Divergente - New Directions
36 Visita Indesejada II
Notas iniciais
Caleb: POV
Na época da escola e da faculdade, todos me conheciam por ser um cara da paz e tranqüilo. Nunca levei um desaforo se quer a sério e nunca deixei que pessoas com palavras maldosas acabassem com minha tranqüilidade. Meus amigos sempre souberam me respeitar e em agradecimento eu os respeitava de forma igual.
Desde que nos mudamos para cá, tive algumas mudanças súbitas de humor e de personalidade. Talvez a distância de casa e saudade me deixasse vulnerável em certas questões. Aconteceu logo que vi um dos meus amigos do hospital tentando forçar Tris a algo que ela não queria. Apesar de não ter batido em Al, já que Tobias havia dado um jeito, eu ainda sentia raiva do meu amigo, e esse sentimento estava preso em mim e querendo se libertar a todo custo.
Depois do incidente com Tris na rua o que levou ela a precisar de um transplante e depois dentro do hospital, com uma garota querendo matar minha irmã, eu estava à beira de deixar minha raiva extravasar.
E hoje, quando escutei os gritos dela e quando corri a tempo de ver aquele gordo tentando violentá-la, eu perdi a minha completa razão e voei para cima dele. Eu queria esmurrar a cara dele até que ele ficasse desacordado e sangue estivesse em cada parte da minha casa... Mas não fiz. Não fiz, não por não ter coragem. A raiva estava me deixando louco e eu poderia cometer qualquer loucura. Mas sim, porque não queria que Tris me visse entregue daquele jeito e depois tivesse medo de mim. Só que quando eu a vi sofrendo e contando para nossos pais dos últimos acontecidos e depois de ver o tal malote de dinheiro jogado no chão, a raiva que eu tentava manter controlada, se perdeu dentro de mim e se transformou em ódio puro. Eu precisava encontrar o cara responsável por tanto sofrimento desnecessário e eu sabia onde ele estaria.
Quando deixei o apartamento, fui em direção a garagem e peguei meu carro logo acelerando para a Eaton Advocacia. Meu coração estava acelerado, e eu poderia jurar que eu bufafa como um boi de tamanho ódio.
Dirigi feito um louco pela cidade e, no entanto não demorei muito para chegar até a empresa do infeliz, e assim que subi me deparei com uma menina branquinha de cabelos escuros. Ela me olhou sugestiva, mas vi medo passando em seus olhos quando viu minha expressão.
— Aonde encontro Tobias Eaton? (eu pergunto e ela arqueia suas sobrancelhas)
— Você tem hora marcada? (ela me pergunta e eu reviro os olhos)
— Não tenho tempo para brincadeiras... (leio seu nome em seu crachá) – Eu sou Caleb, irmão de Tris.
— Caleb... (uma voz feminina me faz olhar para trás) – O que esta fazendo aqui?
Shauna esta me olhando com cara de curiosidade e depois preocupação passa por seus olhos.
— Aconteceu alguma coisa com a Tris? (ela fala se aproximando de mim e eu nego com a cabeça)
— Preciso falar com o Eaton. Onde ele esta?
— Acredito que na sala dele Caleb. (ela me diz e eu assinto)
— Me leve até ele. Preciso tratar de umas coisas com ele. (eu e encaro e ela me olha apreensiva)
Apesar de receosa, Shauna acaba me levando até aonde fica a sala de Tobias. Logo na entrada encontramos a amiga de Tris, Christina. Seus olhos caem sobre mim, e ela tem a mesma reação que a maioria das meninas.
Shauna balança a cabeça negativamente para ela e meche os braços como se elas estivessem conversando por códigos.
— Ele precisa falar com o Tobias. (Shauna fala com Christina)
— Tris esta bem... (Shauna põe a mão no braço da amiga) – Vou avisar ao Tobias que esta aqui.
— Não precisa. (eu a interrompo) – Pode deixar que eu mesmo me apresento.
As duas me olham sem entender e vou caminhando em direção a porta da sala de Tobias. Aquela raiva que passou a habitar em mim, volta com tudo assim que Shauna abre a porta e vejo Tobias sentado a sua mesa. Suas mãos apóiam sua cabeça que esta abaixada.
— Você! (eu aponto para Tobias que me olha assustado)
Percebo olheiras em seu rosto e Tobias ostenta uma expressão cansada. Mas mesmo vendo ele assim eu não consigo frear o meu impulso e acerto em cheio seu lado esquerdo do rosto. Escuto as meninas gritarem e logo em seguida acerto o outro lado do rosto de Tobias que cambaleia para o lado desnorteado.
