Diário

21 Capítulo XX - Aslan


Notas iniciais
Boa noite para quem está nessa madrugada horrível.

Antigamente a palavra de um homem bastava o que ele dizia era lei. Acordos eram selados de boca, pois um homem sem palavra era um nada. Os únicos bens que o cidadão tinha era a sua honra e a sua palavra, mas hoje em dia isso é piada. Piada sem graça por sinal.

Manteve-se parada observando a brincadeira das crianças, Beth ia lendo Coraline para Ethan. Sentiu a mão pousar em sua perna.

- Eles não vão sumir dali. – Rachel sussurrou em seu ouvido.

- Desculpa. – Pediu com um pequeno sorriso. – É que eu acho tão surreal vê-los assim que não consigo parar de olhar.

Ouviu a risadinha que a Berry soltou, a tomou pela mão a beijando carinhosamente.

- Me perdoa? – Pediu baixinho, a interação das duas as mantinha alheia ao que acontecia ao redor na mesa.

- Pelo o que?

- Por ter estourado por causa dos paparazzi. – Suspirou. – Não sei como eles nos descobriram aqui.

Rachel abanou a cabeça a puxando para um beijo simples.

- Tudo bem, também não quero expor as crianças. – Sussurrou acariciando os cabelos da nuca. – Eu entendo.

Quinn olhou rapidamente pela mesa encontrando o olhar de Shelby nas duas.

- Vem cá. – Se levantou puxando Rachel pela mão. – Já voltamos.

Saíram no jardim atrás da casa, Quinn a puxou até o meio do gramado.

- Eu nem perguntei como você está em ter a Shelby perto. – Segurou Rachel pelo rosto.

Rachel soltou a respiração um pouco chateada.

- Na verdade ainda não falamos uma com a outra, nos olhamos, mas não falamos. – Cruzou os braços. – Não me importo de tê-la por perto, é pela Beth, mas sei lá ainda dói um pouco saber que ela não quer estar na minha vida e só está naquela sala por causa da filha que ela realmente quis.

- Me desculpa. – Puxou o rosto de Rachel mais para perto do seu. – Eu deveria ter pensado que não era uma boa opção pra você.

- Se nós duas vamos fazer esse relacionamento dar certo eu tenho que estar presente na vida da Beth. – Deu de ombros. – Vale o sacrifício.

- Não quero que você se magoe. – Quinn se afastou sutilmente. – Se for melhor para você eu lido com a Beth sozinha.

- Não. – Sua voz assumiu um tom mais duro. – Eu quero fazer isso. Se a Shelby não me quer aqui ela que se dane.

- Quem está xingando agora? – Arqueou uma sobrancelha com um sorriso divertido.

- Convivência com você. – Lhe deu língua se aproximando sugestivamente, a abraçou pelo pescoço.

- Agora a culpa é minha?

- Aprenda Fabray a culpa sempre vai ser sua. – A beijou rapidamente.

Quinn a segurou mais perto aprofundando o beijo lentamente, deixando a língua escorregar por entre os lábios macios sentindo o calor da morena. Rachel deixou a respiração escapar totalmente pelo nariz a puxando pelos cabelos com força correndo as unhas pelas costas cobertas de cima a baixo a provocando lentamente.

Quinn deslizou a mão pela coxa grossa lhe dando um apertão suave, ouviram alguém limpar a garganta e se afastaram o mínimo possível.

- Quinn… — Shelby hesitou atraindo a atenção das duas. – Posso falar com a Rachel? A sós.

A loira prendeu a diva com um pouco mais de força contra o seu corpo enquanto olhava a mãe adotiva de sua filha. Sentiu Rachel apertar a sua cintura transmitindo confiança antes de se desprender da namorada.

— Claro. – Acenou sem nenhum sorriso. – Amor por que você não entra e fica um pouco com as crianças?

Quinn a beijou nos lábios uma vez mais antes de ir na direção de Shelby.

- Machuque-a e eu esqueço que a minha filha te chama de mãe. – Encarou a mulher com os olhos verdes duros como pedras de gelo.

