Divergent of CIA
5 Primeiro dia
Notas iniciais
Tobias
Estou perplexo. Meu coração está tão acelerado que talvez eu enfarte. Porque ela está aqui? Porque logo ela? A garota que mais parece um quebra cabeça, um quebra cabeça que eu adoraria montar, é a nova funcionária da Gold&Silver ou melhor, é minha nova assistente.
Não conseguirei me concentrar com ela tão perto de mim todos os dias. Poderia ter sido qualquer outra mulher, menos ela. Ela pode atrapalhar meus planos.
– Tris? — digo ainda assustado, mas nós estamos a muito tempo em silêncio, apenas nos encarando. Ela está linda, vestida formalmente.
– Tobias. — ela fala seca, parece estar com raiva. — Ou seja lá qual for seu nome.
Esqueci do fato que havia revelado a ela meu verdadeiro nome, mais esse problema agora. Aqui na empresa ninguém sabe dele, nem sequer desconfiam, isso com muito esforço da minha parte. Ela não podia estragar com tudo. Agora quem está com raiva sou eu.
– Me chame de Quatro aqui dentro, por favor. — minha voz soa arrogante.
– Se você prefere assim, Quatro. — ela cuspiu as palavras em mim.
Era aceitável eu estar com raiva dela, mas porque ela também estava? Essa mulher me enche de dúvidas.
Voltei a minha mesa e peguei as anotações que eu havia feito sobre tudo que minha nova assistente deverá fazer.
– Essas são as coisas que você deverá fazer para mim hoje. — entrego a ela as anotações. Não posso tratar ela bem aqui, se não desconfiariam de algo e não quero por Tris em problemas.
– Certo Quatro. — ela me fuzila com os olhos. — Posso me retirar ou tem mais algo?
Minha vontade era de abraça-lá, perguntar o que eu tinha feito para ela estar com tanta raiva assim. Deve ser pelo fato de ter revelado meu nome e aqui ele ser outro. Só pode ser isso, mas preciso me concentrar, não posso perder o foco. E também preciso proteger Tris de toda essa sujeira. Nem que para isso eu tenha que magoa-lá, se é que é possível essa mulher ficar magoada com alguma coisa.
Olho para a ficha dela que está em minha mesa. Beatice Prior.
– Está dispensada Prior.
Tris
Eu estou com tanta raiva, que não consigo nem me concentrar direito. Porque tinha que ser logo ele o meu suspeito? Isso é castigo. E se ele for realmente o cara que a CIA está procurando? E se eu precisar matá-lo? Tenho inúmeras perguntas em minha cabeça, acho que vou explodir.
Estou indo em direção a minha sala e vejo Uriah. Lembro que Christina comparou Zeke a Uriah e que Tobias estava junto, então não adianta nem fingir que não o conheço, ia levantar mais suspeitas ainda. Vou dizer que ele me indicou para cargo de assistente do chefe do setor pelo meu bom currículo.
– Como está sendo seu primeiro dia Uri? — ele é surpreendido com a minha pergunta. Fico encarando ele, para que ele entenda e acho que ele entende. Uriah me conhece, sabe que não arriscaria a fazer nada de errado em uma missão.
– Estou indo bem, é bem tranquilo aqui e você Beatrice? — diz Uriah em tom casual.
As pessoas aqui me chamariam de Beatrice, exceto Tobias. Já disse o quanto eu odeio esse nome e tudo que ele me faz lembrar?
– Estou indo bem também. Não consegui te agradecer por ter me indicado ao cargo. — Uriah mais uma vez fica surpreso mas depois entende. — Muito obrigada.
– Por nada, você merece. — diz ele automaticamente.
Uriah além de bom de mira, era inteligente, eu gostava de trabalhar ao lado dele por isso. Se fosse qualquer outro agente da CIA nessa situação já teria levantado suspeitas.
Sorri em agradecimento e fui em direção a minha sala. No caminho observei todos os detalhes possíveis, quadros, cores das paredes, portas. Ouço uma voz masculina vindo do corredor e sigo para saber quem é. Quando enfim enxergo o homem levo outro susto. Era Zeke.
– Ei eu conheço você. — diz ele ao me ver. — É a garota que estava com Quatro na festa não é? — ele sorri simpático, pelo menos ele parece ser a mesma pessoa da festa, ao contrário de Tobias.