— Caleb, mas que porra é essa? (ele grita para mim se recompondo)
— Eu disse para você não machucar a minha irmã. Implorei-te que cuidasse dela Tobias... (eu o seguro pela camisa social) – Eu te implorei não foi?
Tobias coloca a sua mão sobre a minha em sua roupa e a aperta me fazendo gemer de dor e o soltar. Eu tento avançar sobre ele novamente, mas Tobias é mais rápido e consegue se desvencilhar do meu soco.
— Pare com isso Caleb... Eu não quero te machucar! (ele me diz em um alerta e isso me faz rir)
— Isso você já esta fazendo Eaton! (eu praticamente rosno e percebo as mãos de Tobias levantadas como se ele estivesse se rendendo)
— Eu não estou entendendo nada! (ele me diz e eu reviro os olhos e bufo)
Eu não estava ali para explicações, eu só queria descontar a minha raiva e eu tento socar Tobias mais uma vez, só que dessa vez ele me acerta em cheio e eu caio para trás, sentindo uma dor fodida no rosto, mas me recomponho e me levanto. Não posso me mostrar fraco diante desse miserável. Não vou deixar ele se sentir forte, e destroçar o coração da minha irmã. Eu vou acabar com ele.
Tobias volta a levantar a mão, e isso só me dá mais disposição para avançar. Corro até ele e finjo que lhe darei um soco, Tobias levanta os braços para proteger o rosto, e eu envolvo meus braços na sua cintura levantando ele e o jogando sobre sua mesa de trabalho. Escuto ele soltar um gemido de dor, e um sorriso brota em meu rosto. Eu soco o estômago dele, e Tobias tenta se defender. Eu acerto a boca de seu estômago e depois de urrar de dor, Tobias me empurra com seus pés. Eu me afasto cambaleando, e assim que ele desce da mesa, sua mão vai até a sua barriga e ele respira com um pouco de dificuldade.
Os olhos dele agora transbordam raiva e sem me deixar pensar, Tobias avança sobre mim, acertando o lado esquerdo do meu rosto, eu cambaleio e quando me recupero acerto um soco no rosto dele que não faz questão de se defender. Tobias me empurra contra a sua estante derrubando algumas coisas, percebendo minha distração Tobias soca meu estômago do mesmo modo que fiz com ele.
Nós dois estamos ensaguentados e esbaforidos, mas não queremos parar. Temos raiva de sobra para por para fora e tenho certeza que assim como eu, ele não quer parar.
— Tobias! (uma voz masculina grita da porta distraindo-o)
Acerto com meu cotovelo fortemente no queixo de Tobias e ele volta a sua atenção para mim por conta da dor.
Mãos aparecem nos puxando para longe um do outro. Mesmo com minha visão turva, percebo que Tobias esta mal pelos socos que acertei em seu rosto. Ele tem cortes na boca e sobrancelha. Eu não estou atrás dele no quesito machucados.
— Podem me dizer o que caralho esta acontecendo aqui? (um homem moreno fala olhando de Tobias para mim e de mim para Tobias)
— Nunca mais chegue perto dela ou eu juro que te mato! (digo depois de fazer o que eu queria)
— Zeke, não deixe eles continuarem com isso. (Shauna fala olhando para o homem que acabara de falar conosco)
— Tobias o que esta acontecendo? (Zeke pergunta e Tobias se solta dos seguranças)
— Eu não sei Zeke. (ele me olha) – Caleb chegou feito um furacão, não me deu tempo de pensar.
— Você quer pensar em que, Eaton? Em quanto mais estragos você consegue fazer com minha irmã?
— Mas que porra! (ele se exalta e depois de respirar fundo volta a falar) — Eu me afastei dela por necessidade Caleb, e não porque eu quis. (ele me cospe as palavras e eu solto uma rizada)
— É sério isso Tobias? (ele me olha confuso) – Se afastou por necessidade, mas teve a capacidade de mandar seu sogro ir até a minha casa para contar as novidades para a Tris, e também para jogar dinheiro na cara dela.
— Do que esta falando Caleb? (ele se aproxima de mim, mas ainda mantendo uma certa distância) – Eu não mandei Geraldo fazer isso. Nunca mandaria ele até ela.
— Pois ele foi. E se não fosse por mim lá com ela, a essa hora ela já tinha sido violentada por ele. (eu aponto para Tobias que passa a mão em sua boca limpando o sangue)
— O que? (escuto Tobias, Shauna, Zeke e Christina falarem juntos)
— Ele não seria capaz disso... (Shauna fala ofegante)
— Eu estava no quarto, escutei uns barulhos vindos da sala. Eu não sabia o que era, mas depois a escutei gritando. Quando eu cheguei à sala, aquele velho gordo estava tentando abrir as pernas da Tris... (escuto um estrondo e olho na direção de Tobias)
Tobias: POV
Loucura subiu a minha cabeça quando escutei Caleb contando sobre a visita de Geraldo a casa de Tris. Eu apenas queria matá-lo e eu não via a hora de fazer isso acontecer. Joguei meu computador com força na parede e depois de um tempo pude me acalmar.