Rachel sorriu mais amplamente quando a Corcoran pareceu se incomodar com qualquer coisa que Quinn havia dito.

- Posso ajudar? – Perguntou educadamente.

- Eu gostaria de conversar com você. – Shelby ajeitou uma mexa atrás da própria orelha. – Saber como você está.

- Estou ótima. – Rachel respondeu calmamente. – Tenho a carreira dos meus sonhos, um bom apartamento, um filho inteligente e uma namorada maravilhosa. O que mais eu iria querer?

- Não tem nada que te incomode? Que falte? – Shelby insistiu um pouco ansiosa.

- Não vejo isso. – Coçou a sobrancelha esquerda com o polegar. – Tenho dois pais ótimos, embora eu precise resolver algumas coisas com o meu pai, amigos incríveis e ganhei uma sogra fantástica.

- Sogras mudam com o tempo. – Shelby se balançou nos pés.

- Eu espero realmente que a Judy mude e se torne alguém indispensável para mim. – Deu as costas indo para a casa. – Afinal ela é indispensável para a filha e a ama incondicionalmente.

- Rachel espere…

- O que? – Se virou para a mulher sem perder a postura. – O que você realmente quer perguntar Shelby?

- Eu só queria saber mais sobre a sua vida.

- Agora? – Arqueou as sobrancelhas. – Agora você quer saber de mim? Shelby você realmente achou que iria falar comigo e num passe de mágica eu iria querer você na minha vida como minha mãe?

- Eu tenho acompanhado a sua vida tão de perto…

- É eu sei, tem um livro com recortes de jornais sobre mim e algumas gravações. – Acenou com a cabeça seus lábios eram insensíveis. – Isso não vai fazer com que eu queira você na minha vida, você é mãe da Beth e eu vou ter um relacionamento cordial com você pela minha enteada, mas não me peça nada mais que isso.

Quinn colocou o corpo de Ethan na cama de seu quarto, o garoto se agarrou ao ursinho enquanto resmungava algumas palavras.

- Ele está cansado. – Rachel estava apoiada na maçaneta. – Foi um dia intenso.

- É. – O cobriu se afastando rapidamente na direção dela. – Ele e Beth pareceram se darem muito bem.

- É claro que eles vão se dar bem, eles tem a essência Fabray. – A abraçou apoiando a cabeça sobre o peito da loira.

- Como o Ethan tem a essência Fabray? – Arqueou uma sobrancelha.

- Você não viu aquele sorriso? – Se afastou levemente. – Ele é você todinho, como eu não sei.

- Ok, temos uma diva com sono. – Começou a andar abraçando Rachel com mais firmeza. – O que me lembra, você vai dormir aqui comigo ou na casa dos seus pais?

- Ainda não sei. – Murmurou de olhos quase fechados. – Mas eu iria adorar dormir com você e o Ethan.

- Hn… eu iria adorar segurar você e ele durante a noite toda. – Murmurou de volta a beijando na testa, entraram na sala.

- Estrelinha você está com sono? – Hiram perguntou com um sorriso divertido.

- Sim… — Murmurou se aconchegando mais em Quinn.

A loira se sentou na poltrona que costumava ser de seu pai e a puxou para o seu colo a acomodando com cuidado.

- Vamos para casa? – Leroy se levantou. – Assim você dorme.

- Não… — Rachel resmungou se apertando contra Quinn. – Ficar…

Sentiu o peito da loira tremer pela risadinha contida.

- Rachel levante-se…

- Leroy. – Hiram modelou a voz demonstrando certo descontentamento velado. – Não fale assim.

- Por que vocês não dormem aqui? – Judy se levantou recolhendo duas garrafas de vinho. – Afinal, talvez tenhamos nos excedido no vinho.

- É uma boa oferta. – Quinn piscou para a mãe. – Dirigir de madrugada e tendo bebido não é muito bom.

- Talvez devêssemos aceitar. – Hiram puxou Leroy o sentando. – Estou cansado para dirigir e você bebeu.

