Divergente - New Directions
35 Visita Indesejada I
Notas iniciais
Tris: POV
— Não vai me convidar para entrar? (suspiro pesadamente com a pergunta e apenas balanço a cabeça negativamente)
— O que quer aqui? (eu pergunto encarando a figura parada na minha porta) – Acredito que não tenhamos nada para conversar.
— Eu creio que você se engana nessa parte senhorita Prior. (Ele me encara com um semblante frio e sem expressão, porém um sorriso surge em seus lábios e ele me encara) – Tenho certeza que você quer saber de Tobias. (eu engulo seco e sinto minhas pernas tremerem)
— O que tem ele? (sei que fora burrada perguntar, mas minha curiosidade foi mais forte do que eu)
— Me deixe entrar e ai poderemos conversar melhor. (seu sorriso frio agora se torna cínico e eu dou passagem para ele) – Imaginei que esse assunto fosse lhe interessar jovem. (Geraldo entra em minha casa e percebo que seus olhos vagam pelo ambiente) – Esta sozinha em casa?
— Creio que isso não seja o assunto que tem para falar comigo. (Digo dando um corte nele que apenas balança a cabeça para mim)
— Você é rápida no gatilho. (ele passa a língua em sua boca antes de voltar a me olhar) – Como esta se sentindo? Soube que salvou a minha filha e meu neto de um atentado...
— Não foi um atentado, e acredito que isso não teria acontecido se ela mantivesse a boca fechada. (digo sem paciência) – Diga logo o que você tem a me dizer.
— Bom Tris... (eu enrugo minha testa e corto a fala dele)
— Me chame pelo meu nome. Para você e sua família eu sou Beatrice. (digo empinando meu queixo para ele)
— Tudo bem, Beatrice. (ele diz desafiador) – Em primeiro eu gostaria de te agradecer por ter salvado a vida da minha filha e neto. Certamente se não fosse por você agora estaríamos chorando pela morte de ambos. (ele diz) – E também, gostaria de te pedir que não procure mais o meu genro. (fico confusa com a última frase e nesse momento começo a sentir uma leve falta de ar)
— O que esta dizendo? (meu coração passa a bater descompensado)
— Tobias e Lauren voltaram. Já estão morando juntos, Beatrice. E decidiram se casar. (ele joga as palavras para mim rápidas de mais e aquele leve ar que estava começando a me faltar se transforma em um buraco negro que passa a sugar todas as minhas poucas forças para dentro de si. Geraldo parece perceber porque tenta se aproximar de mim) – Você esta bem?
— Já disse tudo o que tinha para dizer? (pergunto me desviando das mãos dele e me afastando um pouco. Aquele coração que batia em meu peito sempre que eu ouvia o nome dele, ou a sua voz rouca, agora não existe mais, pois esta despedaçado dentro de mim. Sinto meu olhos queimarem pelas lágrimas que insistem em brotar, mas eu não quero me mostrar frágil e nem vulnerável para ele.) – Saia da minha casa Senhor.
— Ainda não acabei de falar o que tenho para falar. (eu olho para ele que agora ostenta um sorriso) – Você parece cansada...
— Quem te mandou aqui? Foi ele? (eu pergunto extasiada pela dor do meu machucado e pela dor do coração)
— Ele teve medo de que você desse um show pelo fim disso que vocês tinham. (ele fala e revira os olhos) – Tobias, sempre faz isso. As mulheres são descartáveis para ele. Mas, imagino que agora com Lauren ele irá mudar, já que ela dará um filho a ele.
— Diga a ele para não se preocupar, pois não vou descer o nível de chorar na porta dele. (eu falo e as lágrimas começam a sair descontroladamente) – Eu quero que você saia agora da minha casa.
— Espere... (Geraldo se vira e pega um pacote pardo com suas mãos e as dirige para mim) – Isso é seu.
— O que é isso? (eu pergunto chocada) – Isso é dinheiro? Esta me oferecendo dinheiro? (eu pergunto incrédula) – Já disse que não vou me aproximar novamente de sua família. Vocês já encheram o meu pote de nojo. E também não quero o seu dinheiro imundo.
— A pare com isso Beatrice. (ele joga o papelote encima do meu sofá e minha respiração falha) – Aceite esse dinheiro como um agradecimento por ter salvado minha filha e meu neto, e também para um começo na sua vida, já que nela não haverá Tobias para te bancar.
— Vocês pensam que eu estava com ele apenas pelo seu dinheiro? (eu encosto-me na parede e levo minha mão até meu peito)
— E não era? Sei que Tobias encheu seus olhos pelo dinheiro que ele possui. (ele fala risonho e depois se aproxima de mim) – Sabe Beatrice, você não é de se jogar fora. Tobias acertou em cheio quando te escolheu para acompanhante dele. (percebo que seus olhos agora ostentam malícia em direção a mim)
— Saia daqui seu velho babão! (eu agora explodo e aponto para a porta da minha casa) – Saia daqui ou eu chamo a polícia!