— Tris te odeia Tobias. (Caleb fala depois de se sentar no sofá e se acalmar. Escutar ele falar assim me faz sentir uma dor grande no peito) – Ela esta magoada com você, e já decidiu que vai morar com nossos pais novamente.
— Você precisa fazer alguma coisa irmão. (Zeke fala comigo e eu me sento ao lado de Caleb)
— Estou de mãos atadas. (eu digo e levo minha mão até a testa) – Eles estão me vigiando e se eu tentar me aproximar dela... (deixo a frase morrer)
— O que acontece se você se aproximar da Tris, Tobias? (Caleb me pergunta e eu respiro fundo)
— Conte para ele Tobias. (Zeke me incentiva)
— Contar o que? (Caleb pergunta novamente)
— Descobri que a verdadeira pessoa que tentou matar a Tris no hospital, não foi a cara e sim a Lauren. (digo e Caleb parece engasgar)
— Como assim cara? Explica isso direito.
— Aquele dia em que a Tris acordou, ela me falou uma coisa que me deixou inquieto. Depois eu confirmei com a Shauna tudo o que Tris havia me dito e... (ele para e sorri) – E aquela boba achando que eu estava com ciúmes da Lauren. Enfim, Tris havia me contado que ela e Shauna presenciaram a briga de Lauren com um homem que eu ainda não sei quem é. Mas, impulsionado pela curiosidade eu fui até a casa da Lauren pela manhã antes de ir para o hospital. Quando cheguei lá, Lauren ainda dormia, e a empregada havia me deixado esperar por ela na sala. Como ela estava demorando de mais, resolvi ir eu mesmo no quarto para acordá-la. Só que fui pego desprevenido quando em cima de sua penteadeira havia uma seringa e um pote de veneno. (eu olho para Caleb que mantém agora seus olhos arregalados) – Lauren me pegou olhando a seringa e o cianeto. Tentou se desvencilhar e inventou um monte de coisa, só que já era tarde, eu já havia entendido o que tinha acontecido e porque Úriah defendera a Cara aquele dia. Cara era inocente e morreu tentando proteger a Tris. (Zeke era o único que sabia de tudo e meus amigos incluindo Caleb estão com os olhos arregalados pelo pânico)
— Mas se você descobriu sobre isso, por que já não foi à delegacia dar parte dela? (Caleb me pergunta e eu suspiro antes de falar novamente)
— Ela ameaçou matar a Tris caso eu tente me aproximar dela novamente. E ela falou que dessa vez não seria apenas com veneno. (Caleb passa a mão no rosto e suspira)
— Tenho certeza de que se você conversar com a Tris...
— Eu não posso Caleb. (digo com a voz embargada) – Eu a amo de mais para a ver sofrer. Prefiro que ela me rejeite agora a quando Lauren a machucar. Agora eu estou apenas zelando pela sua segurança. (tiro minha gravata e a jogo longe)
— Tobias, você não pode deixar a Tris sofrer assim... (Shauna fala e eu balanço a cabeça) – Ela estava magoada porque nem no hospital você foi, não ligou... E foi estranho com ela na última vez que a viu.
— Você esta morando com ela? (Caleb me pergunta e eu balanço minha cabeça afirmativamente)
— Dormimos em quartos separados. Foi a condição que impuz. Apesar de não poder me aproximar de Tris, também não vou me aproximar de Lauren. Será apenas o contato necessário. Nem na sua barriga eu toco mais. Tem pessoas me vigiando o tempo todo. Quando consigo fugir eu vou até a casa de vocês para ver se ela aparece. As vezes eu vejo apenas a sombra dela passando próximo a janela, mas a saudade que esta aqui dentro... (bato em meu peito) – Esta foda de mais para agüentar. A cada dia tem sido mais difícil. (passa a mão em meus olhos para conter minhas lágrimas) – E ainda tem o meu filho. Estou de mãos atadas.
Meus amigos me olham com pena, e Caleb apenas toca meu ombro. Sinto um pouco de dor pela nossa briga, mas nenhuma dor é tão forte quanto a essa que carrego dentro do peito.
Eu a amo, e estou afastado por necessidade, e não porque quero.
— Preciso vê-la mesmo que de longe. (eu digo e isso não é um pedido como da última vez, mas apenas um comunicado e Caleb assente para mim me dando permissão)
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