Quinn pousou Rachel sobre a cama ao lado de Ethan, a morena envolveu o garoto nos braços o puxando para apoiar em seu peito.

A loira rapidamente ajeitou os cabelos da morena, ouviu a batida na porta se virou para encontrar Leroy.

- Posso conversar com você?

Quinn arqueou uma sobrancelha antes de acenar e sair do quarto seguindo o homem desceram as escadas e a loira tomou o rumo da cozinha.

- Cerveja? – Perguntou abrindo a geladeira.

- É, seria bom ter essa conversa com mais álcool correndo no sangue. – Acenou com a mão. – Podemos sentar lá fora? A noite está agradável.

- Com certeza. – Fechou a geladeira.

Sentaram-se nos degraus de madeira antes de descerem para o gramado. Quinn tomou um gole esperando.

- Eu vi o que você fez. – Ele fitava o gargalo da garrafa. – As declarações.

- É eu vi a sua declaração. – Acenou com a cabeça, olhou para cima antes de apertar o casaco em torno do seu corpo.

- Minha filha é muito inocente. – Ele falava baixo e pausadamente. – Achei que quando ela fosse para New York teria mais os pés no chão, mas ela continua sendo apaixonada de mais.

- E isso é errado?

- Depende de com quem ela se envolve.

- Ou seja, a errada sou eu. – Tomou um gole amargo. – Por causa do meu sobrenome e do meu pai.

- Eu estudei com o seu pai. – A borda da garrafa próxima aos lábios. – Nos formamos juntos.

Quinn o olhou esperando a história prosseguir.

- Bem, seu pai era o popular da escola e eu o perdedor do club glee, te lembra algo? – Olhou para ela sem esconder o lampejo de raiva. – Uma semana antes de nos formarmos surgiu um boato de que eu era apaixonado pelo quarterback da escola, seu pai.

Quinn sentiu um frio descer pela espinha, tinha uma ideia de como a história iria terminar. Seu pai já tinha mencionado algo relativo a isso.

- Perdi a minha festa de formatura por que o seu pai e os amiguinhos dele me espancaram até eu perder a consciência e continuaram até que tiraram eles de cima de mim. – A mão apertava com força a garrafa. – Sabe qual é o pior? É que eu realmente era apaixonado pelo seu pai.

Quinn pousou a garrafa entre as pernas, escondeu o rosto entre as mãos.

- Na faculdade conheci o Hiram nos apaixonamos e voltamos pra cá, para criar a nossa menina e agora que tudo vai bem um Fabray resolve entrar na tranquilidade da minha casa e colocar tudo abaixo mais uma vez. – A voz dele era truncada pela força com que apertava os dentes.

- Meu pai é um ser intragável. – Começou com a voz calma e pausada. – O fato de carregar o sobrenome dele e de ter sido criada por ele não me faz ser ele.

- Não, mas faz ser uma grande probabilidade.

- Eu amo a sua filha. – O olhou com firmeza sem se deixar abalar pelo olhar que recebia. – Sou apaixonada por ela e nunca a machucaria de propósito.

- Suas palavras não valem simplesmente nada pra mim Fabray. – Ele resmungou tomando um gole da cerveja. – Absolutamente nada.

- Então temos um pequeno problema. – Se levantou. – Por que a minha palavra é a única coisa de valor que eu tenho e que eu posso te dar.

Quinn estava sentada no chão apoiando as costas na parede, seu olhar preso no rosto relaxado de Rachel. O sol vinha tingindo as paredes verdes com uma cor dourada, a autora finalmente se mexeu se levantando para esticar a coluna, havia virado a noite naquela posição olhando os dois dormirem. Aquilo havia lhe acalmado e lhe levado de volta para o prumo, não deixaria Leroy lhe intimidar e muito menos deixar sua pequena insegura.

Entrou no banheiro, pronta para tomar uma ducha e iniciar mais um dia.

A água morna ia lhe acertando as costas enquanto se inclinava apoiando um dos braços na parede queria que o jato batesse no lugar certo, mas a tensão não aliviava. Dedos suaves escalaram sua coluna apertando entre as vértebras no lugar exato, um gemido escapou seus lábios.

