rosados e o nariz centrado completavam o rosto bonito, os cabelos loiros estavam com os fios curtos acima da orelha iam desfiando levemente e o topete bagunçado.

- Ethan essa é a sua irmã. – Quinn colocou com cuidado o menino em pé, mas sem colocar o peso dele sobre as pernas frágeis. – Beth.

- Imã? – Ethan levantou o rosto procurando o de Quinn.

- Irmã. – Rachel o corrigiu. – “R” Ethan utilize o “R”.

- Sim ela é sua irmã. – Observou Rachel induzir Beth a chegar mais perto. – Ela é minha filha, mas mora com o papai dela.

Beth segurou as mãozinhas de Ethan e levou até o próprio rosto, o garoto correu os dedos pela maçã do rosto sentindo os lábios e o nariz, subiu pela ponte do nariz perfeito até as sobrancelhas claras em um arco perfeito.

- Bonita. – Ethan sorriu parecendo satisfeito. – Irmã bonita.

Quinn sentiu o sorriso não querer sumir de seu rosto, a mão de Rachel lhe apertou o ombro.

-Paparazzi. – O murmúrio irritado da diva. – Vamos sair daqui rápido.

Quinn bateu a porta de casa com um pouco mais de força do que pretendia.

- Como? – Perguntou enquanto a morena empurrava o carrinho de Ethan e Beth a segurava na outra mão. – Como eles nos descobriram aqui?

- Eu não sei, mas se acalma. – Entraram na sala, Rachel registrou a presença de Noah e seus pais.

Beth soltou de Rachel e correu para o pai pulando em seu colo, o judeu a aninhou acariciando os cabelos da menina.

Quinn apareceu logo atrás de Rachel, apertou a mandíbula quando seu olhar parou em Leroy, andou até o Puckerman e jogou as chaves para ele. Rachel se ocupou em tira Ethan do carrinho enquanto a loira espalhava os brinquedos dele pelo tapete.

- Pronto meu amor. – A diva o beijou enquanto Quinn simulava um ataque com o ursinho de pelúcia.

- Rachel. – Leroy se levantou tenso.

- Pai. – Acenou com a cabeça antes de dirigir um sorriso a Hiram. – Então papai o que achou do corte de cabelo?

- Ficou lindo, ele está um charme diga-se de passagem. – Sorriu ouvindo a risada do neto. – Vou chamar Judy ela tem que ver isso e pegar a câmera para registrar uma foto dele com Beth quero colocar na minha mesa.

Notas finais
O capítulo saiu basicamente todo durante a madrugada, então desculpa qualquer coisa. Até.