– Sim, sou Beatrice. — ao falar faço uma careta.
Lembro-me da tela do projetor onde ao lado do nome de Uriah estava o nome de Zeke. Como não pude perceber? Eu estava tão focada em descobrir quem era Quatro que não prestei atenção nos outros. Um erro gravíssimo.
– Vai me dizer que você é a nova assistente do Quatro? — Zeke diz tirando-me do meu devaneio.
– Sim sou eu e antes que você diga alguma gracinha eu já havia sido contratada antes de conhecer vocês — falo rindo, tentando ser simpática. Ele ri alto e assente com a cabeça.
Sigo indo em direção a minha sala. Ao chegar começo a fazer as coisas que Tobias havia solicitado, pretendo terminar tudo cedo, para começar a investigar.
Como previ, terminei tudo antes do horário. Coloquei na cabeça que não poderia misturar as coisas, fui contratada para investigar Quatro e é isso que eu iria fazer, eu era uma profissional.
Decidi ir até a sala dele com tudo que ele havia pedido para eu fazer, a fim de conseguir algumas informações também. Bati e aguardei ele responder, depois de alguns segundos ele abre a porta. Meu coração salta, que merda, será que vai ser sempre assim?
– Beatrice. — diz ele friamente. Porque ele estava me tratando desse jeito?
– Quatro, aqui está tudo que você pediu. — digo formalmente. Penso em chamar ele de senhor, mas isso soa muito estranho já que ele não é tão mais velho assim que eu.
– Oh, excelente! — agora ele sorria. Um sorriso lindo por sinal. — Liga para esses números por favor e confirma a nossa reunião de amanhã as 11 horas.
– Nossa reunião? — pergunto sem entender.
– Sim, minhas assistentes comparecem em todas as reuniões junto a mim. — diz ele secamente.
– Certo. — tento parecer indiferente ao tratamento desse homem.
Antes de sair observo toda sua sala, olho para ver se tem câmeras e não noto nenhuma. Preciso me aproximar dele se quiser descobrir alguma coisa.
Olho os cartões com os números e nomes que ele tinha me passado e entre os cartões havia um bilhete.
"Me encontre as 7:00 p.m na Manny's Coffe <4"
O que significava isso? Tobias queria me encontrar porque? Será que tinha sido colocado de propósito para mim ou foi apenas um engano? De qualquer forma, iria até lá. Precisava descobrir.
Confirmo a reunião com todos e faço meus afazeres. Não consegui nada muito útil para a missão hoje, por ora. Mas era o esperado, geralmente essas coisas demoram meses e eu precisava ser paciente.
Tobias
Deixei um bilhete para Tris entre os cartões, espero que ela consiga entender. Escolhi um lugar afastado da empresa para encontrá-la a fim de evitar rumores. Estou ansioso, não aguento mais tratar ela com essa indiferença.
Talvez eu venha a me arrepender de ter tomado essa decisão de vê-la, mas tenho um interesse fora do normal por essa mulher, ela me atrai de um jeito inexplicável. Quero poder conhecer ela e desvenda-lá. Mas com ela sendo minha assistente tudo fica mais complicado. As vezes penso que não tenho sorte mesmo.
Chego no local marcado as 6:45 p.m. Como meu carro está na revisão, vim de taxi. Peço um cappuchino e aguardo. Estou nervoso, não consigo parar de mexer os pés.
Depois de exatos dez minutos ela aparece. Estava linda. Pelo visto deve morar perto, porque trocou de roupa. Cabelo preso em um rabo de cavalo, calça jeans e uma camisa. Sou um homem muito observador. Fico encarando-a até que ela me ver e começar a me encarar também. Meu coração está muito mais acelerado que o habitual. Ela caminha lentamente até mim, passos cuidadosos, como se estivesse calculando tudo. Quando ela está perto o suficiente, sorrio, mas ela não retribui o sorriso, apenas continua me fitando seriamente.
– Não vai se sentar Tris? — pergunto delicadamente.
– Ah agora eu sou Tris para você? — ela responde rispidamente, sentando-se na cadeira ao meu lado.
Não sei o que responder, ela realmente está brava com o jeito que venho tratando-a.
– Você prefere que eu te chame de Beatrice? — só consigo dizer isso.
– Prefiro que você deixe de ser bipolar , Quatro. — ela diz revirando os olhos. Estou começando a perder a paciência.