- Bom dia. – Rachel murmurou dando uma pequena mordida na nuca molhada. – Cuidado Ethan ainda está dormindo.

- Bom dia. – Suspirou pegando as mãos e as envolvendo na própria cintura colando o corpo de Rachel ao seu.

A diva começou a lhe dar pequenos beijos pelo trapézio até chegar na região atrás da orelha, Quinn relaxou contra o seu corpo deixando Rachel lhe sustentar.

- O que foi? – Rachel mordeu suavemente o lóbulo arrastando os dentes para criar uma fricção. – Não dormiu bem?

- Não dormi. – Respondeu calma, desligou a água. – Me deixa sair.

- Por que você não dormiu? – A segurou com mais firmeza. – O que foi?

- Nada amor só perdi o sono. – Sorriu com o canto dos lábios, se virou podendo segura-la pelo rosto e lhe dar um beijo carinhoso. – Vou me arrumar termina o seu banho.

Puck coçou os cabelos raspados sentindo o sorriso se espalhar pelos lábios vendo a filha brincar feliz com o presente do irmão que ela tinha feito questão de escolher. Sabia que teria que arranjar um para ela.

- Papai, ele vai gostar? – Beth levantou o rosto sorridente, os olhos verdes brilhando pelo sol.

- Tenho certeza que ele vai adorar agora a sua mãe não tenho tanta certeza. – Soltou uma gargalhada.

- Quinn disse que não seria justo eu a chama-la assim. – Abaixou a cabeça fazendo carinho no pequeno.

- Eu tenho certeza que podemos contornar isso. – Piscou um dos olhos marotamente. – Vamos levar esse pulguento?

- Não fale assim. – Beth brigou recolhendo o filhote em seus braços.

Quinn arqueou uma sobrancelha vendo Puckerman entrar com uma caixa nos braços e Beth vir logo atrás carregando um embrulho em um cobertor.

- O que temos aqui? – Sorriu para a filha. – Bom dia princesa.

- Bom dia mãe. – Beth sorriu se aproximando de Ethan que estava no colo de Rachel tomando sua mamadeira. – Bom dia irmãozinho, bom dia…

A garota parou olhando para Rachel sem saber como chama-la exatamente, olhou para o pai que deu de ombros.

- Da maneira que você se sentir confortável princesa. – Puck falou calmo.

- Bom dia Rach. – Sorriu para a diva.

- O que temos aqui? – Hiram arqueou uma sobrancelha vendo o pequeno embrulho se mover.

A cabecinha com o pelo escuro apareceu, os olhos pretos miraram todos na cozinha curiosamente, as orelhinhas caídas ainda não tinham força para levantar tinham uma pelagem mais dourada.

- Esse é o meu presente para o Ethan. – Beth sorriu para a mãe.

- Um cachorro? – Quinn se virou para Puck que tentava não rir.

- Ela acordou falando nisso o que você queria que eu fizesse? – Deu de ombros. – Além do mais é um pastor alemão é um ótimo cão guia.

Ethan se mexeu no colo de Rachel querendo saber o que era o presente, as duas trocaram um olhar antes da diva coloca-lo no chão e Beth se aproximar com o cachorrinho.

- Devagar. – Rachel orientou o menino a acariciar o animal.

Ethan soltou um gritinho animado sentindo a textura dos pelos entre os dedos. Rachel começou a descreve-lo para o menino tentando dar o máximo de detalhes possível enquanto Beth instigava o filhote a brincar com o menino.

- Sério Puck? – Quinn levou a mão a testa.

- Qual vai ser o nome dele? – Rachel soltou uma risada quando o menino recuou diante de uma lambida.

Ethan fez um som como se estivesse com nojo e ao mesmo tempo animado.

- Aslan. – Ethan sentenciou.

- Agora eu tenho um leão que não é bem um leão em casa. – Quinn deu um leve soco no ombro de Puck. – Você me paga.

Notas finais
Finalmente o motivo do por que o Leroy é tão raivoso com a Quinn. Espero que tenham gostado, atém mais.