— Por favor, pare com essa cena. Se eu te der um pouquinho a mais, vou adorar te levar para conhecer uma das minhas casas. (ele se aproxima ainda mais, e eu fico recuada na parede)
— Saia já daqui! (grito com ele e tento empurrá-lo para longe de mim)
Por ser maior e mais forte Geraldo não se move muito conforme eu o empurro, as lágrimas que eu tentava manter controladas agora me cegam e meus soluços se tornam altos misturados com meu apelo. Geraldo envolve suas mãos rechonchudas em meu punho e me puxa com força contra ele. Sinto seu cheiro de bebida impregnado em sua roupa social e antes que ele ponha sua mão em minha boca eu grito e em seguida ele me joga no sofá.
— Pare de teatro garota. Vamos brincar só um pouquinho. Eu pago. Fale-me seu valor.
Ele fala tentando abrir minhas pernas e uma dor latejante no local da minha cirurgiã ataca com força. Ele tenta repousar seu peso em cima de mim, mas alguma coisa o puxa para longe e eu só escuto barulho de pele contra pele e gemido.
— Fique longe dela! (eu me assusto e me encolho no sofá com o grito) – Nunca mais ouse tocar nela!
Caleb para na minha frente de forma protetora com as mãos fechadas em punho. Seus olhos são de um vermelho vivo realçando o azul de seus orbes. Geraldo tenta se levantar do chão e depois de algumas tentativas ele consegue se por de pé.
Meu choro é alto e minha respiração é alterada.
— Saia daqui agora antes que eu te mate! (Caleb praticamente rosna para o homem gordo a sua frente, assustando-o )
Geraldo sai pela mesma porta em que entrou, e assim que ele se vai, Caleb se aproxima de mim me envolvendo em um abraço gostoso e quente de irmão. Naquele momento eu me permito chorar porque sei que naquele abraço eu tenho todo conforto que preciso.
— Você esta bem Tris? (Caleb me pergunta se afastando um pouco para me olhar)
— Ele voltou para ela e me deixou Caleb... (digo chorando e soluçando) – Tobias nunca me amou...
— Não diga isso Tris... (vejo confusão passar em seus olhos) – Ele te ama sim... Eu mesmo vi isso quando você estava no hospital e nas vezes em que encontrei com ele. Tobias te ama, irmã.
— Ele mentiu Caleb... (choro ainda mais sentindo uma dor aguda em meu peito) – Ele reatou com a Lauren e pediu ao pai dela para vir me dizer. (soluço e ele me abraça) – Ele não teve coragem de vir me dizer o que precisava... Tobias é um covarde e eu o odeio com todas as minhas forças! (choro entre a camisa de meu irmão que apenas me abraça) – Ele mandou dinheiro em agradecimento, Caleb!
— O que? (sua voz é afiada) – Dinheiro?
— Não quero mais ficar aqui... Quero voltar para a casa da mamãe. (falo e Caleb me olha triste)
— Tem certeza disso Tris? Era seu sonho vir para cá e...
— Eu não vou agüentar ficar aqui. As pessoas são cruéis. (Caleb afaga minhas bochechas e beija minha testa)
— Falaremos sobre isso depois, tudo bem? (faço careta pela dor em minha cicatriz e Caleb parece perceber)
— Sua cicatriz esta doendo? (ele pergunta levantando um pouco minha blusa)
— Já vai passar Caleb.
Meu irmão me olha e eu vejo a preocupação transbordar em seus olhos, ele respira pesadamente e apenas concorda com a cabeça. Ele volta a me abraçar e eu me permito chorar novamente já que a dor que mais me machuca é a do meu coração.
Caleb não dá nenhuma palavra, mas seu coração esta batendo forte em seu peito, e assim que a porta de casa se abre revelando meus pais, Caleb se levanta dando espaço para que minha mãe se sente de um lado e meu pai do outro.
Eu conto a eles cada detalhe da minha vida ao lado de Tobias e de seus familiares inconseqüentes. Minha mãe acaricia minha mão enquanto meu pai apenas murmura ao meu lado. Conto a eles sobre a visita do pai de Lauren mais cedo e minha mãe chora junto comigo. Percebo que Caleb esta de olho em algo ao nosso lado e ele então desencosta da parede e caminha até o pacote pegando-o em seguida.
Meu pai assente e me dá total apoio quando digo que quero voltar para a casa deles e minha mãe volta a me abraçar me dando conforto.
Meu pai olha meu irmão e só agora percebo que os olhos de Caleb apresentam raiva pura. Ele caminha em direção a porta com a chave de seu carro.
— Caleb aonde vai? (meu pai pergunta)
— Resolver umas coisas pendentes.
E sai fechando a porta logo atrás dele.
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