– Olha Tris, fiquei realmente abismado quando te vi na minha sala. Esperava qualquer pessoa, menos você. Achei muita coincidência. — faço uma pausa, ela me olha intensamente. — Mas lá dentro da empresa eu sou seu chefe e você é minha assistente e eu preciso te tratar desse jeito.
– Entendo. — ela limita-se a dizer apenas isso.
– Mas fora do nosso local de trabalho gostaria muito de conhecê-la melhor, você parece ser uma mulher extraordinária.
Ela finalmente ri e por um tempo parece estar pensando na hipótese.
– Tudo bem, primeiro me explica porque você disse que se chama Tobias e lá te chamam de Quatro.
– Digamos que Quatro é como sou conhecido para a maioria das pessoas e Tobias é apenas para os íntimos. — pisco para ela. Ela sorri, finalmente sua armadura está caindo.
– Quer dizer que me tornei intima sua em uma festa? — ela diz isso rindo, seus olhos azuis brilhavam.
– Bom, intima ainda não. — sorrio maliciosamente e ela cora — Mas senti vontade de dizer meu nome a você. — levanto as sobrancelhas ao terminar de dizer.
– Hum... Gostei disso. — diz ela timidamente.
Ficamos conversando por mais de uma hora. No início ela fazia diversas perguntas sobre a Gold&Silver, o que me incomodou um pouco, mas compreendo que ela queira saber mais da empresa que trabalha. Depois começou a perguntar sobre mim e eu sobre ela. Eu estava certo, ela era uma mulher encantadora.
Na hora de ir embora, acompanho-a até seu carro.
– Aonde está o seu? — ela pergunta e demoro a entender que ela refere-se ao meu carro.
– Eu vim de taxi, meu carro está na revisão. — passo a mão nos cabelos ao dizer isso.
– Porque não disse antes? Entra que eu te levo em casa.
– Ta bom. — sorrio. Aceitei a carona pois queria ficar o máximo de tempo possível perto dela.
No caminho fomos ouvindo música e conversando, ela morava bem próximo a minha casa, o que era ótimo. Quando estamos quase chegando, começa a tocar no rádio a música "Thinking out loud" e ela começa a cantar descontraída. Assim que ela estaciona em frente ao meu prédio, ela canta o refrão.
Take me into your lovin’ arms
Kiss me under the light of a thousand stars
Place your head on my beating heart
Thinking out loud
Baby, we found love right where we are
Oh, oh
Me leve em seus braços amorosos
Beije-me sob a luz de milhares de estrelas
Apoie sua cabeça em meu coração acelerado
E estou pensando em voz alta
Que talvez tenhamos encontrado o amor bem onde estamos
Oh, oh
Ela termina de cantar e eu não me contenho. Olho fixamente dentro dos seus olhos azuis e depois para sua boca. A boca dela é linda. Seguro seu rosto e aproximo do meu. Coloco minha mão na sua nuca, encosto meus lábios no dela e a beijo. Beijo delicadamente e ela retribui. Um calor invade meu corpo e a beijo com mais vontade, mais intensamente. Ela sai do banco do motorista e senta em meu colo. Coloco minhas mãos em sua cintura e aproximo ela ainda mais de mim. Ela está com os braços em volta do meu pescoço e puxa levemente o meu cabelo curto. Estou fervendo com tudo isso. Beijamo-nos ferozmente e ela coloca as mãos nas minhas costas me apertando contra ela. Paramos apenas porque ambos precisávamos de ar.
– Acho melhor eu ir indo. — diz ela ofegante.
– Tem certeza que não quer subir? — pergunto. Um homem sempre pode ter esperanças.
– Hoje não. — ela ri e abre a porta do carro. Sai do meu colo e da espaço para eu sair. Saio de cara feia. Ela me encara achando graça. Coloca os braços de novo em volta do meu pescoço e eu coloco-os em volta de sua cintura. Ela me beija novamente, só que diferente de antes agora suavemente. Depois se afasta apenas para olhar em meus olhos.
– Boa noite Tobias, até amanha. — e pisca.
– Boa noite Tris. — lhe dou um selinho e ela se afasta e vai em direção ao carro. Da partida e segue pela noite estrelada.
Fico parado em frente ao meu prédio com um sorriso estampado no rosto, apenas pensando no que acabou de acontecer.
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